{"id":328438,"date":"2022-01-22T03:13:32","date_gmt":"2022-01-22T03:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.ecompare.com.br\/noticias\/?p=328438"},"modified":"2022-01-22T03:13:32","modified_gmt":"2022-01-22T03:13:32","slug":"desafios-para-o-brasil-retomar-o-rumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2022\/01\/desafios-para-o-brasil-retomar-o-rumo\/","title":{"rendered":"Desafios para o Brasil retomar o rumo"},"content":{"rendered":"<p>A trag&eacute;dia brasileira est&aacute; em cartaz h&aacute; d&eacute;cadas. O pa&iacute;s patina no desenvolvimento e s&oacute; v&ecirc; aumentar as desigualdades sociais, com a popula&ccedil;&atilde;o cada vez mais pobre e desassistida dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos essenciais para lhe garantir uma vida digna: sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, saneamento b&aacute;sico, habita&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a. Problemas que voltar&atilde;o a ser tema em 2022, ano eleitoral, com os candidatos repetindo as promessas de sempre, cada qual com suas propostas salvadoras.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A t&iacute;tulo de reflex&atilde;o, podemos dividir em tr&ecirc;s atos a trag&eacute;dia que assola o Brasil. No primeiro ato temos a corrup&ccedil;&atilde;o como protagonista; no segundo, o custo do funcionalismo p&uacute;blico e, no terceiro ato, tomam a cena os gastos tribut&aacute;rios da Uni&atilde;o. Eis os principais problemas e, por mais paradoxal que possa parecer, tamb&eacute;m as solu&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A recorrente justificativa dos gestores p&uacute;blicos de que os recursos nunca s&atilde;o suficientes para o atendimento das demandas n&atilde;o pode ser aceita como verdade absoluta. O enfrentamento das tr&ecirc;s quest&otilde;es mencionadas poderia mudar esse quadro. A corrup&ccedil;&atilde;o, por exemplo, consome de 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, segundo estudos da Federa&ccedil;&atilde;o da Ind&uacute;stria do Estado de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (Fiesp). Isso corresponde a um rombo de R$ 110 bilh&otilde;es a R$ 184 bilh&otilde;es anuais nos cofres p&uacute;blicos, considerando-se a estimativa do PIB 2021, de R$ 8 trilh&otilde;es. A gigantesca m&aacute;quina do funcionalismo p&uacute;blico brasileiro consome anualmente 13,4% a 13,7% do PIB, bem mais que os 9,8% do PIB que os pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) gastam, em m&eacute;dia, com esse item. Se este percentual fosse adotado como limite no Brasil, haveriam mais R$ 288 bilh&otilde;es a R$ 312 bilh&otilde;es dispon&iacute;veis. Hoje, temos ainda de 3,62% a 3,84% do PIB (R$ 290 bilh&otilde;es a R$ 307 bilh&otilde;es) comprometidos com os gastos tribut&aacute;rios da Uni&atilde;o. O total do desperd&iacute;cio corresponde de 8,6% at&eacute; 10% do PIB, ou seja, de R$ 688 bilh&otilde;es a R$ 803 bilh&otilde;es. N&atilde;o &eacute; pouco!<\/p>\n<p>Imaginemos, agora, reduzir cerca esses desperd&iacute;cios. Pode parecer utopia, mas &eacute; poss&iacute;vel, como j&aacute; demonstraram os pa&iacute;ses desenvolvidos. Esse esfor&ccedil;o resultaria em resultados financeiros suficientes para alavancar a mudan&ccedil;a de patamar que o Brasil precisa alcan&ccedil;ar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Hoje, o SUS consome de R$ 120 a R$ 130 bilh&otilde;es por ano. Ampliar o sistema em 50% consumiria mais R$ 60 bilh&otilde;es\/ano, o que tamb&eacute;m permitiria refor&ccedil;ar significativamente o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de, sobretudo para atender &agrave;s &aacute;reas mais carentes do pa&iacute;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na educa&ccedil;&atilde;o, imaginemos se os 1,8 milh&atilde;o de professores do Ensino Fundamental e do Ensino M&eacute;dio da rede p&uacute;blica tivessem a remunera&ccedil;&atilde;o majorada em 30%. O pa&iacute;s teria professores mais estimulados e preparados, com consequente salto no n&iacute;vel do sistema educacional. O mesmo se aplica ao sal&aacute;rio m&eacute;dio do professor da rede p&uacute;blica de Ensino Fundamental, hoje em torno de R$ 3.000,00. Um programa de educa&ccedil;&atilde;o com or&ccedil;amento refor&ccedil;ado em R$ 44 bilh&otilde;es\/ano aumentaria esse sal&aacute;rio para R$ 4.000,00 por m&ecirc;s e ainda possibilitaria a implanta&ccedil;&atilde;o de escolas t&eacute;cnicas profissionalizantes nos moldes das FATECs e ETECs, iniciativas bem-sucedidas no estado de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>. E as universidades p&uacute;blicas teriam aporte extra de recursos de, no m&iacute;nimo, R$ 5 bilh&otilde;es anuais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mais R$ 98 bilh&otilde;es\/ano viabilizariam um programa habitacional com a constru&ccedil;&atilde;o de 700 mil casas por ano, ao custo unit&aacute;rio de R$ 140 mil, moradias dignas, com energia el&eacute;trica garantida por placas fotovoltaicas e destinadas &agrave;s fam&iacute;lias mais carentes. Em nove anos o d&eacute;ficit habitacional seria zerado. Imaginemos, ainda, uma a&ccedil;&atilde;o social sem data para acabar. Um programa com recursos de R$ 52 bilh&otilde;es\/ano seria suficiente para atender a 10 milh&otilde;es de fam&iacute;lias brasileiras mais carentes &ndash; uma popula&ccedil;&atilde;o entre 35 e 40 milh&otilde;es de pessoas &ndash; com ajuda financeira de R$ 400,00 por m&ecirc;s e uma parcela de 13.&ordm; sal&aacute;rio. Seria, ademais, o fim da agonia de quem precisa e n&atilde;o sabe se ter&aacute; o benef&iacute;cio no ano seguinte.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A correta distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos, a partir da solu&ccedil;&atilde;o aqui discutida, permitiria, ali&aacute;s, dobrar o or&ccedil;amento da Pol&iacute;cia Federal e aumentar a dota&ccedil;&atilde;o das For&ccedil;as Armadas. A destina&ccedil;&atilde;o de mais R$ 20 bilh&otilde;es\/ano para o programa de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica significaria investimento para melhorar a ocupa&ccedil;&atilde;o das imensas fronteiras internacionais pelas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e para aprimorar a fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos portos e aeroportos. Tais medidas coibiriam, de forma mais efetiva, a entrada de drogas, armas e muni&ccedil;&otilde;es em territ&oacute;rio nacional, combust&iacute;veis do tr&aacute;fico, da criminalidade e da viol&ecirc;ncia que vitimam principalmente os mais jovens. Crimes inibidos significam vidas poupadas e cadeias menos lotadas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ao custo de mais R$ 20 bilh&otilde;es a R$ 50 bilh&otilde;es\/ano &eacute; poss&iacute;vel mudar a realidade nacional, com prioriza&ccedil;&atilde;o das Regi&otilde;es Norte e Nordeste e periferias das grandes cidades.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Com a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de mais R$ 10 bilh&otilde;es anuais para saneamento seria poss&iacute;vel ampliar o esgotamento sanit&aacute;rio (coleta e tratamento) e o fornecimento de &aacute;gua tratada, com reflexos positivos na sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Necess&aacute;rio tamb&eacute;m falar em gera&ccedil;&atilde;o de empregos e ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. A maior obra social &eacute; o emprego, n&atilde;o apenas porque garante renda, mas tamb&eacute;m porque assegura dignidade ao ser humano. Mais de 10 milh&otilde;es de empregos seriam gerados com a constru&ccedil;&atilde;o de milhares de unidades habitacionais, obras de infraestrutura, constru&ccedil;&atilde;o de escolas t&eacute;cnicas, amplia&ccedil;&atilde;o do SUS. Tudo com impacto positivo na economia, dada a eleva&ccedil;&atilde;o do consumo, aumento da demanda e eleva&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o industrial, em um c&iacute;rculo virtuoso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Se houver planejamento e forem reduzidos um ter&ccedil;o dos preju&iacute;zos com a corrup&ccedil;&atilde;o, um ter&ccedil;o dos excessos da m&aacute;quina p&uacute;blica e metade das ren&uacute;ncias fiscais concedidas de maneira ileg&iacute;tima, o Brasil ter&aacute; o refor&ccedil;o de R$ 309 bilh&otilde;es no Or&ccedil;amento anual, tornando poss&iacute;vel todos os investimentos citados. Se o corte for um pouco maior, viabilizar&aacute; tamb&eacute;m grandes &ndash; e necess&aacute;rias &ndash; obras de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, mormente nas Regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, marcando o in&iacute;cio da corre&ccedil;&atilde;o das atrofias demogr&aacute;ficas e das desigualdades regionais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Seria ou n&atilde;o suficiente para o pa&iacute;s retomar o caminho do desenvolvimento e se tornar muito melhor para os brasileiros? &Eacute; o desejo de todos, por&eacute;m exige coragem. Caso esses problemas n&atilde;o forem atacados, n&atilde;o teremos uma solu&ccedil;&atilde;o efetiva. Os discursos poder&atilde;o ser eloquentes, mas as medidas que ignorarem essa realidade ser&atilde;o cosm&eacute;ticas, contribuindo para a degrada&ccedil;&atilde;o moral, manuten&ccedil;&atilde;o de privil&eacute;gios e perpetua&ccedil;&atilde;o das injusti&ccedil;as sociais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trag&eacute;dia brasileira est&aacute; em cartaz h&aacute; d&eacute;cadas. 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