As placas causam menos impacto ambiental, tanto na produção, quanto no descarte
Comprar um aparelho eletrônico novo é muito bom, e descobrir novas funcionalidades e funções é animador. Mas você já pensou no caminho contrário? Onde vão parar os eletrônicos que nós descartamos? Em quanto tempo eles se decompõem? E o pior, qual o custo disso para o meio ambiente? O conceito de jogar fora alguma coisa é bem equivocado, uma vez que o lixo que produzimos não é jogado fora, mas dentro do planeta.
Descarte inadequado
A tecnologia é maravilhosa, e evolui a cada dia. Não é incomum que algum recurso tecnológico se torne obsoleto em pouco tempo e seja substituído por outro mais eficiente. O que acontece com esse aparelho eletrônico? É descartado. Mas a questão não está apenas no descarte, pois ela se agrava quando falamos no descarte inadequado. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (ABETRE) revelou que, dos 2,9 milhões de resíduos industriais perigosos gerados no Brasil por ano, aproximadamente, 600 mil toneladas são descartadas corretamente, uma quantidade ínfima.
Além disso, já no processo de produção dos eletrônicos são utilizados recursos naturais finitos, o que quer dizer que eles já são produzidos gerando um impacto negativo à natureza, antes mesmo do seu descarte. É necessário pensar em um modelo industrial que não seja tão nocivo ao meio ambiente; isso é o que propõe a economia circular: circuitos de produção fechados, que resultem em uma indústria menos poluente, que utilize reciclagem e reutilização.
Uma ideia verde
Quando o assunto é a produção de eletrônicos mais sustentável, a investigadora portuguesa Elvira Fortunato é referência, pioneira na chamada “eletrônica de papel”. Ela se destaca pela produção de itens à base de materiais verdes, que causam menos impacto ao meio ambiente, tanto na produção, quanto no descarte.
Atualmente, seu trabalho voltou a ser foco das atenções mundiais, e lhe rendeu uma terceira bolsa no Conselho Europeu de Investigação (ERC). Seu novo projeto tem como objetivo utilizar o grafeno verde, produzido a partir da celulose, extraída das árvores, na produção de placas eletrônicas.
As placas convencionais, presentes no mercado, são produzidas com materiais poluentes, de origem fóssil, enquanto as placas verdes idealizadas por Elvira, além de serem muito mais ecológicas, são mais baratas.
Como cantou Cássia Eller na música Relicário, de Nando Reis, “o mundo está ao contrário e ninguém reparou”. A humanidade parece estar acordando para os efeitos nocivos que nossas atitudes geram para o planeta, ameaçando toda a vida terrestre, inclusive da espécie dominante: nós mesmos. O momento pede ação, inovação e tecnologia, para mudar o curso em que o planeta está indo. A educação infantil tem um papel fundamental no processo, mas não podemos esperar que as próximas gerações corrijam problemas que nós criamos; é preciso ter criatividade e vontade para mudar hoje.
— Texto: Caroline Raiser













