{"id":333296,"date":"2022-02-18T16:57:28","date_gmt":"2022-02-18T16:57:28","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=333296"},"modified":"2022-02-22T20:41:33","modified_gmt":"2022-02-22T20:41:33","slug":"eleicao-de-2022-cristaliza-obstaculos-a-oxigenacao-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/02\/eleicao-de-2022-cristaliza-obstaculos-a-oxigenacao-politica\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00e3o de 2022 cristaliza obst\u00e1culos \u00e0 oxigena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>O per&iacute;odo eleitoral que se avizinha traz novamente &agrave; tona uma quest&atilde;o fundamental para o pa&iacute;s: se o Brasil deseja ser uma na&ccedil;&atilde;o com democracia verdadeiramente representativa, precisa rever algumas quest&otilde;es do sistema eleitoral atual que mascaram o desequil&iacute;brio da disputa e dificultam a oxigena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Vamos aos fatos. O Fundo Partid&aacute;rio destina, este ano, R$ 1,06 bilh&atilde;o a ser dividido entre as 33 legendas. Al&eacute;m disso, teremos em 2022 mais R$ 4,9 bilh&otilde;es de Fundo Eleitoral. Ocorre que do Fundo Partid&aacute;rio apenas 1% &eacute; dividido igualmente entre as legendas que recebem, individualmente, R$ 10,6 milh&otilde;es. Os outros 99% s&atilde;o distribu&iacute;dos proporcionalmente &agrave; bancada parlamentar de cada partido. No Fundo Eleitoral, essa propor&ccedil;&atilde;o &eacute; de 20% para 80%, ou seja, R$ 980 milh&otilde;es rateados igualmente entre os partidos e R$ 3,29 bilh&otilde;es divididos proporcionalmente &agrave;s legendas de acordo com o n&uacute;mero de parlamentares eleitos para o Congresso Nacional. O mesmo crit&eacute;rio &ndash; tamanho da bancada &ndash; &eacute; utilizado para a distribui&ccedil;&atilde;o do tempo no r&aacute;dio e na televis&atilde;o no hor&aacute;rio eleitoral.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sem entrar no m&eacute;rito das raz&otilde;es que originaram tais crit&eacute;rios, &eacute; n&iacute;tido que tal f&oacute;rmula criou distor&ccedil;&otilde;es prejudiciais &agrave; democracia. Primeiramente porque confere e delega um enorme poder aos presidentes e dirigentes dos partidos, em cujas m&atilde;os ficam or&ccedil;amentos generosos para distribui&ccedil;&atilde;o discricion&aacute;ria. Ademais, porque d&aacute; a alguns candidatos mais facilidade de acesso aos recursos financeiros e ao tempo de r&aacute;dio e tev&ecirc;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Por outro lado, acaba tamb&eacute;m facilitando a reelei&ccedil;&atilde;o porque confere aos detentores de cargos poderes que a legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral n&atilde;o &eacute; capaz de frear apesar das limita&ccedil;&otilde;es temporais que imp&otilde;e, proibindo determinados atos no per&iacute;odo eleitoral. N&atilde;o impede, por exemplo, a concess&atilde;o de reajustes salariais para determinadas categorias mais numerosas, nem farras fiscais para o favorecimento dirigido, seja por meio da redu&ccedil;&atilde;o de tributos, incentivos e ren&uacute;ncias fiscais, seja por subs&iacute;dios e financiamentos via bancos oficiais, em datas bem pr&oacute;ximas dos limites legais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O voto no Brasil ganhou sentido monet&aacute;rio. N&atilde;o por acaso os partidos investem mais nos chamados puxadores de votos: seus parlamentares que j&aacute; possuem mandatos ou artistas de forte apelo popular. Esses s&atilde;o pe&ccedil;as fundamentais para a conquista de mais cadeiras legislativas e, com isso, maior participa&ccedil;&atilde;o nos fundos partid&aacute;rio e eleitoral, retroalimentando um sistema nefasto &agrave; representatividade verdadeira porque representa um grande obst&aacute;culo para estreantes na pol&iacute;tica partid&aacute;ria e eleitoral, dificultando a renova&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Tudo favorece os mandat&aacute;rios da hora, cria obst&aacute;culos para o ingresso de novos candidatos e ainda fomenta a concentra&ccedil;&atilde;o de poder nas m&atilde;os dos dirigentes partid&aacute;rios. Nesse cen&aacute;rio, ningu&eacute;m consegue viabilizar uma candidatura aos governos estaduais ou &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica sem garantir excepcional rela&ccedil;&atilde;o com os presidentes dos partidos ou das federa&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias, novidade rec&eacute;m-criada e que nasce incapaz de impedir alian&ccedil;as costuradas, na maior parte das vezes, sem um &uacute;nico fio de compromisso program&aacute;tico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os recursos bilion&aacute;rios dos fundos partid&aacute;rios e eleitoral, contrastando com a falta de recursos para investimentos em &aacute;reas priorit&aacute;rias &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o outra anomalia. Justificam, em boa medida, o absurdo n&uacute;mero de partidos pol&iacute;ticos no Brasil &ndash; mais de tr&ecirc;s dezenas -, alguns dos quais dominados desde sempre por velhos caciques. Outro exemplo de privil&eacute;gios, financeiros e de poder, que s&atilde;o mantidos no pa&iacute;s, acentuando as desigualdades e sugando os cofres p&uacute;blicos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sem mudan&ccedil;as profundas no sistema, o eleitor brasileiro continuar&aacute; assistindo &agrave; jun&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria de legendas e de candidatos que at&eacute; pouco tempo se atacavam violentamente em discursos inflamados, perguntando-se se tais pol&iacute;ticos lan&ccedil;aram falsas acusa&ccedil;&otilde;es antes ou se tornaram mentirosos agora.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil n&atilde;o pode ser conduzido por corruptos, por desonestos, por quem promete e n&atilde;o cumpre, por quem torna el&aacute;sticos os valores &eacute;ticos e morais por conveni&ecirc;ncia eleitoral, por quem n&atilde;o tem qualquer compromisso com a verdade, com o zelo pelo dinheiro p&uacute;blico e com o atendimento das necessidades de sua popula&ccedil;&atilde;o. Esse risco existe e permanecer&aacute; se o sistema n&atilde;o for aperfei&ccedil;oado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>** <strong><em>Samuel Hanan<\/em><\/strong><em> &eacute;<\/em><em> engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as<\/em>,<em> empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per&iacute;odo eleitoral que se avizinha traz novamente &agrave; tona uma quest&atilde;o fundamental para o pa&iacute;s:&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[3937],"class_list":["post-333296","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","tag-economia","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333296\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}