{"id":452220,"date":"2025-10-06T20:17:35","date_gmt":"2025-10-06T20:17:35","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=452220"},"modified":"2025-11-28T22:36:00","modified_gmt":"2025-11-28T22:36:00","slug":"a-verdade-e-o-primeiro-passo-para-transformar-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/10\/a-verdade-e-o-primeiro-passo-para-transformar-o-pais\/","title":{"rendered":"A verdade \u00e9 o primeiro passo para transformar o pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">O Brasil &eacute; um pa&iacute;s no qual a narrativa se imp&otilde;e sobre a verdade. N&atilde;o &eacute; uma realidade nova, por&eacute;m muito acentuada com o fen&ocirc;meno das redes sociais que ocupam cada vez mais espa&ccedil;o no cotidiano das pessoas, disseminando inverdades e inflamando discursos de &oacute;dio com potencial explosivo para a polariza&ccedil;&atilde;o da qual a na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consegue se libertar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Colabora para esse cen&aacute;rio a postura quase apassiva da grande m&iacute;dia, ainda incapaz de fazer frente &agrave; nova realidade, tamb&eacute;m porque praticamente vem abdicando de exercer seu papel mais relevante &ndash; o de questionar sempre e com profundidade -, cedendo cada vez mais espa&ccedil;o para a cobertura sup&eacute;rflua de pseudocelebridades.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">&ldquo;Jornalismo &eacute; questionar, o resto &eacute; chapa&#8209;branca<em>&ldquo;<\/em>, diz a frase atribu&iacute;da ao norte-americano Joseph Pulitzer, que merece ser lembrada no momento. Faria muito bem ao pa&iacute;s se o jornalismo brasileiro fizesse, de fato, um contraponto &agrave;s inverdades contidas nas narrativas do governo, comparando o discurso oficial com os dados igualmente oficiais e contextualizando tudo com a realidade vivida por mais de 200 milh&otilde;es de cidad&atilde;os.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Um exemplo: o Brasil ostenta a nona ou 10&ordf; posi&ccedil;&atilde;o entre as maiores economias do mundo, com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,6 trilh&otilde;es, o equivalente a US$ 2,2 trilh&otilde;es. No entanto, no ranking do PIB per capita, o pa&iacute;s ocupa a vergonhosa 81&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o, pois o PIB per capita nacional &eacute; de apenas US$ 10,82 mil por habitante\/ano, bem inferior &agrave; m&eacute;dia mundial, de US$ 14,45 mil. Esse n&uacute;mero, por si, contrasta com o ufanismo do governo e desnuda a abissal discrep&acirc;ncia entre a riqueza do pa&iacute;s e a distribui&ccedil;&atilde;o de renda e a qualidade de vida de seu povo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Outro dado pouco divulgado &eacute; que no trimestre de mar&ccedil;o a maio de 2025 a massa salarial dos trabalhadores foi de R$ 355 bilh&otilde;es, o correspondente a apenas 11,3% do PIB no mesmo per&iacute;odo.&nbsp; Esses n&uacute;meros mostram claramente o Brasil na contram&atilde;o dos 37 pa&iacute;ses membros da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico ou Econ&oacute;mico (OCDE).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Igualmente grave &eacute; a recente revela&ccedil;&atilde;o feita no final de maio pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social, apontando que em 12 das 27 unidades da Federa&ccedil;&atilde;o (26 estados mais o Distrito Federal), o n&uacute;mero de benefici&aacute;rios do Bolsa Fam&iacute;lia &eacute; maior do que de trabalhadores com carteira assinada. Enquanto o governo comemora o crescimento dos empregos formais, em quase metade dos estados do pa&iacute;s &ndash; notadamente no Norte e Nordeste &ndash; h&aacute; mais gente vivendo do programa de transfer&ecirc;ncia de renda do governo do que do emprego, uma depend&ecirc;ncia que merece reflex&atilde;o porque o sucesso de um programa desse porte, criado para combater a pobreza, deveria ser medido pelo n&uacute;mero de pessoas que deixam de depender dele, e n&atilde;o pelo volume de atendidos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Temos mais de 21 milh&otilde;es de fam&iacute;lias vivendo com menos de R$ 800,00 por m&ecirc;s. Segundo o IBGE,14,2% dos trabalhadores brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza, com renda mensal de at&eacute; R$ 665,00, menos da metade um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo. Mais de um ter&ccedil;o deles (35,6%) t&ecirc;m renda mensal de at&eacute; um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo (R$ 1.518,00), e 70% vivem com menos de 2 sal&aacute;rios-m&iacute;nimos\/m&ecirc;s). &Eacute; o retrato da pen&uacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Esses dados e o recente estudo do Atlas Mobilidade Social mostram, de forma inequ&iacute;voca, que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas fracassaram e j&aacute; comprometem as gera&ccedil;&otilde;es futuras, pois n&atilde;o h&aacute; esperan&ccedil;a de ascens&atilde;o social e os indicadores de educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o muito ruins. Est&aacute; claro que oferecer mais do mesmo n&atilde;o funciona h&aacute; alguns anos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Tamb&eacute;m n&atilde;o se sustenta o discurso do governo de que a pobreza avassaladora &eacute; culpa das classes empresariais &ldquo;que n&atilde;o querem pagar imposto&rdquo;. Vamos aos n&uacute;meros. O brasileiro paga em tributos o equivalente a 142 dias de trabalho. Isto &eacute;: tudo o que o cidad&atilde;o ganha de 1&ordm; de janeiro a 22 de maio vai para o governo. Esses tributos, somados, correspondem a 34%-35% do PIB. Portanto, pouco mais de um ter&ccedil;o de todas as riquezas produzidas anualmente no Brasil &eacute; resultado do suor dos trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">A culpa, por&eacute;m, &eacute; sempre atribu&iacute;da aos governos anteriores, como um salvo-conduto que se repete como se os gestores n&atilde;o fossem eleitos justamente para buscar solu&ccedil;&otilde;es para os problemas nacionais, conforme prometem nas campanhas eleitorais. Ali&aacute;s, a maioria dos candidatos sucumbiria se houvesse detector de mentiras nos debates.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Vale lembrar que o governo atual est&aacute; no comando do pa&iacute;s h&aacute; dois anos e meio e presidiu a na&ccedil;&atilde;o por quase 11 dos &uacute;ltimos 23 anos, ou seja, 48% do per&iacute;odo. E o seu partido governou por 17 anos (74% do total do per&iacute;odo), com apenas duas figuras.<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Os problemas persistem, com gritantes desigualdades sociais e regionais, e n&atilde;o se questiona qual o plano de governo. Qual a pol&iacute;tica industrial? Qual percentual da trilion&aacute;ria arrecada&ccedil;&atilde;o de tributos &eacute; destinado a investimentos? Qual a evolu&ccedil;&atilde;o dos programas de saneamento b&aacute;sico, essencial para melhorar a qualidade de vida e a sa&uacute;de de milh&otilde;es de brasileiros? Quantos dos 21 milh&otilde;es de chefes de fam&iacute;lia deixam o Bolsa Fam&iacute;lia por ascens&atilde;o social? S&atilde;o perguntas que deveriam ser feitas diariamente pelos eleitores e pela m&iacute;dia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">H&aacute; muito tempo o Brasil tem um governo perdul&aacute;rio, incapaz de cortar gastos, t&iacute;mido em transpar&ecirc;ncia, generoso na concess&atilde;o de benef&iacute;cios tribut&aacute;rios e sempre com enorme apetite para aumentar impostos. N&atilde;o &eacute; por acaso que temos uma das maiores cargas tribut&aacute;rias do planeta.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Nesta na&ccedil;&atilde;o cheia de contrastes, o governo recordista em arrecada&ccedil;&atilde;o via tributos n&atilde;o destina recursos suficientes para libertar os cidad&atilde;os mais pobres das migalhas doadas nem para investir em educa&ccedil;&atilde;o em tempo integral, preferindo subsidiar privil&eacute;gios, como se o pa&iacute;s revivesse as primeiras d&eacute;cadas do colonialismo portugu&ecirc;s com as capitanias heredit&aacute;rias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Assim, a educa&ccedil;&atilde;o patina, como mostra a compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses; e a seguran&ccedil;a j&aacute; supera a sa&uacute;de entre as maiores preocupa&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o. Governa-se o pa&iacute;s como um concordat&aacute;rio que n&atilde;o tem de prestar contas a ningu&eacute;m.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Isso reclama o aperfei&ccedil;oamento dos &oacute;rg&atilde;os de controle como o Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU) e os Tribunais de Contas estaduais (TCEs), cuja composi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser mais objeto de compadrios e acordos pol&iacute;ticos e tem de passar a ser definida por concursos p&uacute;blicos s&eacute;rios e transparentes, com avalia&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica dos aprovados. A vitaliciedade tamb&eacute;m precisa ser rediscutida pela sociedade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Faria muito bem ao pa&iacute;s se fosse abolido o foro privilegiado para qualquer detentor de mandato eleitoral e voltasse a ser proibida a reelei&ccedil;&atilde;o para cargos do Executivo, al&eacute;m de se tornar imprescrit&iacute;veis os crimes cometidos contra a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Representaria o combate efetivo a alguns dos maiores males do pa&iacute;s, ao lado das mentiras, todos respons&aacute;veis por contaminar os governos e que precisam ser trazidos &agrave; tona pela m&iacute;dia para esclarecer a sociedade. O pa&iacute;s se ressente da falta de informa&ccedil;&otilde;es verdadeiras e de an&aacute;lises cr&iacute;ticas e isentas. Esse papel deve ser resgatado pelas r&aacute;dios (ainda com grande for&ccedil;a entre a popula&ccedil;&atilde;o), televis&otilde;es, jornais e portais na internet, a fim de que os mais de 155 milh&otilde;es de eleitores votem de forma consciente e n&atilde;o se deixem iludir por promessas de campanha que quase nunca s&atilde;o concretizadas, nem sejam enganados com pe&ccedil;as de propaganda criadas para mostrar um pa&iacute;s muito diferente daquele onde vivem os cidad&atilde;os.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><em>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/em><\/span><\/p>\n<hr>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Brasil &eacute; um pa&iacute;s no qual a narrativa se imp&otilde;e sobre a verdade. N&atilde;o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":452219,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21679,20906,33073,21201,13,32309,27],"tags":[3937],"class_list":["post-452220","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-assunto-do-momento","category-brasil","category-conhecimento","category-destaques","category-economia","category-nao-deixe-de-ler","category-sociedade","tag-economia","wpcat-11-id","wpcat-21679-id","wpcat-20906-id","wpcat-33073-id","wpcat-21201-id","wpcat-13-id","wpcat-32309-id","wpcat-27-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/452220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=452220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/452220\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/452219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=452220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=452220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=452220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}