{"id":352149,"date":"2022-06-15T13:16:46","date_gmt":"2022-06-15T13:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=352149"},"modified":"2022-06-15T17:36:43","modified_gmt":"2022-06-15T17:36:43","slug":"a-nova-industrializacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/06\/a-nova-industrializacao\/","title":{"rendered":"A nova industrializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Jo&atilde;o Carlos Marchesan*<\/i><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, diversos choques afetaram profundamente as cadeias globais de valor. Tivemos a quebra do Lehman Brothers, em 2008, e a subsequente crise financeira, passamos pelo terremoto e tsunami, que arrasaram a usina nuclear de Fukushima em 2011, interrompendo a atividade de importantes f&aacute;bricas japonesas e culminamos com a pandemia da Covid 19, que paralisou f&aacute;bricas no mundo todo, causando inseguran&ccedil;a e desabastecimentos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>J&aacute; a partir de 2011, nas manufaturas dos principais pa&iacute;ses produtores de bens industriais, o conte&uacute;do importado parou de crescer e, regra geral, passou a declinar. As rela&ccedil;&otilde;es entre os EUA e a China, mudaram a partir de Trump, para uma atitude de rivalidade, e at&eacute; de hostilidade, o que abalou ainda mais a globaliza&ccedil;&atilde;o e, na sequ&ecirc;ncia, a pandemia confirmou os riscos da excessiva depend&ecirc;ncia das cadeias globais e mostrou a import&acirc;ncia da produ&ccedil;&atilde;o local.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Poder contar com um n&iacute;vel confort&aacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica, tanto em mat&eacute;ria de insumos e equipamentos de sa&uacute;de, quanto de bens de capital e outros produtos essenciais &agrave; seguran&ccedil;a nacional, passou a ser t&atilde;o importante, depois desta crise pand&ecirc;mica, como sempre foram a seguran&ccedil;a alimentar, a militar e a energ&eacute;tica. A redescoberta da import&acirc;ncia da ind&uacute;stria est&aacute; ocorrendo ao mesmo tempo de uma profunda mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica, na pr&oacute;pria ind&uacute;stria.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O surgimento de um novo paradigma produtivo, baseado na digitaliza&ccedil;&atilde;o, na internet das coisas, na ampla utiliza&ccedil;&atilde;o de sensores inteligentes e no uso intensivo da big data e da intelig&ecirc;ncia artificial, abre oportunidades a quem tiver vontade pol&iacute;tica, para renovar seu setor industrial e torna-lo mais competitivo, condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel tanto para aumentar a participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria no PIB, quanto para alcan&ccedil;ar a &ldquo;seguran&ccedil;a industrial&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esta oportunidade tem sido percebida pelos pa&iacute;ses desenvolvidos mais importantes que, a partir da segunda metade da d&eacute;cada passada, tem revisitado o papel do Estado na economia, mudando seu posicionamento e passando a defender tanto pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de desenvolvimento, quanto pol&iacute;ticas industriais, com os objetivos de aumentar a capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e a competitividade de seus respectivos setores industriais e, assim, fortalec&ecirc;-los.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Deixando de lado a China, onde o desenvolvimento sempre foi fun&ccedil;&atilde;o do Estado, a Alemanha, com a &ldquo;Estrat&eacute;gia Industrial Nacional 2030&rdquo;, em fins da d&eacute;cada passada, foi o primeiro pa&iacute;s a declarar que passaria a apoiar ostensivamente sua ind&uacute;stria, protegendo-a contra aquisi&ccedil;&otilde;es externas, ajudando a capitaliza-la se necess&aacute;rio, e criando instrumentos adicionais de apoio financeiro e de P&amp;D,I para que a ind&uacute;stria crescesse dos 20% atuais para 25% do PIB at&eacute; 2030.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os Estados Unidos, al&eacute;m de perderem, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, boa parte de sua manufatura e milh&otilde;es de empregos de qualidade, exportados basicamente para a &Aacute;sia, perderam tamb&eacute;m a lideran&ccedil;a tecnol&oacute;gica e produtiva em setores sens&iacute;veis como bens de capital sofisticados, insumos farmac&ecirc;uticos e at&eacute; na produ&ccedil;&atilde;o de circuitos integrados. A Intel, por exemplo perdeu 2\/3 do mercado que tinha h&aacute; vinte anos, bem como a lideran&ccedil;a tecnol&oacute;gica na fabrica&ccedil;&atilde;o de chips.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Com a elei&ccedil;&atilde;o do Biden, o governo americano passou a defender um plano ambicioso, com um vasto conjunto de a&ccedil;&otilde;es, coordenadas pelo Estado, contando com recursos superiores a 5 trilh&otilde;es de d&oacute;lares para recuperar a infraestrutura, gerar empregos de qualidade, investir em P&amp;D e m&atilde;o de obra, apoiar a reindustrializa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, para trazer de volta boa parte da produ&ccedil;&atilde;o exportada e recuperar e manter a lideran&ccedil;a tecnol&oacute;gica nos setores chaves da economia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil, com a ades&atilde;o &agrave;s regras do &ldquo;Consenso de Washington&rdquo; e com a ado&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo, pelos governos que se sucederam, a partir da d&eacute;cada de 90, abandonou o modelo de desenvolvimento baseado na industrializa&ccedil;&atilde;o, e crescimento econ&ocirc;mico, que foi o projeto do pa&iacute;s que uniu sociedade e governo, desde Vargas at&eacute; os governos militares, substituindo-o pela preocupa&ccedil;&atilde;o com a infla&ccedil;&atilde;o e com as contas p&uacute;blicas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Foi a industrializa&ccedil;&atilde;o quem transformou o Brasil, ao longo de meio s&eacute;culo, de uma grande fazenda num pa&iacute;s relativamente desenvolvido, o que nos permitiu figurar entre as mais importantes economias mundiais, fazendo os brasileiros sonharem com a real possibilidade de virmos a ser um pa&iacute;s de primeiro mundo. A partir da d&eacute;cada de 80, perdemos o caminho do crescimento e, de um pa&iacute;s de construtores e industriais, passamos a ser um pa&iacute;s de economistas e contadores.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O ano do bicenten&aacute;rio da proclama&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia &eacute; uma boa ocasi&atilde;o para o Brasil retomar o caminho do crescimento restabelecendo como sua prioridade o desenvolvimento, com redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades e respeito ao meio ambiente. Entretanto, manter o c&acirc;mbio competitivo, um controle eficaz do endividamento p&uacute;blico e juros baixos, s&atilde;o itens que, por mais importantes que sejam, s&atilde;o apenas meios e n&atilde;o fins em si mesmos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um plano s&eacute;rio para controlar as contas p&uacute;blicas &eacute; essencial para o Estado recuperar, desde j&aacute;, sua capacidade de fazer pol&iacute;ticas antic&iacute;clicas e retomar os investimentos em infraestrutura, essenciais para gerar empregos, criar demanda para a ind&uacute;stria e melhorar a competitividade da economia brasileira. Isto permitir&aacute; reduzir os juros reais b&aacute;sicos, abaixo do crescimento do PIB, garantindo a redu&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o d&iacute;vida\/PIB e eliminando press&otilde;es sobre o c&acirc;mbio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ainda que estas condi&ccedil;&otilde;es sejam necess&aacute;rias para a retomada do crescimento, n&atilde;o ser&atilde;o suficientes sem a utiliza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de desenvolvimento, como mostram os exemplos j&aacute; citados. N&atilde;o se trata, simplesmente, de recuperar&nbsp; f&aacute;bricas fechadas e sim de construir uma nova ind&uacute;stria fortalecendo seus setores mais din&acirc;micos, aqueles mais intensivos em tecnologia e com mais capacidade para trazer ganhos de produtividade que se espalhem por toda a economia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Recuperar o desenvolvimento como prioridade da sociedade e da vontade pol&iacute;tica do Estado &eacute; fundamental para se alcan&ccedil;ar esses objetivos, como nossa pr&oacute;pria experiencia hist&oacute;rica j&aacute; demonstrou. Uma ind&uacute;stria competitiva, complexa e diversificada &eacute; o caminho mais eficiente para crescer de forma sustentada a taxas iguais ou superiores &agrave; media mundial. Para constru&iacute;-la, a m&atilde;o vis&iacute;vel do Estado ter&aacute; que ser usada com todos seus instrumentos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Jo&atilde;o Carlos Marchesan &eacute; administrador de empresas, empres&aacute;rio e presidente do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da ABIMAQ<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Jo&atilde;o Carlos Marchesan* &nbsp; Nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, diversos choques afetaram profundamente as cadeias globais&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":347079,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[3937],"class_list":["post-352149","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-economia","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352149\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}