{"id":408382,"date":"2024-04-11T19:58:59","date_gmt":"2024-04-11T19:58:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=408382"},"modified":"2024-04-11T20:32:26","modified_gmt":"2024-04-11T20:32:26","slug":"projeto-cultural-resgata-escritoras-brasileiras-que-foram-subtraidas-dos-registros-literarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2024\/04\/projeto-cultural-resgata-escritoras-brasileiras-que-foram-subtraidas-dos-registros-literarios\/","title":{"rendered":"Projeto cultural resgata escritoras brasileiras que foram subtra\u00eddas dos registros liter\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Quem eram as vozes femininas da literatura brasileira entre os s&eacute;culos XVIII e XX? Por que elas escreviam &agrave;s escondidas e seus textos necessitavam de um endosso masculino para conquistar reconhecimento ou legitimidade de suas produ&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>O que parece ser um absurdo atualmente j&aacute; foi realidade at&eacute; poucos anos, quando as mulheres n&atilde;o eram estimuladas a escrever, recebiam cr&iacute;ticas conservadoras e seus textos foram subtra&iacute;dos da mem&oacute;ria cultural e das an&aacute;lises liter&aacute;rias.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para resgatar esse atraso na igualdade de g&ecirc;nero, o projeto&nbsp;<i>An&ocirc;nimas<\/i>&nbsp;vai realizar diversas atividades culturais gratuitas em escolas p&uacute;blicas &ndash; municipais e estaduais &ndash; de Colombo, Pinhais e Almirante Tamandar&eacute; para falar sobre essas escritoras brasileiras que foram propositalmente esquecidas. As a&ccedil;&otilde;es j&aacute; come&ccedil;aram, acontecem em dias, locais e hor&aacute;rios espec&iacute;ficos e seguem at&eacute; o m&ecirc;s de julho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Vamos revisitar o passado, homenagear essas escritoras que lutavam bravamente por espa&ccedil;o na literatura e foram subtra&iacute;das dos registros hist&oacute;ricos. Vamos conhecer suas obras e estimular a leitura de seus livros&rdquo;, explica a idealizadora do projeto, mediadora de leitura e mestranda em Educa&ccedil;&atilde;o pela UFPR, Carla Viccini.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><b>Participantes<\/b><\/p>\n<p>Entre as diversas a&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em o projeto est&atilde;o a realiza&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<i>Workshops de Cria&ccedil;&atilde;o Po&eacute;tica<\/i>&nbsp;mediadas pela escritora, tradutora e educadora curitibana Luci Collin; que tem mais de 20 livros publicados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Luci tamb&eacute;m vai realizar&nbsp;<i>palestras<\/i>&nbsp;e nessas confer&ecirc;ncias estar&aacute; acompanhada por artistas convidadas que englobam nomes como Manu Assini, C&eacute;lia Cris Silva, Cl&eacute;o Cavalcanti, Ana Rapha Nunes, Luciana Melamed e Gl&oacute;ria Kirinus.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>J&aacute; as&nbsp;<i>Oficinas de Escrita Liter&aacute;ria<\/i>&nbsp;e os&nbsp;<i>Workshops de Minicontos<\/i>&nbsp;ser&atilde;o conduzidas pela escritora Gl&oacute;ria Kirinus, que tem p&oacute;s-doutorado em Sociologia (Teorias do Imagin&aacute;rio) pela Universidade Sorbonne, de Paris.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Tamb&eacute;m haver&aacute; 120 rodas de leitura conduzidas por mim e pelo escritor, ator e produtor cultural Cristiano Nagel. Paralelamente, faremos a doa&ccedil;&atilde;o de livros para as bibliotecas p&uacute;blicas das cidades atendidas. Com esse projeto, pretendemos atingir cerca de 5 mil participantes&rdquo;, explica Carla Viccini.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><b>Quem s&atilde;o essas escritoras an&ocirc;nimas?<\/b><\/p>\n<p>Para que o p&uacute;blico conhe&ccedil;a um pouco mais sobre essas autoras an&ocirc;nimas, a idealizadora do projeto fez um breve resumo biogr&aacute;fico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Narcisa Am&aacute;lia: escreveu&nbsp;<i>Nebulosas<\/i>&nbsp;e n&atilde;o faltam elogios &agrave; sua poesia. Ela &eacute; uma hero&iacute;na, fez cr&iacute;ticas sociais e denunciou injusti&ccedil;as. Foi nomeada por D. Pedro II como a &ldquo;Musa dos Livros&rdquo; e, de repente, foi &lsquo;esquecida&rsquo; na literatura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Maria Firmina dos Reis: &eacute; autora de&nbsp;<i>&Uacute;rsula<\/i>, considerado o primeiro romance de autoria negra e feminina do Brasil. De cunho antiescravista, a obra tem uma perspectiva pr&oacute;pria e aut&ecirc;ntica, de import&acirc;ncia inigual&aacute;vel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>J&uacute;lia Lopes: &eacute; autora de v&aacute;rios livros, escreveu sobre tem&aacute;ticas realistas e naturalistas. Apesar de fazer parte das reuni&otilde;es para abertura da Academia Brasileira de Letras, n&atilde;o pode ocupar uma cadeira, pois era mulher.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Am&eacute;lia de Oliveira: ficou conhecida como a eterna noiva de Olavo Bilac e irm&atilde; de Alberto de Oliveira. Sua obra foi publicada postumamente em 1959.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Francisca Julia da Silva: destacou-se como poeta parnasiana, tendo a autoria de um poema seu atribu&iacute;da a outro escritor do per&iacute;odo, pois n&atilde;o acreditaram ser de uma mulher.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><b>Escritoras paranaenses esquecidas<\/b><\/p>\n<p>Entre as paranaenses, destaque para J&uacute;lia da Costa &ndash; que foi considerada a primeira poeta do Estado &ndash; Maria Nicolas, &lsquo;a pesquisadora da alma das ruas&rsquo; e Laura Santos, que cantava a &ldquo;gl&oacute;ria de ter nascido poetisa&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>J&aacute; Mariana Coelho afirmou em um de seus textos: &ldquo;Permitir, hoje, que a mulher permane&ccedil;a amarrada ao deplor&aacute;vel poste da ignor&acirc;ncia equivale a arrisc&aacute;-la criminosamente &agrave; probabilidade de receber em compensa&ccedil;&atilde;o do seu mais nobre e espont&acirc;neo afeto o completo aniquilamento da alma &ndash; o que quer dizer a sua principal ru&iacute;na&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Nas rodas de leitura vamos ler trechos de obras dessas autoras para que as pessoas conhe&ccedil;am suas escritas e mensagens. Tamb&eacute;m vamos intercalar com obras de escritoras mais conhecidas como Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Concei&ccedil;&atilde;o Evaristo e outras. Esse projeto &eacute; uma homenagem a muitas escritoras que n&atilde;o puderam publicar seus textos ou fizeram de forma an&ocirc;nima e at&eacute; com pseud&ocirc;nimos&rdquo;, complementa Carla Viccini.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O projeto&nbsp;<i>An&ocirc;nimas<\/i>&nbsp;foi aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo &agrave; Cultura \/ PROFICE da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado do Paran&aacute; e tem apoio da Copel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><b>Sobre<\/b><\/p>\n<p><b>O que<\/b>: Projeto cultural&nbsp;<i>An&ocirc;nimas<\/i>&nbsp;incentiva a leitura de livros de escritoras brasileiras dos s&eacute;culos XVIII e XX<\/p>\n<p><b>Quando<\/b>: De abril a julho de 2024<\/p>\n<p><b>Onde<\/b>: Em escolas p&uacute;blicas &ndash; municipais e estaduais &ndash; de Colombo, Pinhais e Almirante Tamandar&eacute;<\/p>\n<p><b>Quanto<\/b>: Gratuito e direcionado aos estudantes<\/p>\n<p><b>Informa&ccedil;&otilde;es<\/b>: Falar com Carla Viccini pelo tel. 41-99987-8394<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem eram as vozes femininas da literatura brasileira entre os s&eacute;culos XVIII e XX? 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