{"id":449999,"date":"2025-07-18T19:53:40","date_gmt":"2025-07-18T19:53:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=449999"},"modified":"2025-07-18T19:54:17","modified_gmt":"2025-07-18T19:54:17","slug":"artigo-do-tricampeao-mundial-phil-rajzman-o-surfe-apos-os-40-superacao-de-um-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/07\/artigo-do-tricampeao-mundial-phil-rajzman-o-surfe-apos-os-40-superacao-de-um-cancer\/","title":{"rendered":"Artigo do tricampe\u00e3o mundial Phil Rajzman: o surfe ap\u00f3s os 40 (supera\u00e7\u00e3o de um c\u00e2ncer)"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&nbsp;&ndash; * Por Phil Rajzman &ndash;<br>\n<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Surfar aos 40 anos &eacute; uma experi&ecirc;ncia diferente. J&aacute; n&atilde;o &eacute; mais s&oacute; sobre performance, vit&oacute;rias ou t&iacute;tulos &mdash; &eacute; sobre significado de vida.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Depois de tr&ecirc;s d&eacute;cadas remando atr&aacute;s de ondas ao redor do mundo, minha rela&ccedil;&atilde;o com o surfe foi se transformando naturalmente. Come&ccedil;ou como uma brincadeira de crian&ccedil;a, virou profiss&atilde;o, paix&atilde;o e, mais recentemente, cura. No final de 2023, fui diagnosticado com c&acirc;ncer. Passei o ano de 2024 em tratamento. Em meio aos desafios f&iacute;sicos e emocionais, o surfe foi meu ponto de equil&iacute;brio. O mar se tornou meu templo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo ainda em remiss&atilde;o, tive for&ccedil;as para competir e vencer, em abril, a etapa de Saquarema, do circuito sul-americano da WSL (REMA WSL Saquarema Surf Festival). Uma vit&oacute;ria que n&atilde;o foi apenas esportiva &mdash; foi existencial. Cada onda agora tem um outro valor. A energia que troco com o oceano carrega mais do que t&eacute;cnica: carrega gratid&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aos 40, a gente entende o corpo com mais profundidade. As manobras mais explosivas exigem cuidados maiores, trocas r&aacute;pidas de dire&ccedil;&atilde;o. Tudo isso pede respeito aos limites. Mas, ao mesmo tempo, a mente est&aacute; mais afiada, o estilo mais refinado e a leitura do mar mais precisa. A t&eacute;cnica evolui com o tempo, e isso &eacute; libertador.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minha prepara&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica hoje &eacute; mais equilibrada: yoga, treino funcional, muscula&ccedil;&atilde;o leve, respira&ccedil;&atilde;o e medita&ccedil;&atilde;o. Valorizo o descanso e a alimenta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o busco mais o corpo de um atleta no auge. Busco sa&uacute;de e longevidade. Quero continuar surfando n&atilde;o s&oacute; bem, quero continuar surfando sempre.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Meu surfe mudou muito. Evoluiu junto com a minha percep&ccedil;&atilde;o de mundo. As viagens, as competi&ccedil;&otilde;es, os aprendizados com os mestres &mdash; tudo isso foi moldando meu estilo. Sempre busquei unir o cl&aacute;ssico com o progressivo, mesmo quando o circuito internacional tentou empurrar o Longboard para uma dire&ccedil;&atilde;o &uacute;nica e engessada.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acredito que a verdadeira beleza do Longboard est&aacute; no equil&iacute;brio. No toque leve dos p&eacute;s no bico da prancha e, ao mesmo tempo, na pot&ecirc;ncia da manobra bem encaixada. Tenho orgulho de ter mantido minha ess&ecirc;ncia mesmo me adaptando aos novos crit&eacute;rios, o que me levou a conquistar meu terceiro t&iacute;tulo mundial em 2016.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Do Rio para o mundo: uma vida no mar<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Minha primeira viagem de surfe foi aos 10 anos, em 1992, representando o Rio de Janeiro no circuito brasileiro amador. Lembro com carinho das viagens no &ocirc;nibus da FESERJ (Federa&ccedil;&atilde;o de Surfe do Estado do Rio de Janeiro) com a equipe, parando em lugares como <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, Florian&oacute;polis e Cear&aacute;. Era o come&ccedil;o de uma jornada que se tornaria minha vida inteira.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2004, em Puerto Escondido, no M&eacute;xico, vivi uma das experi&ecirc;ncias mais marcantes da minha carreira: vencer o evento mundial &ldquo;Oxbow Soul and Stulyle&rdquo;. Me vanglorio n&atilde;o s&oacute; pelo n&iacute;vel das ondas &mdash; pesadas, tubulares, desafiadoras -, mas tamb&eacute;m pelo n&iacute;vel dos competidores: eram 16 campe&otilde;es mundiais da hist&oacute;ria do Longboard reunidos. Terminei campe&atilde;o do evento em uma final contra o Joel Tudor, o que consolidou minha trajet&oacute;ria internacional e marcou o in&iacute;cio de uma nova fase na minha carreira. Esse campeonato me fez entender at&eacute; onde o surfe poderia me levar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J&aacute; enfrentei situa&ccedil;&otilde;es perigosas tamb&eacute;m. Em Sunset Beach, no Hava&iacute;, por volta de 1999, fiquei duas ondas submerso em um mar de 15 p&eacute;s. Naquela &eacute;poca, n&atilde;o existiam os recursos de seguran&ccedil;a de hoje, como coletes infl&aacute;veis ou jet ski de resgate. Foi um susto grande, mas me ensinou muito sobre respeito ao oceano. E surfei tamb&eacute;m em Jaws, a onda de Peahi\/Hava&iacute;, com ondas de 35 p&eacute;s, na remada. Ali, &eacute; outro n&iacute;vel de poder da natureza. O mar se imp&otilde;e. &Eacute; preciso preparo f&iacute;sico, mental, espiritual &mdash; e muita humildade. S&atilde;o momentos que marcam para sempre. Felizmente, hoje temos tecnologia e prepara&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica que nos ajudam a minimizar os riscos nessas condi&ccedil;&otilde;es extremas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E por falar em tecnologia, hoje, desenho minhas pr&oacute;prias pranchas. Busco o equil&iacute;brio entre tradi&ccedil;&atilde;o e tecnologia. As pranchas modernas oferecem leveza, precis&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &mdash; mas carrego comigo o respeito pelas pranchas cl&aacute;ssicas, com suas linhas puras e sua alma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Admiro os shapes californianos, mas adapto para o meu estilo, para as ondas do Brasil e para o meu corpo. Acredito que cada surfista precisa encontrar a prancha que converse com sua ess&ecirc;ncia &mdash; e isso, para mim, &eacute; parte fundamental do surfe como arte.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O surfe como escola de vida<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Se eu pudesse voltar no tempo, n&atilde;o mudaria nada. Cada erro me ensinou. Cada vit&oacute;ria me mostrou aonde posso chegar. O surfe me deu tudo &mdash; e tudo o que ele tirou, foi para me ensinar a ser algu&eacute;m melhor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, o surfe representa liberdade, equil&iacute;brio, espiritualidade e fam&iacute;lia. &Eacute; atrav&eacute;s dele que me conecto com minha filha Coral, que come&ccedil;a agora a viver sua rela&ccedil;&atilde;o com o mar. Meu sonho &eacute; envelhecer surfando ao lado dela, sem pressa, sem press&atilde;o &mdash; apenas sentindo a energia da onda.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda sonho em surfar em lugares que nunca fui, como Cloudbreak &ndash; um dos 10 melhores picos de surfe, na ilha de Tavarua, em Fiji -, Indon&eacute;sia (&Aacute;sia) e Teahupo&rsquo;o (Polin&eacute;sia Francesa). Mas, acima de qualquer destino, o que importa &eacute; o que a onda traz: presen&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aos jovens que est&atilde;o come&ccedil;ando agora, deixo um conselho simples: Mantenham sua ess&ecirc;ncia. Respeitem o mar. Estudem as pranchas. Entendam seus corpos. Aprendam com os mais velhos, mas sigam a pr&oacute;pria verdade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O surfe &eacute; muito mais do que competi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um estilo de vida. &Eacute; uma linguagem silenciosa com a natureza. Enquanto eu tiver sa&uacute;de e vontade, estarei no mar. Porque o surfe &eacute; isso: um ciclo sem fim. Um retorno constante a quem realmente somos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aloha!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Phil Rajzman<\/strong> &eacute; tricampe&atilde;o mundial de longboard (em 2007 e 2016, campe&atilde;o mundial pela World Surf League; e 2004 campe&atilde;o mundial pela Oxbow Pro), bicampe&atilde;o Pan-Americano (2007 e 2009) e atleta da elite mundial por 25 temporadas (at&eacute; 2022). Carioca, 43 anos, foi o primeiro brasileiro a entrar para a hist&oacute;ria como Campe&atilde;o Mundial de Surfe, mas no pranch&atilde;o. Tem um canal no Youtube (@PhilGood21) e o Instagram e o Facebook @philrajzman.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr>\n<p><strong><br>\n<\/strong><em>Deborah Ferreira &ndash;&nbsp;<a href=\"mailto:deborah@tudoemcomunicacao.com.br\">deborah@tudoemcomunicacao.com.br<\/a> <\/em><br>\n<em>M&eacute;rcia Suzuki &ndash;&nbsp;<a href=\"mailto:mercia@casadobomconteudo.com.br\">mercia@casadobomconteudo.com.br<\/a><br>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp;&ndash; * Por Phil Rajzman &ndash; &nbsp; Surfar aos 40 anos &eacute; uma experi&ecirc;ncia diferente&hellip;.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":450000,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,33076,24590,32309,7],"tags":[],"class_list":["post-449999","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-esportes","category-fama","category-nao-deixe-de-ler","category-sde","wpcat-11-id","wpcat-33076-id","wpcat-24590-id","wpcat-32309-id","wpcat-7-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/449999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=449999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/449999\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/450000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=449999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=449999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=449999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}