{"id":441348,"date":"2025-05-19T01:52:14","date_gmt":"2025-05-19T01:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=441348"},"modified":"2025-05-19T15:14:46","modified_gmt":"2025-05-19T15:14:46","slug":"fenomeno-dos-bebes-reborn-levanta-debates-sobre-os-limites-entre-afeto-fantasia-e-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/05\/fenomeno-dos-bebes-reborn-levanta-debates-sobre-os-limites-entre-afeto-fantasia-e-saude-mental\/","title":{"rendered":"Fen\u00f4meno dos beb\u00eas reborn levanta debates sobre os limites entre afeto, fantasia e sa\u00fade mental"},"content":{"rendered":"<p><span data-contrast=\"auto\">Eles t&ecirc;m peso, textura e fei&ccedil;&otilde;es que imitam um rec&eacute;m-nascido. Os beb&ecirc;s reborn, bonecas hiper-realistas que reproduzem beb&ecirc;s humanos, v&ecirc;m ganhando popularidade entre adultos, principalmente entre mulheres, e despertam tanto fasc&iacute;nio quanto pol&ecirc;mica. O fen&ocirc;meno vem desafiando fronteiras entre realidade e representa&ccedil;&atilde;o, exigindo um olhar atento &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas envolvidas.<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Segundo a psic&oacute;loga Val&eacute;ria Figueiredo, docente do curso de Psicologia da Est&aacute;cio Porto Alegre, &eacute; preciso entender o contexto em que a busca pelo hiper-real se intensifica. &ldquo;Na era do imagin&aacute;rio, onde a imagem ganha o centro do capitalismo, precisamos nos perguntar: o que &eacute; real?&rdquo;, provoca. Para ela, vivemos uma &ldquo;infla&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica&rdquo;, marcada por s&iacute;mbolos descolados de significados concretos. &Eacute; nesse cen&aacute;rio que os beb&ecirc;s reborn ocupam espa&ccedil;o: &ldquo;O real perde espa&ccedil;o para o hiper-real.&rdquo;<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Val&eacute;ria explica que, do ponto de vista psicol&oacute;gico, o apego a esses bonecos pode ter v&aacute;rias camadas de significado. Uma delas est&aacute; ligada ao instinto de cuidado. &ldquo;Para mulheres que n&atilde;o puderam ter filhos, vivenciaram perdas gestacionais ou est&atilde;o lidando com a s&iacute;ndrome do ninho vazio, o beb&ecirc; reborn pode funcionar como uma forma simb&oacute;lica de express&atilde;o do maternar&rdquo;, afirma. Ao simular os gestos cotidianos de cuidado, como dar colo, vestir, alimentar, essas mulheres podem encontrar conforto e prop&oacute;sito emocional.<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Outro ponto relevante est&aacute; relacionado ao luto. Em situa&ccedil;&otilde;es de perda, o boneco pode ser um objeto de transi&ccedil;&atilde;o, ajudando na elabora&ccedil;&atilde;o do sofrimento. &ldquo;A semelhan&ccedil;a com um beb&ecirc; real oferece um foco para o afeto e a saudade, permitindo uma externaliza&ccedil;&atilde;o do sentimento&rdquo;, observa Val&eacute;ria. No entanto, ela alerta: &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio acompanhamento profissional nesses casos, para evitar que a fantasia substitua a realidade da perda e torne o luto mais dif&iacute;cil de ser elaborado.&rdquo;<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A solid&atilde;o tamb&eacute;m aparece como uma motiva&ccedil;&atilde;o recorrente. Em tempos de v&iacute;nculos fr&aacute;geis e conex&otilde;es digitais, o beb&ecirc; reborn pode representar companhia e estimular intera&ccedil;&otilde;es em comunidades online. &ldquo;Mesmo inanimado, o boneco pode gerar rotina, conversas e uma sensa&ccedil;&atilde;o de fazer parte&rdquo;, comenta a psic&oacute;loga. Em certos contextos, ele tamb&eacute;m representa controle: &ldquo;O beb&ecirc; reborn pode ser aquilo que eu desejo no momento &mdash; algo que posso controlar, diferente da imprevisibilidade das rela&ccedil;&otilde;es reais.&rdquo;<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Sob a &oacute;tica da teoria do apego, o boneco pode suprir necessidades de seguran&ccedil;a e proximidade emocional. Pessoas com hist&oacute;rico de traumas ou com padr&otilde;es de apego inseguros podem encontrar nos reborns uma forma de contato afetivo previs&iacute;vel e livre de riscos.<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Contudo, nem sempre a rela&ccedil;&atilde;o &eacute; saud&aacute;vel. &ldquo;Quando o v&iacute;nculo com o boneco substitui rela&ccedil;&otilde;es humanas significativas ou se torna uma fuga para n&atilde;o lidar com dores emocionais reais, &eacute; sinal de que pode haver sofrimento ps&iacute;quico&rdquo;, aponta Val&eacute;ria. Nesses casos, o acompanhamento psicol&oacute;gico &eacute; fundamental.<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O debate sobre os beb&ecirc;s reborn convida a uma an&aacute;lise mais ampla sobre os limites entre o simb&oacute;lico e o real, a fantasia e a necessidade de afeto. &ldquo;Compreender as motiva&ccedil;&otilde;es por tr&aacute;s desse v&iacute;nculo &eacute; essencial para que possamos olhar para essas experi&ecirc;ncias com empatia, mas tamb&eacute;m com responsabilidade cl&iacute;nica&rdquo;, conclui a psic&oacute;loga.<\/span><span data-ccp-props='{\"335551550\":6,\"335551620\":6,\"335559738\":240,\"335559739\":240}'>&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles t&ecirc;m peso, textura e fei&ccedil;&otilde;es que imitam um rec&eacute;m-nascido. 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