{"id":360720,"date":"2022-10-18T22:01:30","date_gmt":"2022-10-18T22:01:30","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=360720"},"modified":"2022-10-20T21:25:17","modified_gmt":"2022-10-20T21:25:17","slug":"negligencia-e-desinformacao-derrubam-indices-de-cobertura-vacinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/10\/negligencia-e-desinformacao-derrubam-indices-de-cobertura-vacinal\/","title":{"rendered":"Neglig\u00eancia e desinforma\u00e7\u00e3o derrubam \u00edndices de cobertura vacinal"},"content":{"rendered":"<p>A cobertura vacinal infantil retrocedeu ao menor n&iacute;vel das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas. O alerta da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de coincide com o registro do primeiro caso de poliomielite no Brasil depois de 33 anos. A doen&ccedil;a foi confirmada no in&iacute;cio de outubro, no Par&aacute;, colocando todo o pa&iacute;s em alerta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A queda nos &iacute;ndices de imuniza&ccedil;&atilde;o e a volta de doen&ccedil;as at&eacute; ent&atilde;o &ldquo;erradicadas&rdquo; preocupam as autoridades de sa&uacute;de p&uacute;blica. Entre 2019 e 2021, o &iacute;ndice de crian&ccedil;as vacinadas contra paralisia infantil caiu de 84,2% para 67,7%.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No Brasil, a Campanha Nacional de Vacina&ccedil;&atilde;o 2022 ficou muito abaixo do esperado. No Paran&aacute;, atingiu cerca de 66% do p&uacute;blico-alvo, quando a meta era de 95% &ndash; percentual alcan&ccedil;ado em apenas 32% dos munic&iacute;pios do Estado. Em Curitiba, 36,8% das crian&ccedil;as menores de cinco anos foram vacinadas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Especialista em imunologia cl&iacute;nica, Hemerson Bertassoni Alves diz que a vacina&ccedil;&atilde;o &eacute; tida universalmente como uma excelente forma de prote&ccedil;&atilde;o individual. &ldquo;O principal reflexo da queda na cobertura vacinal &eacute; o aumento da preval&ecirc;ncia de in&uacute;meras doen&ccedil;as sem que o SUS esteja devidamente preparado para dar conta delas. A poliomielite, por exemplo, n&atilde;o tem cura e afeta crian&ccedil;as que se tornar&atilde;o adultos com um futuro complicado.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Problema mundial<\/strong><\/p>\n<p>Um levantamento da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) e do Unicef revela que o baixo &iacute;ndice de vacina&ccedil;&atilde;o se repete em esfera global: 25 milh&otilde;es de crian&ccedil;as n&atilde;o completaram o esquema vacinal contra difteria, t&eacute;tano e coqueluche. No ano passado, a cobertura da primeira dose contra sarampo caiu para 81%, o menor patamar desde 2008. No caso da HPV, o &iacute;ndice na primeira dose &eacute; de apenas 15%.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>S&oacute; no Brasil, a cobertura contra sarampo, caxumba e rub&eacute;ola (tr&iacute;plice viral) foi reduzida de 93,1% para 71,49% entre 2019 e 2021. Ou seja, tr&ecirc;s em cada dez crian&ccedil;as n&atilde;o est&atilde;o devidamente protegidas. Os dados s&atilde;o do Programa Nacional de Imuniza&ccedil;&otilde;es (PNI) do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Causas e consequ&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>O decl&iacute;nio na cobertura vacinal pode ter resposta na neglig&ecirc;ncia, na desinforma&ccedil;&atilde;o e na dissemina&ccedil;&atilde;o de fake news. &ldquo;Muitas doen&ccedil;as, as antigas principalmente, foram negligenciadas nos &uacute;ltimos anos por sua baixa frequ&ecirc;ncia, o que causou a falsa sensa&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o ocorreriam mais&rdquo;, analisa o professor Hemerson, do curso de Biomedicina e Farm&aacute;cia do UniCuritiba &ndash; institui&ccedil;&atilde;o que faz parte da &Acirc;nima Educa&ccedil;&atilde;o, uma das principais organiza&ccedil;&otilde;es educacionais de ensino superior do pa&iacute;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Segundo o especialista, al&eacute;m de refor&ccedil;ar medidas profil&aacute;ticas, as autoridades p&uacute;blicas deveriam ter investido em pol&iacute;ticas de esclarecimento sobre a import&acirc;ncia das vacinas. &ldquo;Tudo isso foi agravado pelo efeito ideol&oacute;gico de n&atilde;o acreditar na ci&ecirc;ncia, somado a muitos devaneios disseminados em nossa sociedade.&rdquo;<\/p>\n<p>Para o professor, as mesmas pessoas que alegam a falta de seguran&ccedil;a dos imunizantes n&atilde;o consideram a redu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de mortes por Covid-19 depois da vacina&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O movimento antivacina traz preju&iacute;zos imensos para a sociedade e provocar&aacute; novos colapsos nos sistemas de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Marco hist&oacute;rico<\/strong><\/p>\n<p>Descobertas h&aacute; mais de 200 anos e desenvolvidas para estimular o organismo a criar anticorpos, as vacinas contribu&iacute;ram para o controle de doen&ccedil;as como caxumba, rub&eacute;ola, t&eacute;tano, sarampo, gripe e outras. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de estima que 3 milh&otilde;es de vidas sejam salvas por ano em fun&ccedil;&atilde;o da vacina&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No Brasil, o SUS oferece mais de 20 vacinas. O Calend&aacute;rio Nacional de Vacina&ccedil;&atilde;o contempla de rec&eacute;m-nascidos a idosos, gestantes, ind&iacute;genas e pacientes em condi&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas especiais. &ldquo;Quem adere ao movimento antivacina desconhece a hist&oacute;ria&rdquo;, afirma Hemerson Bertassoni Alves.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o para que as metas voltem a ser cumpridas, avalia o professor do UniCuritiba, n&atilde;o est&aacute; na imposi&ccedil;&atilde;o de medidas sanit&aacute;rias dr&aacute;sticas, mas em campanhas eficientes de vacina&ccedil;&atilde;o e de conscientiza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O melhor caminho &eacute; mostrar os benef&iacute;cios das vacinas na prote&ccedil;&atilde;o contra v&iacute;rus e outros agentes causadores de doen&ccedil;as.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cobertura vacinal infantil retrocedeu ao menor n&iacute;vel das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas. 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