{"id":417764,"date":"2025-02-06T15:47:27","date_gmt":"2025-02-06T15:47:27","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=417764"},"modified":"2025-02-06T19:52:05","modified_gmt":"2025-02-06T19:52:05","slug":"bovinos-e-os-gases-do-efeito-estufa-gee-o-papel-da-genetica-e-da-eficiencia-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/02\/bovinos-e-os-gases-do-efeito-estufa-gee-o-papel-da-genetica-e-da-eficiencia-alimentar\/","title":{"rendered":"Bovinos e os Gases do Efeito Estufa (GEE): o papel da gen\u00e9tica e da efici\u00eancia alimentar"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Jos&eacute; Bento Sterman Ferraz, professor titular de gen&eacute;tica e melhoramento animal da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (FZEA\/USP)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existe um equ&iacute;voco quando se fala em volume de emiss&atilde;o de Gases de Efeito Estufa (GEE) pelos ruminantes. Estudos evidenciam que essas esp&eacute;cies animais s&atilde;o respons&aacute;veis por apenas cerca de 3,9% dos gases emitidos na atmosfera. Em contrapartida, os ve&iacute;culos de transporte contribuem com cerca de 30%, a gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade com combust&iacute;veis f&oacute;sseis mais 30% e a ind&uacute;stria\/com&eacute;rcio outros 30%. Al&eacute;m disso, o tempo de a&ccedil;&atilde;o do metano emitido pelos animais na atmosfera &eacute; de 12 anos, enquanto o CO<sub>2<\/sub> lan&ccedil;ado ao ar por outras atividades f&oacute;sseis tem vida &uacute;til por 1.000 anos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; importante apontar que, ap&oacute;s 12 anos, o metano se transforma em CO<sub>2<\/sub> biog&ecirc;nico e &eacute; absorvido pelas plantas por meio da fotoss&iacute;ntese. Ou seja, os bovinos comem o capim novamente e o ciclo recome&ccedil;a. Em compara&ccedil;&atilde;o, outras atividades apenas adicionam mais CO<sub>2<\/sub> na atmosfera, acumulando de forma cont&iacute;nua um tipo de GEE que dura cerca de um mil&ecirc;nio e que forma um verdadeiro escudo que impede que os raios solares sejam refletidos para o espa&ccedil;o, gerando aquecimento de nossa atmosfera. A quest&atilde;o envolve diferentes interesses, o que leva muitos a se acharem no direito de propagar&nbsp;<em>fake news<\/em>, como a de que a pecu&aacute;ria &eacute; a grande respons&aacute;vel pelas emiss&otilde;es de GEE. Al&eacute;m de ser uma inverdade, isso mancha a imagem da pecu&aacute;ria e do agroneg&oacute;cio como um todo, de um dos setores econ&ocirc;micos mais importantes do pa&iacute;s, respons&aacute;vel por aproximadamente &frac14; do Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Efici&ecirc;ncia alimentar<\/strong><\/p>\n<p>A pequena parcela de gases emitidos pela pecu&aacute;ria est&aacute; diretamente ligada &agrave; efici&ecirc;ncia alimentar dos ruminantes. O ponto central &eacute; que animais menos eficientes precisam de mais tempo consumindo alimentos para transformar em carne e, portanto, mais tempo gerando GEE. A conta &eacute; simples: o animal que possui capacidade para convers&atilde;o de alimentos em carne de forma mais r&aacute;pida pode ser abatido em menos tempo e parar de gerar esses gases.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os bovinos mais eficientes neste quesito possuem conte&uacute;do microbiol&oacute;gico do trato digestivo diferenciado &ndash; algo que &eacute; regulado pela sele&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica. Isso significa que&nbsp;podemos melhorar de forma cont&iacute;nua, gera&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s gera&ccedil;&atilde;o, a efici&ecirc;ncia alimentar dos animais e, consequentemente, ter maior precocidade de abate. Essa &eacute; a grande contribui&ccedil;&atilde;o da gen&eacute;tica para a redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de gases de efeito estufa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>J&aacute; presenciei em fazendas pecu&aacute;rias, num mesmo lote, animais que consomem at&eacute; tr&ecirc;s vezes mais mat&eacute;ria seca do que os mais eficientes &ndash; que proporcionam maior retorno ao neg&oacute;cio. Em termos econ&ocirc;micos esse fato tem impacto negativo gigantesco para a lucratividade da propriedade, assim como para o volume de GEE emitido. Para alcan&ccedil;ar esse bom n&iacute;vel de sele&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica para qualquer caracter&iacute;stica produtiva, como a efici&ecirc;ncia alimentar, a vaca, que &eacute; a verdadeira matriz da ind&uacute;stria da pecu&aacute;ria, tem papel essencial e temos que selecionar para vacas mais produtivas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outro fator determinante para a maior ou menor emiss&atilde;o de metano envolve a tecnologia da alimenta&ccedil;&atilde;o dos bovinos. Quanto mais moderna e eficiente mais contribui para a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es. Assim, o investimento em insumos nutricionais de maior qualidade &eacute; bom para todos, inclusive para o futuro do planeta. Justi&ccedil;a seja feita, a China tem contribu&iacute;do bastante para esse avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico e gen&eacute;tico, na medida em que somente compra animais com, no m&aacute;ximo, quatro dentes ou seja, menos de 3 anos de idade. Essa exig&ecirc;ncia levou os pecuaristas brasileiros a investirem no melhoramento gen&eacute;tico, para levar os animais para abate mais cedo. Al&eacute;m disso, s&atilde;o mais bem remunerados, por entregarem para a ind&uacute;stria animais com carne de melhor qualidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cautela na sele&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A sele&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica &eacute; essencial para a efici&ecirc;ncia alimentar, contribuindo para a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de GEE. Por&eacute;m, o pecuarista n&atilde;o pode olhar apenas para esta caracter&iacute;stica. Muitos investem nisso porque depositar m&uacute;sculo &eacute; muito mais barato, em termos energ&eacute;ticos, do que depositar gordura. Fica aqui um alerta: a presen&ccedil;a de gordura na carne significa melhor qualidade no produto final. Al&eacute;m disso, a falta de gordura corporal impacta a reprodu&ccedil;&atilde;o do rebanho, j&aacute; que novilhas que apresentam menor deposi&ccedil;&atilde;o de gordura n&atilde;o entram em ciclo mais cedo, ou t&ecirc;m mais problemas reprodutivos, como ficarem prenhas quando prim&iacute;paras, que as que t&ecirc;m reserva de gordura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Eu explico melhor: a novilha que resulta de gen&eacute;tica selecionada apenas para produ&ccedil;&atilde;o de carne e melhor efici&ecirc;ncia alimentar, vai precisar parir e gerar um novo bezerro &ndash; e a&iacute; est&aacute; seu desafio, pois se n&atilde;o tiver reserva de gordura corporal ter&aacute; problemas na reconcep&ccedil;&atilde;o, especialmente como prim&iacute;para ou secund&iacute;para. Por isso, destaco que &eacute; importante selecionar animais para efici&ecirc;ncia alimentar, mas de forma complementar e n&atilde;o como &uacute;nico crit&eacute;rio. A solu&ccedil;&atilde;o &eacute; a vis&atilde;o hol&iacute;stica para unir produtividade e cuidado com o meio ambiente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O investimento em gen&eacute;tica, com o uso de insemina&ccedil;&atilde;o artificial e escolha adequada dos touros, representa muito pouco em rela&ccedil;&atilde;o aos custos totais da fazenda pecu&aacute;ria e proporciona um retorno que se perpetua nas novas gera&ccedil;&otilde;es de bovinos. Mesmo assim, inexplicavelmente, h&aacute; uma certa resist&ecirc;ncia de pecuaristas &ndash; especialmente os pequenos &ndash; na ado&ccedil;&atilde;o dessa biot&eacute;cnica reprodutiva ou na escolha de touros adequados para a monta natural. Neste campo, temos a felicidade de contar com o trabalho da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Insemina&ccedil;&atilde;o Artificial (Asbia) para democratizar o acesso &agrave; Insemina&ccedil;&atilde;o Artificial visando colaborar cada vez mais com o avan&ccedil;o em produtividade e sustentabilidade da pecu&aacute;ria leiteira e de corte por meio da multiplica&ccedil;&atilde;o da gen&eacute;tica de qualidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; importante ressaltar que o mercado de gen&eacute;tica mudou muito nesses &uacute;ltimos anos. Menos de 30% das vacas brasileiras s&atilde;o inseminadas, mostrando grande potencial para as biot&eacute;cnicas reprodutivas, mas cerca de 70% de nossas mais de 70 milh&otilde;es de vacas, s&atilde;o fecundadas por touros, de monta natural ou repasse e n&atilde;o podemos ignorar a import&acirc;ncia do uso de touros geneticamente selecionados. A oferta desse tipo de touros, com frete gr&aacute;tis ou subsidiado em todo o pa&iacute;s est&aacute; ajudando muito na difus&atilde;o de material gen&eacute;tico de alta qualidade. &Eacute; dessa forma, de escolha adequada de material gen&eacute;tico adequado &agrave;s necessidades de cada pecuaristas, evitando modismos, que seguiremos combatendo falsas informa&ccedil;&otilde;es e contribuindo com a seguran&ccedil;a alimentar de milh&otilde;es de pessoas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos&eacute; Bento Sterman Ferraz, professor titular de gen&eacute;tica e melhoramento animal da Faculdade de Zootecnia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":417763,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[5226,33268,3913],"class_list":["post-417764","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-eventos","tag-artigo","tag-asbia","tag-pecuaria","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=417764"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417764\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/417763"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=417764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=417764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=417764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}