{"id":376551,"date":"2023-01-20T16:25:54","date_gmt":"2023-01-20T16:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=376551"},"modified":"2023-01-20T17:46:13","modified_gmt":"2023-01-20T17:46:13","slug":"o-setor-publico-brasileiro-nao-cabe-mais-no-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2023\/01\/o-setor-publico-brasileiro-nao-cabe-mais-no-pib\/","title":{"rendered":"O setor p\u00fablico brasileiro n\u00e3o cabe mais no PIB"},"content":{"rendered":"<p>Um dos principais desafios do pr&oacute;ximo governo ser&aacute; reduzir a carga tribut&aacute;ria, em especial sobre consumo e emprego, que sacrifica a popula&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o contribui para o desenvolvimento. Esta tarefa pode exigir mais de um mandato, tamanha sua propor&ccedil;&atilde;o atual, por&eacute;m &eacute; fundamental ser iniciada pelo governo eleito se, de fato, o Brasil quer se tornar um pa&iacute;s mais justo e menos desigual.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A verdade &eacute; que o setor p&uacute;blico brasileiro n&atilde;o cabe mais no PIB Brasil. Essa realidade &eacute; resultado de uma s&eacute;rie de erros acumulados ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, fruto de vis&otilde;es administrativas equivocadas, centradas na sanha arrecadat&oacute;ria, benef&iacute;cios concedidos at&eacute; mesmo em contrariedade &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, falta de planejamento a longo prazo, e viabilizadas diante da omiss&atilde;o de setores importantes da sociedade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>At&eacute; mesmo os n&uacute;meros oficiais s&atilde;o contest&aacute;veis. Noticiada como correspondente a 33,60% do PIB, a carga tribut&aacute;ria nacional na realidade &eacute; muito maior, aproximando-se do patamar de 41% do PIB. Isso porque n&atilde;o se pode considerar carga tribut&aacute;ria somente a parcela relativa ao produto da efetiva arrecada&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria, como acontece hoje, desconsiderando-se por completo que o cidad&atilde;o comum n&atilde;o se beneficia de ren&uacute;ncias e nem de privil&eacute;gios.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Somando-se a arrecada&ccedil;&atilde;o efetiva (33,7% a 33,9% do PIB) aos gastos tribut&aacute;rios da Uni&atilde;o, principalmente ren&uacute;ncias (de 4,5% a 4,7%), aos gastos tribut&aacute;rios da estados e munic&iacute;pios, na forma de renuncias fiscais (0,8% a 1,0%), e &agrave;s perdas com sonega&ccedil;&atilde;o (2,5% a 3,0%), chegamos a um patamar entre 41,5% e 42,6% do PIB.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Trata-se de um n&uacute;mero absurdo, que supera em muito a rela&ccedil;&atilde;o carga tribut&aacute;ria\/PIB registrada nos pa&iacute;ses desenvolvidos como Estados Unidos (de 25,3% a 27%), Canad&aacute; (31%), Austr&aacute;lia (27,5%) e Su&iacute;&ccedil;a (26,9) e at&eacute; nos pa&iacute;ses emergentes como China (20,1%), M&eacute;xico (23,6%) e Cor&eacute;ia do Sul (26,8%).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mais grave &eacute; que o Brasil, com uma das 12 maiores cargas tribut&aacute;rias do mundo, devolve &agrave; popula&ccedil;&atilde;o servi&ccedil;os p&uacute;blicos ruins, classificados na 30&ordf; posi&ccedil;&atilde;o entre as na&ccedil;&otilde;es. E, apesar disso, ainda gera d&eacute;ficit fiscal nominal de 4,0% a 4,2% do PIB. Um horror!<\/p>\n<p>Lamentavelmente, o governo brasileiro cobra muito e cobra mal, uma vez que tributa pesadamente o consumo e as contribui&ccedil;&otilde;es sociais, onerando o emprego, numa combina&ccedil;&atilde;o cruelmente perfeita que pune sobremaneira as classes C, D e E. Basta ver que da arrecada&ccedil;&atilde;o efetiva (correspondente a 33,9% do PIB) mais de dois ter&ccedil;os (23% do PIB) adv&ecirc;m do consumo, somando-se os 14,76% referentes a bens e servi&ccedil;os, e os 8,19% das contribui&ccedil;&otilde;es sociais. O restante &eacute; fruto de renda e ganhos de capital (8,02%), impostos sobre propriedades (1,65%), e outros (1,28%).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Como se n&atilde;o bastasse, h&aacute; o tributo inflacion&aacute;rio, caracterizado pela n&atilde;o-corre&ccedil;&atilde;o das tabelas do Imposto de Renda Pessoa F&iacute;sica porque isso significa, na pr&aacute;tica, aumentar imposto sem lei autorizativa. A defasagem, segundo c&aacute;lculos do Sindifisco, &eacute; da ordem de 149%. Ou seja, a isen&ccedil;&atilde;o do IR, que hoje beneficia quem ganha at&eacute; R$ 1.903,98 por m&ecirc;s, alcan&ccedil;aria quem recebe at&eacute; R$ 4.700,00 por m&ecirc;s se houvesse a corre&ccedil;&atilde;o. Em outras palavras, imensa parcela dos brasileiros paga a mais R$ 450,00 por m&ecirc;s de IR enquanto, por outro lado, quem recebe R$ 1,00 ou R$ 10,00 ou R$ 100,00 milh&otilde;es a t&iacute;tulo de dividendos n&atilde;o paga um centavo de IR. Tamanha distor&ccedil;&atilde;o s&oacute; contribui para aumentar a injusti&ccedil;a social.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Enquanto isso, o d&eacute;ficit nominal atual, da ordem de 4% a 4,2% do PIB, &eacute; financiado pela contra&ccedil;&atilde;o de novas d&iacute;vidas que geram obriga&ccedil;&otilde;es anuais de pagamentos de juros hoje no patamar de 13,75% ao ano (taxa Selic). Isso significa dizer que o pa&iacute;s paga R$ 54,6 bilh&otilde;es por ano de juros sobre esse d&eacute;ficit anual, correspondente a R$ 400 bilh&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O ac&uacute;mulo de d&eacute;ficits do setor p&uacute;blico, problema cr&ocirc;nico nacional, j&aacute; elevou as d&iacute;vidas brasileiras para o astron&ocirc;mico n&uacute;mero de R$ 7,3 a R$ 7,5 trilh&otilde;es e &agrave; consequente cobran&ccedil;a de juros de R$ 1 trilh&atilde;o por ano. Mesmo em um cen&aacute;rio otimista &ndash; com redu&ccedil;&atilde;o da Selic de 13,75% para 9% ou 10% ao ano &ndash; o Brasil pagaria juros de R$ 657 bilh&otilde;es a R$ 750 bilh&otilde;es\/ano, montante superior a 5 or&ccedil;amentos anuais do SUS ou suficiente para custear por 4 anos as despesas com o programa de transfer&ecirc;ncia de renda (seja com o nome de Aux&iacute;lio ou Bolsa Fam&iacute;lia), valor, ali&aacute;s, objeto da PEC da Transi&ccedil;&atilde;o que o governo eleito negocia com o Congresso Nacional.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A revis&atilde;o do setor p&uacute;blico, com redu&ccedil;&atilde;o do seu d&eacute;ficit a 2% do PIB, no m&aacute;ximo, certamente implicaria em infla&ccedil;&atilde;o mais comportada e em redu&ccedil;&atilde;o da taxa Selic para 8% ou 9% ao ano. Consequentemente, com a d&iacute;vida p&uacute;blica de R$ 7,3 a R$ 7,5 bilh&otilde;es, os juros anuais seriam reduzidos dos atuais R$ 900 bilh&otilde;es ou at&eacute; R$ 1 trilh&atilde;o para menos de R$ 600 bilh&otilde;es, economia substancial para uma na&ccedil;&atilde;o que reclama a falta de recursos para investimento em setores essenciais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; urgente enfrentar o gigantismo da m&aacute;quina p&uacute;blica ineficiente, cara e cheia de privil&eacute;gios, pois da arrecada&ccedil;&atilde;o, que representa 33,9% do PIB, consome cerca de 35%, sendo 13% com sal&aacute;rios do funcionalismo, de 7,5% a 9% com juros sobre d&iacute;vidas, outros 3% com o d&eacute;ficit do Regime Geral da Previd&ecirc;ncia (INSS) e mais 1,1% com o d&eacute;ficit da Previd&ecirc;ncia de servidores p&uacute;blicos do Executivo, Legislativo e Judici&aacute;rio. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; agravada pela enorme quantidade de munic&iacute;pios &ndash; 5.570 -, dos quais 68% possuem menos de 20 mil habitantes e n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de se autossustentar, dependendo exclusivamente do Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Com tal distor&ccedil;&atilde;o, os custos da m&aacute;quina, dos programas sociais, dos servi&ccedil;os contratados e dos investimentos p&uacute;blicos s&atilde;o suportados pela sobra de arrecada&ccedil;&atilde;o, de 7% a 9,8% do PIB, mais o d&eacute;ficit p&uacute;blico de 4% a 4,2% do PIB, caracterizando-se, portanto, s&eacute;rio entrave ao desenvolvimento nacional. (Uma esp&eacute;cie de cachorro correndo atr&aacute;s do pr&oacute;prio rabo)<\/p>\n<p>O Brasil somente conseguir&aacute; equilibrar as contas e voltar a crescer se atacar as causas do gigantismo do setor p&uacute;blico, cortar despesas, reduzir privil&eacute;gios, ren&uacute;ncias fiscais, combater efetivamente a corrup&ccedil;&atilde;o entre os agentes p&uacute;blicos e corrigir as enormes desigualdades regionais e sociais atuando sobre a raiz desse problema. O tamanho do desperd&iacute;cio ultrapassa 9% &ndash; 10% do PIB, ou seja, R$ 900 bilh&otilde;es a R$ 1,0 trilh&atilde;o\/ano. De nada adiantar&aacute; tomar medidas pontuais, espasm&oacute;dicas, se n&atilde;o forem buscadas solu&ccedil;&otilde;es para suas &nbsp;origens: gigantismo da m&aacute;quina, corrup&ccedil;&atilde;o, e ren&uacute;ncias fiscais ileg&iacute;timas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sem isso, a na&ccedil;&atilde;o continuar&aacute; patinando no esfor&ccedil;o em busca do desenvolvimento e seguir&aacute; penalizando a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>**Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos principais desafios do pr&oacute;ximo governo ser&aacute; reduzir a carga tribut&aacute;ria, em especial sobre consumo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":376550,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-376551","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=376551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376551\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=376551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=376551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=376551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}