{"id":417877,"date":"2025-02-13T01:23:18","date_gmt":"2025-02-13T01:23:18","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=417877"},"modified":"2025-02-13T01:23:18","modified_gmt":"2025-02-13T01:23:18","slug":"justica-autoriza-produtos-com-nomes-comerciais-em-farmacias-de-manipulacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/02\/justica-autoriza-produtos-com-nomes-comerciais-em-farmacias-de-manipulacao\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a autoriza produtos com nomes comerciais em farm\u00e1cias de manipula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b><i><br>\n<\/i><\/b><b><i>&nbsp;&ndash; Claudia de Lucca Mano*<\/i><\/b><b><i> &ndash; <\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i><br>\n<\/i><\/b>Recentemente, o Tribunal de Justi&ccedil;a de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (TJ-SP) reconheceu, pela primeira vez, que a Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) n&atilde;o pode proibir produtos manipulados com nomes comerciais. A decis&atilde;o da 9&ordf; C&acirc;mara de Direito P&uacute;blico determinou que as autoridades sanit&aacute;rias se abstenham de &ldquo;aplicar qualquer esp&eacute;cie de san&ccedil;&atilde;o por comercializar produtos manipulados com atribui&ccedil;&atilde;o do objetivo terap&ecirc;utico e de nome das f&oacute;rmulas em seu r&oacute;tulo. Inexist&ecirc;ncia de previs&atilde;o legal espec&iacute;fica que pro&iacute;ba a pr&aacute;tica&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; bastante comum as farm&aacute;cias de manipula&ccedil;&atilde;o desenvolverem formula&ccedil;&otilde;es com finalidades espec&iacute;ficas, por exemplo, &ldquo;composto vitam&iacute;nico para menopausa&rdquo;, &ldquo;f&oacute;rmula para emagrecer&rdquo; ou &ldquo;s&eacute;rum anti-idade&rdquo;. A pr&aacute;tica aparece com frequ&ecirc;ncia em sites e redes sociais, especialmente daquelas farm&aacute;cias que conseguiram na Justi&ccedil;a o direito de realizar estoque m&iacute;nimo e exposi&ccedil;&atilde;o de produtos magistrais com objetivo de propaganda, conhecida como liminar para e-commerce magistral.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Justi&ccedil;a, j&aacute; havia decis&otilde;es favor&aacute;veis anteriores em Minas Gerais, onde o TJ-MG concedeu esse direito para ao menos nove farm&aacute;cias.Importante ressaltar que o uso de nome comercial para f&oacute;rmulas manipuladas n&atilde;o implica aumento de risco dos medicamentos, cosm&eacute;ticos ou suplementos manipulados. Pelo contr&aacute;rio, favorece o paciente, que tem condi&ccedil;&otilde;es de comparar e diferenciar produtos por finalidade, qualidade e laborat&oacute;rio de produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, a Anvisa e os &oacute;rg&atilde;os sanit&aacute;rios entendem que qualquer exposi&ccedil;&atilde;o ao p&uacute;blico de produtos magistrais contendo nome comercial fere a RDC 67 &ndash; Boas Pr&aacute;ticas de Farm&aacute;cias de Manipula&ccedil;&atilde;o. Essa norma restringe a exposi&ccedil;&atilde;o de produtos manipulados para fins publicit&aacute;rios, mas n&atilde;o pro&iacute;be a atribui&ccedil;&atilde;o de nomes distintivos &agrave;s f&oacute;rmulas.Nesse contexto, ao longo de d&eacute;cadas, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o vem autuando farm&aacute;cias quando se depara com tais nomenclaturas, interpretando erroneamente que se trata de um produto industrializado sem registro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale frisar que produtos manipulados n&atilde;o precisam de registro sanit&aacute;rio na Anvisa, pois s&atilde;o personalizados e geralmente seguem prescri&ccedil;&atilde;o de profissionais de sa&uacute;de habilitados. H&aacute;, no entanto, produtos como cosm&eacute;ticos, alguns suplementos e determinados medicamentos fitoter&aacute;picos que podem ser indicados por farmac&ecirc;uticos sem necessidade de prescri&ccedil;&atilde;o, conforme autoriza a RDC 67, item 5.10.2, e permitido por resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho Federal de Farm&aacute;cia (CFF) desde 2007.Recentemente, com a RDC 768\/22, ao revisar as normas de rotulagem para medicamentos industrializados, a Ag&ecirc;ncia introduziu uma nova proibi&ccedil;&atilde;o para o setor industrial: o veto ao uso de marcas pr&oacute;prias em medicamentos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse conceito refere-se ao uso de nomes, marcas, logomarcas e identidades visuais por estabelecimentos que comercializam ou dispensam medicamentos diretamente ao consumidor, como farm&aacute;cias e drogarias. A medida gerou grande debate no setor farmac&ecirc;utico. Os opositores argumentam que a proibi&ccedil;&atilde;o prejudica a livre concorr&ecirc;ncia e impacta tanto fabricantes quanto consumidores.Importante ressaltar que essa regra se aplica apenas a medicamentos, n&atilde;o abrangendo outras categorias, como suplementos. A determina&ccedil;&atilde;o atinge o setor farmac&ecirc;utico em um ponto nevr&aacute;lgico, afetando distribuidoras, drogarias e farm&aacute;cias que realizam manipula&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando uma farm&aacute;cia magistral tem autoriza&ccedil;&atilde;o judicial para o e-commerce, est&aacute; liberada para ofertar seus produtos diretamente ao consumidor. Por n&atilde;o haver proibi&ccedil;&atilde;o clara nos regulamentos da Anvisa sobre o uso de nomes comerciais em f&oacute;rmulas manipuladas, a tend&ecirc;ncia &eacute; que estas possam ofertar seus produtos utilizando nomes distintivos, marcas registradas no INPI, al&eacute;m dos requisitos obrigat&oacute;rios para rotulagem de quaisquer produtos que afetam a sa&uacute;de, como composi&ccedil;&atilde;o, finalidade, dosagem, modo de uso, advert&ecirc;ncias e restri&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A decis&atilde;o recente da Justi&ccedil;a paulista imp&otilde;e limites &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es excessivas que impactam o setor de farm&aacute;cias de manipula&ccedil;&atilde;o no Brasil, o que motiva que empresas recorram ao Judici&aacute;rio para evitar san&ccedil;&otilde;es indevidas. Esse julgamento tamb&eacute;m refor&ccedil;a que a Anvisa n&atilde;o pode impor restri&ccedil;&otilde;es al&eacute;m do previsto nas leis federais, al&eacute;m de respeitar princ&iacute;pios constitucionais como igualdade, livre concorr&ecirc;ncia, razoabilidade, proporcionalidade e legalidade na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>*Claudia de Lucca Mano &eacute; advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na &aacute;rea de vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria e assuntos regulat&oacute;rios, especialista em regula&ccedil;&atilde;o de farm&aacute;cias e cannabis, fundadora da banca DLM e respons&aacute;vel pelo jur&iacute;dico da associa&ccedil;&atilde;o Farmacann<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ndash; Claudia de Lucca Mano* &ndash; Recentemente, o Tribunal de Justi&ccedil;a de <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\" href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">S&atilde;o Paulo<\/a> (TJ-SP) reconheceu,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":417878,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21679,20906,21201,29011,7,27],"tags":[],"class_list":["post-417877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-assunto-do-momento","category-brasil","category-destaques","category-negocios","category-sde","category-sociedade","wpcat-11-id","wpcat-21679-id","wpcat-20906-id","wpcat-21201-id","wpcat-29011-id","wpcat-7-id","wpcat-27-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=417877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417877\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/417878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=417877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=417877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=417877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}