{"id":329099,"date":"2022-01-27T23:26:10","date_gmt":"2022-01-27T23:26:10","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=329099"},"modified":"2022-01-27T23:26:10","modified_gmt":"2022-01-27T23:26:10","slug":"reeleicao-corrupcao-e-impunidade-entraves-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/01\/reeleicao-corrupcao-e-impunidade-entraves-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Reelei\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o e impunidade, entraves para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Passados 24 anos de sua institui&ccedil;&atilde;o, a reelei&ccedil;&atilde;o para cargos executivos no Brasil mostrou-se definitivamente uma decis&atilde;o equivocada. As premissas iniciais, segundo as quais esse modelo permitiria ao governante tempo suficiente para concluir projetos de execu&ccedil;&atilde;o mais demorada, bem como se constituiria um est&iacute;mulo ao bom gestor p&uacute;blico, n&atilde;o mais se sustentam.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O tempo comprovou que prefeitos, governadores e o presidente da Rep&uacute;blica, uma vez eleitos, tomam posse j&aacute; com o pensamento voltado para a conquista de um novo mandato, dali a quatro anos. O governo que deveria ser de coaliza&ccedil;&atilde;o, em torno da aprova&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de projetos em benef&iacute;cio da popula&ccedil;&atilde;o, transforma-se, invariavelmente, em governo de coopta&ccedil;&atilde;o, com a distribui&ccedil;&atilde;o de cargos, troca de favores e o uso despudorado da m&aacute;quina p&uacute;blica para fins meramente eleitorais, incluindo nomea&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e empreguismo, desequilibrando o pleito ao conferir vantagem &agrave;quele que ocupa cargo executivo. Propicia &ldquo;alian&ccedil;as&rdquo; eleitorais precoces e m&uacute;ltiplas e desvirtua &ndash; ou anula &ndash; o papel fiscalizat&oacute;rio do Legislativo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em 1997 se empenhou para a aprova&ccedil;&atilde;o da proposta de emenda constitucional que acabaria lhe beneficiando na medida em que possibilitou sua reelei&ccedil;&atilde;o, j&aacute; reconheceu em artigo que a iniciativa foi um erro hist&oacute;rico. &ldquo;Imaginar que os presidentes n&atilde;o far&atilde;o o imposs&iacute;vel para ganhar a reelei&ccedil;&atilde;o &eacute; ingenuidade&rdquo;, afirmou FHC, em mea-culpa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O estrago j&aacute; est&aacute; feito, mas &eacute; poss&iacute;vel a corre&ccedil;&atilde;o de rumo para n&atilde;o se perpetuar o equ&iacute;voco e seus preju&iacute;zos. Se quatro anos &eacute; pouco para um cargo executivo e a reelei&ccedil;&atilde;o &eacute; desastrosa, a op&ccedil;&atilde;o pelo mandato de cinco anos para presidente da Rep&uacute;blica, governadores e prefeitos, sem possibilidade de reelei&ccedil;&atilde;o, parece a mais adequada. Tal alternativa n&atilde;o somente permitiria a reclamada conclus&atilde;o de projetos administrativos de uma gest&atilde;o, como tamb&eacute;m consagraria o princ&iacute;pio democr&aacute;tico da altern&acirc;ncia no poder, estimulando o surgimento de novas lideran&ccedil;as, bem ao contr&aacute;rio do que assistimos hoje.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Por outro lado, &eacute; preciso rever tamb&eacute;m a quest&atilde;o do Fundo Eleitoral. &Eacute; absolutamente inconceb&iacute;vel que um pa&iacute;s com tantas mazelas sociais e com 20% da popula&ccedil;&atilde;o vivendo abaixo da linha da pobreza, segundo dados da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), destine verdadeira fortuna para o financiamento de campanhas eleitorais. Em 2020, foram nada menos do que R$ 2,03 bilh&otilde;es, recursos que teriam destino mais nobre caso fossem investidos para mitigar as principais car&ecirc;ncias nacionais como sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a e saneamento b&aacute;sico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Se cada cidad&atilde;o brasileiro tivesse consci&ecirc;ncia dessa realidade, certamente questionaria porque os impostos que pagamos t&ecirc;m de financiar a custosa campanha de algu&eacute;m para que essa pessoa alcance o topo da pir&acirc;mide, enquanto a maioria continua sofrendo as consequ&ecirc;ncias das enormes desigualdades sociais que o Brasil n&atilde;o &eacute; capaz de eliminar porque n&atilde;o as enfrenta com seriedade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O modelo atual, perverso, tira dinheiro do pobre para eleger quem vai ganhar muito durante o mandato, per&iacute;odo recheado de privil&eacute;gios, retroalimentando um sistema injusto, que cristaliza as elites.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&atilde;o &eacute; exagero dizer que tudo isso tamb&eacute;m contribui para a corrup&ccedil;&atilde;o, um mal que custa ao Brasil entre 1,38% a 2,3% do PIB, segundo estudo divulgado em 2008 pela Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (Fiesp). N&atilde;o por acaso, o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o aparece sempre entre os primeiros problemas que mais merece a aten&ccedil;&atilde;o dos brasileiros nas pesquisas de opini&atilde;o. Mais que uma percep&ccedil;&atilde;o interna, essa &eacute; uma realidade medida internacionalmente. O Brasil ocupa a 94&ordf; posi&ccedil;&atilde;o nesse ranking de 180 pa&iacute;ses, segundo os dados de 2020 do &Iacute;ndice de Percep&ccedil;&atilde;o da Corrup&ccedil;&atilde;o, o principal indicador do g&ecirc;nero do mundo, produzido pela Transpar&ecirc;ncia Internacional. O &iacute;ndice atribui aos pa&iacute;ses notas entre 0 e 100, considerando zero a na&ccedil;&atilde;o percebida como altamente corrupta e 100 quando o pa&iacute;s &eacute; percebido como muito &iacute;ntegro. Com 38 pontos, o Brasil est&aacute; ao lado da Eti&oacute;pia, Cazaquist&atilde;o, Peru, Siri Lanka, Suriname e Tanz&acirc;nia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Pior &eacute; constatar que evolu&iacute;mos muito lentamente no combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o. A Opera&ccedil;&atilde;o Lava-Jato, em que pesem decis&otilde;es posteriormente anuladas pela Justi&ccedil;a, recuperou aos cofres p&uacute;blicos R$ 4,3 bilh&otilde;es desviados em esquemas de corrup&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de garantir outros R$ 2,1 bilh&otilde;es arrecadados em multas compensat&oacute;rias nos acordos de dela&ccedil;&atilde;o premiada. Mas h&aacute; retrocessos, como a recente mudan&ccedil;a na Lei de Improbidade Administrativa, sancionada em outubro, que dificultou o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o ao alterar o rol das condutas consideradas improbidade, alterou o rito processual e passou a exigir comprova&ccedil;&atilde;o de dolo para a responsabiliza&ccedil;&atilde;o do agente p&uacute;blico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m disso, vemos a impossibilidade de pris&atilde;o de r&eacute;us mesmo condenados em segunda inst&acirc;ncia, e temos cerca de 55.000 pessoas &ndash; detentores de cargos p&uacute;blicos &ndash; gozando de foro privilegiado, um n&uacute;mero sem paralelo em todo o mundo. Eis a&iacute; o caldo de cultura perfeito para a sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade que permeia o Pa&iacute;s, fomentando na sociedade brasileira a falsa ideia de que o crime compensa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Temos, ent&atilde;o, uma realidade inaceit&aacute;vel, pois altamente prejudicial ao Brasil, tornando evidente que reformas s&atilde;o necess&aacute;rias e urgentes. Sem elas, a na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; capaz de retomar o caminho do desenvolvimento e os abismos sociais somente se acentuar&atilde;o. Os brasileiros n&atilde;o merecem que seu futuro seja ainda pior que o presente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>** Samuel Hanan &eacute; engenheiro, com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 24 anos de sua institui&ccedil;&atilde;o, a reelei&ccedil;&atilde;o para cargos executivos no Brasil mostrou-se definitivamente uma&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[3937],"class_list":["post-329099","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-economia","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329099","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=329099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329099\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=329099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=329099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=329099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}