{"id":351167,"date":"2022-05-27T18:47:26","date_gmt":"2022-05-27T18:47:26","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=351167"},"modified":"2022-05-28T14:30:44","modified_gmt":"2022-05-28T14:30:44","slug":"de-susto-em-susto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/05\/de-susto-em-susto\/","title":{"rendered":"De susto em susto"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: center\"><i>&Eacute; preciso desenvolver pol&iacute;ticas que possibilitem novo ciclo de industrializa&ccedil;&atilde;o para pa&iacute;s retomar crescimento<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p>A s&uacute;bita escassez dos principais fertilizantes utilizados na agricultura, em consequ&ecirc;ncia da guerra na Ucr&acirc;nia, pegou o agroneg&oacute;cio brasileiro de surpresa, com estoques inferiores a 3 meses. Por isso, enfrenta enormes dificuldades para substituir, rapidamente, seus fornecedores tradicionais, ambos envolvidos no conflito.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A falta destes produtos se soma a uma longa hist&oacute;ria de desabastecimentos, dos quais a opini&atilde;o p&uacute;blica somente tomou conhecimento em 2020, durante a pandemia de covid-19. Naquele momento, o pa&iacute;s precisou correr atr&aacute;s de quem pudesse nos fornecer, no mercado mundial, desde m&aacute;scaras cir&uacute;rgicas at&eacute; respiradores, sem falar de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o pessoal e de medicamentos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estrago da pandemia nas cadeias produtivas globais e na log&iacute;stica mundial, entretanto, n&atilde;o se limitou a equipamentos m&eacute;dicos ou produtos farmac&ecirc;uticos. Tamb&eacute;m se espraiou para insumos b&aacute;sicos, produtos sider&uacute;rgicos e, principalmente, semicondutores, afetando a produ&ccedil;&atilde;o desde eletrodom&eacute;sticos at&eacute; autom&oacute;veis, cujos setores ainda sofrem certa escassez, 3 anos depois.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando parecia que as coisas estavam voltando ao normal, a invas&atilde;o russa &agrave; Ucr&acirc;nia e, especialmente, as san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas impostas &agrave; R&uacute;ssia pela maioria dos pa&iacute;ses ocidentais, interromperam o importante fluxo de materiais exportados pelos pa&iacute;ses da &aacute;rea em conflito. Esses fatores resultaram em novos gargalos de abastecimento abalando a oferta de combust&iacute;veis, fertilizantes, alimentos e alguns metais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil foi particularmente afetado em suas importa&ccedil;&otilde;es de trigo e fertilizantes, com riscos destes &uacute;ltimos afetarem a produtividade da pr&oacute;xima safra. A rea&ccedil;&atilde;o brasileira, tal como em 2020, foi improvisar. No in&iacute;cio da pandemia, por exemplo, o governo montou grupos de trabalho para aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de equipamentos m&eacute;dicos, at&eacute; com um certo sucesso, mas o esfor&ccedil;o n&atilde;o teve continuidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na realidade, desde a d&eacute;cada passada, falhas ocorridas nas cadeias globais de fornecimento, causadas por fen&ocirc;menos naturais, como terremotos e tsunamis, levaram a um certo questionamento da globaliza&ccedil;&atilde;o. O fato foi agravado com o nascimento de uma crescente animosidade entre os Estados Unidos e a China, no fim do governo Obama, e principalmente, no governo Trump.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, como ficou evidente na pandemia, os riscos decorrentes da excessiva depend&ecirc;ncia de produtos importados levaram a grande maioria dos pa&iacute;ses desenvolvidos a rever seus modelos econ&ocirc;micos. O objetivo era buscar, al&eacute;m das cl&aacute;ssicas autossufici&ecirc;ncias alimentar, energ&eacute;tica e militar, tamb&eacute;m uma autossufici&ecirc;ncia produtiva e tecnol&oacute;gica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maioria dos pa&iacute;ses desenvolvidos passou a implementar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de apoio e de fortalecimento de sua ind&uacute;stria, coordenando as iniciativas privadas, financiando e subsidiando fortemente P&amp;D e inova&ccedil;&atilde;o, protegendo suas empresas estrat&eacute;gicas e incentivando o retorno das empresas nacionais que moveram sua produ&ccedil;&atilde;o ao exterior.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil, na contram&atilde;o do que est&aacute; ocorrendo no mundo, nada fez, at&eacute; agora, para reduzir nossa depend&ecirc;ncia externa, nem para interromper o processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o. Processo que reduziu a participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o no PIB de 25%, na d&eacute;cada de 80 para 11%, em 2021, destruindo importantes elos de nossas cadeias produtivas, num processo que continua.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A despeito do que est&aacute; ocorrendo no mundo, por&eacute;m, nada se percebe no Brasil. Desde 2016, o pa&iacute;s insiste na redu&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es do Estado, deixando ao mercado a responsabilidade de resolver n&atilde;o somente nossos problemas econ&ocirc;micos, mas tamb&eacute;m os sociais, algo que n&atilde;o funcionou em nenhum pa&iacute;s, nas &uacute;ltimas 4 d&eacute;cadas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental, portanto, que a sociedade brasileira entenda que a retomada do crescimento, a cria&ccedil;&atilde;o de empregos, a redu&ccedil;&atilde;o de desigualdades e a melhoria da qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o s&oacute; poder&aacute; ocorrer com pol&iacute;ticas ativas de desenvolvimento que contemplem, simultaneamente, investimentos p&uacute;blicos e privados em infraestrutura e forte apoio a um novo ciclo de industrializa&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isto significa recuperar a capacidade de planejamento do Estado, perdida ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. O suporte p&uacute;blico &agrave; educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de qualidade e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos qualificados &eacute; essencial para o desenvolvimento do pa&iacute;s, tanto quanto o incentivo &agrave; ci&ecirc;ncia, &agrave; pesquisa, &agrave; tecnologia e &agrave; inova&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aprendendo com os erros passados, para n&atilde;o repeti-los, o novo ciclo de industrializa&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ter como objetivo a competitividade da produ&ccedil;&atilde;o brasileira de bens e servi&ccedil;os, com foco na economia verde e na digitaliza&ccedil;&atilde;o para termos uma ind&uacute;stria moderna, sofisticada e diversificada capaz de criar empregos de qualidade e de se inserir no com&eacute;rcio mundial de forma competitiva.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sucesso destas pol&iacute;ticas pressup&otilde;e, no m&iacute;nimo, 3 pontos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>a manuten&ccedil;&atilde;o de um quadro macroecon&ocirc;mico relativamente est&aacute;vel, favor&aacute;vel ao investimento produtivo;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>um ambiente de neg&oacute;cios que favore&ccedil;a a produ&ccedil;&atilde;o e que assegure a necess&aacute;ria seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, e;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>uma reforma que simplifique o sistema tribut&aacute;rio, baseada em impostos de valor agregado, no consumo com al&iacute;quotas uniformes, que desonere a folha, e que taxe a renda de forma progressiva.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Jo&atilde;o Carlos Marchesan &eacute; administrador de empresas, empres&aacute;rio e presidente do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da ABIMAQ<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; preciso desenvolver pol&iacute;ticas que possibilitem novo ciclo de industrializa&ccedil;&atilde;o para pa&iacute;s retomar crescimento &nbsp; A&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":351166,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[3937],"class_list":["post-351167","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-economia","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351167","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=351167"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351167\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=351167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=351167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=351167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}