{"id":331923,"date":"2022-02-10T17:00:47","date_gmt":"2022-02-10T17:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=331923"},"modified":"2022-02-22T20:48:13","modified_gmt":"2022-02-22T20:48:13","slug":"interrupcoes-de-suprimentos-causas-consequencias-e-como-evita-las","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/02\/interrupcoes-de-suprimentos-causas-consequencias-e-como-evita-las\/","title":{"rendered":"Interrup\u00e7\u00f5es de suprimentos: causas, consequ\u00eancias e como evit\u00e1-las"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos meses acompanhamos o aumento da infla&ccedil;&atilde;o de custos, causado pela escassez de mat&eacute;rias primas e componentes, consequ&ecirc;ncia da paralisa&ccedil;&atilde;o de linhas de produ&ccedil;&atilde;o durante o per&iacute;odo do coronav&iacute;rus, aliada &agrave; retomada do consumo. Apesar desse pico atual, acredito que a infla&ccedil;&atilde;o ser&aacute; contida em alguns meses, mas saliento a import&acirc;ncia do entendimento profundo da interdepend&ecirc;ncia de cadeias de produ&ccedil;&atilde;o integradas, tema importante, que deve ser compreendido por gestores empresariais, para mitigar riscos em suas opera&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Qual custo para uma montadora parar a linha de produ&ccedil;&atilde;o de um ve&iacute;culo, devido &agrave; falta de colunas de dire&ccedil;&atilde;o n&atilde;o entregues por um fornecedor? Quantos barris por dia uma empresa de petr&oacute;leo upstream perderia se um petroleiro terceirizado n&atilde;o descarregasse o FPSO no prazo? Quantos whoppers o Burger King vende em um dia, e o que aconteceria se o fornecedor de cebola, devido a condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, deixasse de entregar em determinada regi&atilde;o?<\/p>\n<p>De acordo a Harvard Business Review, o custo di&aacute;rio de interrup&ccedil;&atilde;o de uma cadeia de abastecimento varia de USD 310 mil a USD 1,2 milh&atilde;o para empresas com receitas de USD 7,7 milh&otilde;es a USD 50 bilh&otilde;es por ano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para otimizar o capital de giro e melhorar o balan&ccedil;o, as empresas mant&ecirc;m menos estoques e adotam estrat&eacute;gias just-in-time. Isso aumenta a press&atilde;o sobre os ciclos de produ&ccedil;&atilde;o e, portanto, aumenta a depend&ecirc;ncia de fornecedores terceirizados e o impacto associado a interrup&ccedil;&otilde;es no fornecimento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Assessorei, durante 24 meses, uma montadora que possu&iacute;a um &uacute;nico fornecedor para cada componente dos carros que fabricava, de modo que sua vulnerabilidade com rela&ccedil;&atilde;o a tais fornecedores era tanta, que os mesmos frequentemente solicitavam recursos para tal montadora, amea&ccedil;ando interromper a produ&ccedil;&atilde;o, afinal, um carro pode ter todos os componentes, mas n&atilde;o sai da f&aacute;brica se um, apenas um deles, faltar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Compartilho aqui um pouco do que vivi e aprendi, mantendo durante esse per&iacute;odo as f&aacute;bricas desta montadora sem nenhuma interrup&ccedil;&atilde;o. Ressalto que os conceitos desse texto podem ser aplicados a empresas de todos os tamanhos e em todos os segmentos, com menor ou maior profundidade. Seja o Burger King ou o dono da padaria do bairro, ambos est&atilde;o expostos &agrave; ruptura de suas opera&ccedil;&otilde;es por falhas de fornecedores, e precisam estar atentos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Segundo o fil&oacute;sofo americano William James, &ldquo;uma corrente &eacute; t&atilde;o forte quanto seu elo mais fraco&rdquo;. Recess&otilde;es econ&ocirc;micas combinadas com preocupa&ccedil;&otilde;es geopol&iacute;ticas resultam no aumento da instabilidade, especialmente nas cadeias de abastecimento globais, e o monitoramento da sa&uacute;de dos fornecedores &eacute; imperativo. Empresas precisam ser capazes de proteger suas vulnerabilidades.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Durante o s&eacute;culo 20, a verticaliza&ccedil;&atilde;o foi o modelo operacional de muitas ind&uacute;strias. Montadoras, por exemplo, produziam de tudo, desde a fundi&ccedil;&atilde;o, cultivo da borracha, fabrica&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as, montagem e transporte dos autom&oacute;veis prontos. Este modelo foi vantajoso devido &agrave;s economias de escala na produ&ccedil;&atilde;o em massa e custos mais baratos para comprar maiores quantidades e variedades de materiais. Fornecedores confi&aacute;veis eram essenciais para a produ&ccedil;&atilde;o em massa, j&aacute; que grandes investimentos em f&aacute;bricas, equipamentos e estoques podiam ficar ociosos por falta de componentes, que poderiam estar indispon&iacute;veis. Portanto, ter a propriedade de toda a opera&ccedil;&atilde;o (integra&ccedil;&atilde;o vertical) tornou-se fundamental.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No entanto, uma mudan&ccedil;a em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; desverticaliza&ccedil;&atilde;o ocorreu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, como resultado de fatores, como: (i) diminui&ccedil;&atilde;o dos custos de comunica&ccedil;&atilde;o, (ii) aumento dos sistemas de controle, (iii) padroniza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, (iv) implementa&ccedil;&atilde;o de programas de controle de qualidade, (v) redu&ccedil;&atilde;o de barreiras comerciais e tributa&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses, (vi) pa&iacute;ses com m&atilde;o de obra qualificada e de baixo custo, (vii) necessidade de otimiza&ccedil;&atilde;o do capital de giro e foco no core business.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Isso permitiu que grandes players passassem a comprar produtos e servi&ccedil;os terceirizados, criando economias de escala de ind&uacute;strias inteiras, ao inv&eacute;s de economias de escala baseadas apenas em uma determinada empresa. O novo padr&atilde;o passou a ser empresas horizontais, colaborando estreitamente com fornecedores (contando com parceiros para executar fun&ccedil;&otilde;es em vez de manter o controle). De acordo com a Bain Consulting, mais de 80% de todas as grandes empresas do mundo usam parceiros externos, muitos desempenhando fun&ccedil;&otilde;es antes vistas como core businesses.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse novo modelo traz vulnerabilidades. As empresas devem determinar a viabilidade e os riscos envolvidos na terceiriza&ccedil;&atilde;o. O panorama e as op&ccedil;&otilde;es da cadeia de suprimentos (n&uacute;mero de fornecedores, qualidade, tecnologia, log&iacute;stica, entre outros), devem ser analisados em detalhes antes da decis&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um aspecto fundamental &eacute; o poder de barganha dos fornecedores. Se houver poucos fornecedores, e tais fornecedores tiverem vantagens competitivas e conhecimentos &uacute;nicos, eles podem exercer um poder significativo sobre o setor. Se as pe&ccedil;as fornecidas forem gen&eacute;ricas e tiverem alternativas facilmente dispon&iacute;veis (recursos), o fornecedor ter&aacute; menor poder de barganha. Quando os fornecedores t&ecirc;m poder de barganha, podem pressionar a empresa cliente, cobrando pre&ccedil;os mais altos, ajustando a qualidade ou controlando a disponibilidade e os prazos de entrega, podendo afetar o ambiente competitivo e influenciar diretamente a lucratividade da empresa cliente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Fatores que aumentam o poder de barganha de um fornecedor: (i) poucas op&ccedil;&otilde;es de outros fornecedores, (ii) altos custos para mudar para outro fornecedor, (iii) facilidade do fornecedor se tornar um concorrente, (iv) conhecimento ou tecnologia espec&iacute;ficos, (v) produto altamente diferenciado, (vi) v&aacute;rios clientes &ndash; baixa depend&ecirc;ncia da empresa cliente, (vii) nenhum substituto dispon&iacute;vel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Dada a import&acirc;ncia dos fornecedores para a cadeia de valor, &eacute; do interesse da empresa-cliente criar e manter boas rela&ccedil;&otilde;es. Informa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas sobre o processo precisam ser compartilhadas com o fornecedor para garantir que n&atilde;o haja atrasos ou custos desnecess&aacute;rios incorridos. Canais de comunica&ccedil;&atilde;o abertos com a seguran&ccedil;a e confidencialidade exigidas ajudar&atilde;o a fortalecer o relacionamento com os fornecedores. Comunica&ccedil;&atilde;o clara tamb&eacute;m permitir&aacute; que o estabelecimento de planos de conting&ecirc;ncia para circunst&acirc;ncias excepcionais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Processos detalhados (com as informa&ccedil;&otilde;es corretas) podem minimizar o risco associado aos fornecedores. Planos de emerg&ecirc;ncia devem ser elaborados para evitar interrup&ccedil;&otilde;es na cadeia de valor. Se todas as partes conhecerem o plano, elas poder&atilde;o administrar desastres naturais e outros eventos ca&oacute;ticos sem maiores problemas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis &eacute; uma das cadeias mais complexas, requer milhares de pe&ccedil;as e componentes de um grande n&uacute;mero de fornecedores. Tradicionalmente, o poder de barganha dos fornecedores neste setor tem sido muito baixo, mas o cen&aacute;rio mudou ao longo dos anos. Para otimizar a estrutura de capital, as montadoras venderam seus ativos n&atilde;o essenciais, seguindo a tend&ecirc;ncia de desverticaliza&ccedil;&atilde;o. De acordo com MarketRealist, a contribui&ccedil;&atilde;o dos fornecedores terceirizados para a cadeia de valor de autom&oacute;veis passou de 56% em 1985 para de 82% em 2015.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas as montadoras expandiram nos pa&iacute;ses emergentes e, para terem uma base de fornecedores confi&aacute;vel, incentivaram os fornecedores tradicionais europeus e americanos a instalarem suas pr&oacute;prias f&aacute;bricas nesses pa&iacute;ses. Quando e onde n&atilde;o foi poss&iacute;vel, as montadoras desenvolveram sua pr&oacute;pria base de fornecedores locais, com empresas locais (a maioria de propriedade familiar).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As empresas familiares s&atilde;o as que mais sofrem em per&iacute;odos de recess&atilde;o, como o que passamos recentemente, pois carecem de solidez financeira e experi&ecirc;ncia para lidar com crises, gest&atilde;o pouco profissional e depend&ecirc;ncia de poucos clientes e produtos. Assim, possuir alertas preditivos e monitoramento &eacute; fundamental para prevenir os riscos de rupturas desses fornecedores. Interrup&ccedil;&otilde;es no fornecimento afetam as opera&ccedil;&otilde;es, especialmente para multinacionais que contam com amplas redes de fornecedores, e est&atilde;o constantemente expostas a m&uacute;ltiplos riscos relacionados &agrave; cadeia de suprimentos, que podem prejudicar suas receitas, marcas e reputa&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os riscos podem ser macroecon&ocirc;micos, pol&iacute;ticos, ambientais, crises econ&ocirc;micas, instabilidades pol&iacute;ticas, guerras, mudan&ccedil;as na tributa&ccedil;&atilde;o, medidas protecionistas e desastres naturais. Tamb&eacute;m podem estar relacionados aos fornecedores: (i) situa&ccedil;&atilde;o financeira deteriorada &ndash; redu&ccedil;&atilde;o nas vendas, fluxo de caixa ruim (atual e falta de perspectiva), custos insustent&aacute;veis, (ii) endividamento &ndash; aus&ecirc;ncia de linhas de cr&eacute;dito, riscos de recupera&ccedil;&atilde;o judicial ou fal&ecirc;ncia, (iii) pouca governan&ccedil;a e falta de expertise em gest&atilde;o, principalmente em crises, (iv) informa&ccedil;&otilde;es &ndash; muitos fornecedores carecem de ERP sofisticado sistemas e ferramentas de intelig&ecirc;ncia de neg&oacute;cios, com dados n&atilde;o confi&aacute;veis e, resultados imprecisos, (v) tecnologia e base de ativos &ndash; equipamentos antigos e falta de recursos para investir em P&amp;D.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; comum vermos fornecedores destas cadeias confiarem aos clientes a fun&ccedil;&atilde;o de financiar suas necessidades de fluxo de caixa, uma vez ao se encontrem em situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas. Quanto mais dependente do fornecedor, mais caro ser&aacute; ajud&aacute;-lo a sair de uma situa&ccedil;&atilde;o de crise. Portanto, as empresas principais das suas cadeias de valor devem conhecer a condi&ccedil;&atilde;o e o status de seus fornecedores para evitar ficarem em posi&ccedil;&otilde;es fr&aacute;geis. Os gestores de tais empresas precisam desenvolver um relacionamento pr&oacute;ximo com os fornecedores e compreender profundamente todas as op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis, caso seus fornecedores tenham problemas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A quest&atilde;o &eacute; se h&aacute; uma maneira de aumentar o n&iacute;vel de an&aacute;lise preditiva, para evitar interrup&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e acomoda&ccedil;&otilde;es financeiras onerosas. Examinar puramente os KPIs financeiros, de qualidade e de entrega &eacute; superficial e n&atilde;o permite antecipa&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o de riscos. Um mergulho em outros aspectos-chave do fornecedor s&oacute; pode ser alcan&ccedil;ado com gest&atilde;o ativa de risco do fornecedor (o que chamamos em ingl&ecirc;s de Supplier Risk Management).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>De acordo com o MIT Sloan Management Review, a maioria dos gestores sabe que deve proteger suas cadeias de suprimentos, mas poucos agem para mitigar os riscos fazendo pouco para evitar incidentes ou mitigar impactos. Alguns desastres naturais\/ biol&oacute;gicos nos &uacute;ltimos anos causaram interrup&ccedil;&otilde;es em cadeias de suprimentos e destacaram vulnerabilidades dessas redes integradas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os gestores deveriam saber proteger suas cadeias de abastecimento de interrup&ccedil;&otilde;es, mas as solu&ccedil;&otilde;es mais &oacute;bvias, como aumentar os estoques, adicionar capacidade produtiva em locais diferentes e ter v&aacute;rios fornecedores, podem n&atilde;o ser as mais eficazes. Apesar das organiza&ccedil;&otilde;es reconhecem que seus fornecedores s&atilde;o vulner&aacute;veis, carecem de know-how para agir e normalmente implantam processos reativos e n&atilde;o preditivos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Apesar de 66% das organiza&ccedil;&otilde;es estarem preocupadas com os riscos da sua cadeia, apenas 40% realizam avalia&ccedil;&otilde;es de risco (ainda assim esporadicamente ou ap&oacute;s um evento cr&iacute;tico). Al&eacute;m disso, 65% das organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m baixa visibilidade dos fatores de risco nos fornecedores Tier2 e Tier &ldquo;n&rdquo; (ou seja, fornecedores indiretos que causam tanto risco quanto os diretos).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Consequentemente, 77% das organiza&ccedil;&otilde;es entrevistadas pelo MIT tiveram interrup&ccedil;&otilde;es significativas em sua cadeia de suprimentos nos 2 anos anteriores &agrave; pesquisa. De acordo com a Anual Supply Chain Today de 2014, 24% das empresas relataram que sua marca e reputa&ccedil;&atilde;o foram prejudicadas ap&oacute;s uma interrup&ccedil;&atilde;o na cadeia de suprimentos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Embora a interrup&ccedil;&atilde;o seja um problema comum, v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o conseguem determinar com anteced&ecirc;ncia as repercuss&otilde;es de uma interrup&ccedil;&atilde;o e os gestores s&oacute; come&ccedil;am a fazer perguntas depois de enfrentar o problema, e a&iacute;, j&aacute; pode ser tarde demais. O que fazer pra evitar esse tipo de situa&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Definir o n&iacute;vel de risco e prote&ccedil;&atilde;o desejados, mapeando poss&iacute;veis problemas relacionados aos fornecedores e a probabilidade de causar interrup&ccedil;&otilde;es futuras. Ap&oacute;s a identifica&ccedil;&atilde;o, definir um plano de a&ccedil;&atilde;o para resolv&ecirc;-los antes que se tornem problemas reais, priorizando pela urg&ecirc;ncia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Abordar antecipadamente permite projetar o risco, estando em uma posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel no caso de ruptura. A principal vantagem da predi&ccedil;&atilde;o &eacute; o tempo de resposta. O curto tempo ameniza os danos. A prepara&ccedil;&atilde;o para um evento de interrup&ccedil;&atilde;o, por exemplo, 90 dias antes, &eacute; mais favor&aacute;vel do que a prepara&ccedil;&atilde;o para a interrup&ccedil;&atilde;o na v&eacute;spera da mesma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m de examinar resultados financeiros hist&oacute;ricos, ratings de cr&eacute;dito, tend&ecirc;ncias de qualidade, tempo de entrega, de giro de estoque, contas a pagar e a receber, &eacute; importante reconhecer os sinais de desempenho financeiro futuro. Da mesma forma, &eacute; importante conhecer a gest&atilde;o de caixa e a cultura de caixa do fornecedor, pois indicam a capacidade em enfrentar desacelera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e eventos de crise. &Eacute; importante desenvolver um processo de monitoramento para coletar dados do fornecedor e avaliar a sa&uacute;de financeira continuamente, compreendendo os gatilhos para interrup&ccedil;&otilde;es, antes que as mesmas ocorram.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Tamb&eacute;m ajuda aprender com eventos passados (o que aprendemos com a crise atual?), criando conting&ecirc;ncias (plano t&aacute;tico para cen&aacute;rios de maior probabilidade), ter um &ldquo;Plano B&rdquo; e pensar holisticamente (compreender os elementos macro afetando os neg&oacute;cios).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Voc&ecirc; deve monitorar seus fornecedores: (i) avaliar o desempenho financeiro (ii) analisar os KPIs, como qualidade e tend&ecirc;ncias de pre&ccedil;os, (iii) identificar novos fornecedores, (iv) solicitar que os fornecedores compartilhem informa&ccedil;&otilde;es (pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o contratual) e (v) desenvolver perfil de risco de cada fornecedor. Identifique os problem&aacute;ticos: entenda os problemas e as principais causas e use as informa&ccedil;&otilde;es de monitoramento para determinar as &aacute;reas mais prov&aacute;veis de perigo. Voc&ecirc; pode categorizar seus fornecedores de acordo com alguns graus de stress percebido.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Baixa performance: (i) redu&ccedil;&atilde;o nas receitas, (ii) perda de participa&ccedil;&atilde;o de mercado, (iii) crescimento lento, (iv) margens deterioradas, (v) demiss&otilde;es de pessoal, (vi) quest&otilde;es de qualidade e tempo, (vii) receitas concentradas em poucos clientes. Problem&aacute;tico: (i) restri&ccedil;&otilde;es de capital de giro, (ii) redu&ccedil;&atilde;o do capex e opex de manuten&ccedil;&atilde;o, (iii) inadimpl&ecirc;ncia em covenants de d&iacute;vida e &ldquo;paredes de d&iacute;vida&rdquo;, (iv) perdas operacionais, (v) fluxo de caixa negativo. Em crise: (i) acesso limitado a dinheiro novo, (ii) pedidos de antecipa&ccedil;&atilde;o de dinheiro, re precifica&ccedil;&otilde;es e condi&ccedil;&otilde;es de pagamento, (iii) venda de ativos (&agrave;s vezes essenciais), (iv) restri&ccedil;&otilde;es de caixa, (v) falha em cumprir as d&iacute;vidas atuais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Com base no grau de dificuldade e nas op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis, determine um plano de a&ccedil;&atilde;o (recursos, antecipar dinheiro, aumento de pre&ccedil;o, aporte de dinheiro, aquisi&ccedil;&atilde;o, empr&eacute;stimo) e estabele&ccedil;a uma equipe para implant&aacute;-lo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>H&aacute; v&aacute;rias maneiras de endere&ccedil;ar um fornecedor nessas condi&ccedil;&otilde;es e, antes de abord&aacute;-lo, voc&ecirc; deve entender quest&otilde;es operacionais: (i) n&iacute;vel de estoques nos fornecedores e na sua f&aacute;brica, (ii) viabilidade de aumento de estoque (custo, armazenamento), (iii) propriedade dos ferramentais facilidade de recuper&aacute;-los, (iv) exist&ecirc;ncia de outros fornecedores substitutos (custo, complexidade e volumes), e quest&otilde;es estrat&eacute;gicas: (i) propriedade intelectual, (ii) n&iacute;vel de dificuldade financeira, (iii) hist&oacute;rico de relacionamento com o fornecedor e experiencia da gest&atilde;o desse fornecedor, (iv) perspectivas de gera&ccedil;&atilde;o de caixa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Com base no acima mencionado, as a&ccedil;&otilde;es que voc&ecirc; pode realizar s&atilde;o: (a) arrumar um novo fornecedor: dispon&iacute;veis com baixa complexidade\/ transi&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, com os mesmos custos (ou aumento ajustado ao risco). (b) apoio financeiro: se a situa&ccedil;&atilde;o pode ser resolvida com efici&ecirc;ncia e dinheiro adicional, invista capital e contrate especialistas para melhorar as margens do fornecedor, se a probabilidade de realiza&ccedil;&atilde;o for alta, pois pode ser apenas uma corre&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria para problemas. (c) sugerir um M&amp;A: se o apoio financeiro n&atilde;o for suficiente, voc&ecirc; pode buscar compradores com solidez financeira para o fornecedor. (d) adquirir o fornecedor: se as alternativas acima n&atilde;o forem poss&iacute;veis, voc&ecirc; pode considerar a aquisi&ccedil;&atilde;o para evitar interrup&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A passagem de um modelo de opera&ccedil;&atilde;o verticalizado para um terceirizado influenciou a organiza&ccedil;&atilde;o de diversos setores e alterou a din&acirc;mica do poder de barganha. Algumas ind&uacute;strias j&aacute; t&ecirc;m mais de 80% de sua cadeia de valor fornecida por terceiros. Empresas multinacionais contam com fornecedores globais e locais, cuja capacidade de entrega est&aacute; sujeita a riscos sist&ecirc;micos e intr&iacute;nsecos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para evitar interrup&ccedil;&otilde;es, o tempo &eacute; mandat&oacute;rio, e voc&ecirc; deve ser capaz de identificar e resolver problemas prov&aacute;veis antes que se tornem problemas reais. Monitorar fornecedores, com ferramentas e indicadores adequados, pode reduzir drasticamente o risco associado de perda de receita e reputa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, existem estrat&eacute;gias adequadas para cada n&iacute;vel de stress de fornecedores, que devem ser implementadas de acordo com os objetivos da sua empresa e a relev&acirc;ncia do fornecedor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Estev&atilde;o Rocha &eacute; professor de Turnaround na FIA Business School. Engenheiro naval (Poli\/USP), extens&atilde;o em economia (Harvard), finan&ccedil;as e marketing (FEA\/USP), tecnologia (Singularty University), mestrando (University of Liverpool). Foi head global de M&amp;A da Atento (NYSE), reestruturador de empresas pela KPMG e IVIX, diretor da G4S (LSE) e associado no private equity Artesia. Assessorou mais de uma centena de empresas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nos &uacute;ltimos meses acompanhamos o aumento da infla&ccedil;&atilde;o de custos, causado pela escassez de mat&eacute;rias&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":321588,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[192],"class_list":["post-331923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-negocios","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/331923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=331923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/331923\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=331923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=331923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=331923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}