{"id":409320,"date":"2024-05-02T19:25:53","date_gmt":"2024-05-02T19:25:53","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=409320"},"modified":"2024-05-08T14:32:19","modified_gmt":"2024-05-08T14:32:19","slug":"projeto-pioneiro-no-para-promove-a-conservacao-de-felinos-de-grande-porte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2024\/05\/projeto-pioneiro-no-para-promove-a-conservacao-de-felinos-de-grande-porte\/","title":{"rendered":"Projeto pioneiro no Par\u00e1 promove a conserva\u00e7\u00e3o de felinos de grande porte"},"content":{"rendered":"<p>Coexist&ecirc;ncia significa, em sua ess&ecirc;ncia, a coabita&ccedil;&atilde;o comum e pac&iacute;fica entre dois elementos. Por anos, a pergunta feita por muitos fazendeiros no munic&iacute;pio de Paragominas, no sudeste do estado do Par&aacute;, foi relacionada a este termo: ser&aacute; que &eacute; poss&iacute;vel ter produ&ccedil;&atilde;o de gado e, ao mesmo tempo, coexistir com as on&ccedil;as que habitam as matas da regi&atilde;o?<\/p>\n<p>De acordo com Iara Ramos, bi&oacute;loga e pesquisadora de doutorado em Ecologia da Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA), a resposta a esta pergunta &eacute; sim. &ldquo;O nosso trabalho &eacute; justamente trazer a solu&ccedil;&atilde;o para um problema que foi diagnosticado pelos pr&oacute;prios produtores de Paragominas, que informaram que as on&ccedil;as estavam abatendo o gado, trazendo preju&iacute;zos para eles&rdquo;, comenta. Isso tamb&eacute;m resultava na morte de on&ccedil;as para defesa da produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>E assim o munic&iacute;pio de Paragominas tornou-se protagonista de uma iniciativa pioneira no estado do Par&aacute;: o projeto Fauna Sustent&aacute;vel, o primeiro que aborda e promove a&ccedil;&otilde;es sobre a Coexist&ecirc;ncia Gente-Fauna no Estado. Por meio de eventos abertos ao p&uacute;blico, palestras em entidades de ensino, oficinas e exposi&ccedil;&otilde;es, o projeto est&aacute; promovendo no &uacute;ltimo ano a conscientiza&ccedil;&atilde;o e implementando medidas pr&aacute;ticas para obter resultados: ao todo, 24 fazendas da regi&atilde;o foram atendidas desde 2022 e 870 pessoas foram alcan&ccedil;adas pelas palestras e oficinas. Antes do trabalho, havia registros de 15 abates de gado predado por on&ccedil;as. Desde o in&iacute;cio das a&ccedil;&otilde;es do projeto em parceria com os produtores, n&atilde;o houve registros de animais abatidos at&eacute; ent&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No campo, as estrat&eacute;gias s&atilde;o o manejo antipreda&ccedil;&atilde;o para evitar danos que on&ccedil;as possam causar aos animais de cria&ccedil;&atilde;o, instala&ccedil;&atilde;o de armadilhas fotogr&aacute;ficas nas fazendas para monitorar felinos e outras esp&eacute;cies, orientando os produtores rurais sobre como evitar os danos, realizando treinamentos de coexist&ecirc;ncia com on&ccedil;as. Al&eacute;m disso, os registros s&atilde;o compartilhados com o p&uacute;blico no Instagram do projeto: @faunasustentavel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Recebemos no treinamento v&aacute;rias ideias sobre como lidar com as on&ccedil;as: utiliza&ccedil;&atilde;o de alguns fogos de artif&iacute;cio, colocar chocalhos nas vacas, inserir um touro na cria&ccedil;&atilde;o para proteger o rebanho, entre outros. E agora estamos muito felizes que as preda&ccedil;&otilde;es por on&ccedil;as pararam. H&aacute; cerca de oito meses n&atilde;o temos mais relatos de gado morto. &Eacute; muito gratificante perceber que estamos conservando o meio ambiente. &Eacute; preciso ter espa&ccedil;o para todos: humanos e animais&rdquo;, pontua o fazendeiro Idolan Silveira.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O objetivo da coexist&ecirc;ncia &eacute; justamente um conceito mais amplo, inclusivo e abrangente que vem ganhando aten&ccedil;&atilde;o crescente entre pesquisadores e inclui a conserva&ccedil;&atilde;o de diversas esp&eacute;cies. Isso porque as on&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o as &uacute;nicas atendidas pelo Fauna Sustent&aacute;vel. As armadilhas fotogr&aacute;ficas nas fazendas identificaram 19 esp&eacute;cies animais em mais de 400 registros realizados, a exemplo da Sussuarana; da Jaguatirica; do Gato-mourisco; do Tamandu&aacute;-bandeira; da Irara; da Capivara e do Catitu.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Contribui&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica<\/strong><\/p>\n<p>Fruto do Cons&oacute;rcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC na sigla em ingl&ecirc;s), o projeto conta hoje com quatro estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o: dois de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas, um de Zootecnia e um de Design. &ldquo;Sou bolsista do projeto e venho conhecendo o impacto do design na constru&ccedil;&atilde;o da coexist&ecirc;ncia gente-fauna. Com base nisso e com apoio da equipe, estou produzindo o meu TCC, que ser&aacute; o primeiro Guia de Coexist&ecirc;ncia Humano-Fauna da Amaz&ocirc;nia. Tem sido uma trajet&oacute;ria incr&iacute;vel&rdquo;, explica Cl&aacute;udio Soares, estudante de Design na Universidade do Estado do Par&aacute; (UEPA).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Mais do que os n&uacute;meros, o projeto vai um pouco al&eacute;m do manejo e da assist&ecirc;ncia e v&iacute;nculo com os produtores rurais. Ele traz novas possibilidades para as pessoas na equipe. Ent&atilde;o, hoje temos alunos de gradua&ccedil;&atilde;o que pensam em se especializar em coexist&ecirc;ncia e que antes n&atilde;o tiveram a oportunidade de atuar em um projeto com esse foco e infraestrutura&rdquo;, comemora Iara.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O BRC &eacute; formado pela Hydro, Universidade de Oslo, da Noruega, Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amaz&ocirc;nia (UFRA). Estabelecido em 2013, o cons&oacute;rcio mant&eacute;m um programa de pesquisa conectado &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es de minera&ccedil;&atilde;o da Hydro em Paragominas. O Fauna Sustent&aacute;vel iniciou, inclusive, a partir de intera&ccedil;&otilde;es observadas na &aacute;rea da mina e fazendas pr&oacute;ximas. Dentro da mina j&aacute; foram realizados dois workshops com &aacute;reas chave como Meio Ambiente, Opera&ccedil;&atilde;o da Mina, entre outras, onde foram avaliadas as intera&ccedil;&otilde;es e a equipe p&ocirc;de contribuir para a elabora&ccedil;&atilde;o do plano de a&ccedil;&atilde;o do projeto. Al&eacute;m disso, os empregados participaram de conversas com o projeto, obtendo informa&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas sobre como reagir se encontrar uma on&ccedil;a, como diferenciar a pegada dela de outros animais e demais orienta&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Desde que foi fundado, o BRC j&aacute; aprovou 26 projetos de pesquisa e 60 artigos cient&iacute;ficos foram publicados. O cons&oacute;rcio representa um investimento de mais de R$ 14 milh&otilde;es por parte da Hydro e foi renovado por mais cinco anos em 2023. &ldquo;Os estudos desenvolvidos por meio do BRC geram conhecimento aplicado &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas mineradas. Al&eacute;m disso, aumentamos consideravelmente nosso conhecimento sobre a biodiversidade na Amaz&ocirc;nia, o estado de conserva&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies e sua ecologia. Todo esse aprendizado contribui para o processo de tomada de decis&atilde;o da empresa&rdquo;, explica Eduardo Figueiredo, Diretor de Sustentabilidade e Impacto Social da Hydro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Fauna Sustent&aacute;vel &eacute; um grande exemplo desta contribui&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Ele traz uma nova perspectiva. Quando vamos at&eacute; a fazenda e conseguimos implementar o manejo e evitar que on&ccedil;as e gado sejam abatidos e percebe que, antes das pessoas pensarem em atentar contra a vida de um animal, elas j&aacute; mandam mensagens perguntando o que podem fazer, algo que antes n&atilde;o era dessa forma. Para n&oacute;s isso vale muito mesmo. Com o tempo, j&aacute; conseguimos perceber um discurso pr&oacute;-coexist&ecirc;ncia. Isso &eacute; muito valioso, estamos criando uma nova forma de enxergar a biodiversidade&rdquo;, conclui Iara Ramos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coexist&ecirc;ncia significa, em sua ess&ecirc;ncia, a coabita&ccedil;&atilde;o comum e pac&iacute;fica entre dois elementos. 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