{"id":379388,"date":"2023-05-17T13:49:53","date_gmt":"2023-05-17T13:49:53","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=379388"},"modified":"2023-05-29T15:35:26","modified_gmt":"2023-05-29T15:35:26","slug":"selecao-de-touros-e-preciso-definir-muito-bem-os-criterios-de-escolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2023\/05\/selecao-de-touros-e-preciso-definir-muito-bem-os-criterios-de-escolha\/","title":{"rendered":"Sele\u00e7\u00e3o de touros: \u00e9 preciso definir muito bem os crit\u00e9rios de escolha"},"content":{"rendered":"<p><em>*Por Jos&eacute; Bento Sterman Ferraz, professor titular de gen&eacute;tica e melhoramento animal da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (FZEA\/USP)<\/em><\/p>\n<p>O agroneg&oacute;cio representou cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, apesar de importante queda em 2022, segundo o Centro de Estudos Avan&ccedil;ados em Economia Aplicada (Cepea). A pecu&aacute;ria de corte representa cerca de 10% desse volume, parcela de extrema import&acirc;ncia, se comparada &agrave; ind&uacute;stria automotiva, que representa de 3% a 4% de nossa produ&ccedil;&atilde;o. Importante publica&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Ind&uacute;strias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Beef Report 2022 estima o tamanho do rebanho nacional em cerca de 196 milh&otilde;es de cabe&ccedil;as, com abate de cerca de 39 milh&otilde;es de animais, levando &agrave; taxa de desfrute de apenas 19,9%, muito inferior &agrave; de nossos principais concorrentes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Temos cerca de 70 milh&otilde;es de vacas em nosso rebanho, com a realiza&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 21 milh&otilde;es de procedimentos ligados &agrave; Insemina&ccedil;&atilde;o Artificial em Tempo Fixo (IATF) no pa&iacute;s. Como essa tecnologia tem uma efici&ecirc;ncia de 50% e a propor&ccedil;&atilde;o de segundas e terceiras IATF ainda s&atilde;o relativamente pequenas, &eacute; razo&aacute;vel supor que perto de 58 milh&otilde;es de vacas sejam cobertas por touros, sejam no repasse ou nas propriedades que usam monta natural. Isso levaria ao uso de cerca de 1,9 milh&atilde;o de touros de corte em atividade no pa&iacute;s, com necessidade de reposi&ccedil;&atilde;o de cerca de 350 mil animais por ano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Essa introdu&ccedil;&atilde;o nos traz a uma important&iacute;ssima reflex&atilde;o: h&aacute; que se escolher touros excelentes para reposi&ccedil;&atilde;o, por v&aacute;rias raz&otilde;es:<\/p>\n<ul>\n<li>a maioria dos bezerros nascidos no pa&iacute;s &eacute; oriundo de monta natural;<\/li>\n<li>o touro &eacute; o mais importante insumo da pecu&aacute;ria brasileira, pois a produtividade dos bezerros depende da qualidade gen&eacute;tica desses touros. Os touros s&atilde;o os principais investimentos e n&atilde;o despesas;<\/li>\n<li>em tese, o s&ecirc;men utilizado pelos criadores, nos processos de insemina&ccedil;&atilde;o artificial, prov&eacute;m de touros geneticamente superiores. Caso os touros de repasse sejam de qualidade desconhecida ou mesmo inferior, o pecuarista ter&aacute; dois rebanhos em sua propriedade, com n&iacute;veis de produtividade muito diferentes: um dos descendentes dos touros de insemina&ccedil;&atilde;o e outro dos filhos dos touros de repasse. Isso vale para quem cria ra&ccedil;as puras ou para quem faz cruzamento;<\/li>\n<li>temos uma necessidade de reposi&ccedil;&atilde;o de cerca de 350 mil tourinhos por ano, mas, somando os touros registrados pelas associa&ccedil;&otilde;es de criadores com os touros dos programas de Certificado Especial de Identifica&ccedil;&atilde;o e Produ&ccedil;&atilde;o (Ceip), n&atilde;o oferecemos ao mercado mais do que 70 mil touros ao ano com certifica&ccedil;&atilde;o de qualidade gen&eacute;tica (resultados de suas avalia&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas). Vende-se muito mais touros pelo seu peso, per&iacute;metro escrotal e pelo <em>pedigree<\/em> do que pela sua qualidade gen&eacute;tica;<\/li>\n<\/ul>\n<p>isso explica um n&uacute;mero terr&iacute;vel: das 70 milh&otilde;es de vacas dispon&iacute;veis, produzimos apenas 39 milh&otilde;es de animais para abate, ou seja, 55,7%. Uma ind&uacute;stria que tem uma efici&ecirc;ncia m&eacute;dia de 55,7% est&aacute; falida. O ideal seria produzirmos acima de 75% de animais de abate, ou seja, acima de 52 milh&otilde;es de animais enviados aos frigor&iacute;ficos. Podemos aumentar nossa produ&ccedil;&atilde;o em, pelo menos, 33%, considerando-se apenas o n&uacute;mero de animais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os dados mostram que precisamos melhorar, e muito, a produtividade de nossa pecu&aacute;ria de corte. Isso ir&aacute; ocorrer com avan&ccedil;os em nutri&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, manejo, pastagens, sanidade, qualidade de m&atilde;e de obra, instala&ccedil;&otilde;es e gen&eacute;tica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O ambiente &eacute; respons&aacute;vel por cerca de 70% a 80% da produ&ccedil;&atilde;o dos animais. J&aacute; a gen&eacute;tica e sua intera&ccedil;&atilde;o com o ambiente, os restantes 20% a 30%. No entanto, qualquer fator de ambiente, se tiver seu fornecimento adequado interrompido, sofre imediata altera&ccedil;&atilde;o na produtividade. No caso da gen&eacute;tica, &eacute; diferente: normalmente os machos s&atilde;o vendidos para abate, mas uma expressiva propor&ccedil;&atilde;o das f&ecirc;meas &eacute; retida para reposi&ccedil;&atilde;o do plantel. A qualidade gen&eacute;tica dessas f&ecirc;meas, filhas de touros de insemina&ccedil;&atilde;o ou de repasse, pode ser muito diferente. Erros cometidos na escolha de touros de repasse podem resultar em f&ecirc;meas de qualidade inferior no rebanho. Por sua vez, esses animais com qualidade gen&eacute;tica inferior podem permanecer, muitas vezes, at&eacute; mais de 10 anos no rebanho, produzindo bezerros de pouca produtividade. E quem pagar&aacute; o amargo pre&ccedil;o da baixa produtividade &eacute; sempre o criador.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ent&atilde;o, chegamos a uma quest&atilde;o: como escolher s&ecirc;men, embri&otilde;es, touros e&nbsp;novilhas de reposi&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o existem regras claras e que sirvam para todos os criadores, porque cada pecuarista tem sua fazenda, suas aptid&otilde;es t&eacute;cnicas e de gest&atilde;o, al&eacute;m de seu ambiente, clima, solo e mercado, ou seja, cada pecuarista tem seus objetivos pr&oacute;prios. A falta de defini&ccedil;&atilde;o clara de objetivos leva a escolhas erradas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ent&atilde;o surgem outras d&uacute;vidas: que ra&ccedil;a escolher? Que gen&eacute;tica? Qual o peso adequado de reprodutores? Quais s&atilde;o os limites de per&iacute;metro escrotal? Quais s&atilde;o as principais caracter&iacute;sticas a levar em considera&ccedil;&atilde;o? Existem muitas queixas a respeito de aprumos dos reprodutores, bem como do peso ao nascer dos bezerros. Temos que lembrar que quando compramos material gen&eacute;tico, n&atilde;o adquirimos determinado reprodutor ou matriz, mas, sim, a expectativa do que seus filhos ir&atilde;o produzir.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Vamos tentar fazer algumas considera&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p><strong>Ra&ccedil;a do touro<\/strong>: essa decis&atilde;o deve ser tomada, como as demais, dependendo do que o criador quer. Existem touros de alta qualidade gen&eacute;tica em todas as ra&ccedil;as, assim como maior variabilidade dentro de ra&ccedil;as do que entre ra&ccedil;as. O uso de cruzamento e o acasalamento de animais de ra&ccedil;as diferentes geram os efeitos de heterose e de recombina&ccedil;&atilde;o, que, normalmente, resultam em maior produtividade, mas, tamb&eacute;m, menor adaptabilidade e maiores exig&ecirc;ncias nutricionais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Gen&eacute;tica<\/strong>: as avalia&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas s&atilde;o o melhor caminho para o pecuarista tomar decis&otilde;es. E essas decis&otilde;es t&ecirc;m que ser adequadas ao sistema de produ&ccedil;&atilde;o de cada um. Exemplos cl&aacute;ssicos: um pecuarista do pantanal pode n&atilde;o querer vacas com muita habilidade materna, porque elas passar&atilde;o fome em &eacute;poca de enchente e podem at&eacute; morrer, por causa de produ&ccedil;&atilde;o elevada de leite; em &aacute;rea de baixa fertilidade de solo e veranicos prolongados, bezerros que ganham muito peso p&oacute;s-desmame (e s&atilde;o mais exigentes em termos de nutri&ccedil;&atilde;o) sofrem muito mais do que bezerros filhos de touros moderados. Aprender a entender uma avalia&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica, na pecu&aacute;ria de hoje, &eacute; obriga&ccedil;&atilde;o do pecuarista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Peso dos reprodutores<\/strong>: hoje em dia ficou muito comum os produtores de touros superalimentarem seus jovens candidatos a touros, ofertando-os ao mercado com pesos acima de 700 quilos, ou at&eacute; mesmo 800 kg, ao redor dos 24 meses de idade. Esses animais ter&atilde;o sido criados em sistemas que n&atilde;o correspondem aos sistemas de seus filhos, e, normalmente, esses filhos decepcionar&atilde;o muito o comprador desses touros &ldquo;turbinados&rdquo;. Touros precisam ser selecionados em sistemas parecidos com o que seus filhos ir&atilde;o ser produzidos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Per&iacute;metro escrotal<\/strong>: a sele&ccedil;&atilde;o para peso elevou muito o per&iacute;metro escrotal dos animais e j&aacute; passamos do ponto ideal. Touros jovens com per&iacute;metros maiores do que 37 cm t&ecirc;m apresentado problemas de les&otilde;es testiculares por atrito, reduzindo sua vida &uacute;til no campo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Caracter&iacute;sticas a serem escolhidas<\/strong>: depende do objetivo de cada um, mas peso, desmama, peso ao sobreano e fertilidade sempre devem estar na lista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Aprumos e ossatura dos reprodutores:&nbsp;<\/strong>touros usados no campo t&ecirc;m que trabalhar cobrindo vacas e, para isso, devem ter aprumos perfeitos, que permitam que o trabalho seja feito sem desgaste excessivo. Touros precisam transmitir aos filhos ossaturas que permitam crescimento adequado. Existe muito touro no mercado que, um ano depois da compra, est&aacute; deformado, com ossatura que n&atilde;o suporta seu peso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Comprimento de prep&uacute;cio:<\/strong>&nbsp;as pastagens tropicais s&atilde;o complicadas para touros com prep&uacute;cio muito longos, causando ferimentos que comprometem o trabalho dos mesmos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Peso ao nascer de bezerros:&nbsp;<\/strong>um assunto muito s&eacute;rio, que n&atilde;o recebia aten&ccedil;&atilde;o h&aacute; 10 anos, mas que atualmente, na ra&ccedil;a Nelore (a mais importante do pa&iacute;s), j&aacute; apresenta problemas. Escolher touros com gen&eacute;tica adequada para produ&ccedil;&atilde;o de bezerros com menor peso ao nascer e que deixem filhas com essa aptid&atilde;o &eacute; essencial.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Seguir alguns dos pontos levantados &eacute; muito importante para que os pecuaristas permane&ccedil;am evoluindo e colaborando com o avan&ccedil;o da pecu&aacute;ria de corte no pa&iacute;s. Um bom exemplo de criat&oacute;rio que segue essas indica&ccedil;&otilde;es &eacute; a Agropecu&aacute;ria CFM, cujo programa de melhoramento gen&eacute;tico foi o primeiro aprovado pelo Minist&eacute;rio da Agricultura e Pecu&aacute;ria (Mapa), permitindo a certifica&ccedil;&atilde;o de touros com Ceip. O Certificado Especial de Identifica&ccedil;&atilde;o e Produ&ccedil;&atilde;o &eacute; uma chancela concedida pela pasta aos touros comprovadamente melhoradores, algo que contribui para a constante evolu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o animal brasileira. Este &eacute; um caminho de sucesso que devemos trilhar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Jos&eacute; Bento Sterman Ferraz, professor titular de gen&eacute;tica e melhoramento animal da Faculdade de Zootecnia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":379387,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[29,21201],"tags":[],"class_list":["post-379388","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-destaques","wpcat-29-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379388","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=379388"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379388\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=379388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=379388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=379388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}