{"id":339989,"date":"2022-03-28T14:51:25","date_gmt":"2022-03-28T14:51:25","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=339989"},"modified":"2022-03-28T18:51:54","modified_gmt":"2022-03-28T18:51:54","slug":"guerra-na-ucrania-traz-licao-economica-para-o-brasil-e-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/03\/guerra-na-ucrania-traz-licao-economica-para-o-brasil-e-o-mundo\/","title":{"rendered":"Guerra na Ucr\u00e2nia traz li\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para o Brasil e o mundo"},"content":{"rendered":"<p>A guerra na Ucr&acirc;nia, al&eacute;m das quest&otilde;es humanit&aacute;rias e pol&iacute;ticas, traz uma consequ&ecirc;ncia econ&ocirc;mica que deve servir de reflex&atilde;o para o mundo todo, em especial para o Brasil. A decis&atilde;o da R&uacute;ssia de invadir o pa&iacute;s vizinho e a retalia&ccedil;&atilde;o mundial &agrave; decis&atilde;o de Vladimir Putin, na forma de san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas aplicadas ao Kremlin, jogaram luz sobre um ponto que pode mudar a globaliza&ccedil;&atilde;o: o grau de depend&ecirc;ncia de insumos e produtos de uma na&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; outra, especialmente no setor de energia, independentemente do seu grau de desenvolvimento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A Alemanha e a Europa dependem em grande escala da importa&ccedil;&atilde;o de energia da R&uacute;ssia, envolvendo petr&oacute;leo, g&aacute;s e carv&atilde;o mineral. Metade do g&aacute;s consumido pelos alem&atilde;es era importado da R&uacute;ssia at&eacute; o ex&eacute;rcito de Putin ultrapassar as fronteiras ucranianas. Tamb&eacute;m v&ecirc;m da R&uacute;ssia 23% dos fertilizantes utilizados na agricultura do Brasil, que tem nas commodities do campo parcela importante do agroneg&oacute;cio, setor que responde por quase um quarto do nosso Produto Interno Bruto (PIB) e &eacute; respons&aacute;vel pelo super&aacute;vit cambial brasileiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Enquanto pressionam a R&uacute;ssia para acabar com a guerra, os l&iacute;deres mundiais devem come&ccedil;ar a buscar a autossufici&ecirc;ncia em setores estrat&eacute;gicos para reduzir a depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a outros pa&iacute;ses, em especial aqueles que, escudados pelo desenvolvimento de armas nucleares, configuram potencial propens&atilde;o ao uso da for&ccedil;a militar antes do esgotamento das vias diplom&aacute;ticas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; bastante prov&aacute;vel que o conflito no Leste Europeu provoque uma revis&atilde;o global das cadeias produtivas. Tal medida seria importante tamb&eacute;m no Brasil, ainda extremamente dependente da importa&ccedil;&atilde;o de insumos para garantir sua produtividade no setor agr&iacute;cola.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Atualmente, 86% dos fertilizantes utilizados nas planta&ccedil;&otilde;es brasileiras s&atilde;o produzidos no exterior. O pa&iacute;s importa adubos e fertilizantes qu&iacute;micos de mais de 50 pa&iacute;ses, mas sua depend&ecirc;ncia maior &eacute; justamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; R&uacute;ssia, fornecedora de 23% do que &eacute; consumido aqui nesse segmento. Em seguida v&ecirc;m China (14%), Marrocos (11%), Canad&aacute; (9,8%) e Estados Unidos (5,6%). Segundo dados do Minist&eacute;rio da Economia, em 2021, o pa&iacute;s importou 41,6 milh&otilde;es de toneladas de fertilizantes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; fato que o Brasil n&atilde;o possui mat&eacute;ria-prima suficiente para atender o mercado interno e tamb&eacute;m se ressente da falta de infraestrutura para a produ&ccedil;&atilde;o de fertilizantes em larga escala e a pre&ccedil;os competitivos com o mercado externo. Entretanto, tamb&eacute;m &eacute; verdade que falta ao pa&iacute;s uma diretriz condizente com sua condi&ccedil;&atilde;o de um dos maiores fornecedores de gr&atilde;os para o mundo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A ideia de um Plano Nacional de Fertilizantes, nascida em 2021, acaba de ter sua conclus&atilde;o anunciada pelo governo federal. A solu&ccedil;&atilde;o apresentada em busca de autossufici&ecirc;ncia de fertilizantes ou, pelo menos, da redu&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia externa para 30%, no prazo de 28 anos, &eacute; uma tentativa de dar uma resposta r&aacute;pida &agrave; situa&ccedil;&atilde;o escancarada pela guerra na Ucr&acirc;nia, devendo ser analisada com cuidado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A pressa em anunciar sua conclus&atilde;o logo ap&oacute;s o in&iacute;cio do conflito europeu gera a desconfian&ccedil;a de que foi feita uma atualiza&ccedil;&atilde;o a toque de caixa. Um processo nada transparente, sem que tenham sido apresentados os estudos, discutido com os especialistas, e ouvidos os v&aacute;rios atores da ind&uacute;stria e do agroneg&oacute;cio. Trata-se, afinal, de uma quest&atilde;o complexa que o mapeamento e dimensionamento das reservas nacionais, a log&iacute;stica de armazenamento e transporte, e investimentos e suas fontes de recursos, dentre tantos outros detalhes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Temos, mais uma vez, uma solu&ccedil;&atilde;o espasm&oacute;dica, longe do ideal que seria o agroneg&oacute;cio integrar um Plano Nacional de Desenvolvimento inspirado naquele que o presidente Juscelino Kubitschek elaborou e implantou na d&eacute;cada de 60, elevando o Brasil a outro patamar em quest&atilde;o de desenvolvimento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sem um plano com vis&atilde;o de futuro, baseado em pol&iacute;ticas de Estado e n&atilde;o de governos, o Brasil jamais conseguir&aacute; se inserir na nova ordem mundial com papel relevante. E isso inclui um novo olhar sobre a Amaz&ocirc;nia, reconhecendo a necessidade da preserva&ccedil;&atilde;o da floresta e o desenvolvimento sustent&aacute;vel daquela regi&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para a agricultura, a &aacute;gua &eacute; t&atilde;o ou mais importante que os fertilizantes cujo fornecimento se busca assegurar agora. E a floresta em p&eacute; &eacute; uma garantia de equil&iacute;brio no regime de chuvas, essencial para a produ&ccedil;&atilde;o do Centro-Oeste, Sul e Sudeste e ainda para a produ&ccedil;&atilde;o de energia h&iacute;drica, fundamental para a ind&uacute;stria, o com&eacute;rcio e a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; fundamental, portanto, que o pa&iacute;s tenha claro e definido qual o papel reservado &agrave; Amaz&ocirc;nia e quais diretrizes adotar&aacute; para manter a floresta em p&eacute;, dando tamb&eacute;m seguran&ccedil;a jur&iacute;dica contra medidas ileg&iacute;timas e\/ou que afrontem a Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A guerra no Leste Europeu certamente ir&aacute; promover mudan&ccedil;as no mundo inteiro, a um custo alt&iacute;ssimo. O conflito j&aacute; deixou evidente que tratados internacionais foram desrespeitados e que o planeta vive uma nova fase da corrida armamentista. O dom&iacute;nio da tecnologia das armas nucleares e o esfor&ccedil;o para a produ&ccedil;&atilde;o das maiores e mais letais ogivas &eacute; uma realidade indisfar&ccedil;&aacute;vel no Ocidente e no Oriente, o que eleva a tens&atilde;o mundial a n&iacute;vel s&oacute; comparado ao da Guerra Fria.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil precisa entender a dimens&atilde;o dos reflexos do conflito e refletir sobre seu futuro. Se cada candidato a presidente nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es apresentasse &agrave; na&ccedil;&atilde;o o seu plano nacional de desenvolvimento, j&aacute; dar&iacute;amos um passo fundamental rumo a uma nova realidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><em>**Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). &Eacute; autor do livro &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;.<\/em><\/p>\n<div class=\"pp-multiple-authors-wrapper multiple-authors-target-the-content pp-multiple-authors-layout-boxed\">\n<h2 class=\"widget-title\"><\/h2>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra na Ucr&acirc;nia, al&eacute;m das quest&otilde;es humanit&aacute;rias e pol&iacute;ticas, traz uma consequ&ecirc;ncia econ&ocirc;mica que deve&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[3937],"class_list":["post-339989","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-economia","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=339989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339989\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=339989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=339989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=339989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}