{"id":419266,"date":"2025-04-01T12:50:37","date_gmt":"2025-04-01T12:50:37","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=419266"},"modified":"2025-04-01T18:09:03","modified_gmt":"2025-04-01T18:09:03","slug":"opiniao-a-verificacao-de-fatos-e-as-possibilidades-de-o-jornalismo-melhorar-a-seguranca-da-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/04\/opiniao-a-verificacao-de-fatos-e-as-possibilidades-de-o-jornalismo-melhorar-a-seguranca-da-informacao\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o &#8211; A verifica\u00e7\u00e3o de fatos e as possibilidades de o Jornalismo melhorar a seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><i>Vera Lucia Rodrigues*<\/i><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fim dos verificadores de informa&ccedil;&atilde;o da plataforma de m&iacute;dia social Meta &eacute; um acontecimento preocupante para a imprensa e especialmente para as pr&oacute;prias m&iacute;dias sociais. Uma das maiores raz&otilde;es &eacute; que nesse tipo de rede digital &eacute; o lugar onde as informa&ccedil;&otilde;es circulam em maior quantidade e com filtros insuficientes para assegurar uma comunica&ccedil;&atilde;o absolutamente confi&aacute;vel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em compara&ccedil;&atilde;o os meios jornal&iacute;sticos sempre foram regidos por v&aacute;rias legisla&ccedil;&otilde;es, normas e crit&eacute;rios editoriais, seus c&oacute;digos de &eacute;tica profissional e a pr&oacute;pria t&eacute;cnica, que tem um compromisso visceral com a verdade e apura&ccedil;&atilde;o precisa dos fatos. Contudo, &eacute; conveniente advertir, que o jornalismo naturalmente n&atilde;o &eacute; propriamente perfeito ou infal&iacute;vel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na p&aacute;gina oficial da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que as plataformas da organiza&ccedil;&atilde;o (Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp, Threads e outras) s&atilde;o constru&iacute;das para serem lugares onde as pessoas possam se expressar livremente. Segundo ele, isso pode ser confuso, porque nas plataformas onde bilh&otilde;es de pessoas podem ter voz, tudo que &eacute; bom, ruim e feio est&aacute; em exposi&ccedil;&atilde;o. Mas tudo isso tamb&eacute;m &eacute; liberdade de express&atilde;o, no entender dele.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O megaempres&aacute;rio avisou que o encerramento do programa de verifica&ccedil;&atilde;o de fatos de terceiros est&aacute; migrando para um modelo de &lsquo;Notas da Comunidade&rsquo;. Elas funcionam a partir do cadastro dos interessados, que podem fazer publica&ccedil;&otilde;es de notas sobre algum conte&uacute;do conflituoso para oferecer um novo contexto ou corrigir informa&ccedil;&otilde;es com potencial enganoso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Basicamente essas notas adicionadas s&atilde;o avaliadas por outros participantes do programa de verifica&ccedil;&atilde;o da empresa. Se um n&uacute;mero adequado de participantes, com diferentes perspectivas, aceitarem a utilidade da nota, ela se torna p&uacute;blica e aparece ao lado da publica&ccedil;&atilde;o original.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O objetivo &eacute; realizar uma modera&ccedil;&atilde;o consensual da comunidade e sem a interven&ccedil;&atilde;o direta da empresa na avalia&ccedil;&atilde;o das notas ou mesmo manter ou retirar as postagens. A partir de agora, a Meta exp&ocirc;s que vai procurar fazer uma abordagem mais personalizada no conte&uacute;do pol&iacute;tico para disponibilizar maior volume de informa&ccedil;&otilde;es aos interessados sobre o assunto em seus&nbsp;<em>feeds<\/em>&nbsp;de not&iacute;cias.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m disso, suspender&atilde;o restri&ccedil;&otilde;es sobre alguns t&oacute;picos do conte&uacute;do predominante para proporcionar mais liberdade de express&atilde;o e ao mesmo tempo focar no esfor&ccedil;o em viola&ccedil;&otilde;es da lei e de maior gravidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O problema que pode ocorrer em breve &eacute; que caso a Meta n&atilde;o tenha um sistema robusto de verifica&ccedil;&atilde;o independente, &eacute; poss&iacute;vel que informa&ccedil;&otilde;es falsas ou enganosas circulem mais rapidamente nas suas plataformas, dificultando o combate &agrave; desinforma&ccedil;&atilde;o. Outra quest&atilde;o delicada &eacute; que v&aacute;rios meios de comunica&ccedil;&atilde;o e entidades de checagem de informa&ccedil;&otilde;es dependiam da colabora&ccedil;&atilde;o com a Meta para financiar suas atividades. A interrup&ccedil;&atilde;o dessas colabora&ccedil;&otilde;es pode diminuir os recursos para a opera&ccedil;&atilde;o dessas organiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A decis&atilde;o da Meta tamb&eacute;m pode ser entendida como uma esp&eacute;cie de ren&uacute;ncia de responsabilidade, o que poderia enfraquecer a confian&ccedil;a do p&uacute;blico nas redes sociais como espa&ccedil;os seguros para informa&ccedil;&atilde;o. Neste primeiro momento &eacute; dif&iacute;cil ter certezas nesta situa&ccedil;&atilde;o ainda indefinida.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No contexto geral, a partir das mudan&ccedil;as da Meta sempre haver&aacute; o risco do incremento de&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;e da pr&oacute;pria desinforma&ccedil;&atilde;o. Talvez, nunca a imprensa tradicional passou a ser t&atilde;o indispens&aacute;vel para contrapor a circula&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias falsas, a dissemina&ccedil;&atilde;o de boatos (informa&ccedil;&otilde;es falsas disseminadas principalmente boca a boca ou propaga&ccedil;&atilde;o por&nbsp;<em>burburinho\/buzz marketing<\/em>); rumores (informa&ccedil;&atilde;o corrente, n&atilde;o confirmada, que pode ou n&atilde;o ser verdadeira), propagandas ideol&oacute;gicas&nbsp;(cujo prop&oacute;sito &eacute; difundir ideologias e convic&ccedil;&otilde;es de um determinado grupo sobre outro) ou ainda teorias da conspira&ccedil;&atilde;o (ideia de incitar que um grupo perigoso est&aacute; conspirando para um objetivo de grande amea&ccedil;a &agrave;s pessoas).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Apesar da sua for&ccedil;a e contribui&ccedil;&atilde;o social tanto no entretenimento como na divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, as m&iacute;dias sociais infelizmente t&ecirc;m sido uma verdadeira usina de inverdades, bravatas, mentiras, lorotas e especialmente factoides (fato ou not&iacute;cia forjada com o intuito de atrair a aten&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A bem da verdade, tanto a Pol&iacute;cia como a Justi&ccedil;a t&ecirc;m grandes dificuldades para identificar&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;e punir seus criadores. Por outro lado, na imprensa tradicional qualquer texto tipificado como cal&uacute;nia, difama&ccedil;&atilde;o ou inj&uacute;ria pode ser facilmente identificado e ser objeto de processo judicial. Ele tem a chance ainda de ser alvo de en&eacute;rgicas discuss&otilde;es &eacute;ticas e cr&iacute;ticas na pr&oacute;pria categoria dos jornalistas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Tanto os jornalistas como seus respectivos ve&iacute;culos, possivelmente, v&atilde;o ter que empenhar mais esfor&ccedil;os ainda para verificar informa&ccedil;&otilde;es antes da sua publica&ccedil;&atilde;o. A carga de trabalho nas reda&ccedil;&otilde;es que j&aacute; tem sido alta deve ficar mais pesada por causa da responsabilidade de informar bem a opini&atilde;o p&uacute;blica, o que naturalmente exige esfor&ccedil;o, dedica&ccedil;&atilde;o e tempo de trabalho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No enfrentamento das not&iacute;cias falsas, um grupo de empresas jornal&iacute;sticas no Brasil h&aacute; alguns anos tem formado equipes pr&oacute;prias para&nbsp;<em>fact-checking<\/em>&nbsp;(verifica&ccedil;&atilde;o de fatos) ou contratado ag&ecirc;ncias especializadas para esse fim. O estudo&nbsp;<strong>Jornalismo na era da p&oacute;s-verdade: fact-checking como ferramenta de combate &agrave;s fake News&nbsp;<\/strong>(2018), de Egle M&uuml;ller&nbsp;Spinelli e&nbsp;J&eacute;ssica de Almeida Santos, concluiu que o trabalho s&eacute;rio de apura&ccedil;&atilde;o de fatos e defesa da credibilidade &eacute; fundamental para que a pr&oacute;pria audi&ecirc;ncia refute&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;e compartilhe as informa&ccedil;&otilde;es produzidas por ve&iacute;culos de credibilidade. No entanto, o trabalho lamentavelmente comprovou ainda que fatos objetivos t&ecirc;m sido menos influentes na opini&atilde;o p&uacute;blica do que emo&ccedil;&otilde;es e cren&ccedil;as pessoais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Muitas vezes por falta de tempo, desinteresse ou comodismo as pessoas n&atilde;o verificam a veracidade do&nbsp;<em>post<\/em>&nbsp;lido e assimilam o conte&uacute;do com uma verdade provis&oacute;ria que se torna uma falsa realidade permanente. Possivelmente o maior divulgador de&nbsp;<em>fake news<\/em>, hoje em dia, sejam os militantes e colaboradores de pol&iacute;ticos que t&ecirc;m interesse em enaltecer seus correligion&aacute;rios e lideran&ccedil;as e difamar rivais ou advers&aacute;rios. Mas o plantio planificado de boatos n&atilde;o &eacute; um costume novo e j&aacute; era uma pr&aacute;tica muito empregada ao longo do tempo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Diante dessa problem&aacute;tica bem complexa os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa e os jornalistas precisam se debru&ccedil;ar em solu&ccedil;&otilde;es e encontrar inova&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o da verifica&ccedil;&atilde;o de fatos. Um bom caminho tem sido o das parcerias entre a m&iacute;dia e ongs ou associa&ccedil;&atilde;o a projetos sociais de conten&ccedil;&atilde;o de fake news. H&aacute; tamb&eacute;m o desenvolvimento de sistemas digitais colaborativos para verifica&ccedil;&atilde;o automatizada. Quanto mais houver interessados e instrumentos para debelar essa chaga, melhor para toda a sociedade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na perspectiva do pr&oacute;prio setor de&nbsp;<em>social media,<\/em>&nbsp;para fugir da tutela governamental seria muito cab&iacute;vel, que as&nbsp;<em>bigtechs&nbsp;<\/em>pensassem numa maneira grupal para estabelecer, por exemplo, um sistema geral de verifica&ccedil;&atilde;o de fatos por autorregula&ccedil;&atilde;o como existe na &aacute;rea de publicidade em todo o mundo, assim como no Brasil onde h&aacute; o Conar &ndash; Conselho Nacional Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria, que trata da &eacute;tica na propaganda.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Algumas organiza&ccedil;&otilde;es independentes t&ecirc;m se esfor&ccedil;ado na cria&ccedil;&atilde;o de projetos em educa&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica para crian&ccedil;as, jovens e adultos visando combater essa desinforma&ccedil;&atilde;o maldosa.&nbsp; No entanto, a divulga&ccedil;&atilde;o desse relevante trabalho e sua utiliza&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; muito t&iacute;mida, e precisa ser fortalecida e muito mais disseminada junto &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica. O empresariado pode fazer sua parte tratando essas iniciativas como uma a&ccedil;&atilde;o de marketing social, como alguns j&aacute; fazem, por sinal.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No que se refere &agrave;s&nbsp;<em>fakes news<\/em>&nbsp;possivelmente a maior preocupa&ccedil;&atilde;o seja exatamente aquelas de conte&uacute;do pol&iacute;tico e seu respectivo discurso de &oacute;dio. No livro publicado pela Unesco,&nbsp;<strong>Jornalismo, Fake News &amp; Desinforma&ccedil;&atilde;o &ndash;<\/strong>&nbsp;<strong>Manual para Educa&ccedil;&atilde;o e Treinamento em Jornalismo<\/strong>, de Cherilyn Ireton e Julie Posetti, h&aacute; uma grande quest&atilde;o que atormenta as democracias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;&nbsp;<em>social media<\/em>. Conforme a obra alerta, &ldquo;se l&iacute;deres de mentalidade autorit&aacute;ria chegarem ao poder, eles encontrar&atilde;o uma arma legal e poderosa, pronta para determinar o que &eacute; &lsquo;falso&rsquo; e o que n&atilde;o &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o a qualquer cobertura cr&iacute;tica de seu desempenho.&rdquo;<\/p>\n<p>Neste mesmo exemplar o gerente de produto e de engajamento c&iacute;vico do Facebook, Samidh Chakrabarti, complementou: &ldquo;Se h&aacute; uma verdade fundamental sobre o impacto da m&iacute;dia social na democracia, &eacute; que ela amplifica a inten&ccedil;&atilde;o humana &ndash; boas ou ruins. Na melhor das hip&oacute;teses, nos permite expressar-nos e agir. Na pior das hip&oacute;teses, permite que as pessoas divulguem informa&ccedil;&otilde;es falsas e corroam a democracia&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>&nbsp;*Vera Lucia Rodrigues &eacute; jornalista profissional e mestre em comunica&ccedil;&atilde;o social pela Universidade de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, e diretora da Vervi Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o, empresa que h&aacute; 43 anos atua na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o corporativa.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:veralucia@grupovervi.com.br\">veralucia@grupovervi.com.br<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vera Lucia Rodrigues* &nbsp; O fim dos verificadores de informa&ccedil;&atilde;o da plataforma de m&iacute;dia social Meta&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":419265,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[],"class_list":["post-419266","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=419266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419266\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/419265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=419266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=419266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=419266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}