{"id":360399,"date":"2022-10-06T19:01:54","date_gmt":"2022-10-06T19:01:54","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=360399"},"modified":"2022-10-06T19:08:46","modified_gmt":"2022-10-06T19:08:46","slug":"livro-entrevista-traz-reflexoes-sobre-o-universo-ficcional-de-luiz-ruffato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/10\/livro-entrevista-traz-reflexoes-sobre-o-universo-ficcional-de-luiz-ruffato\/","title":{"rendered":"Livro-entrevista traz reflex\u00f5es sobre o universo ficcional de Luiz Ruffato"},"content":{"rendered":"<p>Um deserto de estranhas veredas traz ainda ampla fortuna cr&iacute;tica sobre um dos maiores escritores brasileiros contempor&acirc;neos<\/p>\n<p>A amizade de 40 anos e a admira&ccedil;&atilde;o pela carreira liter&aacute;ria de Luiz Ruffato levou Elo&eacute;sio Paulo &ndash; jornalista, escritor e doutor em Teoria e Hist&oacute;ria Liter&aacute;ria pela Unicamp &ndash; a imaginar e organizar um livro-entrevista sobre um dos maiores escritores brasileiros contempor&acirc;neos, traduzido e publicado em 15 pa&iacute;ses [It&aacute;lia, Fran&ccedil;a, Portugal, Argentina, Col&ocirc;mbia, Alemanha, Finl&acirc;ndia, Estados Unidos, Maced&ocirc;nia do Norte, Mo&ccedil;ambique, M&eacute;xico, Espanha, Israel, Cuba, Rom&ecirc;nia], com obras adaptadas para o teatro e o cinema.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um deserto de estranhas veredas (Editora Maralto, 176 p. R$ 44,90) acaba de chegar &agrave;s livrarias brasileiras. A obra traz as impress&otilde;es e curiosidades do leitor e amigo de Luiz Ruffato, que, por sua vez, percorre a pr&oacute;pria trajet&oacute;ria, fala sobre sua forma&ccedil;&atilde;o como leitor, as rela&ccedil;&otilde;es familiares, aborda assuntos espinhosos e observa com aten&ccedil;&atilde;o os rumos do pa&iacute;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;A obra ruffatiana &eacute; uma das mais relevantes da fic&ccedil;&atilde;o brasileira contempor&acirc;nea. Ele leu praticamente tudo que &eacute; importante ler, &eacute; uma das pessoas mais apaixonadas por literatura que conhe&ccedil;o. Imaginei que ele teria muito a dizer sobre o lugar da literatura neste tempo t&atilde;o inamistoso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; intelig&ecirc;ncia e &agrave; sensibilidade do ser humano&rdquo;, explica Elo&eacute;sio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Temas abordados<\/p>\n<p>O volume traz ainda um apanhado da produ&ccedil;&atilde;o de Ruffato no Brasil e no exterior, al&eacute;m de fortuna cr&iacute;tica com trabalhos &ndash; especialmente disserta&ccedil;&otilde;es e teses acad&ecirc;micas, mas tamb&eacute;m artigos de cr&iacute;tica liter&aacute;ria publicados em ve&iacute;culos especializados e na imprensa &ndash; sobre sua obra.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E conclui com tr&ecirc;s textos emblem&aacute;ticos de sua produ&ccedil;&atilde;o: uma cr&ocirc;nica e um depoimento sobre sua forma&ccedil;&atilde;o, desde a inf&acirc;ncia na mineira Cataguases, e um ensaio sobre a presen&ccedil;a de imigrantes italianos em Minas Gerais, tema muito presente em seus livros, em fun&ccedil;&atilde;o de suas origens familiares.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Ruffato, o que o interessa, em toda a sua obra, muito mais do que descrever como funcionam as engrenagens da superestrutura &ndash; ou seja, as circunst&acirc;ncias macroecon&ocirc;micas e macropol&iacute;ticas &ndash;, &eacute; observar seus efeitos no cotidiano das pessoas comuns.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Quando, em 1979, decidi me tornar escritor, eu j&aacute; tinha muito claro qual seria a tem&aacute;tica a ser perseguida: o dia a dia do trabalhador urbano de classe m&eacute;dia baixa. E isso porque, quando comecei a me aprofundar na literatura brasileira, percebi que se tratava de um espa&ccedil;o imagin&aacute;rio praticamente intocado, embora represente mais da metade do total da popula&ccedil;&atilde;o brasileira&rdquo;, diz o escritor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Descobertas admir&aacute;veis<\/p>\n<p>Ao longo da produ&ccedil;&atilde;o, Elo&eacute;sio Paulo &ndash; que j&aacute; escreveu 17 livros e conhece as agruras de concluir uma obra &ndash; revela-se surpreso ao descobrir que Ruffato n&atilde;o faz nenhuma anota&ccedil;&atilde;o e, mesmo assim, produz textos abrangentes e profundos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Nunca tomo nota de absolutamente nada. Nem fotografo. Nem elaboro esquemas. Nem componho sinopses. Nunca inicio um livro sem antes conhecer o t&iacute;tulo e definir a ep&iacute;grafe, normalmente nascida de um poema. O t&iacute;tulo norteia o livro, a ep&iacute;grafe o resume&rdquo;, conta Ruffato nas p&aacute;ginas de Um deserto de estranhas veredas. Segundo o autor, todos seus livros surgem &ldquo;de uma necessidade de abordar uma dada inquieta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, complementa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra revela&ccedil;&atilde;o contida no livro &eacute; o ponto de vista de Luiz Ruffato sobre a profiss&atilde;o de escritor. &ldquo;Fazer literatura n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, exige disciplina, horas sentado solit&aacute;rio em frente a um computador, sem ter com quem dividir as d&uacute;vidas&hellip; d&oacute;i o corpo, d&oacute;i a cabe&ccedil;a pelo esfor&ccedil;o de concentra&ccedil;&atilde;o&hellip; Ser escritor traz compensa&ccedil;&otilde;es, mas exige contrapartidas&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pontos de vista<\/p>\n<p>Ao ser questionado por Elo&eacute;sio sobre as dezenas de teses e disserta&ccedil;&otilde;es no Brasil e em outros pa&iacute;ses a respeito de suas obras, em que estudiosos descobrem coisas que nem mesmo o autor imaginava, Ruffato n&atilde;o se constrange.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Acho isso &oacute;timo. Nunca entendi aqueles autores que reclamam ou ironizam que estudiosos encontraram coisas em suas obras que n&atilde;o estavam l&aacute;. Ora, a literatura &eacute; uma obra aberta. Portanto, permite leituras as mais diversas &ndash; o autor escreve um texto, os leitores e os especialistas o decifram. O meu grande pavor &eacute; que ocorra exatamente o contr&aacute;rio: o dia em que publicar algo que for compreendido por todos os leitores, especialistas ou n&atilde;o, da mesma maneira. Isso seria a prova maior do meu fracasso como escritor, pois teria me tornado superficial, banal, &oacute;bvio&rdquo;, explica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m de registro importante da trajet&oacute;ria de Ruffato e de um fragmento da hist&oacute;ria da literatura brasileira, a reuni&atilde;o dos textos de Um deserto de estranhas veredas divide com os leitores um pouco da intimidade do autor, que, em formatos distintos &ndash; entrevista, cr&ocirc;nica, depoimento e ensaio &ndash;, oferece pe&ccedil;as para a composi&ccedil;&atilde;o de um mosaico a ser montado de acordo com o di&aacute;logo estabelecido com cada um.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Gosto de imaginar que no mundo da literatura n&atilde;o h&aacute; fronteiras &ndash; os autores vivem fora do espa&ccedil;o e do tempo e acima das barreiras lingu&iacute;sticas&rdquo;, observa Ruffato.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E para quem deseja compreender um pouco mais o universo ficcional do escritor, Elo&eacute;sio complementa. &ldquo;A entrevista n&atilde;o tem um tom acad&ecirc;mico, ou seja, n&atilde;o se dirige apenas a estudiosos, mas a todos os leitores que se interessam por compreender melhor a obra de Luiz Ruffato&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O livro Um deserto de estranhas veredas, de Luiz Ruffato e Elo&eacute;sio Paulo (Editora Maralto, 176 p., R$ 44,90) pode ser adquirido nas principais livrarias do pa&iacute;s e tamb&eacute;m pelo cat&aacute;logo da Maralto, dispon&iacute;vel em https:\/\/loja.editorapositivo.com.br\/literatura<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre Luiz Ruffato<\/p>\n<p>Luiz Ruffato nasceu em Cataguases (MG), em 1961, filho de uma lavadeira analfabeta e de um pipoqueiro semianalfabeto. Trabalhou como caixeiro de botequim, balconista de armarinho, oper&aacute;rio t&ecirc;xtil, torneiro-mec&acirc;nico, vendedor de livros ambulante, gerente de lanchonete, professor e jornalista, at&eacute; tornar-se escritor em tempo integral a partir de 2003.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi escritor-residente na Universidade de Berkeley (Estados Unidos) e consultor do Instituto Ita&uacute; Cultural para a &aacute;rea de literatura. Seus livros receberam v&aacute;rios pr&ecirc;mios (APCA, Jabuti, Machado de Assis, Casa de las Americas) e est&atilde;o publicados em quinze pa&iacute;ses.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelo conjunto da obra ganhou o Pr&ecirc;mio Internacional Escritor Galego Universal, concedido pela Associaci&oacute;n de Escritoras e Escritores en L&iacute;ngua Galega (Galiza, Espanha), em 2015, e o Pr&ecirc;mio Internacional Hermann Hesse, outorgado pelo Calwer Hermann-Hesse-Stiftung (Alemanha), em 2016.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre Elo&eacute;sio Paulo<\/p>\n<p>Elo&eacute;sio Paulo nasceu em Areado (MG), em 1965. &Eacute; jornalista, doutor em Teoria e Hist&oacute;ria Liter&aacute;ria pela Unicamp e, desde 2006, professor da Universidade Federal de Alfenas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J&aacute; escreveu 17 livros, publicou as colet&acirc;neas de poemas Primeiras palavras do mamute degelado (2000), Jornal para eremitas (2012) e O amor &eacute; um assunto imbecil (2020), al&eacute;m de quatro livros de cr&iacute;tica liter&aacute;ria e tr&ecirc;s para o p&uacute;blico infantil. Em 2022 tamb&eacute;m publicou Por que n&atilde;o vou a Sodoma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; colaborador do jornal Rascunho e do Suplemento Liter&aacute;rio de Minas Gerais, escreveu resenhas para O Globo, Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo, al&eacute;m de ter trabalhado em v&aacute;rios jornais como rep&oacute;rter e redator.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um deserto de estranhas veredas traz ainda ampla fortuna cr&iacute;tica sobre um dos maiores escritores brasileiros&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-360399","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}