{"id":416677,"date":"2024-12-04T13:26:58","date_gmt":"2024-12-04T13:26:58","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=416677"},"modified":"2024-12-04T20:38:46","modified_gmt":"2024-12-04T20:38:46","slug":"mais-que-palavras-10-atitudes-masculinas-que-prejudicam-a-igualdade-de-genero-no-trabalho-e-na-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2024\/12\/mais-que-palavras-10-atitudes-masculinas-que-prejudicam-a-igualdade-de-genero-no-trabalho-e-na-vida\/","title":{"rendered":"Mais que palavras: 10 atitudes masculinas que prejudicam a igualdade de g\u00eanero no trabalho e na vida"},"content":{"rendered":"<p>De acordo com o Dossi&ecirc; Mulheres e Viol&ecirc;ncia, da Ag&ecirc;ncia Patr&iacute;cia Galv&atilde;o, 62% das brasileiras consideram o Brasil um pa&iacute;s muito machista, revelando uma vis&atilde;o consolidada sobre a desigualdade de g&ecirc;nero. Esse dado ressalta a percep&ccedil;&atilde;o do machismo como um fen&ocirc;meno enraizado nas estruturas sociais e econ&ocirc;micas do pa&iacute;s, impactando especialmente as mulheres. <\/p>\n<p>Essa realidade &eacute; endossada pelo F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial que coloca o Brasil em 109&ordf; posi&ccedil;&atilde;o entre 146 pa&iacute;ses no ranking de igualdade de g&ecirc;nero (Relat&oacute;rio Global de Desigualdade de G&ecirc;nero de 2023), evidenciando os desafios nas oportunidades e no desenvolvimento das mulheres.<br>\n&ldquo;Desde a inf&acirc;ncia, as pessoas s&atilde;o expostas a ideias e valores, culturalmente com bases religiosas diretas e indiretas, que perpetuam essa estrutura. Frases como &lsquo;homem n&atilde;o chora&rsquo; e &lsquo;mulher n&atilde;o sabe dirigir&rsquo;, que v&atilde;o materializar arqu&eacute;tipos de masculinidade e feminilidade relacionados &agrave; virilidade e &agrave; intelig&ecirc;ncia apenas dom&eacute;stica, refor&ccedil;am estere&oacute;tipos de g&ecirc;nero, limitando tanto homens quanto mulheres em sua liberdade e express&atilde;o. Esses comportamentos se estendem para o ambiente profissional, acad&ecirc;mico e at&eacute; mesmo familiar, afetando diretamente a autoestima, o desempenho e as oportunidades de crescimento das mulheres&rdquo;, afirma a cientista da religi&atilde;o e Presidente do Ipefem (Instituto de Pesquisa de Estudos do Feminino), Ana Tomazelli.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Impacto da assimetria de g&ecirc;nero no ambiente de trabalho<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p>Dados da McKinsey mostram que apenas 39% das mulheres se sentem valorizadas no trabalho, em compara&ccedil;&atilde;o a 52% dos homens. Atitudes machistas minam a autoconfian&ccedil;a feminina e perpetuam a desigualdade nas empresas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m disso, as mulheres enfrentam desafios para equilibrar a vida pessoal e a carreira. A aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas de flexibilidade e apoio &agrave; parentalidade prejudica especialmente aquelas que s&atilde;o m&atilde;es, contribuindo para a evas&atilde;o de talentos femininos e reduzindo a diversidade e inova&ccedil;&atilde;o nas organiza&ccedil;&otilde;es.<br>\n&ldquo;Avan&ccedil;os t&ecirc;m ocorrido, mas ainda h&aacute; um longo caminho pela frente. Empresas que investem em treinamentos para educar homens e que oferecem mentorias para mulheres, al&eacute;m de implementar pol&iacute;ticas de toler&acirc;ncia zero para discrimina&ccedil;&atilde;o, observam ganhos em produtividade e satisfa&ccedil;&atilde;o no ambiente de trabalho, diminuindo turnover e economizando em gastos m&eacute;dicos com sa&uacute;de de uma maneira geral. Assim, superar os comportamentos machistas no ambiente corporativo &eacute; tanto uma quest&atilde;o &eacute;tica quanto estrat&eacute;gica &ndash; um passo necess&aacute;rio para um futuro mais igualit&aacute;rio e pr&oacute;spero para todos&rdquo;, destaca Tomazelli.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Machismo estrutural: impacto nas rela&ccedil;&otilde;es cotidianas<\/strong><\/p>\n<p>Estudos indicam que o machismo n&atilde;o apenas impede o desenvolvimento das mulheres, mas tamb&eacute;m gera ambientes t&oacute;xicos e menos colaborativos. A Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) aponta que atitudes como &ldquo;mansplaining&rdquo; e &ldquo;manterrupting&rdquo;, comuns em diversos contextos, criam um clima de exclus&atilde;o e isolamento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Esses comportamentos marginalizam as vozes femininas e desvalorizam suas contribui&ccedil;&otilde;es, o que afeta n&atilde;o s&oacute; a autoestima das mulheres, mas tamb&eacute;m a din&acirc;mica das equipes e o desenvolvimento organizacional. Quando uma ideia &eacute; subestimada por vir de uma mulher, a inova&ccedil;&atilde;o e a diversidade de pensamento s&atilde;o prejudicadas, limitando o potencial de solu&ccedil;&otilde;es criativas e inclusivas&rdquo;, observa Ana.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A psicanalista acrescenta que romper esse ciclo &eacute; fundamental para promover mudan&ccedil;as culturais e educacionais. &ldquo;Programas educacionais voltados para a equidade de g&ecirc;nero desde a inf&acirc;ncia e a sensibiliza&ccedil;&atilde;o sobre os impactos das assimetrias de g&ecirc;nero s&atilde;o passos essenciais para construir uma sociedade mais justa. Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que incentivem a igualdade de responsabilidades dom&eacute;sticas, como licen&ccedil;as parentais compartilhadas, tamb&eacute;m s&atilde;o vitais para estabelecer uma nova base de rela&ccedil;&otilde;es mais equitativas&rdquo;, afirma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para identificar como o machismo se manifesta em a&ccedil;&otilde;es cotidianas, a seguir est&atilde;o 10 atitudes violentas que s&atilde;o frequentemente ignoradas. Conhecer essas pr&aacute;ticas &eacute; o primeiro passo para combat&ecirc;-las e promover um ambiente mais inclusivo e respeitoso para todos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Algumas a&ccedil;&otilde;es machistas e t&oacute;xicas:<\/p>\n<p>1) Manterrupting: Interrup&ccedil;&otilde;es frequentes e sem fun&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, que impedem que uma mulher conclua sua fala ou racioc&iacute;nio. Cerca de 20% das mulheres relatam sentir-se ignoradas ou negligenciadas por colegas durante reuni&otilde;es virtuais;<br>\n2) Mansplaining: Um homem explica algo &oacute;bvio a uma mulher de forma did&aacute;tica, sugerindo que ela n&atilde;o seria capaz de compreender &ndash; algumas vezes, inclusive, ele est&aacute; explicando algo que a mulher domina, ou que, at&eacute; mesmo, foi criado por ela;<br>\n3) TPM Mania: Insinua&ccedil;&otilde;es de que uma rea&ccedil;&atilde;o ou atitude &eacute; influenciada pelo ciclo menstrual, de forma pejorativa, como se faltasse controle emocional por parte da mulher;<br>\n4) Bropriating: Apropria&ccedil;&atilde;o de uma ideia previamente expressa por uma mulher, com o homem levando os cr&eacute;ditos pela ideia original, dentro ou fora da empresa. Equivalente ao roubo de propriedade intelectual;<br>\n5) Gaslighting: Manipula&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica para fazer uma mulher duvidar de sua sanidade mental ou percep&ccedil;&atilde;o, ainda que ela tenha motivos e raz&otilde;es pragm&aacute;ticas para agir ou reagir de determinada maneira;<br>\n6) Meritocracia masculina: Quando a mulher perde uma oportunidade de promo&ccedil;&atilde;o ou crescimento para um homem menos qualificado;<br>\n7) Filho &eacute; coisa de mulher: Desconsidera&ccedil;&atilde;o da mulher em atividades ou oportunidades devido &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e ou inten&ccedil;&atilde;o de ter filhos, al&eacute;m de n&atilde;o considerar os compromissos parentais na organiza&ccedil;&atilde;o de eventos;<br>\n8) Lookism: Valor atribu&iacute;do a uma mulher exclusivamente com base em sua apar&ecirc;ncia f&iacute;sica, com julgamentos sobre roupas, peso e maquiagem que diminuem sua compet&ecirc;ncia profissional. Para 56% das mulheres, o julgamento pela apar&ecirc;ncia afeta suas oportunidades profissionais (IBGE).<br>\n9) Desqualifica&ccedil;&atilde;o emocional: Opini&otilde;es ou sentimentos de uma mulher s&atilde;o desvalorizados como &ldquo;emo&ccedil;&otilde;es exageradas&rdquo;, refor&ccedil;ando estere&oacute;tipos de instabilidade emocional. Segundo o Centro de Lideran&ccedil;a Feminina (CLF), 47% das mulheres relatam sentir que suas opini&otilde;es s&atilde;o frequentemente desconsideradas no trabalho, quando n&atilde;o se avalia o que causou a rea&ccedil;&atilde;o, mas, apenas, as rea&ccedil;&otilde;es em si;<br>\n10) Responsabilidade dom&eacute;stica exclusiva: Expectativa de que as mulheres assumam todas as responsabilidades dom&eacute;sticas, mesmo trabalhando fora. Segundo a PNAD de 2023, as mulheres brancas dedicam, em m&eacute;dia, 20,9 horas semanais &agrave;s atividades dom&eacute;sticas e as mulheres negras chegam a 26 horas, enquanto os homens (em geral) dedicam, em m&eacute;dia, 11,1 horas, refor&ccedil;ando uma desigualdade nas obriga&ccedil;&otilde;es de cuidado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>S&atilde;o, principalmente, os comportamentos 07 e 10 que, segundo a professora Claudia Costin, ganhadora do Pr&ecirc;mio Nobel de Economia em 2023, os grandes ofensores da paridade de g&ecirc;nero em casa e que resultam na dificuldade de alcan&ccedil;ar a equidade de g&ecirc;nero no mercado de trabalho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;A garantia de direitos para as mulheres passa, invariavelmente, pelo reconhecimento de deveres dos homens e &eacute; isso o que fazemos no Ipefem: falamos com os homens.&rdquo;, finaliza Ana Tomazelli.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com o Dossi&ecirc; Mulheres e Viol&ecirc;ncia, da Ag&ecirc;ncia Patr&iacute;cia Galv&atilde;o, 62% das brasileiras consideram&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":416676,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,17],"tags":[10899,35127,34930,142,3647,312,2371,17114,4934,2281,15424,4385,33252,379,3735,469,91,7578,999,32358,33302,294,34553,3937,8635,4361,111,6765,2200,223,4777,33991,34702,3348,34452,66,7005,10281,5402,10630,313,1955,34759,15415,922,1238,13794,27844,35134,35156,34289,248,11916,6705,5057,6386,3273,18286,9461,29745,33473,159,48,35287,33967,7342,457,649,462,33510,3925,34401,13610,3663,14000,3525,4430,5099,29915,20299],"class_list":["post-416677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-geral","tag-acoes","tag-agencia","tag-ambiente","tag-apoio","tag-atividades","tag-brasil","tag-carreira","tag-casa","tag-centro","tag-clima","tag-contextos","tag-controle","tag-corporativo","tag-crescimento","tag-cuidado","tag-dados","tag-desafios","tag-desempenho","tag-desenvolvimento","tag-dinamica","tag-direitos","tag-diversidade","tag-e","tag-economia","tag-emocional","tag-empresa","tag-empresas","tag-estrutura","tag-estudos","tag-eventos","tag-expectativa","tag-familiar","tag-feminino","tag-filhos","tag-forum","tag-futuro","tag-garantia","tag-gastos","tag-geral","tag-ibge","tag-ideias","tag-impacto","tag-infancia","tag-inovacao","tag-instituto","tag-internacional","tag-lideranca","tag-mae","tag-maes","tag-masculinidade","tag-medicos","tag-mercado","tag-mercado-de-trabalho","tag-mulher","tag-mulheres","tag-oportunidade","tag-oportunidades","tag-organizacao","tag-os","tag-pelo","tag-peso","tag-pesquisa","tag-pessoas","tag-politicas-publicas","tag-praticas","tag-presidente","tag-produtividade","tag-profissionais","tag-profissional","tag-ranking","tag-reconhecimento","tag-religiao","tag-sanidade","tag-sociedade","tag-solucoes","tag-trabalho","tag-treinamentos","tag-valor","tag-vida","tag-visao","wpcat-21201-id","wpcat-17-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=416677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416677\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/416676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=416677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=416677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=416677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}