{"id":376218,"date":"2023-01-05T18:50:29","date_gmt":"2023-01-05T18:50:29","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=376218"},"modified":"2023-01-05T20:05:16","modified_gmt":"2023-01-05T20:05:16","slug":"resgate-etico-e-o-unico-caminho-para-o-futuro-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2023\/01\/resgate-etico-e-o-unico-caminho-para-o-futuro-do-pais\/","title":{"rendered":"Resgate \u00e9tico \u00e9 o \u00fanico caminho para o futuro do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>O maior problema do Brasil, hoje, talvez n&atilde;o seja de ordem econ&ocirc;mica nem financeira. Tampouco reside na falta de leis ou de compet&ecirc;ncia. Est&aacute;, sim, na fal&ecirc;ncia &eacute;tica e moral do nosso povo. Assistimos, cada vez mais, a um comportamento de desrespeito aos valores que sustentam uma sociedade, &agrave; falta de responsabilidade social a partir das pr&aacute;ticas profissionais e &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es humanas.&nbsp;<\/p>\n<p>H&aacute; uma inquestion&aacute;vel degrada&ccedil;&atilde;o dos valores &eacute;ticos, princ&iacute;pios que n&atilde;o se limitam apenas &agrave;s normas, costumes e tradi&ccedil;&otilde;es culturais de uma sociedade, mas se alicer&ccedil;am tamb&eacute;m em comportamentos e regras &ndash; escritas ou n&atilde;o &ndash; essenciais para a conviv&ecirc;ncia sadia em sociedade.&nbsp;<\/p>\n<p>Tais valores foram se perdendo ao longo do tempo e esse esgar&ccedil;amento do tecido moral se cristalizou com o (mau) exemplo do comportamento da classe pol&iacute;tica. O Brasil foi se tornando um pa&iacute;s onde impera a Lei de G&eacute;rson, aquela que diz que o importante &eacute; levar vantagem em tudo, tomada emprestada e nunca devolvida de um comercial de cigarros.&nbsp;<\/p>\n<p>Regredimos ao feudalismo, forma de organiza&ccedil;&atilde;o social e econ&ocirc;mica institu&iacute;da na Europa Ocidental entre os s&eacute;culos V a XV, durante a Idade M&eacute;dia. Baseava-se, como se sabe, em grandes propriedades de terra pertencentes aos senhores feudais e cultivadas por m&atilde;o-de-obra servil. Voltamos ao per&iacute;odo das Capitanias Heredit&aacute;rias, enormes lotes de terras do Brasil estabelecidos por Portugal e entregues pelo rei aos donat&aacute;rios, a partir de 1533. Como o nome insinua, eram propriedades transmitidas de pais para filhos.&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; exagero afirmar que atualmente vivemos algo parecido, como mostram estados h&aacute; 20 ou 30 anos governados por poucas fam&iacute;lias, entronadas no poder e, em grande maioria, enriquecendo e nem um pouco preocupadas em ostentar os sinais exteriores da riqueza.&nbsp;<\/p>\n<p>H&aacute; suspeitas recorrentes de malversa&ccedil;&atilde;o de dinheiro p&uacute;blico, investiga&ccedil;&otilde;es, colheitas de provas, den&uacute;ncias e processos tramitando na Justi&ccedil;a. Mas h&aacute; tamb&eacute;m disseminada sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade gra&ccedil;as, em grande parte, ao instituto do foro privilegiado, misto de feudos e capitanias heredit&aacute;rias da atualidade.&nbsp;<\/p>\n<p>O quadro &eacute; desolador. Dois atuais 81 senadores, 19 respondem a 38 processos na Justi&ccedil;a. Ou seja, o Senado tem 23,45% de r&eacute;us em sua composi&ccedil;&atilde;o. Na C&acirc;mara dos Deputados, s&atilde;o 106 parlamentares respondendo processos (20,60% da Casa). No Executivo, 14 governadores (51% do total) eram r&eacute;us em 2018. Todos com processos tramitando nas inst&acirc;ncias superiores em raz&atilde;o do foro por prerrogativa de fun&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, seis senadores t&ecirc;m como suplentes membros da pr&oacute;pria fam&iacute;lia, numa vers&atilde;o feudal moderna, tolerada pela legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral.&nbsp;<\/p>\n<p>A mensagem que se passa, ano ap&oacute;s ano, elei&ccedil;&atilde;o p&oacute;s elei&ccedil;&atilde;o, &eacute; a de que o crime compensa, tamanha a impunidade. Enquanto isso, parte dos intelectuais, dos eruditos e dos doutores bem-sucedidos optou pelo comando de incultos dotados de charme e carisma, ignorando por completo qualidades essenciais que deveriam ser exigidas de quem se prop&otilde;e ser l&iacute;der de uma na&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p>Lamentavelmente, nossos jovens est&atilde;o sendo induzidos a acreditar que o caminho do sucesso n&atilde;o passa pelos estudos, dedica&ccedil;&atilde;o, honestidade e pelo comportamento &eacute;tico. Come&ccedil;am a crer que valem mais as mentiras bem-constru&iacute;das e a proximidade do poder, um vale-tudo incapaz de resistir ao crivo moral de seus pais, por&eacute;m com alta capacidade de sedu&ccedil;&atilde;o personificada no modelo institu&iacute;do sem pudor pela m&aacute; pol&iacute;tica.&nbsp;&nbsp;Triste, por&eacute;m real.&nbsp;<\/p>\n<p>A velha m&aacute;xima segundo a qual quem quiser ficar rico deve passar longe da vida p&uacute;blica hoje &eacute; absoluta e solenemente ignorada. Parece haver um culto a exatamente o contr&aacute;rio, vislumbrando-se a vida p&uacute;blica como o caminho para a riqueza, de prefer&ecirc;ncia por meio de mandatos eleitorais, como se o voto fosse uma licen&ccedil;a popular para a corrup&ccedil;&atilde;o e para a malversa&ccedil;&atilde;o do dinheiro p&uacute;blico.&nbsp;<\/p>\n<p>A deliberada confus&atilde;o entre o p&uacute;blico e o privado ainda resiste, esvaziando os cofres do Estado, corroendo a democracia e condenando o pa&iacute;s &agrave; desigualdade social, penalizando os mais pobres. N&atilde;o constr&oacute;i nada, apenas estimula os malfeitos e sufoca o surgimento de novas lideran&ccedil;as efetivamente comprometidas com o bem comum.&nbsp;<\/p>\n<p>No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, Rui Barbosa j&aacute; dava o alerta: &ldquo;De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injusti&ccedil;a, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas m&atilde;os dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, de rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda &eacute; tempo de aprendermos a li&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p>**Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior problema do Brasil, hoje, talvez n&atilde;o seja de ordem econ&ocirc;mica nem financeira. Tampouco reside&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":376217,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-376218","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eventos","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=376218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376218\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=376218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=376218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=376218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}