{"id":339983,"date":"2022-03-28T14:07:02","date_gmt":"2022-03-28T14:07:02","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=339983"},"modified":"2022-03-28T18:51:54","modified_gmt":"2022-03-28T18:51:54","slug":"brasil-vitoria-contra-a-covid-derrota-contra-a-corrupcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/03\/brasil-vitoria-contra-a-covid-derrota-contra-a-corrupcao\/","title":{"rendered":"Brasil: vit\u00f3ria contra a Covid, derrota contra a corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Imagine a hip&oacute;tese de um governador de estado, detentor de foro privilegiado, investigado pela Pol&iacute;cia Federal por suspeita de uso indevido de recursos federais, ser indiciado, denunciado pela Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica, e, ter a den&uacute;ncia recebida por decis&atilde;o de mais de oito ministros do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, tornando-se r&eacute;u por crimes como fraude em licita&ccedil;&atilde;o, peculato, dispensa irregular de licita&ccedil;&atilde;o e embara&ccedil;o &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Imagine, agora, uma situa&ccedil;&atilde;o na qual, mesmo j&aacute; sendo r&eacute;u em processo-crime, esse governador n&atilde;o &eacute; afastado do cargo. Ele, ent&atilde;o, decide se filiar a um novo partido e se apresentar como pr&eacute;-candidato &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o. Admitindo-se que seu nome seja aprovado pela conven&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, esse governador ter&aacute; sua campanha eleitoral financiada em parte pelo Fundo Eleitoral, aprovado no Or&ccedil;amento da Uni&atilde;o e originado de recursos do contribuinte. E, em tese, ter&aacute; garantida certa vantagem no pleito, n&atilde;o apenas porque seu partido &ndash; por crit&eacute;rio de tamanho da bancada no Congresso Nacional &ndash; ter&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o uma fatia desse fundo, mas tamb&eacute;m porque ele, na condi&ccedil;&atilde;o de candidato, ir&aacute; dispor de generoso tempo no Hor&aacute;rio Eleitoral Gratuito de r&aacute;dio e televis&atilde;o, igualmente custeado pelo contribuinte, e poder&aacute; fazer sua campanha sem a necessidade de se afastar do cargo para concorrer a um novo mandato.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Por mais incoerente que possa parecer, esse governante, respondendo a processo-crime por desvio de recursos p&uacute;blicos, ir&aacute; receber novos recursos p&uacute;blicos para gastar em sua campanha destinada &agrave; conquista de mais um mandato. Tudo dentro da lei.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nessa hip&oacute;tese, faltando no m&aacute;ximo oito meses para as elei&ccedil;&otilde;es, dificilmente seu processo ser&aacute; julgado at&eacute; essa data. Se vencer a elei&ccedil;&atilde;o e vier a ser condenado e posteriormente afastado do cargo &ndash; improv&aacute;vel em raz&atilde;o do grande n&uacute;mero de recursos previstos na legisla&ccedil;&atilde;o processual e diante da proibi&ccedil;&atilde;o da pris&atilde;o mesmo ap&oacute;s condena&ccedil;&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia, j&aacute; definida pelo STF -, assumir&aacute; o vice-governador. E &eacute; sabida a pouca import&acirc;ncia que o eleitor brasileiro dispensa &agrave; figura do vice na hora do voto, sequer se lembrando do seu nome passados poucos meses da elei&ccedil;&atilde;o. Cultura que, em nome da boa democracia, precisa ser mudada em um pa&iacute;s no qual tr&ecirc;s vices assumiram em definitivo a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica ap&oacute;s a redemocratiza&ccedil;&atilde;o: Jos&eacute; Sarney, com a morte de Tancredo Neves, e Itamar Franco e Michel Temer, com os impedimentos de Fernando Collor e Dilma Rousseff, respectivamente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse quadro se desenha dentro da legalidade, por&eacute;m contraria a &eacute;tica, a moralidade e o bom senso. &Eacute; imposs&iacute;vel ao cidad&atilde;o comum aceitar que um acusado por desvio de recursos p&uacute;blicos &ndash; ap&oacute;s investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico que viram ind&iacute;cios suficientes para instaura&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;rito e oferecimento da den&uacute;ncia &ndash; tenha &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o ainda mais recursos do er&aacute;rio, ou seja, dinheiro do contribuinte, para gastar com livre discricionariedade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Eis um dos males que afetam o Brasil: a falta de legisla&ccedil;&atilde;o mais r&iacute;gida e mais c&eacute;lere para o julgamento de agentes p&uacute;blicos, necess&aacute;ria porque eles foram investidos da confian&ccedil;a do cidad&atilde;o para ocupar seus cargos eletivos. Lamentavelmente, o arcabou&ccedil;o jur&iacute;dico atual permite situa&ccedil;&otilde;es como aquela tratada aqui hipoteticamente. Admite tamb&eacute;m que um governador, h&aacute; anos condenado pelo STJ, permane&ccedil;a no cargo enquanto seus recursos dormitam &agrave; espera de julgamento no STF. Essa disputa jur&iacute;dica nas inst&acirc;ncias superiores, apoia-se muitas vezes em chicanas processuais para retardar o processo e levar o caso &agrave; prescri&ccedil;&atilde;o, tornando in&uacute;til todo o trabalho dos investigadores e as provas colhidas, e, por fim, garantindo a impunidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Se o sistema judici&aacute;rio disp&otilde;e de leg&iacute;timos mecanismos de garantia do contradit&oacute;rio e da ampla defesa, a fim de se evitar a condena&ccedil;&atilde;o injusta de inocentes, por outro lado &eacute; preciso que o Brasil crie instrumentos legais de resposta mais &aacute;gil e efetiva para a prote&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o e do er&aacute;rio contra gestores p&uacute;blicos envolvidos com atos de imoralidade administrativa, sem que isso represente qualquer amea&ccedil;a ao princ&iacute;pio constitucional de presun&ccedil;&atilde;o da inoc&ecirc;ncia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Essa leni&ecirc;ncia com que o Brasil trata os atos de corrup&ccedil;&atilde;o corr&oacute;i a democracia, desacredita as institui&ccedil;&otilde;es, alimenta a sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade e drena os cofres p&uacute;blicos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nosso pa&iacute;s est&aacute; conseguindo vencer a pandemia da Covid-19, por&eacute;m segue despreparado para vencer a corrup&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m mata, em propor&ccedil;&atilde;o gigantesca e muito maior que a pandemia, ao provocar a falta de atendimento m&eacute;dico, de comida na mesa, de merenda escolar, de saneamento b&aacute;sico, de muito mais. A vacina mostrou-se eficaz para salvar vidas na pandemia. Falta ao Brasil criar uma vacina capaz de produzir anticorpos contra o mal da corrup&ccedil;&atilde;o, para salvar a democracia e os ideais republicanos. E ela pode ser tr&iacute;plice, com cepas da dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o do foro privilegiado, da possibilidade de pris&atilde;o ap&oacute;s condena&ccedil;&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia, e da imprescritibilidade dos crimes de corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil, num grande pacto envolvendo Executivo, Legislativo, Judici&aacute;rio e a sociedade civil, precisa, urgentemente, trabalhar por reformas que moralizem a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e deem uma resposta firme e efetiva para quem pensa que pode administrar uma cidade, um estado ou o pa&iacute;s como um balc&atilde;o de neg&oacute;cios. Em uma na&ccedil;&atilde;o de tamanhas car&ecirc;ncias, n&atilde;o h&aacute; mais espa&ccedil;o para a imoralidade. O eleitor mais incauto pode se deixar enganar, iludido por falsas promessas e campanhas milion&aacute;rias, mas o voto n&atilde;o legitima a improbidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><a>&nbsp;<\/a><em>**Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). &Eacute; autor do livro &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine a hip&oacute;tese de um governador de estado, detentor de foro privilegiado, investigado pela Pol&iacute;cia Federal&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[3937],"class_list":["post-339983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-economia","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=339983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339983\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=339983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=339983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=339983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}