{"id":351169,"date":"2022-05-27T18:48:40","date_gmt":"2022-05-27T18:48:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=351169"},"modified":"2022-05-28T14:30:43","modified_gmt":"2022-05-28T14:30:43","slug":"discursos-de-pre-candidatos-passam-longe-das-solucoes-para-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/05\/discursos-de-pre-candidatos-passam-longe-das-solucoes-para-o-pais\/","title":{"rendered":"Discursos de pr\u00e9-candidatos passam longe das solu\u00e7\u00f5es para o Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><i>Samuel Hanan*<\/i><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A apenas seis meses das elei&ccedil;&otilde;es, a popula&ccedil;&atilde;o brasileira ainda n&atilde;o ouviu dos pr&eacute;-candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e ao governo dos estados, alguns em busca da reelei&ccedil;&atilde;o, propostas claras sobre plano de governo ou plano de metas econ&ocirc;micas, sociais, infraestruturais e ambientais. &Eacute; preocupante, porque n&atilde;o se concebe a possibilidade de retomada do crescimento do Pa&iacute;s sem planejamento e os postulantes aos mais importantes cargos da na&ccedil;&atilde;o parecem n&atilde;o se importar com isso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As propostas at&eacute; agora levadas ao conhecimento do eleitor s&atilde;o todas gen&eacute;ricas, superficiais. Est&atilde;o muito longe de enfrentar os grandes desafios nacionais. Muito grave diante do cen&aacute;rio econ&ocirc;mico nada animador desenhado para 2023, j&aacute; prejudicado pela realidade atual. O crescimento econ&ocirc;mico em 2022 ser&aacute; inferior a 0,65%, menor tamb&eacute;m que a taxa de crescimento da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. A infla&ccedil;&atilde;o anual passa dos 10%, castigando o bolso dos cidad&atilde;os.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O d&eacute;ficit p&uacute;blico efetivo fechar&aacute; o ano em mais de R$ 700 bilh&otilde;es e a previs&atilde;o &eacute; de que os juros dos servi&ccedil;os das d&iacute;vidas ultrapassem R$ 850 bilh&otilde;es. A d&iacute;vida p&uacute;blica bruta chega a R$ 8 trilh&otilde;es, correspondendo a inacredit&aacute;veis 88 a 91% do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa de juros Selic, atualmente de 12,75%, deve subir para 13,5 ou 14% at&eacute; o fim de 2022.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&atilde;o bastasse tal quadro, o Pa&iacute;s ainda convive com corrup&ccedil;&atilde;o gigantesca, que corresponde anualmente de 1,35 a 2,35% do PIB (de R$ 130 a R$ 220 bilh&otilde;es\/ano). Al&eacute;m disso, paga um custo alt&iacute;ssimo com o funcionalismo p&uacute;blico: R$ 1,16 trilh&atilde;o\/ano, apesar de n&atilde;o haver excesso de servidores e de remunerar pessimamente os professores, os profissionais da sa&uacute;de e os policiais. Essa despesa corresponde a 13,4% do PIB, muito mais do que a m&eacute;dia dos 37 pa&iacute;ses membros da OCDE, de 9,8% do PIB com funcionalismo. A diferen&ccedil;a corresponde a 2,5 vezes o custo anual do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), comparativo suficiente dar a dimens&atilde;o do problema.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A decad&ecirc;ncia econ&ocirc;mica do Brasil &eacute; uma triste realidade e se agrava ao longo do tempo. A taxa m&eacute;dia anual de crescimento do PIB, que foi de 8,06% no final dos anos 1950, com Juscelino Kubitschek, caiu para 6,39% nas tr&ecirc;s d&eacute;cadas seguintes, e despencou para 2,05% no per&iacute;odo de 1989 a 2021, com o Pa&iacute;s j&aacute; sob nova Constitui&ccedil;&atilde;o. O crescimento teve pior desempenho ainda nos &uacute;ltimos 11 anos, com m&eacute;dia anual de 0,59%, sofrendo nova redu&ccedil;&atilde;o (0,57%) neste quadri&ecirc;nio (2019-2022).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Pa&iacute;s vive um decl&iacute;nio hist&oacute;rico, embora a carga tribut&aacute;ria tenha sido aumentada brutalmente: correspondia a 17,2% do PIB em 1961 e passou para 33,0% em 2021, crescendo 91% nesse per&iacute;odo. Se considerado isoladamente o per&iacute;odo iniciado a partir da promulga&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o, o aumento foi de 47%, passando de 22,4% do PIB em 1988 para 33,0% em 2021.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Agrava a situa&ccedil;&atilde;o o fato de a Uni&atilde;o conceder ren&uacute;ncia fiscal no total de R$ 380 a R$ 400 bilh&otilde;es\/ano, desprezando a Zona Franca de Manaus que participa com menos de 7% desse total (de R$ 26 a 28 bilh&otilde;es), a despeito de ser a &uacute;nica a gozar de previs&atilde;o constitucional.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nada disso &eacute; tratado com seriedade e transpar&ecirc;ncia pelos pr&eacute;-candidatos nas inser&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias de r&aacute;dio e televis&atilde;o, gratuita para os pol&iacute;ticos, mas pagas pela popula&ccedil;&atilde;o. As promessas s&atilde;o sempre as mesmas e todos apresentam solu&ccedil;&otilde;es milagrosas sem apontar a&ccedil;&otilde;es efetivas nas causas das mazelas nacionais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para mudar para melhor, o Pa&iacute;s precisa de compromissos verdadeiros, a come&ccedil;ar pelo combate eficaz contra a corrup&ccedil;&atilde;o por meio da elimina&ccedil;&atilde;o ou, ao menos, redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica de agentes p&uacute;blicos abrigados pelo foro privilegiado; do restabelecimento da pris&atilde;o ap&oacute;s condena&ccedil;&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia; de mudan&ccedil;as legislativas para tornar imprescrit&iacute;veis crimes contra a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (peculato, corrup&ccedil;&atilde;o, improbidade e forma&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o criminosa), para impedir que pol&iacute;ticos respondendo a processo criminal n&atilde;o possam se candidatar at&eacute; a senten&ccedil;a final, e para proibir que irm&atilde;os, esposas, maridos, filhos e pais possam figurar como vices ou suplentes nas chapas encabe&ccedil;adas por seus parentes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil tamb&eacute;m exige dos candidatos o compromisso de redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades regionais e sociais, o que passa pela revis&atilde;o total e imediata de todas as ren&uacute;ncias fiscais de tributos federais que n&atilde;o contribuam para esse fim. &Eacute; preciso estabelecer que novas ren&uacute;ncias fiscais somente ser&atilde;o concedidas em car&aacute;ter tempor&aacute;rio, de forma regressiva ao longo do per&iacute;odo de vig&ecirc;ncia, submetidas &agrave; auditoria peri&oacute;dica, e restritas aos tributos e contribui&ccedil;&otilde;es federais (Cofins, CSLL etc), de forma a n&atilde;o impactar as receitas de estados e munic&iacute;pios, que t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o nos impostos federais (IPI e IR). Da mesma forma, necess&aacute;rio tornar obrigat&oacute;ria a corre&ccedil;&atilde;o anual das tabelas do Imposto de Renda Pessoa F&iacute;sica pelo IPCA.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A na&ccedil;&atilde;o necessita de um l&iacute;der comprometido em fazer imediata e dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o nas ren&uacute;ncias fiscais, fixando-as no patamar m&aacute;ximo de 2% do PIB (cerca de 180 bilh&otilde;es\/ano) e enxugamento da m&aacute;quina p&uacute;blica porque a despesa com esse setor n&atilde;o cabe mais no PIB nacional. Tais despesas precisam reduzidas ao n&iacute;vel m&aacute;ximo de 10% do PIB, o que geraria economia de R$ 300 a R$ 330 bilh&otilde;es\/ano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Essa receita, somada aos R$ 80 a R$ 120 bilh&otilde;es poss&iacute;veis de serem economizados com o combate s&eacute;rio &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de mais R$ 190 a R$ 210 bilh&otilde;es obtidos com a redu&ccedil;&atilde;o da farra de privil&eacute;gios e ren&uacute;ncias fiscais, o Brasil refor&ccedil;aria seus cofres em R$ 570 a R$ 660 bilh&otilde;es anuais. Seriam recursos suficientes para duplicar o SUS (R$ 120 bilh&otilde;es\/ano); aumentar em 30% a remunera&ccedil;&atilde;o dos professores da rede p&uacute;blica de ensino fundamental (R$ 50 bilh&otilde;es\/ano), construir 500 mil unidades habitacionais por ano (R$ 80 bilh&otilde;es\/ano) para doa&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o mais carente; dobrar o contingente da Pol&iacute;cia Federal para aprimorar a atua&ccedil;&atilde;o nas fronteiras, portos e aeroportos (R$ 30 bilh&otilde;es\/ano); refor&ccedil;ar o contingente das For&ccedil;as Armadas para atua&ccedil;&atilde;o nas fronteiras secas, fluviais e mar&iacute;timas (R$ 30 bilh&otilde;es\/ano); financiar obras de infraestrutura nas regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as mais pobres do Pa&iacute;s (R$ 60 bilh&otilde;es\/ano); e aumentar o combate &ndash; f&iacute;sico e remoto &ndash; ao desmatamento e desflorestamento da Amaz&ocirc;nia (R$ 30 bilh&otilde;es\/ano). Seria poss&iacute;vel, portanto, mudar o Pa&iacute;s, gerando tamb&eacute;m milhares de empregos, e melhorando significativamente a qualidade de vida dos brasileiros sem aumentar impostos e sem remanejar recursos de outras &aacute;reas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Tudo depende, entretanto, de atacar as origens dos principais problemas que impedem o Brasil de retomar o rumo do desenvolvimento. E isso envolve, necessariamente, a elabora&ccedil;&atilde;o de um plano de metas para nortear as a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas ao longo dos pr&oacute;ximos anos. Com o desajuste da economia mundial, situa&ccedil;&atilde;o agravada pela guerra na Ucr&acirc;nia, essa &eacute; uma necessidade ainda mais premente. E isso vale tamb&eacute;m para os governos estaduais, muitas vezes acostumados a creditar a culpa das mazelas locais ao governo federal enquanto incham a m&aacute;quina p&uacute;blica, fazem vista grossa &agrave;s pr&aacute;ticas corruptas e concedem ren&uacute;ncias fiscais ileg&iacute;timas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Lamentavelmente, essa mudan&ccedil;a de comportamento para apresenta&ccedil;&atilde;o de propostas estruturais n&atilde;o est&aacute; na agenda dos pr&eacute;-candidatos, mais preocupados em conquistar os votos com promessas gen&eacute;ricas, recheio de um discurso f&aacute;cil, por&eacute;m pouco profundo. O Brasil n&atilde;o suporta mais improvisos e reclama solu&ccedil;&otilde;es definitivas. Sem isso, continuar&aacute; a perder o bonde da hist&oacute;ria, somando novas d&eacute;cadas desperdi&ccedil;adas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>**Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). &Eacute; autor do livro &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel Hanan* &nbsp; A apenas seis meses das elei&ccedil;&otilde;es, a popula&ccedil;&atilde;o brasileira ainda n&atilde;o ouviu dos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":349725,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[3937],"class_list":["post-351169","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-economia","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=351169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=351169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=351169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=351169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}