{"id":440629,"date":"2025-05-17T01:31:48","date_gmt":"2025-05-17T01:31:48","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=440629"},"modified":"2025-05-17T01:32:25","modified_gmt":"2025-05-17T01:32:25","slug":"confeccionar-certidao-de-nascimento-ou-cartao-de-vacinacao-de-bebe-reborn-pode-configurar-falsidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/05\/confeccionar-certidao-de-nascimento-ou-cartao-de-vacinacao-de-bebe-reborn-pode-configurar-falsidade\/","title":{"rendered":"Confeccionar certid\u00e3o de nascimento ou cart\u00e3o de vacina\u00e7\u00e3o de bebe reborn pode configurar falsidade"},"content":{"rendered":"<h2><em>Para a advogada criminalista Su&eacute;llen Paulino o uso desses bonecos pode ultrapassar o campo da fantasia e adentrar a seara da ilicitude em v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es<\/em><\/h2>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, os chamados beb&ecirc;s reborn &mdash; bonecos hiper-realistas feitos &agrave; m&atilde;o para se parecerem com rec&eacute;m-nascidos &mdash; t&ecirc;m ganhado cada vez mais popularidade no Brasil. O que come&ccedil;ou como uma vertente art&iacute;stica passou a ser visto por muitos como um recurso terap&ecirc;utico ou mesmo uma substitui&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica de filhos. No entanto, por tr&aacute;s da apar&ecirc;ncia inofensiva, h&aacute; um fen&ocirc;meno que precisa ser analisado com cautela: como o uso indiscriminado desses bonecos pode impactar o ordenamento jur&iacute;dico, os servi&ccedil;os p&uacute;blicos e at&eacute; a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas sociais?<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o estamos falando apenas de brinquedos. H&aacute; registros crescentes de adultos que simulam maternidade real com beb&ecirc;s reborn, registram os bonecos com nomes fict&iacute;cios, fazem ensaios fotogr&aacute;ficos, realizam &ldquo;batizados&rdquo; simb&oacute;licos e at&eacute; solicitam licen&ccedil;as ou benef&iacute;cios sociais. Algumas pessoas est&atilde;o indo a unidades de pronto atendimento (UPAs) com os bonecos nos bra&ccedil;os, exigindo atendimento m&eacute;dico como se estivessem diante de uma crian&ccedil;a viva, o que tem gerado perplexidade entre profissionais de sa&uacute;de e usu&aacute;rios do SUS&rdquo;, diz a advogada criminalista Su&eacute;llen Paulino.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse tipo de conduta, embora muitas vezes associada a quadros psicol&oacute;gicos ou lutos mal elaborados, j&aacute; est&aacute; chegando aos legisladores. Projetos de lei come&ccedil;am a surgir em alguns estados e munic&iacute;pios para proibir o atendimento de bonecos reborn em hospitais p&uacute;blicos, buscando proteger os recursos do sistema de sa&uacute;de e evitar desvio de finalidade. A pergunta que se imp&otilde;e &eacute;: onde est&aacute; o limite entre o simb&oacute;lico e o patol&oacute;gico?<\/p>\n<p><strong>Riscos jur&iacute;dicos: fraude, falsidade ideol&oacute;gica e m&aacute;-f&eacute;<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Su&eacute;llen Paulino, do ponto de vista jur&iacute;dico, o uso desses bonecos pode ultrapassar o campo da fantasia e adentrar a seara da ilicitude em v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es. Ela citou alguns:<\/p>\n<p>-Fraudes em pedidos de benef&iacute;cios sociais, como Bolsa Fam&iacute;lia, aux&iacute;lio maternidade ou isen&ccedil;&atilde;o de tarifas;<\/p>\n<p>-Simula&ccedil;&otilde;es enganosas em redes sociais com finalidades de arrecada&ccedil;&atilde;o de dinheiro sob pretexto de ado&ccedil;&atilde;o, luto ou tratamento de &ldquo;filhos&rdquo; que n&atilde;o existem;<\/p>\n<p>-Confec&ccedil;&atilde;o de documentos falsos, como supostas certid&otilde;es de nascimento ou carteiras de vacina&ccedil;&atilde;o, podendo configurar falsidade ideol&oacute;gica (art. 299 do C&oacute;digo Penal).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Al&eacute;m disso, h&aacute; a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica gerada quando servi&ccedil;os p&uacute;blicos s&atilde;o acionados em contextos simulados, ocupando vagas e recursos que deveriam estar dispon&iacute;veis para cidad&atilde;os reais, especialmente crian&ccedil;as em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade&rdquo;, completa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Su&eacute;llen Paulino diz que o Direito deve se posicionar com urg&ecirc;ncia sobre o uso desses bonecos. &ldquo;O ordenamento jur&iacute;dico brasileiro valoriza a autonomia da vontade e a liberdade individual. Cada pessoa &eacute; livre para lidar com suas emo&ccedil;&otilde;es e afetos da maneira que entender mais adequada, inclusive com uso simb&oacute;lico de objetos. No entanto, o uso dos beb&ecirc;s reborn n&atilde;o pode se transformar em um escudo para fraudes, desperd&iacute;cio de recursos p&uacute;blicos ou dissimula&ccedil;&otilde;es capazes de comprometer a integridade do sistema legal e social&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A advogada esclarece que a aus&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica deixa margem para abusos. &ldquo;&Eacute; urgente que o Legislativo, a Psicologia e o Direito caminhem juntos para delimitar at&eacute; onde vai o uso l&iacute;cito e leg&iacute;timo desses bonecos e a partir de que ponto passa a haver desvio de finalidade, m&aacute;-f&eacute; ou at&eacute; crime&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Su&eacute;llen Paulo destaca que o debate sobre os beb&ecirc;s reborn n&atilde;o &eacute; sobre proibir ou estigmatizar quem encontra afeto neles. &ldquo;Mas &eacute; necess&aacute;rio reconhecer que o avan&ccedil;o desse fen&ocirc;meno exige respostas jur&iacute;dicas, &eacute;ticas e sociais proporcionais &agrave; complexidade do tema. Precisamos garantir que a fantasia n&atilde;o se sobreponha &agrave; realidade &mdash; especialmente em um pa&iacute;s onde tantas crian&ccedil;as reais ainda esperam por acolhimento, assist&ecirc;ncia e justi&ccedil;a&rdquo;, finaliza.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<hr>\n<p>Vanessa Haddad&nbsp; 11985304381<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a advogada criminalista Su&eacute;llen Paulino o uso desses bonecos pode ultrapassar o campo da fantasia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":440630,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21679,33073,21201,15536,7,37179],"tags":[],"class_list":["post-440629","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-assunto-do-momento","category-conhecimento","category-destaques","category-justica","category-sde","category-servicos","wpcat-21679-id","wpcat-33073-id","wpcat-21201-id","wpcat-15536-id","wpcat-7-id","wpcat-37179-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=440629"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440629\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/440630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=440629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=440629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=440629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}