{"id":349726,"date":"2022-05-12T18:21:49","date_gmt":"2022-05-12T18:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=349726"},"modified":"2022-05-12T23:27:35","modified_gmt":"2022-05-12T23:27:35","slug":"reducao-do-ipi-conta-a-ser-paga-pelos-estados-mais-carentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/05\/reducao-do-ipi-conta-a-ser-paga-pelos-estados-mais-carentes\/","title":{"rendered":"Redu\u00e7\u00e3o do IPI: conta a ser paga pelos estados mais carentes"},"content":{"rendered":"<p class=\"x_MsoNormal\">\n<\/p><p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">Ao assinar o Decreto n&ordm; 11.047, no &uacute;ltimo dia 14 de abril, reduzindo a tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o presidente Jair Bolsonaro fez o que havia prometido n&atilde;o fazer.&nbsp; A medida do presidente Bolsonaro provavelmente &eacute; um afago ao ministro da Economia Paulo Guedes, autor da ideia, e uma rasteira na receita dos 19 estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, do Distrito Federal e de 2.709 munic&iacute;pios dessas regi&otilde;es, cujas popula&ccedil;&otilde;es amargar&atilde;o por muito tempo os efeitos dessa decis&atilde;o.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">O governo vende a ideia de que o decreto tem o objetivo de &ldquo;reindustrializar&rdquo; o Brasil, propiciando que produtos industrializados cheguem mais baratos &agrave;s prateleiras do varejo, beneficiando os consumidores. &Eacute; preciso, por&eacute;m, dimensionar todos os efeitos da medida. E, ao se fazer isso, fica evidente que o quadro n&atilde;o &eacute; t&atilde;o bonito quanto parece. Pelo contr&aacute;rio.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">O decreto em quest&atilde;o implica em ren&uacute;ncia fiscal do IPI em estimados R$ 19 bilh&otilde;es por ano. Ocorre, entretanto, que o IPI &eacute; uma receita compartilhada. De tudo o que a Uni&atilde;o arrecada com esse imposto, 21,5% s&atilde;o destinados ao Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Estados (FPE), e 22,75%, ao Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios (FPM). Outros 3% s&atilde;o destinados a fundos constitucionais. A conta &eacute; simples: com o decreto, a Uni&atilde;o vai tirar R$ 3,47 bilh&otilde;es\/ano dos estados menos desenvolvidos. J&aacute; os munic&iacute;pios das regi&otilde;es citadas, ter&atilde;o R$ 2,08 bilh&otilde;es a menos de receita a cada ano.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">A perda abrupta de receita vai penalizar principalmente os estados e munic&iacute;pios das regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, fortemente dependentes das parcelas oriundas do rateio das parcelas do FPE e do FPM, formados por 44,25% do IPI e Imposto de Renda. As consequ&ecirc;ncias ser&atilde;o desastrosas, sobretudo j&aacute; neste ano porque a queda de receita se dar&aacute; no meio do exerc&iacute;cio, comprometendo o Or&ccedil;amento aprovado em 2021, quando foram estimadas a arrecada&ccedil;&atilde;o e delimitadas as despesas para 2022.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">O desequil&iacute;brio nas contas p&uacute;blicas ser&aacute; inevit&aacute;vel e ter&aacute; forte impacto nos investimentos em educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. Como se sabe, estados e munic&iacute;pios s&atilde;o obrigados a aplicar nessas duas &aacute;reas pelo menos 25% e 12% (estados) e 15% (munic&iacute;pios), respectivamente, de suas receitas advindas de impostos. Inevit&aacute;vel, portanto, que dois dos setores de maior demanda da popula&ccedil;&atilde;o ter&atilde;o menos recursos dispon&iacute;veis. Nos estados das regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as menos desenvolvidas do pa&iacute;s, a educa&ccedil;&atilde;o perder&aacute; R$ 868 milh&otilde;es\/ano e, na sa&uacute;de, ser&atilde;o R$ 417 milh&otilde;es a menos anualmente. Nos munic&iacute;pios dessas mesmas regi&otilde;es, a queda da receita para educa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; de R$ 522 milh&otilde;es\/ano e, na sa&uacute;de, de R$ 833 milh&otilde;es\/ano. Num pa&iacute;s em que as pessoas ainda morrem nas filas dos hospitais &agrave; espera de atendimento e onde faltam escolas e ensino de qualidade, essa op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o encontra justificativa.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">O decreto reduz o IPI e, paradoxalmente, contribui para aumentar as desigualdades regionais, grave problema nacional. Dos R$ 320 bilh&otilde;es\/ano que somam as ren&uacute;ncias fiscais da Uni&atilde;o, cerca de 65,5% s&atilde;o aplicados nas regi&otilde;es Sudeste e Sul. O desequil&iacute;brio &eacute; incontest&aacute;vel. O estado de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, que ocupa apenas 2,92% da &aacute;rea territorial do pa&iacute;s e onde vivem 21,2% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, produz 31,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado, 19 estados das regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mais o Distrito Federal, participam com apenas 19,77% do PIB, embora, somados, ocupem 82,4% do territ&oacute;rio nacional e concentrem 46% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">Os governos brasileiros h&aacute; muito tempo fecham os olhos para essa distor&ccedil;&atilde;o federativa, ignorando a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal que determina que as ren&uacute;ncias fiscais devem ser concedidas com o prop&oacute;sito de reduzir as desigualdades regionais. O mais sensato, portanto, seria o governo federal reduzir tributos n&atilde;o compartilhados, ou seja, exclusivos da Uni&atilde;o, de modo a n&atilde;o prejudicar a receita dos demais entes federativos. Uma boa alternativa seria o Cofins, contribui&ccedil;&atilde;o cuja arrecada&ccedil;&atilde;o, ali&aacute;s, &eacute; 5,5 vezes maior que a do IPI. Sendo contribui&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o incide sobre ela a obriga&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o investir pelo menos 18% desta receita em educa&ccedil;&atilde;o. Para fins de compara&ccedil;&atilde;o, com a redu&ccedil;&atilde;o do IPI esse valor chegar&aacute; a R$ 1,8 bilh&atilde;o\/ano.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">A op&ccedil;&atilde;o pela redu&ccedil;&atilde;o do IPI denota tamb&eacute;m a m&aacute; vontade do governo para com a Zona Franca de Manaus. A perda de competitividade das ind&uacute;strias instaladas naquele polo &eacute; inexor&aacute;vel, o que leva ao fundado temor de fechamento de f&aacute;bricas, com todos os seus efeitos econ&ocirc;micos e sociais, a come&ccedil;ar pelo desemprego. Nesse contexto, existe um indisfar&ccedil;&aacute;vel contrassenso do governo ao iniciar a &ldquo;reindustrializa&ccedil;&atilde;o&rdquo; a partir da desindustrializa&ccedil;&atilde;o do Polo Industrial Incentivado de Manaus, que concentra a segunda maior produ&ccedil;&atilde;o de eletroeletr&ocirc;nicos e j&aacute; se consolidou como a maior produtor de ve&iacute;culos de duas rodas do pa&iacute;s.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">O decreto traz inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e afasta investidores da Zona Franca, de import&acirc;ncia hist&oacute;rica para induzir o desenvolvimento na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica e para reduzir a depend&ecirc;ncia da importa&ccedil;&atilde;o de produtos estrangeiros, quest&atilde;o importante no equil&iacute;brio da balan&ccedil;a comercial do pa&iacute;s.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">O governo federal precisa urgente e definitivamente entender que a ZFM &eacute; a maior &acirc;ncora ambiental da regi&atilde;o Norte e, como tal, tem muito a contribuir para o elevado n&iacute;vel de preserva&ccedil;&atilde;o da floresta tropical que, por sua vez, garante o regime de chuvas no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul, fundamental para a agricultura e para a gera&ccedil;&atilde;o de energia h&iacute;drica.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">Os n&uacute;meros oficiais mostram que os contribuintes do Amazonas pagaram R$ 44,8 bilh&otilde;es em tributos em 2021, o correspondente a 1,56% do total da arrecada&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria no pa&iacute;s, embora a participa&ccedil;&atilde;o do estado no PIB situe-se entre 1,42% e 1,44% do PIB nacional. Isto &eacute;, a regi&atilde;o paga muitos tributos e o problema n&atilde;o est&aacute; na Zona Franca.<\/span><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<\/p><p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">O olhar m&iacute;ope do governo levou &agrave; edi&ccedil;&atilde;o do decreto de redu&ccedil;&atilde;o do IPI, gerando uma conta que n&atilde;o pode ser paga apenas por uma parte do pa&iacute;s, justamente a mais carente. A medida precisa ser revista com urg&ecirc;ncia para que n&atilde;o se aprofunde o desequil&iacute;brio de uma Federa&ccedil;&atilde;o &ndash; ainda distante de fazer jus ao nome -, condenando brasileiros &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os de segunda classe simplesmente pela regi&atilde;o em que nascem.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<div>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt\">**&nbsp;<strong><em>Samuel Hanan<\/em><\/strong><em>&nbsp;&eacute;<\/em><em>&nbsp;engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as<\/em>,<em>&nbsp;empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor do livro &ldquo;Brasil: um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao assinar o Decreto n&ordm; 11.047, no &uacute;ltimo dia 14 de abril, reduzindo a tabela do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":349725,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[3937],"class_list":["post-349726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-economia","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=349726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=349726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=349726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=349726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}