{"id":407245,"date":"2024-03-05T13:34:05","date_gmt":"2024-03-05T13:34:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=407245"},"modified":"2024-03-05T16:48:33","modified_gmt":"2024-03-05T16:48:33","slug":"aumento-do-alcoolismo-feminino-vai-igualar-se-entre-os-sexos-ate-2030","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2024\/03\/aumento-do-alcoolismo-feminino-vai-igualar-se-entre-os-sexos-ate-2030\/","title":{"rendered":"Aumento do alcoolismo feminino vai igualar-se entre os sexos at\u00e9 2030"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em><strong>No M&ecirc;s da Mulher, Paulo Leme Filho aborda um tema pol&ecirc;mico para alertar sobre os riscos sociais e de sa&uacute;de p&uacute;blica do consumo de bebidas<\/strong> <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A informa&ccedil;&atilde;o de que o alcoolismo feminino vem crescendo no Brasil acontece desde antes da pandemia. E, segundo o <strong>Observat&oacute;rio Brasileiro de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Drogas (Obid)<\/strong>, at&eacute; 2030 o n&uacute;mero de mulheres dependentes do &aacute;lcool ser&aacute; igual ao dos homens.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><em>&ldquo;Talvez o ambiente mais igualit&aacute;rio tenha contribu&iacute;do para que esses dados viessem a p&uacute;blico. Veja, n&atilde;o necessariamente para o consumo em si, mas para o encorajamento de as mulheres encararem seus h&aacute;bitos sociais e relatarem, em pesquisas, seu consumo de &aacute;lcool. Da&iacute; a descoberta de que o alcoolismo est&aacute; presente em todas as camadas sociais, n&atilde;o distinguindo g&ecirc;nero&rdquo;,<\/em> pondera Paulo Leme Filho. O advogado que h&aacute; 27 anos &eacute; abst&ecirc;mio e ativista social lembra que 10% da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; sujeita a desenvolver alguma depend&ecirc;ncia, e que as mulheres est&atilde;o neste grupo sim. <em>&ldquo;S&oacute; que elas s&atilde;o afetadas pelo v&iacute;cio de uma maneira diferente devido as suas caracter&iacute;sticas biol&oacute;gicas. E eu diria que as consequ&ecirc;ncias s&atilde;o ainda mais dif&iacute;ceis para elas que sofrem muito preconceito e est&atilde;o sujeitas a problemas mais graves de sa&uacute;de&rdquo;,<\/em> analisa <strong>Paulo Leme Filho. <\/strong><\/p>\n<p>Para o advogado que lan&ccedil;ou seu quinto livro sobre o tema &ndash; <em>O Bonequinho<\/em> &ndash; s&atilde;o v&aacute;rias as abordagens terap&ecirc;uticas que podem ajudar dependentes e seus familiares e, todas passam por suporte emocional e de sa&uacute;de mental.&nbsp; &ldquo;A quest&atilde;o vai al&eacute;m do parar de beber. &Eacute; preciso aprender a como lidar com os desafios enfrentados todos os dias e com as compuls&otilde;es que desenvolvemos&rdquo;, conta Leme Filho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ele reconhece que o aumento do consumo de bebida alco&oacute;lica entre mulheres jovens &eacute; uma tend&ecirc;ncia preocupante que merece aten&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Assim como nos muito jovens, a rela&ccedil;&atilde;o entre o consumo de &aacute;lcool, depress&atilde;o e ansiedade entre as mulheres &eacute; claro. E &eacute; essencial abordar esse problema com educa&ccedil;&atilde;o, apoio &agrave; sa&uacute;de mental e pol&iacute;ticas respons&aacute;veis&rdquo;, enfatiza.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Efeitos nas mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Os efeitos do alcoolismo no organismo feminino tendem a ser mais fortes do que no masculino. Entre os problemas que podem surgir est&atilde;o doen&ccedil;as card&iacute;acas, cirrose e hepatite alco&oacute;lica. Tamb&eacute;m h&aacute; uma chance maior de lapsos de mem&oacute;ria e danos cerebrais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Isso acontece porque a metaboliza&ccedil;&atilde;o do &aacute;lcool &eacute; diferente entre as mulheres. Fatores como tamanho menor, propor&ccedil;&atilde;o de tecido gorduroso, concentra&ccedil;&atilde;o g&aacute;strica de desidrogenase alco&oacute;lica (enzima que realiza o processo do metabolismo do &aacute;lcool no organismo) e varia&ccedil;&otilde;es hormonais fazem com que as mulheres fiquem embriagadas mais rapidamente. O m&eacute;dico Dr&aacute;uzio Varella explica que isso faz com que a metaboliza&ccedil;&atilde;o do &aacute;lcool seja mais lenta nas mulheres e as consequ&ecirc;ncias para a sa&uacute;de apare&ccedil;am mais rapidamente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Doen&ccedil;as associadas<\/strong><\/p>\n<p>A literatura m&eacute;dica cita que as mulheres alcoolistas t&ecirc;m uma tend&ecirc;ncia maior a desenvolverem doen&ccedil;as hep&aacute;ticas, inclusive, o risco de cirrose &eacute; tr&ecirc;s vezes mais elevado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Duas a tr&ecirc;s doses de bebida por dia eleva a chance de hipertens&atilde;o arterial em 40%. Al&eacute;m disso, h&aacute; uma suscetibilidade maior para o derrame cerebral hemorr&aacute;gico. Ainda h&aacute; possibilidade de surgirem miocardiopatias.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Anorexia e bulimia&nbsp;est&atilde;o presentes em 15% a 32% das que abusam de &aacute;lcool.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As mulheres que consomem de 2 a 5 drinques diariamente aumentam a chance de desenvolverem c&acirc;ncer de mama em 40%. A cada dose extra, o risco se eleva em 9%.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O &aacute;lcool gera um efeito inibidor da remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea e isso contribui para o surgimento da osteoporose. Tanto &eacute; que as mulheres com menos de 60 anos e que ingerem de 2 a 6 doses di&aacute;rias aumentam o risco de fratura de antebra&ccedil;o e colo de f&ecirc;mur.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os transtornos mentais tamb&eacute;m podem surgir como consequ&ecirc;ncia do alcoolismo feminino. Prevalecem neste quadro a depress&atilde;o, que atinge cerca de 40% das mulheres que abusam do &aacute;lcool. Al&eacute;m disso, as alcoolistas tentam&nbsp;suic&iacute;dio&nbsp;quatro vezes mais frequentemente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;E tamb&eacute;m existem as consequ&ecirc;ncias psicossociais, que s&atilde;o grav&iacute;ssimas, e atingem especialmente as rela&ccedil;&otilde;es familiares. Porque nesse ambiente de abuso e depend&ecirc;ncia aumenta h&aacute; mais chance de as mulheres sofrerem agress&otilde;es f&iacute;sicas. Porque a tend&ecirc;ncia &eacute; que os parceiros delas tamb&eacute;m abusem das bebidas alco&oacute;licas&rdquo;, explica Paulo Leme Filho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A ingest&atilde;o de &aacute;lcool durante a gravidez pode provocar dist&uacute;rbios fetais que v&atilde;o do retardo de desenvolvimento &agrave; chamada s&iacute;ndrome alco&oacute;lica fetal.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Pesquisas <\/strong><\/p>\n<p>O &uacute;ltimo levantamento do Sistema de Vigil&acirc;ncia de Fatores de Risco e Prote&ccedil;&atilde;o para Doen&ccedil;as Cr&ocirc;nicas (Vigitel), plataforma do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, mostra que, de 2010 a 2018, o &iacute;ndice de mulheres de 18 a 24 anos que bebem al&eacute;m do recomendado cresceu de 14,9% para 18%. J&aacute; na Pesquisa Nacional de Sa&uacute;de do Escolar (Pense), as adolescentes que consomem &aacute;lcool subiram de 55% para 67,4% no per&iacute;odo de 7 anos. Na faixa et&aacute;ria dos 35 aos 44 anos, esse &iacute;ndice passou de 10,9% para 14%.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Chama a aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m o consumo de bebida alco&oacute;lica entre mulheres idosas: 11,3% daquelas com idades entre 55 e 65 anos bebe al&eacute;m do recomendado, de acordo com o 3&ordm; Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela Popula&ccedil;&atilde;o Brasileira, realizado pela Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Antes deste per&iacute;odo, segundo o IBGE, os homens faziam uso abusivo do &aacute;lcool sete vezes mais do que as mulheres. Atualmente, a preval&ecirc;ncia entre os sexos &eacute; cada vez mais semelhante. Entre as que bebem, uma em cada quatro mulheres fazem consumo excessivo de bebidas alco&oacute;licas (4 doses), sendo que 2% desenvolve algum grau de depend&ecirc;ncia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Sobre o autor <\/strong><\/p>\n<p>Paulo Leme Filho, 52 anos, &eacute; advogado (USP), com MBA em Gest&atilde;o da Sa&uacute;de (FGV-SP). Escreveu o primeiro livro com o pai, Paulo de Abreu Leme, em 2015. <em>&ldquo;A Doen&ccedil;a do Alcoolismo&rdquo;<\/em> &eacute; um relato corajoso de dependentes conseguiram se recuperar, e decidiram dar sua contribui&ccedil;&atilde;o para ampliar o debate e chamar a aten&ccedil;&atilde;o para os perigos desta doen&ccedil;a silenciosa, sorrateira, da qual nenhuma fam&iacute;lia pode se considerar imune. Ao livro seguiu-se outra iniciativa: o Movimento Vale a Pena, voltado para a orienta&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias e que estimula a busca pela recupera&ccedil;&atilde;o. <strong><em>&ldquo;O Bonequinho&rdquo;<\/em><\/strong> &eacute; o quinto livro de Leme Filho, o advogado que superou o v&iacute;cio, quebrou o preconceito e rompeu o sil&ecirc;ncio para se tornar um ativista de causas sociais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No M&ecirc;s da Mulher, Paulo Leme Filho aborda um tema pol&ecirc;mico para alertar sobre os riscos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":407244,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,7],"tags":[175,905,13588,34440,142,4085,29487,3303,6833,312,52,1129,18610,15384,3960,1117,469,1072,91,999,12127,34553,9335,8635,15165,10630,24349,4422,1045,34120,4627,235,34539,10749,260,6705,5057,4035,34506,9461,24345,34397,29745,159,33305,573,11062,2948,3218,27480,28390,33572,24955,34288,1689,12562,34439,29891,9708,12615],"class_list":["post-407245","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-sde","tag-acontece","tag-adolescentes","tag-advogado","tag-alcoolismo","tag-apoio","tag-aprender","tag-atencao","tag-aumento","tag-bebidas","tag-brasil","tag-brasileira","tag-brasileiro","tag-cancer-de-mama","tag-concentracao","tag-consumo","tag-conta","tag-dados","tag-debate","tag-desafios","tag-desenvolvimento","tag-doencas","tag-e","tag-educacao","tag-emocional","tag-gestao","tag-ibge","tag-informacao","tag-iniciativa","tag-jovens","tag-levantamento","tag-literatura","tag-livro","tag-medico","tag-ministerio-da-saude","tag-mostra","tag-mulher","tag-mulheres","tag-nacional","tag-o-bonequinho","tag-os","tag-pandemia","tag-paulo-leme-filho","tag-pelo","tag-pesquisa","tag-pesquisas","tag-plataforma","tag-populacao","tag-presente","tag-presentes","tag-protecao","tag-recuperacao","tag-risco","tag-saude-mental","tag-saude-publica","tag-social","tag-sp","tag-suicidio","tag-tema","tag-usp","tag-vale","wpcat-21201-id","wpcat-7-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/407245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=407245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/407245\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/407244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=407245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=407245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=407245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}