{"id":352128,"date":"2022-06-15T13:01:54","date_gmt":"2022-06-15T13:01:54","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=352128"},"modified":"2022-06-15T17:36:51","modified_gmt":"2022-06-15T17:36:51","slug":"amor-de-dog","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/06\/amor-de-dog\/","title":{"rendered":"Amor de Dog"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Marco Antonio Spinelli *<\/i><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu nem sabia da exist&ecirc;ncia ou do canal do influencer digital Jesse Koz e seu cachorro, o Golden Retriever Shurastey (uma brincadeira com a m&uacute;sica do The Clash &ndash; Should I stay or Should I go? &ndash; Shurastey ou Shuragow?). O rapaz vendeu tudo o que tinha, comprou um Fusca 78 e saiu pelo mundo com a cara e a coragem, rodando quase vinte pa&iacute;ses com seu incans&aacute;vel companheiro, Shurastey.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na sua &uacute;ltima aventura, estava indo na dire&ccedil;&atilde;o do Alasca quando bateu seu carro de frente com uma SUV. Jesse e Shurastey morreram instantaneamente. As fotos dos dois em v&aacute;rios lugares do planeta encheram a internet nos dias seguintes. Foi a&iacute; que eu, como muita gente, tomei conhecimento da aventura dos caras. A imagem sorridente do Jesse do lado do infinitamente de boa Shurastey doeu no cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A dupla do balne&aacute;rio Cambori&uacute; vai ser homenageada com um Memorial em pista de passeio de c&atilde;es da cidade. Uma homenagem aos la&ccedil;os profundos e ancestrais entre o homem e seu fiel companheiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um cara falou, em um Congresso de Neuroci&ecirc;ncias, que os cachorros n&atilde;o amam os homens. Tem esquemas cognitivos de afilia&ccedil;&atilde;o e obedi&ecirc;ncia, mas n&atilde;o &eacute; amor. Quase perguntei se a m&atilde;e gostava dele ou tinha la&ccedil;os culturais de afilia&ccedil;&atilde;o e cuidados com a transmiss&atilde;o do genoma. Que vontade de pagar de bacana. Ou de n&atilde;o entender de amor, nem de dogs.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Cachorros tem uma prega na testa que os lobos n&atilde;o tem, por isso olham de um jeito quase humano. J&aacute; deve ter ficado claro aos leitores que eu sou super cachorreiro, e escrevo essas mal tecladas palavras com as duas beb&ecirc;s aqui perto. Jackie Tequila, a mais velha, me olha com olhar quase humano quando est&aacute; na hora da comida ou do rol&ecirc; na rua. Bella, a ca&ccedil;ula, foi adotada de um lar onde sofreu alguns abandonos de quintal e prov&aacute;veis descuidos. Ela &eacute; medrosa e comemora a nossa volta para casa como se estivesse vendo o Papai Noel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A psiquiatra Nise da Silveira, nos anos 40 do s&eacute;culo passado, introduziu nos cuidados com os pacientes psiqui&aacute;tricos a presen&ccedil;a fiel e serena dos cachorros de rua. Os pacientes melhoravam de maneira surpreendente, j&aacute; que eram entendidos como pacientes cr&ocirc;nicos e incur&aacute;veis. At&eacute; o final de sua vida, Nise sempre esteve cercada por seus cachorros. O que diriam os haters e os supremacistas de hoje dessa infinita delicadeza entre homem e animais?<\/p>\n<p>Os dogs tem um tipo de afetividade muito parecida com os beb&ecirc;s. J&aacute; vi muita gente com Depress&atilde;o, em quadros mais ou menos graves. Temos o instinto quase coletivo de afastamento de uma pessoa que est&aacute; deprimida. Nossos instintos entendem esse estado de baixa energia como uma infec&ccedil;&atilde;o ou algo perigoso. S&oacute; crian&ccedil;as e cachorros fazem o certo com quem est&aacute; deprimido, que &eacute; ficar perto e encontrar uma resson&acirc;ncia afetiva. A Neuroci&ecirc;ncia tem um nome para isso, que &eacute; a Resson&acirc;ncia L&iacute;mbica. &Eacute; a capacidade que os mam&iacute;feros tem de entrar em uma frequ&ecirc;ncia semelhante, do ponto de vista do afeto, com outro mam&iacute;fero. A capacidade de estar perto e tentar ajudar algu&eacute;m que est&aacute; em dificuldades. O amor do dog, como falou o Neurocientista, n&atilde;o &eacute; igual ao humano, n&atilde;o &eacute; processado cognitivamente. &Eacute; antes uma capacidade de entrar em resson&acirc;ncia com a emo&ccedil;&atilde;o e o estabelecimento de uma proximidade, de um Tamo Junto que os mam&iacute;feros acionam quando o grupo precisa de prote&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua ou cuidado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Bella me emociona particularmente, por ter visto nela a mesma cura amorosa que eu vejo com os pacientes. Bella tinha uma esp&eacute;cie de rea&ccedil;&atilde;o de P&acirc;nico com gritos, pessoas novas ou homens desconhecidos. Sua rea&ccedil;&atilde;o de medo sempre foi o de tremores e perda de controle da urina. Com o passar do tempo, foi mudando de um tipo de v&iacute;nculo Inseguro para Seguro, hoje tem mais confian&ccedil;a em seu ambiente e na vida. Na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, &eacute; tamb&eacute;m longo o caminho para cicatrizar feridas e refazer o v&iacute;nculo com a vida. Parar de se castigar pelo o que os outros fizeram. Parece estranho de se pensar, mas preste aten&ccedil;&atilde;o quanta gente se odeia pelos erros que outras pessoas cometeram, sobretudo nos anos iniciais de suas vidas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Olho para a foto de Jesse Koz e Shurastey e sinto uma pontada pela perda de caras que eu n&atilde;o conheci, mas tamb&eacute;m pelo mist&eacute;rio de terem vivido juntos os momentos mais incr&iacute;veis de suas vidas e terem morrido tamb&eacute;m juntos. Parecem quase a mesma pessoa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>(Termino o texto com uma l&aacute;grima de canto. Bella chega perto e me d&aacute; uma lambida).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Marco Antonio Spinelli &eacute; m&eacute;dico, com mestrado em psiquiatria pela Universidade <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, psicoterapeuta de orienta&ccedil;&atilde;o junguiano e autor do livro &ldquo;Stress o coelho de Alice tem sempre muita pressa&rdquo;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Marco Antonio Spinelli * &nbsp; &nbsp; Eu nem sabia da exist&ecirc;ncia ou do canal do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":349727,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[1731],"class_list":["post-352128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-saude","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}