{"id":349462,"date":"2022-05-06T12:42:21","date_gmt":"2022-05-06T12:42:21","guid":{"rendered":"https:\/\/brechazero.com.br\/?p=3594"},"modified":"2024-01-11T19:14:52","modified_gmt":"2024-01-11T19:14:52","slug":"o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"O espectro radioel\u00e9trico \u00e9 uma forma de garantir acesso aos direitos humanos"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista com Adriana Labardini Inzunza. Advogada de interesse p&uacute;blico, especialista em regula&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e concorr&ecirc;ncia econ&ocirc;mica em TIC. Parte I<\/em><\/p>\n<p>A busca por eliminar o <em>gap <\/em>de acesso &eacute; uma constante na Am&eacute;rica Latina, os pa&iacute;ses trabalham para entregar &agrave; popula&ccedil;&atilde;o servi&ccedil;os de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o que lhes permite entrar no mundo digital. No entanto, existem comunidades que, por estarem distantes ou terem padr&otilde;es culturais diferentes, ficam de fora desses esfor&ccedil;os, nesses locais as redes comunit&aacute;rias ganham mais for&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<figure id=\"attachment_3595\" aria-describedby=\"caption-attachment-3595\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/ywAAAAAAQABAAACAUwAOw==\" fifu-lazy=\"1\" fifu-data-sizes=\"auto\" fifu-data-srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=75&amp;resize=75&amp;ssl=1 75w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=100&amp;resize=100&amp;ssl=1 100w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=150&amp;resize=150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=240&amp;resize=240&amp;ssl=1 240w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=320&amp;resize=320&amp;ssl=1 320w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=500&amp;resize=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=640&amp;resize=640&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=800&amp;resize=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=1024&amp;resize=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=1280&amp;resize=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1&amp;w=1600&amp;resize=1600&amp;ssl=1 1600w\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3595 size-thumbnail\" fifu-data-src=\"https:\/\/i0.wp.com\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp?ssl=1\" alt width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos.webp 150w, https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos-1.jpg 300w, https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos-2.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-3595\" class=\"wp-caption-text\">Adriana Labardini Inzunza, advogada especializada em regulamenta&ccedil;&atilde;o TIC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sobre essas quest&otilde;es, o Brecha Zero conversou com Adriana Labardini Inzunza, que &eacute; advogada independente de interesse p&uacute;blico especializada em regulamenta&ccedil;&atilde;o de tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TIC), pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e concorr&ecirc;ncia. Entre outras tarefas, colabora com a <em>Rhizomatica<\/em> na promo&ccedil;&atilde;o e defesa de redes comunit&aacute;rias sustent&aacute;veis &#8203;&#8203;e autogeridas para diminuir o <em>gap<\/em> digital e promover a conectividade em ambientes rurais e ind&iacute;genas. Ela tamb&eacute;m &eacute; fundadora da Conectadas, uma rede de mulheres nas ind&uacute;strias de TIC que trabalham pela igualdade de g&ecirc;nero no M&eacute;xico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Lambardini obteve seu diploma em direito pela <em>Escuela Libre de Derecho<\/em> na Cidade do M&eacute;xico em 1987 e seu mestrado (LLM) pela Columbia University em Nova York como bolsista <em>Fulbright <\/em>em 1991. Por quatro anos e meio, ela atuou como comiss&aacute;ria no Instituto de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (IFT) do M&eacute;xico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Brecha Zero<\/strong>: Qual a import&acirc;ncia das redes comunit&aacute;rias na redu&ccedil;&atilde;o da exclus&atilde;o digital na Am&eacute;rica Latina?<\/p>\n<p><strong>Adriana Labardini Inzunza<\/strong>: A import&acirc;ncia das redes comunit&aacute;rias se baseia em tr&ecirc;s eixos: infraestrutura pr&oacute;pria, servi&ccedil;os pr&oacute;prios, conhecimento pr&oacute;prio. Estes permitem o acesso a servi&ccedil;os, conte&uacute;dos, infraestruturas, em determinados lugares ou determinadas popula&ccedil;&otilde;es em que o Estado ou o mercado n&atilde;o conseguiu fornecer acesso h&aacute; quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas, pelo alto custo da infraestrutura, porque s&atilde;o &aacute;reas muito remotas, distantes, de baixa densidade populacional e de baixa renda, porque n&atilde;o h&aacute; <em>case<\/em> de sucesso, porque os subs&iacute;dios nem sempre s&atilde;o sustent&aacute;veis, porque o governo n&atilde;o poderia mais continuar financiando esses servi&ccedil;os finais, seja para os provedores ou para outros atores que fornecem conectividade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; preciso que as comunidades estejam organizadas, capitalizadas, capacitadas para instalar suas pr&oacute;prias infraestruturas e gerenciar seus pr&oacute;prios servi&ccedil;os, o que permite que tenham possibilidade de conectividade, r&aacute;dios, televis&atilde;o, r&aacute;dio de ondas curtas, banda larga, etc; de acordo com o que necessitam, a custos acess&iacute;veis e de forma sustent&aacute;vel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><!-- H&#225; banners, eles s&#227;o deficientes ou nenhum qualificado para este local! --><\/p>\n<p>As comunidades adquirem sua pr&oacute;pria infraestrutura e servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, mas para ter acesso a essas vantagens precisam ser treinadas. Este treinamento t&eacute;cnico e de desenvolvimento de conte&uacute;do em alguns casos capacita membros dessas comunidades, que s&atilde;o em sua maioria da zona rural. Quando aprendem a ser auto suficientes em energia el&eacute;trica, telecomunica&ccedil;&otilde;es, a criar conte&uacute;do e solu&ccedil;&otilde;es, enfim, eles se empoderam. Porque eles ganham independ&ecirc;ncia, autonomia, o que n&atilde;o significa que estejam em uma bolha e n&atilde;o precisem de alian&ccedil;a e apoio, mas pelo menos podem tomar conta de seu destino como comunidade. Dessa forma, eles podem gerar informa&ccedil;&otilde;es em sua pr&oacute;pria l&iacute;ngua e nas plataformas culturais, sociais e economicamente apropriadas para essa comunidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A outra grande vantagem que queremos destacar &eacute; a gera&ccedil;&atilde;o de um c&iacute;rculo virtuoso na economia local. Porque essa infraestrutura e servi&ccedil;os t&ecirc;m custos, os custos s&atilde;o recuperados, os excedentes s&atilde;o reinvestidos na melhoria da infraestrutura, do atendimento, no aprendizado, no desenvolvimento de software e hardware. Est&atilde;o come&ccedil;ando a desenvolver softwares de c&oacute;digo aberto pr&oacute;prios, gerando assim uma economia circular, os recursos pr&oacute;prios s&atilde;o usados, ficam na comunidade, s&atilde;o reutilizados, e isso promove o desenvolvimento das economias locais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Brecha Zero:<\/strong> Todo esse desenvolvimento &eacute; apoiado por financiamento p&uacute;blico e privado, como &eacute; esse financiamento?<\/p>\n<p><strong>Adriana Labardini Inzunza<\/strong>: N&atilde;o existe um modelo &uacute;nico, s&atilde;o muitos casos e uma variedade de modelos. A grande maioria dos custos de capital (CAPEX) veio tanto de contribui&ccedil;&otilde;es de membros da pr&oacute;pria comunidade, combinado com alguns casos de fundos de funda&ccedil;&otilde;es internacionais como a APC, como a <em>Internet Society<\/em> e de fundos complementares. H&aacute; cada vez mais interesse de bancos de desenvolvimento e pequenos investidores preocupados com investimentos de impacto positivo e com a sustentabilidade do desenvolvimento tecnol&oacute;gico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mas o Estado pode desempenhar aqui um papel importante, fornecendo acesso ao espectro radioel&eacute;trico onde n&atilde;o &eacute; escasso, onde n&atilde;o h&aacute; risco de interfer&ecirc;ncia e ningu&eacute;m o utiliza. &Eacute; uma perda de bem estar social ter um espectro licenciado sem que ningu&eacute;m o utilize. Existem v&aacute;rias resolu&ccedil;&otilde;es tanto em Tribunais Nacionais, como no caso do M&eacute;xico, quanto da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que recentemente, no caso dos povos Maias contra a Guatemala, estabeleceu que os povos ind&iacute;genas t&ecirc;m o direito ao acesso de seus pr&oacute;prios meios de comunica&ccedil;&atilde;o, ao espectro e &agrave;s licen&ccedil;as. O espectro &eacute; uma forma de acesso &agrave; liberdade de express&atilde;o e muitos outros direitos, inclusive humanos. Os povos ind&iacute;genas t&ecirc;m o direito de us&aacute;-lo sem causar interfer&ecirc;ncia nos servi&ccedil;os comerciais, urbanos ou p&uacute;blicos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os estados precisam facilitar e reconhecer que, assim como as operadoras globais e comerciais que atendem a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o urbana, que hoje &eacute; 80% da Am&eacute;rica Latina, s&atilde;o extremamente importantes, tamb&eacute;m s&atilde;o importantes as operadoras m&eacute;dias e locais sem fins lucrativos que t&ecirc;m esse papel na elimina&ccedil;&atilde;o da exclus&atilde;o digital e, portanto, devem ter acesso a recursos p&uacute;blicos, como espectro e backbones de fibra disponibilizados pelo estado. Se o acesso &agrave;s redes comunit&aacute;rias tamb&eacute;m for fornecido aos backbones de fibra, isso aumentar&aacute; seu tr&aacute;fego, que em alguns pa&iacute;ses est&aacute; abaixo do ideal. Ent&atilde;o, o que mais precisamos &eacute; de um ecossistema plural, diverso, com muitos atores, muitas operadoras, rurais, urbanas, pequenas, m&eacute;dias e grandes, ind&iacute;genas, n&atilde;o ind&iacute;genas, onde todos participem e contribuam para o desenvolvimento sustent&aacute;vel hoje. Isso n&atilde;o pode ser adiado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Brecha Zero:<\/strong> Qual &eacute; o p&uacute;blico-alvo dessas redes comunit&aacute;rias?<\/p>\n<p><strong>Adriana Labardini Inzunza:<\/strong> S&atilde;o os membros da pr&oacute;pria comunidade, meninas, meninos, adultos, estudantes, idosos, inclusive os servi&ccedil;os p&uacute;blicos da pr&oacute;pria comunidade. Os governos locais ou municipais que t&ecirc;m grandes problemas de conectividade tamb&eacute;m podem usar os servi&ccedil;os dessas redes comunit&aacute;rias.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>De fato, sua antecessora, que &eacute; a r&aacute;dio comunit&aacute;ria, r&aacute;dio FM e r&aacute;dio AM, tem feito um trabalho incr&iacute;vel na obriga&ccedil;&atilde;o do Estado de informar. Essas r&aacute;dios comunit&aacute;rias possibilitaram o que nem r&aacute;dios, nem TV comercial ou p&uacute;blica poderiam fazer em lugares muito remotos: levar informa&ccedil;&otilde;es sobre desastres naturais, sobre a Covid-19 e seus m&eacute;todos de mitiga&ccedil;&atilde;o, sobre programas educacionais e de sa&uacute;de. Essas redes, que s&atilde;o propriedade dos mesmos membros da comunidade, destinam-se a satisfazer as necessidades dessa mesma comunidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>E nesse sentido, em alguns lugares elas s&atilde;o ministradas em sua pr&oacute;pria l&iacute;ngua nativa e em espanhol. Algumas est&atilde;o interessadas &#8203;&#8203;em desenvolver intranet, com bancos de dados, educacionais e outros, culturalmente apropriados para a comunidade de usu&aacute;rios, que &eacute; a mesma comunidade que possui e administra a infraestrutura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p> <a href=\"https:\/\/brechazero.com.br\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos\/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia mais: https:\/\/brechazero.com.br\/o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos\/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=o-espectro-radioeletrico-e-uma-forma-de-garantir-acesso-aos-direitos-humanos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Adriana Labardini Inzunza. 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