{"id":453612,"date":"2025-10-30T20:00:52","date_gmt":"2025-10-30T20:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=453612"},"modified":"2025-10-31T14:43:23","modified_gmt":"2025-10-31T14:43:23","slug":"o-recado-que-o-brasil-precisa-dar-ao-mundo-na-cop-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/10\/o-recado-que-o-brasil-precisa-dar-ao-mundo-na-cop-30\/","title":{"rendered":"O recado que o Brasil precisa dar ao mundo na COP 30"},"content":{"rendered":"<p>Pela primeira vez na hist&oacute;ria, uma capital de estado na Amaz&ocirc;nia &ndash; Bel&eacute;m -, vai sediar uma edi&ccedil;&atilde;o da COP, a Confer&ecirc;ncia das Partes, reunindo os pa&iacute;ses signat&aacute;rios da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre a Mudan&ccedil;a do Clima.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A escolha do Par&aacute; como sede desse evento mundial para discutir quest&otilde;es relacionadas ao aquecimento global e &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas &eacute; emblem&aacute;tica e se traduz em oportunidade &uacute;nica para o Brasil chamar a aten&ccedil;&atilde;o do planeta para a necessidade de a preserva&ccedil;&atilde;o da floresta amaz&ocirc;nica passar a ser encarada como uma obriga&ccedil;&atilde;o mundial se, de fato, o objetivo for assegurar o bem-estar das futuras gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; o momento oportuno para mostrar &ndash; e comprovar &ndash; aos demais pa&iacute;ses que, ao contr&aacute;rio do senso comum, o Brasil tem feito um esfor&ccedil;o enorme, a um custo gigantesco para a popula&ccedil;&atilde;o amaz&ocirc;nica, para manter a floresta em p&eacute; e assegurar a sobreviv&ecirc;ncia do maior banco gen&eacute;tico do planeta (custo local). Mais do que cobrar o Brasil, a comunidade internacional precisa dividir a conta (responsabilidade global , custo global).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A floresta amaz&ocirc;nica est&aacute; preservada em mais de 84%, mesmo depois da explora&ccedil;&atilde;o (inclusive internacional) ao longo dos 525 anos do descobrimento do Brasil. Esse patamar foi e est&aacute; sendo garantido pelos sete Pa&iacute;ses inseridos na Amaz&ocirc;nia, ao custo de ren&uacute;ncia econ&ocirc;mica total de US$ 317 bilh&otilde;es\/ano pela n&atilde;o explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, segundo estudo do Banco Mundial. (2023)<\/p>\n<p>A preserva&ccedil;&atilde;o da floresta &eacute; resultado da devo&ccedil;&atilde;o e do amor de mais de 18,7 milh&otilde;es de amaz&ocirc;nidas que vivem na regi&atilde;o norte e que pagam muito caro por esse trabalho invis&iacute;vel aos olhos do mundo, em especial cerca de 13 milh&otilde;es de Amaz&ocirc;nidas que residem no interior e longe das capitais. A comunidade internacional, notadamente os pa&iacute;ses do G7, cujo PIB &eacute; superior a 60% do PIB mundial (US$66,70 trilh&otilde;es), precisam tomar conhecimento das enormes desigualdades que afligem essa parcela de brasileiros.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Embora ocupe 45,5% da &aacute;rea territorial brasileira, a Amaz&ocirc;nia abriga apenas 8,7% da popula&ccedil;&atilde;o nacional (vazio demogr&aacute;fico) e produz somente 6,2% do PIB (vazio econ&ocirc;mico). Um quarto desse territ&oacute;rio &eacute; constitu&iacute;do de terras ind&iacute;genas, onde vivem 310 mil pessoas dos povos origin&aacute;rios. Outros 10,54% s&atilde;o &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente e 14,31% s&atilde;o &aacute;reas de uso sustent&aacute;vel. Isto &eacute;, metade do territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico &eacute; &aacute;rea de uso restrito, limitando, portanto, sua explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outro dado d&aacute; bem a dimens&atilde;o da floresta. O territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico corresponde &agrave; &aacute;rea de 27 pa&iacute;ses europeus somados, cuja popula&ccedil;&atilde;o totaliza 488 milh&otilde;es de habitantes e teve PIB de US$ 19,20 trilh&otilde;es em 2024.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Apesar da grandeza territorial da regi&atilde;o, a popula&ccedil;&atilde;o dos estados amaz&ocirc;nicos tem, em m&eacute;dia, renda mensal per capita 29% inferior &agrave; dos brasileiros de outras regi&otilde;es. A discrep&acirc;ncia &eacute; ainda maior no estrato da popula&ccedil;&atilde;o que reside fora das capitais da Amaz&ocirc;nia (interior): renda per capita 64% menor que a m&eacute;dia nacional (apenas US$4.780,00 por habitante \/ano contra a media nacional de US$10.249,00 por habitante\/ano).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; preciso dar voz a essa popula&ccedil;&atilde;o e ouvidos ao que disse Joe Biden, ent&atilde;o presidente dos Estados Unidos, em 2023: &ldquo;&Eacute; imposs&iacute;vel preservar a floresta t&atilde;o importante para o equil&iacute;brio ambiental e clim&aacute;tico sem que os pa&iacute;ses ricos e desenvolvidos fa&ccedil;am contribui&ccedil;&atilde;o efetiva e expressiva&rdquo;. Biden n&atilde;o estava sozinho nessa cruzada. Lars Peter Hansen, vencedor do Pr&ecirc;mio Nobel de Economia 2013, tamb&eacute;m j&aacute; havia alertado que os pa&iacute;ses ricos t&ecirc;m de contribuir para manter a floresta em p&eacute;, refor&ccedil;ando o pensamento de Erna Solberg, ex-primeira-ministra da Noruega, para quem n&atilde;o h&aacute; como preservar sem incluir o resgate dos habitantes da regi&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil tem o dever de deixar claro que os pa&iacute;ses do G7 j&aacute; conhecem o tamanho da ren&uacute;ncia econ&ocirc;mica dos estados amaz&ocirc;nicos e n&atilde;o podem mais ficar silentes em rela&ccedil;&atilde;o a essa realidade. Somente as terras ind&iacute;genas, que somam mais de 1,01 milh&atilde;o de km&sup2;, deveriam ser utilizadas para efeito de emiss&atilde;o de t&iacute;tulos de cr&eacute;dito de carbono, gerando receita de bilh&otilde;es de d&oacute;lares por ano, sem sacrif&iacute;cios de nenhum governo e de nenhuma pessoa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>H&aacute;, evidentemente, uma demanda global pela preserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia, entretanto o custo disso permanece local. Para equilibrar a balan&ccedil;a, os pa&iacute;ses ricos deveriam contribuir com US$ 196 bilh&otilde;es\/ano ao Brasil (62% da floresta e os respectivos 62% da renunca economica), segundo o estudo do Banco Mundial. E como a preserva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o encontra resist&ecirc;ncia na sociedade mundial, h&aacute; tamb&eacute;m alternativas de apoio no setor privado. Um exemplo: se as maiores fabricantes mundiais de refrigerantes, cervejas e &aacute;gua mineral adicionassem ao pre&ccedil;o de varejo de cada unidade apenas US$ 0,01 ou US$ 0,02 (2 moedinhas de um penny), em cada unidade comercializada no mundo, como parte de uma campanha &ldquo;Save the forest&rdquo;, viabilizaria contribui&ccedil;&atilde;o anual de cerca de US$ 20 bilh&otilde;es\/ano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Obviamente, cabe ao governo brasileiro fazer sua parte e apresentar propostas claras e absoluto comprometimento na COP 30, notadamente quanto ao combate de garimpos e madeireiras que atuam ilegalmente na Amaz&ocirc;nia, ao desmatamento, &agrave; pesca predat&oacute;ria, &agrave; polui&ccedil;&atilde;o de rios, lagos e igarap&eacute;s, ao turismo sexual e ao tr&aacute;fico de armas e drogas na regi&atilde;o. &Eacute; preciso, ainda, atuar firmemente para a recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas degradadas e garantir incentivo para atividades que contribuam para a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental conciliada ao resgate da dignidade humana da popula&ccedil;&atilde;o local, incluindo o turismo ecol&oacute;gico, eventos e cient&iacute;fico, e a ind&uacute;stria integrada do pescado, de frutas tropicais e de f&aacute;rmacos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m disso, s&atilde;o imprencind&iacute;veis a prote&ccedil;&atilde;o do aqu&iacute;fero S.A.G.A &ndash; Sistema Aquifero Grande Amazonia, que cobre 1,2 milh&atilde;o de Km&sup2;), o invent&aacute;rio florestal (nunca feito por nenhum dos govenos nacionais) e a conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre a contribui&ccedil;&atilde;o do regime de chuvas, garantido pela floresta por meio dos &ldquo;rios voadores&rdquo; , para o Centro-Oeste, Sul e Sudeste, indispens&aacute;vel para o agroneg&oacute;cio e para a produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica limpa e mais barata.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ali&aacute;s, &eacute; hora de parte da imprensa nacional e de intelectuais brasileiros que criticam a ren&uacute;ncia fiscal do governo federal para a Amaz&ocirc;nia&nbsp; reconhecer que os amazonidas s&atilde;o credores e n&atilde;o devedores, pois suas ren&uacute;ncias econ&ocirc;micas s&atilde;o dezenas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares maiores do que a ren&uacute;ncia fiscal que beneficia aqueles estados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O mundo n&atilde;o pode mais adiar a&ccedil;&otilde;es concretas para frear as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. A COP 30 &eacute;, portanto, uma oportunidade que n&atilde;o pode ser desperdi&ccedil;ada pelo Brasil para que a comunidade internacional seja sensibilizada sobre a quest&atilde;o do povo do Amazonas, caboclos, ind&iacute;genas e ribeiros, principalmente, injustamente sacrificados por protegar a floresta que, mantida em p&eacute;, benefica o planeta inteiro. Representantes de mais de 190 pa&iacute;ses estar&atilde;o com os p&eacute;s na Amaz&ocirc;nia. &Eacute; a hora certa para que eles tamb&eacute;m voltem os olhos para a dignidade de seus habitantes. (Floresta em P&eacute; &ndash; Responsabilidade Global, Custo Global)<\/p>\n<p>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez na hist&oacute;ria, uma capital de estado na Amaz&ocirc;nia &ndash; Bel&eacute;m -, vai sediar&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":453611,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[1270],"class_list":["post-453612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-eventos","tag-sustentabilidade","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/453612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=453612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/453612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/453611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=453612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=453612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=453612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}