Máscaras e bonecos dão corpo a “Habite-me” no Animaforma

Máscaras e bonecos dão corpo a “Habite-me” no Animaforma

Em cena, Carolina Garcia Marques se desdobra em sete personagens; espetáculo será apresentado no Sesc 24 de Maio em 30 de setembro e 1º de outubro

São Paulo (SP), 25 de setembro de 2026 – Uma atriz, sete personagens e um corpo que se transforma em espaço de cena. No espetáculo Habite-me, a artista Carolina Garcia Marques combina máscaras, bonecos e dança para explorar diferentes maneiras de ocupar o próprio corpo e de se relacionar com o mundo. O solo integra a programação do Animaforma: Mostra de Teatro de Formas Animadas, com apresentações nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, às 19h, no Sesc 24 de Maio, no centro de São Paulo.

  

O Animaforma reúne diferentes vertentes do teatro de animação, linguagem em que bonecos, máscaras e objetos ganham vida em cena por meio da atuação. A programação contempla crianças e adultos.

  

Com direção e dramaturgia de Paulo Balardim, bonecos e máscaras da artista canadense Emilie Racine, trilha sonora original do compositor belga Tuur Florizoone, e produção executiva da Líria Cultural, Habite-me constrói imagens que atravessam temas como amor, memória, envelhecimento, vida e morte. À medida que Carolina assume novos personagens, seu corpo serve de suporte para as formas animadas e também passa a compor os espaços onde a ação acontece. “Habitar, para mim, começa na forma como eu ocupo este corpo e me relaciono com aquilo que está ao meu redor. Depois vêm a roupa, o outro, o contexto social, o planeta e o universo. O espetáculo percorre essas diferentes camadas de fazer parte”, explica a atriz-marionetista.

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A criação começou em 2017, durante uma residência de pesquisa em Montreal, realizada por meio de uma parceria entre o Festival Casteliers, o Conselho das Artes de Montreal, o bairro de Outremont e o Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo. O trabalho prosseguiu no Brasil e reuniu profissionais de diferentes países. A cenografia é de Elcio Rossini, e os figurinos, de Cris Lisot.

  

Estreado em 2019, Habite-me recebeu, em 2021, o Prêmio APTR de melhor espetáculo em formato virtual. Em 2023, integrou a mostra oficial do Festival Mundial de Teatros de Marionetes de Charleville-Mézières, na França.

  

Do primeiro boneco à pesquisa sobre o corpo
O encontro de Carolina com o teatro de bonecos aconteceu em Porto Alegre, durante uma atividade de improvisação conduzida pelo diretor e pesquisador Paulo Balardim. Ela administrava, com o artista Henrique Günther, um café na entrada de um centro cultural que recebia exposições, ensaios e apresentações. Naquela atividade, colocou um boneco na mão pela primeira vez. Participou de um concurso de improvisação, venceu e recebeu o convite para um curso de seis meses. “Quando comecei aquela formação, pensei: era isso que estava faltando”, lembra.

  

Carolina passou a investigar as relações entre animação, movimento e matéria. Integrou a Caixa do Elefante Teatro de Bonecos e participou da criação de A Tecelã, espetáculo inspirado na obra de Marina Colasanti. Após dois anos de pesquisa, a montagem circulou por seis anos e chegou a festivais como os de Edimburgo, na Escócia, e Avignon, na França. Pelo trabalho, Carolina recebeu o Prêmio Braskem de melhor atriz no Porto Alegre em Cena, em 2011.

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Essa investigação ganhou outra dimensão com Corpo Percurso, pesquisa iniciada em 2020 que aproxima o teatro de luvas do corpo humano. Nela, o intérprete atua como manipulador, personagem e espaço onde a narrativa se desenvolve. A relação entre corpo e ambiente também orienta outras frentes de trabalho da artista: Carolina é uma das fundadoras do Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo, no Rio Grande do Sul, e atua na curadoria cultural da Fazenda Tulha, entre Minas Gerais e São Paulo.

  

Uma turnê entre Bolívia, Brasil e China
Neste mês de setembro, a turnê do espetáculo passou pelo XV FITAZ (Festival internacional de Teatro de La Paz), na Bolívia; depois circulou no Paraná e agora Carolina apresenta Habite-me em São Paulo, seguindo depois para uma agenda internacional na China, com espetáculos e atividades de formação.

  

De 5 a 12 de outubro, participa do Beijing International Puppet Theatre Festival, em Pequim. Entre os dias 18 e 20, a artista participa de palestras e mesas do Talk About Puppet. Em novembro, o espetáculo será apresentado no Daliangshan International Theatre Festival, em Xichang. O espetáculo Habite-me é apoiado com fomento da Fundação Nacional de Artes – Funarte Brasil Conexões Internacionais, entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal e integra a programação oficial do Ano Cultural Brasil China.

  

Sobre a artista
Carolina Garcia Marques é atriz-marionetista, diretora teatral, educadora somática, curadora e gestora cultural. Licenciada em Artes Cênicas e especialista em Economia da Cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, também é formada pelo Método Feldenkrais. Iniciou a carreira em 1994 e, desde então, participou de espetáculos, festivais, residências artísticas e atividades de formação no Brasil e no exterior.

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É cofundadora do Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo, no Rio Grande do Sul, e desenvolve pesquisas que aproximam teatro de animação, dança, percepção corporal e relações com o território. Essa investigação também se estende à sua atuação em uma fazenda em Minas Gerais, onde articula processos artísticos e pedagógicos ao convívio com a terra, a natureza e as comunidades do entorno. Em seu trabalho, a cultura é compreendida como um campo de encontro e de troca, capaz de dialogar horizontalmente com a agricultura, o turismo e as práticas de convivência social, para além dos espaços tradicionais de apresentação.

  

SERVIÇO | Habite-me no Animaforma, em São Paulo
Datas: 30 de setembro e 1º de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo. Espaço Tecnologias e Artes (ETA), 4º andar
Classificação: 14 anos
Ingressos: à venda online e nas bilheterias do Sesc

Ficha Técnica
Atuação e pesquisa: Carolina Garcia Marques
Direção e dramaturgia: Paulo Balardim
Bonecos e máscaras: Emilie Racine
Trilha sonora original: Tuur Florizoone
Cenografia: Elcio Rossini
Figurinos: Cris Lisot
Criação de luz: Renato Machado
Operação de luz: Luana Pasquimel
Operação de som e cenotécnico: Wilson Neto
Preparação corporal: Márcia Pinheiro e Laurence Castonguay
Realização: Cia 4 Produções e Cie. Territoire 80 (Montréal)
Produção executiva: Líria Cultural