Evento em 27 de agosto, às 19h, terá também lançamento de livro e estreia de curtas; projeto soma mais de 6,6 mil inscritos em dez edições no município
Belo Jardim (PE), 21 de agosto de 2026 – Depois de uma década acompanhando gerações de estudantes de Belo Jardim, o projeto “Era Uma Vez… Brasil” chega a um dos momentos centrais de sua edição comemorativa de dez anos. No dia 27 de agosto (quinta-feira), às 19h, no Auditório do Hotel Lacazzona, serão conhecidos os estudantes que participarão do intercâmbio cultural em Portugal. O encontro terá ainda o lançamento do livro Quem conta a nossa história e a estreia dos curtas-metragens produzidos pelos participantes ao longo do percurso formativo deste ano.
A programação acontece após a etapa Campus, período de imersão em que os estudantes participaram de atividades culturais, oficinas de audiovisual, convivência coletiva e vivências relacionadas ao tema da edição 2026, “Quem conta a nossa história? A participação indígena e afro-brasileira na construção do Brasil”.
Em Belo Jardim, a edição de 2026 também ganha um significado particular: a cidade acompanha o “Era Uma Vez… Brasil” desde sua criação, em 2016. Ao longo de dez edições, mais de 6.500 estudantes se inscreveram nas atividades do projeto no município e mais de 3 mil enviaram histórias em quadrinhos e vídeos válidos. Até 2025, 200 estudantes e professores participaram da etapa de intercâmbio, sendo 20 escolas representadas pelo município. Neste ano, foram mais de 600 estudantes inscritos, de 16 escolas, com total de 409 HQs e vídeos enviados pelos estudantes. Os dados mostram uma trajetória contínua de participação das escolas da cidade ao longo da última década.
Uma parceria construída com a cidade
A presença do projeto em Belo Jardim também está ligada à parceria de dez anos entre a Origem Produções e o Grupo Moura por meio do Instituto Conceição Moura, que acompanha a iniciativa desde sua implantação no município.
Para Lorena Tenório, coordenadora executiva do Instituto Conceição Moura, o alcance do projeto vai além da possibilidade de viajar para outro país. “Não é só levar os estudantes para Portugal. Neste movimento, conseguimos fazer com que esses jovens comecem a aprofundar o conhecimento deles dentro da nossa história, mas também criar criticidade. Eles se questionam, começam a observar, a escutar, a ver os lados diferentes”, afirma.
Segundo Lorena, o envolvimento construído ao longo dos anos alcança também escolas, professores, famílias e a própria população. “O projeto impacta toda uma comunidade. Ele transforma a experiência dos estudantes, fortalece as escolas por meio das formações, mobiliza professores e equipes gestoras e inspira outros jovens, tanto aqueles que ainda sonham em participar quanto os que já viveram essa experiência e seguem multiplicando seus aprendizados”, relata.
A coordenadora explica que a parceria foi construída de forma próxima ao longo dos anos, com participação do Instituto, da equipe do projeto, das escolas, das famílias e do poder público nas diferentes etapas realizadas na cidade. “Não é só fazer o aporte, apoiar por apoiar. É estarmos juntos em todo o processo, porque também vamos ouvindo as escolas sobre o que ficou, o que reverbera nesse projeto, além de manter esse diálogo com a prefeitura e com os próprios alunos”, explica.
Ao acompanhar diferentes gerações de participantes, o Instituto também observa como a experiência pode produzir desdobramentos na trajetória dos jovens. Alguns passaram posteriormente por outros projetos da instituição e há ex-participantes que hoje atuam profissionalmente junto ao Grupo Moura ou como prestadores de serviços.
Lorena resume esse movimento com uma expressão usada pelo próprio Instituto: “Costumamos dizer que este é um projeto que “fura bolhas”, amplia horizontes, rompe barreiras e dá outras perspectivas de futuro. Muitos jovens passam a acreditar em possibilidades que antes pareciam distantes. Eles descobrem novos caminhos, fortalecem seus sonhos e percebem que podem ocupar espaços que talvez nunca tivessem imaginado alcançar”.
Campus amplia experiências e repertórios
Antes da revelação dos selecionados, os participantes passaram pela etapa Campus, uma semana de imersão que articula pesquisa histórica, produção audiovisual, convivência coletiva e experiências em diferentes territórios.
Para Marici Vila, coordenadora do projeto, esse período representa uma das experiências centrais da formação. “O Campus é uma grande imersão. O distanciamento da família, a convivência coletiva e as experiências compartilhadas despertam responsabilidade, autonomia e fazem com que os estudantes descubram a potência que existe dentro de cada um”, afirma.
A proposta de 2026 ampliou o contato dos estudantes com as contribuições indígenas e afro-brasileiras para a formação do país. Ao longo do projeto, os participantes pesquisaram, debateram os conteúdos e os transformaram em narrativas por meio das histórias em quadrinhos e dos curtas-metragens que serão apresentados no encontro do dia 27.
Marici analisa que as atividades realizadas fora da escola permitem aproximar a história das experiências e dos territórios dos próprios estudantes. “A história está na comunidade onde vivemos, nas nossas famílias e nas pessoas que vieram antes de nós. Quando o estudante vivencia esses territórios e escuta essas histórias, ele desenvolve pensamento crítico e compreende melhor o presente a partir do passado.”
Lorena também identifica mudanças nos estudantes ao longo da imersão. “O Campus tem um poder transformador. Os estudantes chegam com referências construídas a partir das suas vivências e saem com horizontes ampliados, mais repertório, mais autonomia e uma compreensão mais profunda de si mesmos e do mundo ao seu redor”, afirma. Segundo ela, a experiência também estimula autonomia, responsabilidade, convivência coletiva e amadurecimento socioemocional.
Experiências que continuam depois do projeto
Os dez anos de atuação em Belo Jardim permitem observar também os caminhos percorridos por quem viveu o projeto em diferentes momentos.
Antônia Souza, participante da primeira edição, em 2016, hoje é formada em Relações Públicas pela Universidade Federal de Alagoas e atua na área de Marketing e Eventos em São Paulo, capital. Ela conta que a passagem pelo Campus permanece como uma das principais lembranças da experiência.
“Como aluna, o momento mais marcante foi a etapa Campus. Foi ali que conheci uma forma completamente diferente de aprender e tive contato com debates sobre a cultura viva e real do nosso país”, lembra.
Anos depois, Antônia retornou ao projeto como monitora. A experiência também teve reflexos em sua formação universitária. “Minha paixão por projetos sociais e pela educação nasceu ali. Durante a universidade desenvolvi diversos trabalhos sobre iniciativas como o Era Uma Vez… Brasil e meu Trabalho de Conclusão de Curso foi voltado à comunicação para organizações da sociedade civil.”
Uma geração mais recente também reconhece mudanças provocadas pelo projeto. Eric Cauã, participante da edição de 2025 em Belo Jardim, afirma que a experiência modificou sua percepção sobre suas próprias possibilidades. “O projeto me deu mais autonomia e revelou uma pessoa que eu nem sabia que existia dentro de mim. Passei a acreditar mais nos meus sonhos e entendi que minha opinião também pode fazer a diferença”, afirma.
Entre as experiências vividas, ele destaca justamente o período de imersão. “Foi durante essa etapa que conheci de perto comunidades quilombolas e indígenas. Aprendi uma história que, muitas vezes os livros não mostram e, percebi o valor dessas comunidades para a construção do nosso país.”
Dez anos de história
Criado em 2016, o “Era Uma Vez… Brasil” completa dez anos em 2026. Nesse período, passou por 35 cidades de seis estados, envolveu cerca de 500 escolas públicas e impactou mais de 28 mil adolescentes. A iniciativa já proporcionou experiências de intercâmbio internacional em Portugal a 777 estudantes e professores.
Nesta edição, o projeto acontece em nove cidades de três estados: Salvador, Mata de São João, Camaçari e Jacobina, na Bahia; Recife e Belo Jardim, em Pernambuco; e Ribeirão Preto, Serrana e Brodowski, em São Paulo.
Produzido pela Origem Produções, o projeto é realizado pelo Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura — Lei Rouanet —, com patrocínio do Grupo Moura, Rodonaves e Jacobina Mineração, apoios de Brasil Salomão e Matthes Advocacia, Tronox, Tivoli, Civil Construtora e Copenor, além da parceria com as secretarias municipais de Educação.
Serviço
Edição especial de 10 anos – agenda: Anúncio dos estudantes que participarão para o intercâmbio do projeto “Era Uma Vez… Brasil”, lançamento do livro “Quem conta a nossa história” e estreia dos curtas-metragens
Data: 27 de agosto de 2026
Horário: 19h
Local: Auditório do Hotel Lacazzona
Cidade: Belo Jardim (PE)








