{"id":441815,"date":"2025-05-29T18:29:22","date_gmt":"2025-05-29T18:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=441815"},"modified":"2025-05-29T20:45:55","modified_gmt":"2025-05-29T20:45:55","slug":"o-combate-a-pobreza-e-desigualdade-como-novo-modelo-economico-para-o-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/05\/o-combate-a-pobreza-e-desigualdade-como-novo-modelo-economico-para-o-amazonas\/","title":{"rendered":"O combate \u00e0 pobreza e desigualdade como novo modelo econ\u00f4mico para o Amazonas"},"content":{"rendered":"<p>O Estado do Amazonas enfrenta uma perda significativa de import&acirc;ncia econ&ocirc;mica nos cen&aacute;rios regional e nacional nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Esse decl&iacute;nio tem impactado diretamente a popula&ccedil;&atilde;o, resultando no aumento da pobreza, da viol&ecirc;ncia urbana e da desigualdade entre a capital, Manaus, e os 61 munic&iacute;pios do interior. Diante desse quadro adverso, h&aacute; necessidade de uma nova matriz econ&ocirc;mica para impulsionar o desenvolvimento e reduzir disparidades sociais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para viabilizar as mudan&ccedil;as antes de tudo, &eacute; necess&aacute;ria, independente de ideologias partid&aacute;rias, uma a&ccedil;&atilde;o conjunta entre os tr&ecirc;s Poderes, Minist&eacute;rio P&uacute;blico, classe pol&iacute;tica e sociedade civil. A coordena&ccedil;&atilde;o desse movimento deve ser liderada pelo governo do Estado, com o apoio da Assembleia Legislativa, do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e do Judici&aacute;rio. A preserva&ccedil;&atilde;o da floresta e a defesa dos povos ind&iacute;genas s&atilde;o tamb&eacute;m prioridades, considerando as constantes amea&ccedil;as decorrentes da extra&ccedil;&atilde;o ilegal de madeira e do garimpo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Embora a Zona Franca e o Polo Industrial de Manaus sejam fundamentais para a economia do Estado, sua atua&ccedil;&atilde;o isolada &eacute; insuficiente para reverter o cen&aacute;rio de empobrecimento. Setores como petr&oacute;leo, g&aacute;s natural, minera&ccedil;&atilde;o, fertilizantes, turismo e pesca s&atilde;o alternativas vi&aacute;veis, pois independem dos incentivos tribut&aacute;rios federais e podem descentralizar a economia, beneficiando os munic&iacute;pios do interior. &Eacute; importante evoluir a legisla&ccedil;&atilde;o sobre incentivos estaduais, de modo a aumentar o valor agregado dentro do Amazonas e atrair novas atividades econ&ocirc;micas para diversas cidades ou localidades mais distantes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse esfor&ccedil;o precisa ser regido pelo governador do Estado, mas com apoio das lideran&ccedil;as do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, Poder Judici&aacute;rio, Assembleia Legislativa, em raz&atilde;o da exig&ecirc;ncia das respectivas novas legisla&ccedil;&otilde;es. Trata-se de um projeto conjunto que exige a uni&atilde;o de for&ccedil;as, desapego a vaidades ou medi&ccedil;&atilde;o de poder. Nunca foi t&atilde;o necess&aacute;rio reunir o empenho de todos os que verdadeiramente amam a Amaz&ocirc;nia e se preocupam com o futuro dos filhos daquela regi&atilde;o grandiosa. &Eacute; imprescind&iacute;vel que os l&iacute;deres saibam tra&ccedil;ar o caminho mais ajustado para o Estado e a popula&ccedil;&atilde;o que ele acolhe. Naturalmente todo brasileiro, se orgulha de um patrim&ocirc;nio t&atilde;o gigantesco e deseja o melhor para aquela parte basilar do corpo territorial da na&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o podemos esquecer que o planeta inteiro est&aacute; sempre prestando aten&ccedil;&atilde;o nesse ativo descomunal e cabe a n&oacute;s todos mant&ecirc;-lo, desenvolv&ecirc;-lo e defend&ecirc;-lo com abnega&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Dados do IBGE e IPEA mostram que, entre 1970 e 2002, o PIB do Amazonas cresceu expressivamente, passando de 0,80% para 2,62% do PIB nacional. No entanto, a partir de 2002, esse crescimento n&atilde;o se sustentou e, em 2024, a participa&ccedil;&atilde;o do Estado caiu para apenas 1,50%, reduzindo em R$ 120 bilh&otilde;es\/ano os recursos que poderiam estar circulando na economia local. Esse retrocesso afeta principalmente os 61 munic&iacute;pios do interior, onde vivem cerca de 2 milh&otilde;es de pessoas. Enquanto o PIB per capita de Manaus foi de R$ 55 mil\/ano em 2024, o dos munic&iacute;pios do interior foi de apenas R$ 25 mil\/ano. Isto &eacute;, o PIB per capita do interior correspondeu a pouco mais 40% do PIB per capita da capital. O que significa que foi 2,25 vezes menor no per&iacute;odo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A desigualdade econ&ocirc;mica dentro do pr&oacute;prio Estado &eacute; alarmante. Ao mesmo tempo que Manaus se beneficia dos incentivos da Zona Franca, os demais munic&iacute;pios n&atilde;o contam com uma atividade econ&ocirc;mica capaz de garantir qualidade de vida para seus habitantes. A concess&atilde;o de ren&uacute;ncia fiscal do ICMS, que chega a R$ 10 bilh&otilde;es\/ano, fortalece a principal atividade econ&ocirc;mica da capital, o Polo Industrial de Manaus (PIM), que fabrica diversos produtos para todo o Pa&iacute;s, mas &eacute; apontada como um fator de exclus&atilde;o para o restante daquela unidade federativa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Apesar de ser o 14&ordm; estado com maior arrecada&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria do pa&iacute;s, o Amazonas apresenta baixos &iacute;ndices de desenvolvimento humano, bem-estar e educa&ccedil;&atilde;o. O enorme territ&oacute;rio estadual, de 1,57 milh&atilde;o de km&sup2;, abriga apenas 4,28 milh&otilde;es de habitantes e um PIB de US$ 32 bilh&otilde;es, com a baixa ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da regi&atilde;o. Al&eacute;m disso, a popula&ccedil;&atilde;o amaz&ocirc;nica carrega a responsabilidade de preservar a maior floresta tropical do planeta sem receber a devida compensa&ccedil;&atilde;o financeira por isso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O crescimento da pobreza e das favelas tanto em Manaus quanto em cidades do interior &eacute; outro problema preocupante. Dados do IBGE indicam que 51% da popula&ccedil;&atilde;o do Estado vive na pobreza e 10,5% na extrema pobreza. Apenas 9,1% da popula&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m rendimento superior R$ 2.200\/m&ecirc;s. E aqueles com remunera&ccedil;&atilde;o de R$ 3.300\/m&ecirc;s est&atilde;o entre os 10% mais ricos da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Estudos apontam que Manaus &eacute; a capital brasileira que mais cresceu em ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares entre 1985 e 2022. O bairro Cidade de Deus, por exemplo, est&aacute; entre as 10 maiores favelas do Brasil, com mais de 83 mil moradores e mais de 10,5 mil domic&iacute;lios ocupados. De acordo com levantamento divulgado pelo MapBiomas, essa expans&atilde;o corresponde a aproximadamente 10 mil campos de futubol. O fen&ocirc;meno da faveliza&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da capital, tem se espalhado fortemente pelo Estado. Em algumas cidades o crescimento da pobreza chega at&eacute; entre 60% e 75% da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Num Estado, que possui a 14&ordf; maior receita tribut&aacute;ria, entre os 26 Estados e o Distrito Federal, possuir uma popula&ccedil;&atilde;o t&atilde;o vulner&aacute;vel economicamente &eacute; paradoxal. Esses cidad&atilde;os lamentavelmente tamb&eacute;m est&atilde;o hoje sujeitos ao controle de organiza&ccedil;&otilde;es criminosas e &agrave; viol&ecirc;ncia nas cidades, al&eacute;m de apresentar baixo &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e &Iacute;ndice de Retorno de Bem-Estar Social (IRBES), e ainda n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o muito longe do desejado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Uma condi&ccedil;&atilde;o que favorece o problema s&atilde;o os grandes vazios demogr&aacute;ficos e econ&ocirc;micos. Por outro lado, esta pode ser tamb&eacute;m uma oportunidade de cria&ccedil;&atilde;o de uma nova fronteira de produtividade, como ocorreu em outros Estados brasileiros. Para uma ideia mais n&iacute;tida, na vastid&atilde;o do territ&oacute;rio Amaz&ocirc;nico (1.571.000 km&sup2;) caberiam 15 na&ccedil;&otilde;es europeias, com uma popula&ccedil;&atilde;o total de 284,6 milh&otilde;es de pessoas e um PIB total de US$ 12,46 trilh&otilde;es. Portanto, haveria neste territ&oacute;rio imagin&aacute;rio um contraste abissal com os atuais 4,28 milh&otilde;es de habitantes do Amazonas e um PIB estadual de US$ 32 bilh&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nessa regi&atilde;o h&aacute; um contraponto complexo, porque a popula&ccedil;&atilde;o amazonense vivencia a cobran&ccedil;a mundial da preserva&ccedil;&atilde;o da Floresta Amaz&ocirc;nica, e os moradores locais, como ribeirinhos, caboclos e ind&iacute;genas, n&atilde;o recebem devidamente o reconhecimento dos seus esfor&ccedil;os que t&ecirc;m realizado e pouco se sabe. Para impedir o avan&ccedil;o da pobreza, o Estado do Amazonas precisa de uma nova matriz econ&ocirc;mica. &Eacute; necess&aacute;rio realizar mais reflex&otilde;es sobre a remunera&ccedil;&atilde;o ao Brasil pela preserva&ccedil;&atilde;o dessa sua floresta t&atilde;o importante para o Planeta Terra.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um estudo do Banco Mundial estima que a n&atilde;o-explora&ccedil;&atilde;o dessa cobertura vegetal gigantesca gera uma ren&uacute;ncia econ&ocirc;mica de US$ 317 bilh&otilde;es\/ano. Como o Brasil det&eacute;m cerca de 60% da Amaz&ocirc;nia, o valor correspondente seria de US$ 190 bilh&otilde;es\/ano, dos quais US$ 95 bilh&otilde;es caberiam ao Estado do Amazonas e ao Pa&iacute;s. Esse montante em boa parte poderia ser investido em um modelo econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel para a regi&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em breve um documento detalhado deve ser entregue ao Poder Executivo, reivindicando a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas concretas para o desenvolvimento do Amazonas. A oportunidade de apresentar essa demanda internacionalmente vir&aacute; ainda neste ano, em Bel&eacute;m (PA), durante a 30&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes da ONU sobre Mudan&ccedil;a do Clima (COP 30).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; essencial tamb&eacute;m a mobiliza&ccedil;&atilde;o de toda sociedade civil brasileira. A popula&ccedil;&atilde;o precisa cobrar compromissos dos futuros governantes que ser&atilde;o eleitos (governador, deputados federais e senadores) no ano que vem. A urg&ecirc;ncia da mudan&ccedil;a exige menos palavras vazias e mais a&ccedil;&otilde;es efetivas para garantir um futuro melhor para os amazonenses. A sociedade deve exigir isso. Aquele Estado t&atilde;o extraordin&aacute;rio merece e precisa de mais desenvolvimento e menos desigualdade. Como alertou o economista John Kenneth Galbraith: &ldquo;Nada estabelece limites t&atilde;o r&iacute;gidos &agrave; liberdade de um cidad&atilde;o quanto a absoluta falta de dinheiro&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as; empres&aacute;rio, foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). &Eacute; autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;, &ldquo;Brasil que Pa&iacute;s &eacute; este&rdquo; e &ldquo;Brasil P&oacute;s CF\/88 &ndash; Fant&aacute;stico e vergonhoso &ndash;&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado do Amazonas enfrenta uma perda significativa de import&acirc;ncia econ&ocirc;mica nos cen&aacute;rios regional e nacional&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":441814,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[1270],"class_list":["post-441815","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-sustentabilidade","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=441815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441815\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/441814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=441815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=441815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=441815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}