{"id":347061,"date":"2022-04-12T18:25:49","date_gmt":"2022-04-12T18:25:49","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=347061"},"modified":"2022-04-12T22:09:45","modified_gmt":"2022-04-12T22:09:45","slug":"demonizacao-da-lava-jato-endosso-a-corrupcao-e-a-impunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/04\/demonizacao-da-lava-jato-endosso-a-corrupcao-e-a-impunidade\/","title":{"rendered":"Demoniza\u00e7\u00e3o da Lava Jato, endosso \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 impunidade"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">At&eacute; 2018, a sociedade brasileira aplaudia a Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato, a maior investiga&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do pa&iacute;s contra a corrup&ccedil;&atilde;o. Os resultados da opera&ccedil;&atilde;o que desvendou um bilion&aacute;rio esquema de desvio de recursos na Petrobras, na Eletrobr&aacute;s e outras estatais e levou &agrave; cadeia alguns dos maiores empres&aacute;rios brasileiros, ex-ministros, publicit&aacute;rios e at&eacute; um ex-presidente da Rep&uacute;blica eram aplaudidos por cidad&atilde;os de todas as camadas sociais e por grande parte da m&iacute;dia nacional. Havia a sensa&ccedil;&atilde;o generalizada de que o pa&iacute;s finalmente dava um passo gigantesco em dire&ccedil;&atilde;o da retomada da moralidade p&uacute;blica, com repercuss&atilde;o internacional.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Em pouqu&iacute;ssimo tempo, entretanto, a antes endeusada opera&ccedil;&atilde;o foi sendo demonizada. Defensores e partid&aacute;rios dos r&eacute;us buscaram argumentos nas decis&otilde;es do Supremo Tribunal Federal, a mesma corte que havia homologado as dezenas de dela&ccedil;&otilde;es premiadas nas quais foram apresentadas provas do gigantesco esquema de corrup&ccedil;&atilde;o, reconhecendo &ndash; depois de mais de cinco anos &ndash; que a Vara Federal de Curitiba n&atilde;o tinha compet&ecirc;ncia para atuar em grande parte dos casos, al&eacute;m de mudar o entendimento sobre a possibilidade de pris&atilde;o ap&oacute;s senten&ccedil;a condenat&oacute;ria em segunda inst&acirc;ncia. Decis&otilde;es colegiadas que n&atilde;o podem mais ser questionadas e precisam ser respeitadas.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Com isso, muitas senten&ccedil;as foram anuladas e os processos voltaram &agrave; fase inicial. R&eacute;us foram soltos e desde ent&atilde;o vigora a falsa narrativa de que todos acabaram inocentados quando, na verdade, permanecem denunciados e ainda respondem aos mesmos processos, podendo ou n&atilde;o sofrer nova condena&ccedil;&atilde;o mais adiante.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Quest&otilde;es processuais &agrave; parte, a prova de que o esquema corrupto existiu est&aacute; nos R$ 4,3 bilh&otilde;es j&aacute; devolvidos aos cofres p&uacute;blicos, nos R$ 2,1 bilh&otilde;es arrecadados em multas aplicadas nos acordos de dela&ccedil;&atilde;o premiada e nos R$ 12,57 bilh&otilde;es (cerca de R$ 15 bilh&otilde;es hoje, em valores corrigidos) de multas aplicadas nos acordos de leni&ecirc;ncia firmados com as empresas que admitiram participa&ccedil;&atilde;o na engrenagem criminosa na Petrobras, onde&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 12pt\">o rombo foi de R$ 6,2 bilh&otilde;es, segundo relat&oacute;rio financeiro de abril de 2015. Tamb&eacute;m foram firmados acordos de leni&ecirc;ncia no valor total de R$ 262 milh&otilde;es com empresas envolvidas em corrup&ccedil;&atilde;o na Eletrobras. Exemplos n&atilde;o faltam.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Como se fosse poss&iacute;vel o desvio de um volume de dinheiro desta magnitude sem que houvessem agentes p&uacute;blicos corruptos, criou-se uma vers&atilde;o que criminaliza quem, no exerc&iacute;cio de suas fun&ccedil;&otilde;es, investigou e puniu os respons&aacute;veis. Condenou-se toda a Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato e as provas da corrup&ccedil;&atilde;o foram jogadas na vala do esquecimento, tal qual a falha de mem&oacute;ria diagnosticada como sequela da Covid 19 em boa parte dos que se contaminaram. Nunca foi t&atilde;o oportuna a frase do humorista Mill&ocirc;r Fernandes (1923-2012), segundo a qual &ldquo;o Brasil &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo&rdquo;.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">&Eacute; um exagero absurdo creditar as condena&ccedil;&otilde;es da Lava Jata a interesses de um magistrado, ainda que posteriormente o algoz processual de muitos agentes p&uacute;blicos, o ent&atilde;o juiz S&eacute;rgio Moro, tenha optado por deixar a toga para ingressar na pol&iacute;tica.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Eventuais excessos devem e foram corrigidos. Entretanto, a invers&atilde;o de pap&eacute;is entre quem investigou ou sentenciou e aqueles que foram acusados interessa somente a quem deseja confundir a opini&atilde;o p&uacute;blica para desmerecer uma opera&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel por desnudar como a corrup&ccedil;&atilde;o sugava os cofres da maior estatal brasileira e enriquecia agentes p&uacute;blicos. Uma situa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o esdr&uacute;xula que permitiu a um r&eacute;u da Lava Jato, um ex-presidente da Rep&uacute;blica, ap&oacute;s ter cumprido dois anos de pris&atilde;o, candidatar-se novamente ao principal cargo da Rep&uacute;blica, apesar de ainda responder a processos envolvendo casos de corrup&ccedil;&atilde;o. Ou seja, se vencer as elei&ccedil;&otilde;es, ele retornar&aacute; justamente ao cargo que ocupou em parte do per&iacute;odo em que se materializou o esc&acirc;ndalo. Ou, se n&atilde;o for beneficiado pela prescri&ccedil;&atilde;o, ser julgado, condenado e novamente preso durante o novo mandato, em p&eacute;ssimo exemplo para as novas gera&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Situa&ccedil;&otilde;es como essa trazem descr&eacute;dito ao Judici&aacute;rio e alimentam a sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade que permeia a sociedade brasileira, cada vez mais descrente nas institui&ccedil;&otilde;es. Por isso o pa&iacute;s clama por medidas imediatas e definitivas, capazes de mudar o rumo da na&ccedil;&atilde;o. Dentre elas: a dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o do foro privilegiado, a possibilidade de pris&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia, o fim da prescri&ccedil;&atilde;o em crimes contra a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e,&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 12pt\">ainda, o fim da gratuidade do Hor&aacute;rio Eleitoral, diante da gigantesca generosidade dos recursos destinados aos Fundos Eleitoral e Partid&aacute;rio.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">S&atilde;o medidas necess&aacute;rias e urgentes para o efetivo enfrentamento do mal da corrup&ccedil;&atilde;o que j&aacute; custa ao Brasil mais de R$ 200 bilh&otilde;es por ano, segundo reconhece a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Uma realidade que freia nosso desenvolvimento e cresce como erva daninha regada pela imoralidade. N&atilde;o &agrave; toa, pesquisa Datafolha divulgada no final de mar&ccedil;o releva que 53% dos entrevistados acreditam que a corrup&ccedil;&atilde;o vai aumentar no pa&iacute;s. Portanto, o combate a essa pr&aacute;tica exige avan&ccedil;os, nunca retrocessos.<\/span><\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">**Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). &Eacute; autor do livro &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; At&eacute; 2018, a sociedade brasileira aplaudia a Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato, a maior investiga&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[3937],"class_list":["post-347061","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","tag-economia","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/347061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=347061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/347061\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=347061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=347061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=347061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}