{"id":360811,"date":"2022-10-21T18:50:22","date_gmt":"2022-10-21T18:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=360811"},"modified":"2022-10-22T13:57:05","modified_gmt":"2022-10-22T13:57:05","slug":"reeleicao-continuismo-a-qualquer-preco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/10\/reeleicao-continuismo-a-qualquer-preco\/","title":{"rendered":"Reelei\u00e7\u00e3o, continu\u00edsmo a qualquer pre\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 12pt\"><br>\nDentre as mudan&ccedil;as que o Brasil precisa avaliar para a retomada do rumo do desenvolvimento, uma das principais &eacute; o fim da reelei&ccedil;&atilde;o para cargos executivos. Os textos das Constitui&ccedil;&otilde;es Federais de 1891, 1934 e 1988 proibiam a reelei&ccedil;&atilde;o do Chefe do Executivo e do seu vice para o pleito imediatamente seguinte. A emenda constitucional n&ordm; 5, de 1997, alterou essa regra e logo de cara beneficiou o presidente da &eacute;poca, Fernando Henrique Cardoso, que pode concorrer a um novo mandato e venceu.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Cabe, aqui, avaliar o que aconteceu desde ent&atilde;o. Fernando Henrique Cardoso deixou o Pal&aacute;cio do Planalto com baix&iacute;ssima popularidade. Em seus dois mandatos, o crescimento do PIB foi p&iacute;fio, com m&eacute;dia de apenas 2,42% ao ano. A carga tribut&aacute;ria, que correspondia a 28,3% do PIB quando ele assumiu, atingiu 32% no final de seu segundo governo. Nesse per&iacute;odo de 8 anos, o &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil n&atilde;o evoluiu, permanecendo o pa&iacute;s na 71&ordf; posi&ccedil;&atilde;o mundial. O coeficiente Gini, que mede o n&iacute;vel da diistribui&ccedil;&atilde;o de renda no Brasil, era de 0,601 no in&iacute;cio do mandato e terminou com 0,589. Depois disso, o PSDB de FHC nunca mais conseguiu eleger um presidente.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, o sucessor de Fernando Henrique, tamb&eacute;m se reelegeu. Ele recebeu o Pa&iacute;s na 71&ordf; posi&ccedil;&atilde;o de IDH, entregando-o em 88&ordm; lugar. Iniciou o mandato com a carga tribut&aacute;ria comprometendo 32% do PIB nacional, percentual que subiu para 34,3% ao final de seu segundo mandato. No coeficiente de Gini, assumiu o Brasil com 0,589 e terminou o mandato com 0,534. Fora do governo, foi alvo da Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato, que investigou o maior esquema de corrup&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria brasileira, com reflexos na Petrobras e outras empresas estatais, acabou preso e condenado em primeira e segunda inst&acirc;ncias, e posteriormente, por filigranas jur&iacute;dicas, teve os processos anulados pelo STF.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Dilma Rousseff, eleita na sequ&ecirc;ncia, igualmente conquistou um segundo mandato. Em seu governo, o crescimento m&eacute;dio do PIB foi de 0,55%. Acusada de pedalada fiscal, sofreu impeachment e n&atilde;o terminou o mandato. Nunca mais exerceu cargo p&uacute;blico, tendo sido derrotada para senadora em seu estado, Minas Gerais. Michel Temer, vice-presidente que assumiu no lugar de Dilma, n&atilde;o conseguiu desempenho melhor e sequer se candidatou. Enfrentou v&aacute;rias acusa&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o em seu governo e chegou a ser detido.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Jair Bolsonaro, eleito em 2018, tenta novo mandato, mas enfrentou instabilidade institucional que amea&ccedil;ou a governabilidade. Nesses quatro anos, o crescimento do PIB n&atilde;o passou de 0,80% e nenhum outro &iacute;ndice importante apresentou melhora.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Ou seja: com todos os presidentes p&oacute;s-reelei&ccedil;&atilde;o, o Brasil apresentou baixo crescimento, nenhum avan&ccedil;o no IDH e no coeficiente de Gini, e apenas um n&atilde;o enfrentou den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica, mas foi acusado de compra de votos para aprovar a emenda da reelei&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A hist&oacute;ria mostra que a reelei&ccedil;&atilde;o, no Brasil, n&atilde;o deu certo. As raz&otilde;es s&atilde;o diversas, por&eacute;m duas se sobressaem. Uma delas &eacute; que o tradicional governo de coaliza&ccedil;&atilde;o se transforma rapidamente em governo de coopta&ccedil;&atilde;o. A outra est&aacute; ligada &agrave; primeira porque no dia seguinte &agrave; posse o governante concentra seu pensamento e sua energia na reelei&ccedil;&atilde;o, uma meta a ser alcan&ccedil;ada a qualquer pre&ccedil;o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Reelei&ccedil;&atilde;o para cargos do poder executivo n&atilde;o fez bem ao nosso pa&iacute;s. Notadamente porque j&aacute; vivemos um quadro sombrio com o foro privilegiado protegendo milhares de agentes p&uacute;blicos, com a proibi&ccedil;&atilde;o da pris&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia mesmo ap&oacute;s decis&atilde;o colegiada e em raz&atilde;o de crimes cometidos contra a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (peculato, corrup&ccedil;&atilde;o, e participa&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o criminosa, com o n&uacute;mero exagerado de partidos pol&iacute;ticos, todos sem ideologia program&aacute;tica, e, sem nenhuma men&ccedil;&atilde;o &agrave; defesa da &eacute;tica e da moral.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Soma-se tudo isso a excresc&ecirc;ncia do hor&aacute;rio eleitoral, gratuito apenas no nome porque custa muito aos cofres p&uacute;blicos, al&eacute;m do fundo partid&aacute;rio eleitoral, que retira do contribuinte mais de R$5 bilh&otilde;es e tem gerado uma concentra&ccedil;&atilde;o de poder imperial nas m&atilde;os dos presidentes de poucos partidos pol&iacute;ticos. Como se n&atilde;o bastasse, a legisla&ccedil;&atilde;o permite que um r&eacute;u, assim definido por colegiado do Tribunal Superior, apesar de responder por crimes contra administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica pode ser considerado ficha limpa e, consequentemente, habilitado a concorrer um novo mandato para manter-se protegido pelo foro privilegiado. Quem paga por isso n&atilde;o &eacute; a elite pol&iacute;tica, verdadeiros &ldquo;imperadores&rdquo; de legendas, e tampouco os governantes, verdadeiros &ldquo;imperadores&rdquo; da pol&iacute;tica. A conta recai sempre sobre quem n&atilde;o deveria pagar nada: o povo.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Ademais, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas de que o instituto da reelei&ccedil;&atilde;o contraria um dos mais nobres princ&iacute;pios republicados: a altern&acirc;ncia do poder. Al&eacute;m disso, desequilibra o processo eleitoral, na medida em que o governante sempre tem nas m&atilde;os, a seu favor, a m&aacute;quina da Prefeitura, do Estado ou da Presid&ecirc;ncia.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O Brasil est&aacute; cheio de casos de governantes que conseguem romper todos os mecanismos de controle, nomeando assessores de todos os escal&otilde;es n&atilde;o pelo crit&eacute;rio da compet&ecirc;ncia, mas por puro compadrio, a fim de garantir a reelei&ccedil;&atilde;o e, dessa forma, manter o benef&iacute;cio do foro privilegiado, necess&aacute;rio para buscar a prescri&ccedil;&atilde;o de eventuais crimes praticados no exerc&iacute;cio do mandato.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O fundamento de que a possibilidade de reelei&ccedil;&atilde;o premia o bom administrador p&uacute;blico tamb&eacute;m deve ser encarado com reservas. Ainda que a continuidade do mandato ofere&ccedil;a ao reeleito uma oportunidade de dar continuidade aos seus projetos a reelei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode se tornar um fim em si mesmo. De fato, o mandato executivo de quatro anos pode ser curto para a implementa&ccedil;&atilde;o de projetos de governo, mas n&atilde;o se pode perder de vista que Juscelino Kubitschek transformou o Brasil em cinco anos. Assim, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada pelo senador Jorge Kajuru (GO), emperrada no Congresso, merece ser analisada com aten&ccedil;&atilde;o porque acaba com a reelei&ccedil;&atilde;o no Executivo e estende para cinco anos os mandatos de prefeitos, governadores e presidente da Rep&uacute;blica.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Barrar o &ldquo;superpresidencialismo&rdquo; &eacute; uma necessidade que o Brasil precisa enxergar. A reelei&ccedil;&atilde;o &eacute; uma anomalia que se soma aos despudorados Fundo Partid&aacute;rio e Fundo Eleitoral &ndash; alimentados pela elevada carga tribut&aacute;ria que penaliza sobremaneira os cidad&atilde;os mais necessitados, e que financiam um assombroso n&uacute;mero de partidos, al&eacute;m de privilegiar candidatos dispostos a tudo para se perpetuar no poder.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">&Eacute; urgente para o Pa&iacute;s recuperar o mais leg&iacute;timo esp&iacute;rito republicano para fortalecer a pr&oacute;pria democracia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">**Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre as mudan&ccedil;as que o Brasil precisa avaliar para a retomada do rumo do desenvolvimento, uma&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[3937],"class_list":["post-360811","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-eventos","tag-economia","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360811"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360811\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}