{"id":380625,"date":"2023-06-30T18:30:37","date_gmt":"2023-06-30T18:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=380625"},"modified":"2023-06-30T20:40:45","modified_gmt":"2023-06-30T20:40:45","slug":"a-amazonia-tem-solucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2023\/06\/a-amazonia-tem-solucao\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia tem solu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><i>Quanto Custa um Pacto Floresta, Planeta e Pessoas?<\/i><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oberdan Pandolfi Ermita*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel, sim, concertar os interesses que comp&otilde;em a equa&ccedil;&atilde;o amaz&ocirc;nica, hoje estancada em um debate pol&iacute;tico polarizado e est&eacute;ril. Urge um diagn&oacute;stico realista e corajoso, que pavimente o caminho entre anseios e realidade. Empacado em perigosa zona de conforto, o debate prestigia os extremos em conflito. Uns querem destruir totalmente, outros manter a Amaz&ocirc;nia intocada. No centro, 29 milh&otilde;es de amaz&ocirc;nidas fazem no cotidiano a escolha entre preservar e sobreviver.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>De forma simplificada, prevalecem dois extremos de percep&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o amaz&ocirc;nica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Num lado, os defensores incongruentes da liberdade invocam princ&iacute;pios como propriedade privada, soberania, livre iniciativa, mas n&atilde;o aceitam cumprir o c&oacute;digo ambiental. Naquilo que lhes conv&eacute;m, clamam pela Lei. Argumentam que a quest&atilde;o ambiental &eacute; mero protecionismo, e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas um pano de fundo para o neocolonialismo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No outro extremo, os ambientalistas neomalthusianos acreditam num cataclisma ambiental global e defendem uma Amaz&ocirc;nia intoc&aacute;vel, trazendo propostas cada vez mais restritivas. N&atilde;o aceitam o c&oacute;digo ambiental como um instrumento soberano e leg&iacute;timo. Nutrem a polariza&ccedil;&atilde;o entre &ldquo;agroneg&oacute;cio e agricultura familiar&rdquo;. Ao questionarem a legitimidade da propriedade privada, inibem solu&ccedil;&otilde;es como o pagamento por servi&ccedil;os ambientais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A edi&ccedil;&atilde;o do c&oacute;digo ambiental foi precedida de longo debate em nossa sociedade, equacionou um emaranhado de leis anteriores, buscou legalizar quem queria cumprir a Lei.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mas a sua efetiva implementa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples, porque na vis&atilde;o de uns, a regulariza&ccedil;&atilde;o ambiental e tamb&eacute;m a fundi&aacute;ria representam uma amea&ccedil;a existencial para o Planeta, porque torna leg&iacute;timo desmatar at&eacute; 20% de &aacute;rea dos im&oacute;veis na Amazonia, alguns destes im&oacute;veis, argumentam, apropriados de &aacute;reas p&uacute;blicas ou de povos tradicionais. Insistem que no Brasil t&ecirc;m pelo menos 120 milh&otilde;es hectares j&aacute; desmatados, que est&atilde;o subutilizadas produtivamente ou que servem apenas para especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, h&aacute; espa&ccedil;o para produzir sem desmatar. Para outros, protelar permite conviver com a ilegalidade e n&atilde;o ter que arcar com o &ocirc;nus de reflorestar &aacute;reas produtivas ocupadas<\/p>\n<p>irregularmente. Enquanto polos antag&ocirc;nicos se enfrentam e se sabotam, o desmatamento avan&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os produtores brasileiros devem reduzir parte produtiva de seus im&oacute;veis em reservas ambientais (no caso do bioma Amaz&ocirc;nia 80%). &Eacute; como construir um hotel, mas n&atilde;o poder utilizar comercialmente todos os seus apartamentos. &Eacute; um problema de aloca&ccedil;&atilde;o eficiente de recursos e tamb&eacute;m um paradoxo, porque os servi&ccedil;os ambientais resultantes da preserva&ccedil;&atilde;o s&atilde;o um bem p&uacute;blico (usufru&iacute;dos por toda a humanidade), mas suportados por &ocirc;nus e risco de um privado. &Eacute; preciso considerar o pagamento pelos servi&ccedil;os ambientais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil &eacute; dono de 851.000.000 hectares, dos quais pode-se considerar que 25% (212 milh&otilde;es de hectares) s&atilde;o reservas ambientais privadas, mantidas pelos propriet&aacute;rios de terra. Considerando o custo de oportunidade da atividade pecu&aacute;ria (segundo dados da Inttegra, um ganho m&eacute;dio de R$ 400,00\/hectare\/ano) remunerar 212 milh&otilde;es de hectares custaria anualmente cerca de US$ 16 bilh&otilde;es de d&oacute;lares. E quanto vale para humanidade a preserva&ccedil;&atilde;o de 212 milh&otilde;es de hectares, convertida em mitiga&ccedil;&atilde;o dos gases de efeito estufa e de riscos diversos derivados das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas?<\/p>\n<p>O or&ccedil;amento do setor b&eacute;lico global equivale a 2,2% de US$ 96,5 trilh&otilde;es, ou seja US$ 2,2 trilh&otilde;es\/ano. Ora, investir US$ 16 bilh&otilde;es de d&oacute;lares em preserva&ccedil;&atilde;o efetiva representaria apenas 0,2% do PIB planet&aacute;rio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em contrapartida, o produtor deveria considerar que n&atilde;o faz sentido avan&ccedil;ar em desmatamento, mesmo legal, que o caminho da incorpora&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica permite romper com ciclo vicioso de baixa produtividade, baixa renda e press&atilde;o sobre novas &aacute;reas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um pacto entre produtores rurais, outros atores econ&ocirc;micos, ambientalistas e as perspectivas da Ci&ecirc;ncia e do Estado come&ccedil;a pelo desarme de preconceitos e ideologias. As solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que assegurem emprego e renda sustent&aacute;veis, comprometidos com a responsabilidade social, ambiental e econ&ocirc;mica j&aacute; existem. As moedas de troca para a constru&ccedil;&atilde;o desse pacto s&atilde;o pagamento pelos servi&ccedil;os ambientais, a inclus&atilde;o tecnol&oacute;gica e a morat&oacute;ria do desmatamento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Oberdan Pandolfi Ermita &eacute; economista, produtor rural e dirigente cooperativista<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto Custa um Pacto Floresta, Planeta e Pessoas? &nbsp; Oberdan Pandolfi Ermita* &nbsp; &Eacute; poss&iacute;vel, sim,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":380624,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[18228],"class_list":["post-380625","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-agro","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=380625"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380625\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=380625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=380625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=380625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}