{"id":359840,"date":"2022-09-21T19:13:11","date_gmt":"2022-09-21T19:13:11","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=359840"},"modified":"2022-09-22T02:51:04","modified_gmt":"2022-09-22T02:51:04","slug":"livro-aborda-desprezo-e-abandono-na-velhice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/09\/livro-aborda-desprezo-e-abandono-na-velhice\/","title":{"rendered":"Livro aborda desprezo e abandono na velhice"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">Jasmins<i>, de Claudia Nina, &eacute; uma das poucas obras liter&aacute;rias que abordam temas como a velhice, a senilidade e o desamparo<\/i><i><\/i><\/p>\n<p><i>&nbsp;<\/i><\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o brasileira est&aacute; mudando de perfil e vivendo mais. Os efeitos dessa transforma&ccedil;&atilde;o entre os idosos e o debate sobre o futuro deles est&atilde;o retratados em um livro de fic&ccedil;&atilde;o que narra o avan&ccedil;o da velhice em um universo profissional ainda pouco percebido: o dos cuidadores de idosos, muitas vezes relegados eles mesmos ao abandono para executar seu trabalho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Jasmins&nbsp;<\/i>(176 p., R$ 44,90), da escritora Claudia Nina, &eacute; uma obra lan&ccedil;ada pela Editora Maralto, que pertence ao grupo Arco Educa&ccedil;&atilde;o, e aborda a terceira idade sob o prisma de uma casa de repouso administrada por pretensos filantropos, nem sempre sens&iacute;veis ao duro cotidiano do local.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o recai sobre os funcion&aacute;rios, estes sim, mais diretamente ligados ao dia a dia da institui&ccedil;&atilde;o, batizada sem rodeios desde as primeiras p&aacute;ginas de &ldquo;dep&oacute;sito&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O livro ser&aacute; lan&ccedil;ado no dia 22 de setembro, a partir das 19h, na Livraria da Travessa [rua Volunt&aacute;rios da P&aacute;tria, 97, Botafogo, Rio de Janeiro], com entrada franca.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Descaso<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>A autora chama a aten&ccedil;&atilde;o para uma realidade que n&atilde;o pede licen&ccedil;a para se estabelecer e que n&atilde;o encontra a devida contrapartida dos agentes envolvidos. O texto mostra um universo contradit&oacute;rio: falta a&ccedil;&atilde;o e sobram problemas &agrave; medida que parcela crescente de idosos se faz presente entre n&oacute;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Mais uma vez, a arte serve para denunciar o que se passa no mundo real. O aumento da expectativa de vida joga ainda mais luz sobre uma discuss&atilde;o que deveria ser prioridade nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas; se no ano 2000 um brasileiro vivia at&eacute; os 69,8 anos, em 2021 a faixa et&aacute;ria chegou aos 76,8 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE)&rdquo;, conta a autora.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os n&uacute;meros sobre essa popula&ccedil;&atilde;o em escala ascendente s&atilde;o suficientes para balizar uma esp&eacute;cie de grito de socorro, que o livro tece ao longo das 176 p&aacute;ginas de forma po&eacute;tica, mas tamb&eacute;m contundente para denunciar o problema, que envolve a solid&atilde;o em que os pr&oacute;prios idosos s&atilde;o relegados, o duro cotidiano dos cuidadores e as sequelas f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas que sofrem ao lidar com seu trabalho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao penetrar no cotidiano do &ldquo;dep&oacute;sito&rdquo;, a obra acaba tratando de todo um conjunto de posturas e valores presentes em uma sociedade ainda distante das melhores virtudes do ser humano como empatia, compaix&atilde;o e preocupa&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na pelo pr&oacute;ximo, sem esperar vantagens.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A hist&oacute;ria<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>A personagem principal do livro, Yasmin, &eacute; uma jovem que passa a cuidar de uma mulher chamada Wanda, uma senhora doente que vive em uma casa de repouso em uma cidade interiorana, Herv&aacute;lia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como ocorre com as car&ecirc;ncias e demandas que a terceira idade apresenta a governos e sociedade, a hist&oacute;ria contada em&nbsp;<i>Jasmins<\/i>&nbsp;representa uma s&iacute;ntese dos desencontros, falta de interesse e abandono a que a terceira idade est&aacute; relegada no pa&iacute;s, com efeitos para todos os lados, inclusive para os profissionais que desempenham a &aacute;rdua miss&atilde;o de atender os idosos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem saber por quem foi contratada, Yasmin, que adota o nome das tristes flores que v&ecirc; todos os dias pela janela, acaba se mudando para a pequena Herv&aacute;lia para acompanhar a realidade da senhora senil no asilo onde mora. Com asco permanente de tudo no lugar, inclusive da mulher a quem, em tese, ela se dedica, Yasmin se v&ecirc; sufocada por uma vida triste, arrastada e sem sentido. Ao longo da hist&oacute;ria, no entanto, essa rela&ccedil;&atilde;o de distanciamento se transforma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Crescimento sem volta<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>O fen&ocirc;meno da longevidade &eacute; mundial. De acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), o n&uacute;mero de indiv&iacute;duos com idade acima dos 60 anos chegar&aacute; a 2 bilh&otilde;es de pessoas at&eacute; 2050, o que equivale a um quinto da popula&ccedil;&atilde;o mundial.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo dados do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, o Brasil, em 2016, tinha a quinta maior&nbsp;popula&ccedil;&atilde;o idosa do mundo, e, em 2030, a quantidade de idosos ultrapassar&aacute; o total de crian&ccedil;as entre zero e 14 anos. O livro de Claudia Nina, gestado durante sete anos, &eacute; mais do que um convite &agrave; reflex&atilde;o de que muita coisa precisa mudar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Jasmins<\/i>, com texto sens&iacute;vel e inteligente, nos faz um potente convite: acompanhar a quest&atilde;o de perto e pressionar as autoridades respons&aacute;veis a mudar olhares e a&ccedil;&otilde;es sobre a terceira idade no Brasil. Afinal, n&oacute;s mesmos podemos ser os desamparados do amanh&atilde;, avisa o conjunto da obra.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sobre a autora<\/b><\/p>\n<p>Claudia Nina&nbsp;&eacute; jornalista e doutora em Letras pela Universidade de Utrecht, na Holanda, com tese sobre Clarice Lispector.&nbsp;Trabalhou como professora-visitante de Teoria Liter&aacute;ria na UERJ.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2020 foi convidada para lecionar a disciplina&nbsp;Escrita Criativa: do real ao ficcional,&nbsp;na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o de Literatura Brasileira de Autoria Feminina na Universidade C&acirc;ndido Mendes, do Rio de Janeiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; autora de romances, fic&ccedil;&atilde;o e biografias, al&eacute;m de se dedicar a obras infanto-juvenis. Finalista do Pr&ecirc;mio Rio de Literatura 2015, &eacute; tamb&eacute;m colunista da Revista Sele&ccedil;&otilde;es (Reader&acute;s Digest), na qual assina a coluna online &ldquo;Hist&oacute;rias que a vida conta&rdquo;. Assina, ainda, uma coluna de cr&ocirc;nicas no site do jornal Rascunho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jasmins, de Claudia Nina, &eacute; uma das poucas obras liter&aacute;rias que abordam temas como a velhice,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":359839,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-359840","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eventos","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=359840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=359840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=359840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=359840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}