{"id":352633,"date":"2022-06-28T13:15:28","date_gmt":"2022-06-28T13:15:28","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=352633"},"modified":"2022-06-29T19:26:46","modified_gmt":"2022-06-29T19:26:46","slug":"entendendo-o-decreto-10-833-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/06\/entendendo-o-decreto-10-833-2021\/","title":{"rendered":"Entendendo o decreto 10.833\/2021"},"content":{"rendered":"<p><em>Por F&aacute;bio Kagi, gerente de assuntos regulat&oacute;rios do Sindicato Nacional da Ind&uacute;stria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), engenheiro agr&ocirc;nomo e especialista em gest&atilde;o estrat&eacute;gica e econ&ocirc;mica de projetos.<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o brasileira determina que defensivos agr&iacute;colas s&oacute; podem ser produzidos, comercializados e utilizados com registro pr&eacute;vio em &oacute;rg&atilde;os federais espec&iacute;ficos. Essa mesma lei versa sobre pesquisa, experimenta&ccedil;&atilde;o, embalagem e rotulagem, transporte, armazenamento, propaganda comercial, destino dos res&iacute;duos e das embalagens, classifica&ccedil;&atilde;o, controle, inspe&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos produtos. Como o Brasil &eacute; signat&aacute;rio de diversos tratados internacionais, o processo de obten&ccedil;&atilde;o de registro e condu&ccedil;&atilde;o de testes &eacute; alinhado ao que &eacute; adotado nos pa&iacute;ses membros da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), entidade que hoje re&uacute;ne 38 pa&iacute;ses-membros.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a obten&ccedil;&atilde;o de um registro, o interessado deve apresentar ao Minist&eacute;rio da Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento (Mapa), &agrave; Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis (Ibama) os dados definidos pela legisla&ccedil;&atilde;o para cada tipo de pleito. Ao analisar os resultados dos testes, os &oacute;rg&atilde;os de governo decidem se o produto tem riscos aceit&aacute;veis &agrave; sa&uacute;de humana e ao meio ambiente, bem como se possui efic&aacute;cia e praticabilidade agron&ocirc;mica. Caso um dos &oacute;rg&atilde;os entenda que o produto n&atilde;o est&aacute; apto para o registro, o pleito &eacute; indeferido. Se o pleito for deferido pelos tr&ecirc;s &oacute;rg&atilde;os, cabe ao Mapa emitir o certificado de registro. Para os produtos qu&iacute;micos, al&eacute;m do registro do <em>produto formulado<\/em> (aquele que ser&aacute; comercializado), o interessado deve obter o registro de um <em>produto t&eacute;cnico<\/em> (destinado ao uso industrial, com alto teor de pureza) que ser&aacute; utilizado na composi&ccedil;&atilde;o do produto formulado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos os testes devem ser conduzidos de acordo com as boas pr&aacute;ticas e normas definidas em legisla&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, o Brasil utiliza o chamado <em>crit&eacute;rio da equival&ecirc;ncia<\/em> adotado nos pa&iacute;ses-membros da OCDE, o que dispensa a apresenta&ccedil;&atilde;o de dossi&ecirc; completo em todos os pleitos de registro de produtos t&eacute;cnicos envolvendo essas na&ccedil;&otilde;es, bem como dos testes de efic&aacute;cia e res&iacute;duos nos produtos formulados que utilizem produtos t&eacute;cnicos equivalentes &ndash; conhecidos popularmente como &ldquo;gen&eacute;ricos&rdquo;. E o processo n&atilde;o para por a&iacute;. Para ser comercializado, o produto ainda precisa ser cadastrado nos estados brasileiros. A etapa de cadastramento n&atilde;o &eacute; prevista pela legisla&ccedil;&atilde;o federal, mas &eacute; prevista em legisla&ccedil;&otilde;es estaduais de quase todas as unidades da federa&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com dados elaborados pela Spark Consultoria Estrat&eacute;gia para o Sindicato Nacional da Ind&uacute;stria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) com base em informa&ccedil;&otilde;es concedidas pelo Mapa, o processo de registro de um produto qu&iacute;mico no Brasil tem levado de 5,7 anos (caso dos equivalentes) e 7,7 anos (situa&ccedil;&atilde;o dos produtos &agrave; base de ativos ainda n&atilde;o registrados no Brasil). J&aacute; o registro de biol&oacute;gicos tem sido obtido, em m&eacute;dia, 1 ano ap&oacute;s a submiss&atilde;o do pleito.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o cen&aacute;rio atual n&atilde;o &eacute; dos mais favor&aacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo para a obten&ccedil;&atilde;o de registros, a proje&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rio futuro &eacute; ainda mais preocupante para os produtos equivalentes. Apesar do aumento no ritmo de an&aacute;lises que sa&iacute;ram de um patamar de 180 registros concedidos desde 2016 aos aproximadamente 500 pleitos em 2021, as filas t&ecirc;m aumentado ainda mais nos &uacute;ltimos anos. Apenas em 2020, foram solicitados 1.083 pedidos de registro. Em 2021, de janeiro a agosto, foram 576. Contudo, respectivamente, s&oacute; foram concedidos 493 e 351 pleitos nesses per&iacute;odos. Assim, como a submiss&atilde;o de pleitos n&atilde;o pode ser controlada por qualquer &oacute;rg&atilde;o do governo, uma vez que &eacute; direito de um interessado solicitar o registro &ndash; desde que se pague as taxas e sejam submetidos os documentos adequados &ndash;, o cen&aacute;rio de registros do Brasil tende a ser cada vez mais ca&oacute;tico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; not&aacute;vel que ao longo dos &uacute;ltimos anos os &oacute;rg&atilde;os t&ecirc;m adotado medidas que aumentam a celeridade na an&aacute;lise de pleitos sem perda de qualidade regulat&oacute;ria. Uma delas &eacute; a prioriza&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise de pedidos de registro mediante o atendimento a alguns crit&eacute;rios como a indica&ccedil;&atilde;o para as culturas e pragas consideradas de maior import&acirc;ncia econ&ocirc;mica para o Brasil. O Sindiveg considera importante que a industrializa&ccedil;&atilde;o (fabrica&ccedil;&atilde;o e formula&ccedil;&atilde;o) em territ&oacute;rio seja considerada um dos crit&eacute;rios do estabelecimento de prioridades na pr&oacute;xima listagem. O Brasil &eacute; grande importador de defensivos agr&iacute;colas, com d&eacute;ficit na balan&ccedil;a comercial do setor de agroqu&iacute;micos da ordem de US$ 5 bilh&otilde;es em 2019. No mesmo ano, entretanto, as ind&uacute;strias operaram com 61% de ociosidade, em m&eacute;dia, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade produtiva de produtos formulados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o delicada que teve seu primeiro passo para ser corrigida com a simplifica&ccedil;&atilde;o do registro para exporta&ccedil;&atilde;o de produtos &agrave; base de ingredientes ativos e componentes j&aacute; registrados no Brasil, institu&iacute;da pelo rec&eacute;m-publicado Decreto 10.833\/2021, o que deve estimular o desenvolvimento de um parque fabril de formula&ccedil;&atilde;o e reduzir a vulnerabilidade do pa&iacute;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com investimentos e melhorias regulat&oacute;rias, o Brasil tem condi&ccedil;&otilde;es de deixar de ser um importador de produtos para ser um exportador. Ressalte-se que, ao discutir a produ&ccedil;&atilde;o local, n&atilde;o est&aacute; sendo debatida a justa e livre oferta de produtos fabricados no exterior. Trata-se apenas de um arrazoado sobre a perman&ecirc;ncia no mercado e o crescimento de empresas j&aacute; instaladas no Brasil e, tamb&eacute;m, sobre um est&iacute;mulo para que investidores estrangeiros tenham seguran&ccedil;a legal para realizar investimentos em parques fabris no pa&iacute;s. Al&eacute;m do estimulo &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o nacional, o Sindiveg considera de suma import&acirc;ncia a previsibilidade e a redu&ccedil;&atilde;o de prazos para an&aacute;lise e padroniza&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios de an&aacute;lise de pleitos; a ado&ccedil;&atilde;o de medidas de otimiza&ccedil;&atilde;o regulat&oacute;ria; e transpar&ecirc;ncia, isonomia e fortalecimento das decis&otilde;es dos &oacute;rg&atilde;os federais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por F&aacute;bio Kagi, gerente de assuntos regulat&oacute;rios do Sindicato Nacional da Ind&uacute;stria de Produtos para Defesa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"class_list":["post-352633","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-agro","wpcat-29-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352633\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}