{"id":442363,"date":"2025-06-18T15:12:44","date_gmt":"2025-06-18T15:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=442363"},"modified":"2025-06-18T18:38:13","modified_gmt":"2025-06-18T18:38:13","slug":"como-reconstruir-pensamentos-e-comportamento-a-partir-das-tecnicas-japonesas-de-restauro-em-ceramica-kintsugi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/06\/como-reconstruir-pensamentos-e-comportamento-a-partir-das-tecnicas-japonesas-de-restauro-em-ceramica-kintsugi\/","title":{"rendered":"Como reconstruir pensamentos e comportamento a partir das t\u00e9cnicas japonesas de restauro em cer\u00e2mica &#8216;Kintsugi&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>O que Kintsugi, uma arte japonesa de reparar objetos quebrados com ouro, pode ajudar voc&ecirc; a se inspirar em sua vida quotidiana? &Eacute; simples de entender. Assim como na vida, n&atilde;o somos isentos de rachaduras ou rupturas e o Kintsugi demonstra que as cicatrizes n&atilde;o s&oacute; contam hist&oacute;rias, mas tamb&eacute;m podem unir beleza e for&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Do mesmo modo que na vida, n&atilde;o somos isentos de rachaduras. O Kintsugi (&lsquo;emenda de ouro&rsquo;), tamb&eacute;m chamado de Kintsukuroi (&lsquo;reparo com ouro&rsquo;), &eacute; uma t&eacute;cnica japonesa antiqu&iacute;ssima de consertar cer&acirc;micas quebradas utilizando laca espanada ou uma mistura de p&oacute; de ouro, prata ou platina. Depois da cer&acirc;mica ser restaurada surgem veios dourados entremeados no design do objeto original dando uma nova vida e est&eacute;tica ao objeto original. No Kintsugi h&aacute; uma t&eacute;cnica de decora&ccedil;&atilde;o de objetos, a Maki-e, &lsquo;imagem polvilhada&rsquo; em japon&ecirc;s, pela qual desenhos e padr&otilde;es s&atilde;o criados polvilhando p&oacute; met&aacute;lico (como ouro ou prata) sobre uma superf&iacute;cie de laca ainda &uacute;mida.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Por isso, a analogia seria tal como o Kintsugi d&aacute; nova vida a objetos quebrados como um pote japon&ecirc;s tradicional Hanki, geralmente feito de cer&acirc;mica, usado para armazenar arroz ou uma tigela Tchawan, usada para servir ch&aacute; durante a cerim&ocirc;nia do ch&aacute;, e tamb&eacute;m geralmente feita de cer&acirc;mica, nossas cicatrizes podem nos tornar mais fortes, mais s&aacute;bios e at&eacute; mais bonitos se soubermos tirar proveito da mudan&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Kintsugi ensina materialmente sobretudo que as cicatrizes n&atilde;o s&oacute; contam hist&oacute;rias, registram experi&ecirc;ncias, marcam situa&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m podem agregar beleza e for&ccedil;a. &Eacute; fundamental num mundo que pede resultados, lembrar que o autoconhecimento &eacute; a base de toda realiza&ccedil;&atilde;o. Eu aproveito para destacar aqui um paralelo entre o Kintsugi e a for&ccedil;a que surge das experi&ecirc;ncias dif&iacute;ceis, porque &eacute; preciso ter coragem de ser imperfeito. A arte japonesa tem me ajudado a entender e a honrar minhas cicatrizes. &Eacute; preciso, portanto, aceitar e abra&ccedil;ar nossas imperfei&ccedil;&otilde;es como parte fundamental do nosso crescimento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Reconhecida como uma das maiores pesquisadoras em temas de vulnerabilidade, coragem, capacidade de lidar com as adversidades, vergonha e empatia, a autora e pesquisadora da Universidade de Houston, Bren&eacute; Brown, tem trabalhado e em seus estudos sobre emo&ccedil;&otilde;es e conex&otilde;es humanas. Ela afirma que a vulnerabilidade, muitas vezes percebida como fraqueza, pode ser na realidade, o segredo para a bravura, a inova&ccedil;&atilde;o, a criatividade e a verdadeira conex&atilde;o. Se permitir ser vulner&aacute;vel, no entendimento dela, &eacute; essencial para viver plenamente e construir rela&ccedil;&otilde;es significativas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ren&eacute; interpreta que seu conceito de &lsquo;lideran&ccedil;a corajosa&rsquo; &eacute; um pilar no mundo corporativo e educacional. A seu ver a coragem deve ser uma habilidade aprendida, o que implica encarar o medo, ter conversas dif&iacute;ceis e estar presente mesmo em situa&ccedil;&otilde;es de risco.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A cientista comportamental trabalha muito o tema &lsquo;vergonha&rsquo; em suas pesquisas. Ela analisa principalmente a vergonha como uma dor intensa em acreditar que somos fal&iacute;veis e, por consequ&ecirc;ncia, indignos de amor e fazer parte. Seus ensinamentos s&atilde;o direcionados para como reconhecer, entender e trabalhar a vergonha, para que ela n&atilde;o paralise ou desumanize as pessoas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Pertencer a si mesmo requer coragem&rdquo;. Esse &eacute; um dos lemas preferidos dela, que costuma proferir em suas incont&aacute;veis palestras pelo mundo. Na vis&atilde;o dela, que &eacute; autora de seis best-sellers, tamb&eacute;m podemos cultivar um verdadeiro senso de fazer parte, come&ccedil;ando por sermos fi&eacute;is a n&oacute;s mesmos, em vez de nos moldarmos para agradar os outros.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Voltando ao universo do Kintsugi e das filosofias japonesas do bem viver, neste arcabou&ccedil;o existencial, a arte do restauro Kintsugi desperta a reflex&atilde;o para o Ikigai, cujo prop&oacute;sito combina, paix&atilde;o, miss&atilde;o, voca&ccedil;&atilde;o e profiss&atilde;o. Trata-se de um conceito japon&ecirc;s que, de forma simples, significa &lsquo;raz&atilde;o de ser&rsquo; ou &lsquo;raz&atilde;o para acordar de manh&atilde;&rsquo;. Seria a ideia de encontrar aquilo que d&aacute; sentido e prop&oacute;sito &agrave; sua vida.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para estudiosos japoneses o ikigai n&atilde;o se restringe a trabalho ou aspira&ccedil;&otilde;es profissionais, podendo ser aplicado a algo simples como cuidar de um jardim, preservar amizades ou acompanhar o desenvolvimento dos netos. A palavra vem da jun&ccedil;&atilde;o de &lsquo;iki&rsquo; (vida) e &lsquo;gai&rsquo; (valor, merecimento).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na cultura japonesa, ele tem um car&aacute;ter mais &iacute;ntimo, relacionado ao bem-estar e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o cotidiana, e n&atilde;o est&aacute; associado diretamente a parte financeira ou mesmo reconhecimento. Para identificar seu ikigai as pessoas precisam se perguntar cotidianamente: O que faz voc&ecirc; esquecer do tempo? Quais atividades energizam voc&ecirc;? Que tipo de problema voc&ecirc; gosta de resolver? Que valor voc&ecirc; quer deixar para o mundo?<\/p>\n<p>O conceito desse modo de pensar a partir da intersec&ccedil;&atilde;o da paix&atilde;o, miss&atilde;o, profiss&atilde;o e voca&ccedil;&atilde;o &eacute; entender a satisfa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m o sentimento de inutilidade; a alegria e plenitude, mas sem prosperidade; o entusiasmo e complac&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m o senso de incerteza, o confort&aacute;vel, e o senso de vazio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nos inspirando num m&eacute;todo semelhante &agrave; t&eacute;cnica maki-e podemos conduzir os seguintes procedimentos:<\/p>\n<p>1. Identifique suas paix&otilde;es, habilidades, o que o mundo precisa e o que voc&ecirc; pode ser pago para fazer. Conecte os pontos e lembre-se que mudan&ccedil;as estruturais s&atilde;o gradativas, valorize os pequenos come&ccedil;os e celebre cada est&aacute;gio avan&ccedil;ado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>2. Reconhe&ccedil;a suas falhas, n&atilde;o como fracassos, mas como partes essenciais do seu ser. Fa&ccedil;a uma auto-observa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; como um ser completo, mas como uma pessoa em constante evolu&ccedil;&atilde;o e desenvolvendo seu progresso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>3. Ao aceitar a complexidade do autoconhecimento, n&atilde;o s&oacute; descobrimos nosso prop&oacute;sito, mas tamb&eacute;m nos tornamos resistentes &agrave;s inevit&aacute;veis rupturas da vida, afinal no &lsquo;jogo jogado da vida&rsquo; encontramos desafios, que podem nos transformar numa vers&atilde;o melhor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para facilitar a gest&atilde;o da mudan&ccedil;a no processo de acelera&ccedil;&otilde;es de carreira eu convido a todos a florescerem e reconhecer suas potencialidades. Entender que tipo de pessoa voc&ecirc; poderia ser se acelerasse e progredisse seus talentos e eliminasse suas defici&ecirc;ncias. Identificar tamb&eacute;m aqueles pontos limitantes que te paralisam. A melhoria cont&iacute;nua se faz caminhando.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para finalizar deixaria tr&ecirc;s grandes reflex&otilde;es: se voc&ecirc; precisa ter para ser, voc&ecirc; nunca teve; se voc&ecirc; precisa fazer para ser, voc&ecirc; nunca fez. Quando voc&ecirc; come&ccedil;a a compreender o que voc&ecirc; ama, fortalecer seus interesses, o seu ser floresce. Esse &eacute; um grande progresso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Gabriel Ferraz Vidiri &eacute; profissional em gest&atilde;o de pessoas, podcaster do &lsquo;Papo de Progresso&rsquo; e especialista em lideran&ccedil;a transformacional e em transi&ccedil;&atilde;o de carreira. &Eacute; tamb&eacute;m mestrando (MPGC) pela FGV.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que Kintsugi, uma arte japonesa de reparar objetos quebrados com ouro, pode ajudar voc&ecirc; a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":442362,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[192],"class_list":["post-442363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-negocios","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=442363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/442362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=442363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=442363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=442363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}