Semana da Transformação em Saúde reúne mais de 700 congressistas em Ribeirão Preto

Semana da Transformação em Saúde reúne mais de 700 congressistas em Ribeirão Preto

Programação integrou tecnologia, ortopedia e OPMED durante quatro dias, com representantes de 19 estados e debates sobre assistência e gestão

Ribeirão Preto (SP), 30 de outubro de 2026 – A Semana da Transformação em Saúde encerrou nesta sexta-feira (30), em Ribeirão Preto (SP), quatro dias de encontros entre médicos cooperados, lideranças do Sistema Unimed, pesquisadores, gestores e profissionais de hospitais, operadoras e empresas do setor. Com a presença de cerca de 720 congressistas, 121 municípios de todo o país, 113 Unimeds participantes e mais de 40 empresas expositoras, a programação abordou como avaliar e incorporar novas tecnologias, organizar os serviços e acompanhar os resultados dos tratamentos, além de questões como auditoria, judicialização, segurança jurídica e regulação da saúde suplementar.

  

Promovida pela Unimed, a semana reuniu a 6ª TechWeek, o Fórum de Ortopedia e Traumatologia e o 7º Congresso Nacional OPMED, no Multiplan Hall. A integração permitiu tratar das decisões em saúde sob diferentes perspectivas: a de quem presta assistência, administra recursos, avalia evidências e desenvolve soluções.

  

A proposta de reunir essas experiências foi apresentada pelo diretor-presidente da Unimed Federação Nordeste Paulista, Daniel Martiniano Haber, ao explicar os objetivos do encontro. Para ele, o setor da saúde passa por mudanças que exigem das instituições uma visão de longo prazo. “Cabe também à Federação criar espaços que ajudem cooperativas e profissionais a antecipar cenários, compreender tendências e tomar decisões com mais informação. A programação foi concebida com esse olhar: trazer para o presente um debate que terá impacto sobre a saúde nos próximos anos”, afirmou.

  

Na abertura da semana, Nelson Sato Júnior, diretor financeiro e de tecnologia da informação da Federação e presidente da Unimed Ribeirão Preto, destacou que o evento nasceu para aproximar a tecnologia de quem cuida das pessoas. Segundo o dirigente, a inovação acontece quando o conhecimento de quem vive o problema encontra a capacidade de desenvolver e aplicar ferramentas para resolvê-lo.

  

Sato analisou que a inteligência artificial não substitui o olhar humano que define o cuidado em saúde, mas destacou que “ela amplia esse olhar, libera tempo de tarefas repetitivas, apoia decisões com mais informação e permite que nossas equipes se dediquem ao que realmente importa, que é o cuidado integral dos nossos beneficiários.”

Regulação e resultados na assistência
Na sexta-feira (30), o último dia do OPMED levou essas questões à fiscalização das operadoras e à avaliação dos tratamentos. A manhã começou com o advogado e gerente de Boas Práticas da Diretoria de Fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Frederico Villela Chein Cortez. Ele detalhou as mudanças implementadas em maio de 2026, como a análise por amostragem das reclamações, a atualização das multas e a criação de novos tipos infrativos.

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Cortez explicou a transição de uma atuação predominantemente punitiva para uma regulação responsiva, baseada na orientação e na cooperação com as operadoras para reduzir as reclamações dos beneficiários. Os efeitos dessa mudança, segundo ele, ainda precisam ser acompanhados. “Por se tratar de um modelo recente, será necessário, aproximadamente, um ano de funcionamento para avaliar seus efeitos e identificar possíveis ajustes”, concluiu.

  

Da relação entre a agência e as operadoras, a programação passou aos critérios usados para remunerar os tratamentos. O professor português Filipe Costa apresentou experiências internacionais de saúde baseada em valor nas linhas de cuidado de joelho, quadril e coluna. Sua abordagem relacionou o pagamento aos benefícios clínicos alcançados, com contratos de compartilhamento de riscos, indicadores e acompanhamento dos desfechos.

  

Ao relatar experiências de hospitais em Portugal, Costa mostrou como a remuneração vinculada aos resultados pode contribuir para reduzir custos, complicações e tempo de internação. A análise, explicou, precisa considerar o benefício efetivo para o paciente, além do preço da prótese ou da tecnologia utilizada. “Eu não tenho que pagar 100% da tecnologia, eu tenho que pagar o resultado que aquela tecnologia proporciona”, afirmou.

  

Dados e tecnologia na rotina hospitalar
O uso da tecnologia para melhorar esses resultados ganhou exemplos da rotina hospitalar na palestra “Futuro da Saúde: Inovação e Conexão”, do médico Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein. Ele apresentou aplicações de inteligência artificial, automação e monitoramento para organizar o atendimento, apoiar as equipes e aumentar a segurança dos pacientes.

  

Entre os resultados relatados, o executivo destacou reduções de 30% no tempo de espera por leitos, de 40% nas reinternações e de 41% nos acionamentos de equipes de resposta rápida, a partir de ferramentas de monitoramento e modelos preditivos. A apresentação sinalizou que as iniciativas de eficiência também permitiram ampliar virtualmente a capacidade de atendimento em 179 leitos, sem expansão da estrutura hospitalar, evitando R$ 318 milhões em investimentos na construção de novas unidades.
As experiências incluíram automação na farmácia, monitoramento remoto e inteligência artificial aplicada ao prontuário eletrônico. Klajner ressaltou que a inovação exige rever processos e utilizar os dados de forma estratégica, com participação das equipes na aplicação dos novos recursos.

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Cenário nacional e comportamento do eleitor
À tarde, o jornalista Carlos Andreazza apresentou uma análise do cenário brasileiro após as eleições presidenciais de 2026. A palestra abordou os fatores que influenciaram as escolhas dos eleitores e as perspectivas políticas e econômicas para os próximos anos.

  

Ao examinar a movimentação dos votos entre o primeiro e o segundo turnos, Andreazza reconheceu que a participação dos eleitores o levou a rever suas projeções. “Eu, como analista, subestimei a capacidade de mobilização”, declarou.

  

A análise do comentarista da BandNews considerou a insatisfação com o presente, as expectativas de mudança e a avaliação das alternativas apresentadas pelos candidatos. Ao tratar dos limites da influência das lideranças sobre essas decisões, observou que “o voto não tem dono, né, gente? O voto é nosso.”

Na economia, chamou a atenção para os efeitos dos preços dos combustíveis sobre a atividade produtiva, considerando o peso do transporte rodoviário no país. “Nossa economia depende do diesel”, afirmou. A partir desse exemplo, abordou as pressões inflacionárias e os limites fiscais para a manutenção de subsídios.

  

O jornalista também tratou do equilíbrio das contas públicas e das negociações entre governo e Congresso, analisando como o desempenho econômico pode influenciar o apoio parlamentar e a condução da agenda dos próximos anos.

  

Uma volta a cada dia
O encerramento ficou a cargo de Rubens Barrichello, que conversou com a plateia sobre a maneira como enfrentou pressões, frustrações e conquistas na carreira. Em “Melhor a cada volta”, o piloto recorreu a histórias das pistas e da família para falar de autoconhecimento, aprendizado e gratidão.

  

“Melhor a Cada Volta nada mais é do que acordar o dia seguinte e ser melhor. Todo nosso dia é uma volta, e a gente vive, e por isso eu sou muito grato a isso”, afirmou.

  

Um dos episódios lembrados foi a primeira vitória na Fórmula 1, no Grande Prêmio da Alemanha de 2000. Barrichello contou que a passagem pela pista molhada na classificação de sábado, motivo de frustração naquele momento, lhe deu uma experiência que seria útil no domingo: conhecer as condições do circuito ajudou na decisão de permanecer com pneus para pista seca durante a corrida. Ao revisitar a história, chamou a atenção para aprendizados que nem sempre são percebidos quando uma dificuldade acontece.

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Das lembranças das competições, a conversa passou ao apoio recebido em casa e às dificuldades enfrentadas desde o início no automobilismo. “Eu fui muito privilegiado em nascer em uma família que me deu muito amor, me deu muito equilíbrio, muita estabilidade”, disse.

  

Ao responder sobre a inspiração que sua história desperta nas pessoas, Barrichello voltou ao aprendizado construído em cada etapa. “Eu tenho a alegria de falar que todas as dificuldades que eu passei, elas são maravilhosas porque eu sempre fui melhorando.”

Quatro dias de encontros
A palestra de Barrichello concluiu uma programação que, nos dois primeiros dias, tratou de transformação digital, tendências da saúde suplementar e gestão de pessoas na TechWeek. Na Unimed IA Race, equipes desenvolveram protótipos para desafios apresentados pelas áreas operacionais, levando parte desse conteúdo ao exercício de construir soluções.

  

Na tarde de quarta-feira, o Fórum de Ortopedia e Traumatologia reuniu perspectivas médicas e jurídicas sobre auditoria, protocolos assistenciais, proteção profissional e judicialização. Nos dias 29 e 30, o OPMED abordou procedimentos e tecnologias relacionados a órteses, próteses e materiais especiais, com conteúdos sobre indicação, evidências científicas, custos e acompanhamento dos pacientes.

  

Os quatro dias de programação mostraram como uma decisão clínica envolve também questões de gestão, regulação e direito. Ao reunir essas perspectivas, a semana colocou em debate as condições para que os avanços da medicina cheguem aos pacientes com segurança e viabilidade para os serviços.

  

Sobre a Unimed Federação Nordeste Paulista
A Unimed Federação Nordeste Paulista – Federação Intrafederativa das Cooperativas Médicas (UFENESP) foi fundada em 16 de agosto de 1996 e celebra neste ano 30 anos de existência. Inserida no Sistema Unimed, reúne 17 Unimeds associadas e atua na coordenação e no suporte técnico, institucional e estratégico às cooperativas da região.

  

Fazem parte da Federação as Unimeds de Alta Mogiana, com sede em Orlândia; Araraquara; Barretos; Batatais; Bebedouro; Franca; Ibitinga; Jaboticabal; Mococa; Monte Alto; Norte Paulista, com sede em Ituverava; Pitangueiras; Ribeirão Preto; Santa Rita, Santa Rosa e São Simão; São Carlos; São José do Rio Pardo; e Sertãozinho.