{"id":377132,"date":"2023-02-23T14:33:14","date_gmt":"2023-02-23T14:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=377132"},"modified":"2023-02-23T21:33:57","modified_gmt":"2023-02-23T21:33:57","slug":"um-ano-de-guerra-na-ucrania-o-que-esperar-dos-proximos-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2023\/02\/um-ano-de-guerra-na-ucrania-o-que-esperar-dos-proximos-meses\/","title":{"rendered":"Um ano de guerra na Ucr\u00e2nia: o que esperar dos pr\u00f3ximos meses"},"content":{"rendered":"<p>Professores do curso de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do UniCuritiba analisam o conflito no leste europeu e descartam chance de um acordo de paz imediato<\/p>\n<p>A guerra entre a R&uacute;ssia e a Ucr&acirc;nia completa um ano em meio &agrave; maior ofensiva russa desde o in&iacute;cio da invas&atilde;o ao territ&oacute;rio ucraniano, em 24 de fevereiro de 2022. Sem perspectivas imediatas de um acordo de paz, a situa&ccedil;&atilde;o no leste europeu &eacute; avaliada pelos professores Priscila Caneparo e Andrew Traumann, do curso de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do UniCuritiba &ndash; institui&ccedil;&atilde;o que faz parte da &Acirc;nima Educa&ccedil;&atilde;o, uma das maiores organiza&ccedil;&otilde;es de ensino superior do pa&iacute;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Doutor em Hist&oacute;ria, Cultura e Poder, o especialista em Direito do Com&eacute;rcio e da Integra&ccedil;&atilde;o Internacional Andrew Traumann diz que a guerra contrariou as expectativas de uma resolu&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, como foi o caso da anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia pela R&uacute;ssia em 2014. &ldquo;Com o apoio da Otan e dos Estados Unidos &agrave; Ucr&acirc;nia, a guerra com a R&uacute;ssia parece longe do fim. Al&eacute;m disso, &eacute; esperada uma contraofensiva russa durante a primavera do hemisf&eacute;rio norte. O pa&iacute;s n&atilde;o cogita uma derrota, principalmente porque tem China e Ir&atilde; como aliados&rdquo;, diz.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A professora Priscila Caneparo, doutora em Direito das Rela&ccedil;&otilde;es Econ&ocirc;micas Internacionais e delegada da Diplomacia Civil para a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio e para o Conselho Econ&ocirc;mico e Social da ONU concorda. &ldquo;Esta guerra tem uma perspectiva hist&oacute;rica, que come&ccedil;ou em 2012 e 2013 quando a R&uacute;ssia invadiu a Crimeia e, desde ent&atilde;o, segue requerendo o leste ucraniano&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m disso, o apoio oferecido &agrave; Ucr&acirc;nia &eacute; um fator capaz de prolongar o lit&iacute;gio. Priscila lembra, por exemplo, que a Alemanha n&atilde;o se envolvia em um conflito desta natureza desde a Segunda Guerra Mundial, mas agora enviou armamentos aos ucranianos. &ldquo;Estamos diante de uma guerra que n&atilde;o &eacute; apenas territorial, mas de ret&oacute;rica entre o oriente e o ocidente. A &Iacute;ndia, que sempre foi parceira dos Estados Unidos, desta vez se mant&eacute;m silente e a R&uacute;ssia conta ainda com a retaguarda da China&rdquo;, pondera.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A professora de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do UniCuritiba d&aacute; outro exemplo: a guerra com a Ucr&acirc;nia serviu como um laborat&oacute;rio para a China avaliar o que aconteceria se ela, porventura, invadisse Taiwan. &ldquo;Ou seja, s&oacute; teremos o fim da guerra quando ela colocar em risco os interesses econ&ocirc;micos e geopol&iacute;ticos da China&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Apoio internacional<br>\nA entrada da Ucr&acirc;nia no cen&aacute;rio internacional e a &ldquo;prote&ccedil;&atilde;o&rdquo; que recebe do ocidente interfere no desfecho do conflito. &ldquo;O ocidente vem pautando as a&ccedil;&otilde;es da Ucr&acirc;nia, que segue firme defendendo seu territ&oacute;rio&rdquo;, diz Priscila Caneparo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Segundo Andrew Traumann, a inten&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia &eacute; obter uma vit&oacute;ria definitiva e humilhante para Moscou. J&aacute; a Otan e, principalmente, os Estados Unidos &ndash; que embora j&aacute; tenham fornecido armamentos &agrave; Ucr&acirc;nia &ndash; defendem uma paz negociada, evitando o desequil&iacute;brio geopol&iacute;tico na regi&atilde;o. &ldquo;A ideia dos aliados &eacute; escalar o conflito para facilitar a negocia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o necessariamente com a humilha&ccedil;&atilde;o total da R&uacute;ssia&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o a outros grandes conflitos, a guerra entre a R&uacute;ssia e a Ucr&acirc;nia tem poucos diferenciais, comenta Andrew Traumann. Ainda que a evolu&ccedil;&atilde;o das tecnologias empregadas na guerra seja vis&iacute;vel, as semelhan&ccedil;as com outros epis&oacute;dios hist&oacute;ricos s&atilde;o ineg&aacute;veis: tentativa de domina&ccedil;&atilde;o de um territ&oacute;rio (assim como se viu durante a Segunda Guerra Mundial), tomada de locais estrat&eacute;gicos, guerra de desgaste e de trincheiras (a exemplo da Primeira Guerra Mundial).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Neste sentido, fora as tecnologias dos armamentos e m&iacute;sseis, esta &eacute; uma guerra cl&aacute;ssica&rdquo;, afirma o professor, que completa: &ldquo;Vladimir Putin n&atilde;o aceitar&aacute; ser deposto e jamais assumir&aacute; uma derrota humilhante. Sem meio termo e sem um dos lados disposto a ceder, a situa&ccedil;&atilde;o se complica&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Reflexos mundiais<br>\nCom infraestrutura extremamente abalada, a estimativa &eacute; de que a reconstru&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia aos mesmos padr&otilde;es pr&eacute;-guerra demore mais de cem anos. Um reflexo do conflito em 2023, lista a professora Priscila Caneparo, &eacute; a inseguran&ccedil;a alimentar, j&aacute; que grande parte dos gr&atilde;os que abastece o mercado norte da Europa eram da Ucr&acirc;nia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outra quest&atilde;o &eacute; a depend&ecirc;ncia ocidental de g&aacute;s e petr&oacute;leo russos. &ldquo;Todos os pre&ccedil;os tiveram aumento na Europa e a grande pergunta &eacute;: at&eacute; quando o contribuinte ter&aacute; toler&acirc;ncia para sustentar esse esfor&ccedil;o de guerra?&rdquo;, questiona Andrew Traumann.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para Priscila, esses temas tornam a guerra internacional, muito diferente das guerras civis da &Aacute;frica, das situa&ccedil;&otilde;es que envolvem I&ecirc;men, Sud&atilde;o, Iraque ou S&iacute;ria. &ldquo;N&atilde;o se trata apenas de uma crise humanit&aacute;ria, mas de um conflito que envolve dois estados. H&aacute; muito tempo o ocidente n&atilde;o interferia em uma guerra desta natureza, que discute, basicamente, a soberania dos envolvidos&rdquo;, diz a especialista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O futuro, aponta a delegada da ONU, &eacute; incerto. &ldquo;Vladimir Putin &eacute; imprevis&iacute;vel, individualista e incapaz de cumprir com a palavra. No m&ecirc;s passado, anunciou tr&eacute;gua em respeito ao Natal ortodoxo, mas n&atilde;o respeitou sua pr&oacute;pria decis&atilde;o. A verdade &eacute; que a R&uacute;ssia nunca aceitou bem a independ&ecirc;ncia dos pa&iacute;ses do leste europeu e, portanto, sabemos que far&aacute; novos ataques em pontos estrat&eacute;gicos&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores do curso de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do UniCuritiba analisam o conflito no leste europeu e descartam&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":377131,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-377132","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=377132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=377132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=377132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=377132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}