{"id":418573,"date":"2025-03-11T14:31:28","date_gmt":"2025-03-11T14:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=418573"},"modified":"2025-03-12T01:08:43","modified_gmt":"2025-03-12T01:08:43","slug":"alcool-e-drogas-psicoativas-matam-quase-tres-milhoes-de-pessoas-no-mundo-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/03\/alcool-e-drogas-psicoativas-matam-quase-tres-milhoes-de-pessoas-no-mundo-todo\/","title":{"rendered":"\u00c1lcool e drogas psicoativas matam quase tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas no mundo todo"},"content":{"rendered":"<p>O consumo de &aacute;lcool &eacute; respons&aacute;vel por 2,6 milh&otilde;es de mortes anuais no mundo todo, enquanto as drogas psicoativas respondem por 600 mil mortes por ano, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS). O enfrentamento desse grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica requer esfor&ccedil;os conjuntos entre governos, institui&ccedil;&otilde;es, legisladores, profissionais de sa&uacute;de, educadores, fam&iacute;lias e toda a sociedade por meio de a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e tratamento. O primeiro passo &eacute; entender o que caracteriza a depend&ecirc;ncia de &aacute;lcool e drogas, como explica Adelson Bruno dos Reis Santos, professor de Psicologia da Est&aacute;cio, especialista em sa&uacute;de mental. <\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso diferenciar o consumo abusivo do uso espor&aacute;dico ou recreativo e considerar o contexto das rela&ccedil;&otilde;es afetivas, sociais, profissionais e emocionais do sujeito. &Eacute; necess&aacute;rio analisar a rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com a subst&acirc;ncia e em que grau o consumo, seja ele abusivo ou n&atilde;o, impacta sua sa&uacute;de f&iacute;sica e mental. Uma necessidade incontrol&aacute;vel de consumo em quantidades cada vez maiores em um curto espa&ccedil;o de tempo, crises ou mudan&ccedil;as significativas no controle das emo&ccedil;&otilde;es e do comportamento, isolamento social, perda do prazer por atividades que antes eram prazerosas e falta de autocuidado e cuidado com os outros s&atilde;o ind&iacute;cios de uma poss&iacute;vel depend&ecirc;ncia&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p>In&uacute;meros componentes externos, biol&oacute;gicos e psicol&oacute;gicos est&atilde;o relacionados &agrave; depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica, mas n&atilde;o existe um padr&atilde;o de elementos que levem ao uso excessivo, como elucida o psic&oacute;logo. &ldquo;Somos diversos e singulares. O que &eacute; quest&atilde;o para um sujeito n&atilde;o &eacute; para outro. Cada um ter&aacute; ou n&atilde;o recursos para lidar com suas car&ecirc;ncias, suas faltas, suas aus&ecirc;ncias e suas dores. Pessoas expostas aos mesmos ambientes, realidades e situa&ccedil;&otilde;es ir&atilde;o reagir de formas distintas, de acordo com os recursos subjetivos e objetivos que possuem para lidar com as compuls&otilde;es. As transi&ccedil;&otilde;es geracionais, a cobran&ccedil;a, a compara&ccedil;&atilde;o, a sensa&ccedil;&atilde;o de frustra&ccedil;&atilde;o, o sentimento de n&atilde;o ser bem-sucedido, os bloqueios afetivos e comportamentais afetam cada pessoa de uma maneira, e tudo isso poder&aacute; ou n&atilde;o levar ao uso abusivo e prejudicial de drogas&rdquo;, observa. <\/p>\n<p>Os principais impactos na sa&uacute;de s&atilde;o manifestados pelas crises de abstin&ecirc;ncia marcadas pela oscila&ccedil;&atilde;o do humor, altera&ccedil;&otilde;es do sono e da alimenta&ccedil;&atilde;o e baixa autoestima, provocando ainda a falta de cuidado com a higiene e a apar&ecirc;ncia. &ldquo;Quanto &agrave; sa&uacute;de mental, as subst&acirc;ncias psicoativas causam estados psic&oacute;ticos e transtornos que alteram a sensopercep&ccedil;&atilde;o, influenciando processos cognitivos b&aacute;sicos como a mem&oacute;ria, o pensamento e a aten&ccedil;&atilde;o. Podem ainda potencializar estados de ansiedade e depress&atilde;o levando ao tensionamento dos v&iacute;nculos afetivos e sociais&rdquo;, descreve. <\/p>\n<p>O especialista destaca que n&atilde;o basta for&ccedil;a de vontade para abandonar o v&iacute;cio em drogas &ndash; considerado uma doen&ccedil;a pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) &ndash;, pois o processo de depend&ecirc;ncia envolve uma intera&ccedil;&atilde;o complexa. &ldquo;Para o adicto, a droga vem suprir ou tamponar uma falta, uma falha que vem da sua pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o como um ser no mundo. Trata-se de uma tentativa desesperada de lidar com o consumo de um objeto que ilusoriamente vem preencher. Em algum momento essa subst&acirc;ncia trouxe satisfa&ccedil;&atilde;o, mas isso n&atilde;o se sustenta por muito tempo e &eacute; o que traz a repeti&ccedil;&atilde;o, a compuls&atilde;o. Para romper esse ciclo, n&atilde;o basta ter vontade apenas. &Eacute; necess&aacute;rio um retorno profundo &agrave; base da sua constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva para compreender qual fun&ccedil;&atilde;o a subst&acirc;ncia veio tentar exercer. A psicoterapia tem essa fun&ccedil;&atilde;o de gerir a ang&uacute;stia e o mal-estar trazido por aquilo que nos falta&rdquo;, exp&otilde;e. <\/p>\n<p>&ldquo;T&eacute;cnicas humanizadas, como a redu&ccedil;&atilde;o de danos, que respeitem as limita&ccedil;&otilde;es subjetivas e pr&aacute;ticas de acolhimento s&atilde;o fundamentais para que o paciente recupere a capacidade de se vincular afetiva, emocional e socialmente a pessoas e experi&ecirc;ncias que contribuam em seu processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma nova rela&ccedil;&atilde;o com o mundo, ancorado em suportes saud&aacute;veis e reconhecendo suas limita&ccedil;&otilde;es, no qual o acesso a droga sempre existir&aacute;. Desde 2001, o Brasil, por meio da Lei da Reforma Psiqui&aacute;trica (Lei 10.216), vem tentando consolidar uma rede de cuidados e aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de de dependentes de drogas com os CAPS (Centro de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial), espa&ccedil;os de acolhimento e tratamento terap&ecirc;utico para pessoas com transtornos mentais e depend&ecirc;ncia de subst&acirc;ncias, com acompanhamento psiqui&aacute;trico e atividades de reintegra&ccedil;&atilde;o social, trabalhando a autonomia do sujeito&rdquo;, complementa o professor. <\/p>\n<p>Al&eacute;m da psicoterapia, o tratamento envolve interven&ccedil;&atilde;o medicamentosa, com protocolos adequados, em dispositivos de sa&uacute;de equipados e profissionais preparados. &ldquo;Crises de abstin&ecirc;ncia s&atilde;o quadros graves que podem levar a &oacute;bito. O uso correto da medica&ccedil;&atilde;o na dosagem e pelo tempo prescrito, associado ao processo de psicoterapia, &eacute; fundamental para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da crise e para que o paciente retome sua autonomia, sua autoestima e possa voltar a reconhecer e investir o seu desejo em comportamentos e rela&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis&rdquo;, elucida Adelson Bruno dos Reis Santos. <\/p>\n<p>De acordo com o psic&oacute;logo, a fam&iacute;lia ou a rede de apoio &eacute; fundamental para o &ecirc;xito do tratamento e do cuidado humanizado do adicto. &ldquo;Ela &eacute; impactada por um processo de esgotamento e sofrimento mental na tentativa de proporcionar a aten&ccedil;&atilde;o e o acolhimento necess&aacute;rio no processo terap&ecirc;utico. Por outro lado, para muitas gera&ccedil;&otilde;es ainda &eacute; dif&iacute;cil, ou mesmo imposs&iacute;vel, dialogar sobre o tema, e isso pode provocar um sistema de repress&atilde;o que desestrutura o n&uacute;cleo familiar. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para os pais lidar com a realidade de que algo falhou, e um sentimento de culpa pode tomar conta desse n&uacute;cleo como se fosse poss&iacute;vel apontar um culpado. Isso &eacute; muito degradante para a fam&iacute;lia, que tamb&eacute;m precisa de suporte psicoterap&ecirc;utico e at&eacute; medicamentoso. Recomenda-se que as fam&iacute;lias frequentem grupos terap&ecirc;uticos para compartilhar e ouvir outras fam&iacute;lias que enfrentam a mesma realidade&rdquo;, encerra. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O consumo de &aacute;lcool &eacute; respons&aacute;vel por 2,6 milh&otilde;es de mortes anuais no mundo todo, enquanto&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-418573","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418573"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418573\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}