Programação desta quarta-feira (28) reuniu palestra de Martha Gabriel e final do Unimed IA Race na 6ª TechWeek, além de debates sobre auditoria, inovação e segurança jurídica no Fórum de Ortopedia e Traumatologia
Ribeirão Preto (SP), 29 de outubro de 2026 – A inteligência artificial, seus impactos no trabalho e os desafios da assistência médica estiveram em pauta nesta quarta-feira (28), durante a Semana da Transformação em Saúde, em Ribeirão Preto. A manhã marcou o encerramento da 6ª TechWeek, com a palestra de Martha Gabriel e a final do Unimed IA Race, competição que mobilizou equipes multidisciplinares para desenvolver soluções a partir de desafios reais da organização. À tarde, a programação do Fórum de Ortopedia e Traumatologia da Unimed Ribeirão Preto abordou a relação entre médicos e operadoras, os protocolos assistenciais, a incorporação de tecnologias e a prevenção de conflitos judiciais.
Inteligência artificial e os desafios da transformação digital
Na palestra de encerramento da TechWeek, Martha Gabriel, referência em transformação digital, inovação e tendências de comportamento, analisou como a inteligência artificial está mudando a relação das pessoas com o conhecimento, o trabalho e a tomada de decisões. Ao abordar as perspectivas para a saúde, destacou oportunidades relacionadas à prevenção, à personalização do cuidado e à integração dos serviços, além de desafios como a segurança dos dados e os riscos éticos. Também tratou das competências profissionais necessárias diante de ferramentas cada vez mais capazes de executar tarefas e processar informações.
Para Martha, o avanço da IA reforça a necessidade de interpretar, questionar e validar os resultados produzidos pela tecnologia. “IA como copiloto, não como piloto automático”, afirmou, ao defender que as pessoas pensem sobre os problemas antes de recorrer às ferramentas. Na saúde, ela alertou que esse cuidado envolve segurança, responsabilidade e confiança. A especialista ressaltou ainda que a transformação digital exige adaptação contínua, avaliação de riscos e julgamento humano. “A tecnologia não tira a relevância de ninguém, nem de empresas, nem instituições e nem de pessoas. A falta de adaptabilidade, sim”, afirmou.
Ao tratar do futuro da saúde suplementar, Martha apontou uma mudança de foco: ampliar a prevenção e a promoção da saúde para além do pagamento de procedimentos. “Basicamente, no futuro, cada vez mais, saúde suplementar vai ser, ao invés de pagadora de procedimentos, geradora de saúde ao longo da vida”, afirmou. Nesse cenário, destacou a integração dos serviços e o acompanhamento contínuo como tendências para o setor.
Unimed IA Race premia projetos com inteligência artificial
A final, o Unimed IA Race premiou três equipes por soluções criadas a partir de demandas das áreas operacionais. O primeiro lugar ficou com o Unirede, desenvolvido por profissionais da Unimed Federação Nordeste Paulista, de Ribeirão Preto. O segundo foi conquistado pelo Taquimetr.IA, e o terceiro, pelo Unicirurg.IA, ambos de equipes da Unimed Franca.
As propostas vencedoras terão acompanhamento de padrinhos executivos para avançar no desenvolvimento e buscar a aplicação prática das soluções. A iniciativa também abre a possibilidade de compartilhar os projetos com outras cooperativas do Sistema Unimed.
Fórum de Ortopedia conecta inovação e responsabilidade
O uso responsável da tecnologia também esteve no centro da abertura do Fórum de Ortopedia e Traumatologia. Nelson Sato Júnior, presidente da Unimed Ribeirão Preto e diretor financeiro e de tecnologia da informação da Federação Nordeste Paulista, relacionou a inovação à revisão de processos, ao uso de dados e à avaliação dos resultados para o paciente. “Inovar para nós significa redesenhar processos, significa utilizar a inteligência de dados para prever desfechos, aprimorar técnicas e colocar o paciente de fato no centro do cuidado”, afirmou.
Sato defendeu a auditoria médica como ferramenta de governança clínica e de parceria, associada aos protocolos assistenciais e à medicina baseada em evidências. “Valor em saúde não é uma métrica abstrata. É o melhor resultado clínico alcançado para o paciente com a máxima segurança, otimizando os recursos disponíveis”, disse.
Auditoria e protocolos para reduzir conflitos
Na relação entre médicos assistentes e auditores, o ortopedista Marcio de Castro Ferreira identificou três focos de divergência: a indicação de cirurgias, a escolha de materiais e a codificação dos procedimentos. Em sua análise, o enfrentamento desses conflitos passa por critérios científicos, avaliação de custo-efetividade e diretrizes que orientem a prática. O palestrante também vinculou o trabalho da auditoria à proteção do paciente diante de intervenções desnecessárias e dos riscos associados à assistência.
A organização desse processo foi abordada por Renato Faria, coordenador da auditoria médica da Unimed Ribeirão Preto. Ao tratar de protocolos assistenciais, ele defendeu a construção conjunta de pacotes de atendimento, com participação dos profissionais e das áreas envolvidas no cuidado. “Você tem que envolver todo mundo que vai estar naquela cadeia do atendimento”, afirmou.
Faria apresentou ainda etapas que vão do levantamento da demanda e dos custos à definição de critérios assistenciais, elaboração dos contratos e monitoramento. Para ele, a previsibilidade financeira precisa estar acompanhada de indicadores de qualidade, avaliação dos resultados clínicos e revisão dos acordos. “O mais importante que eu vejo é avaliar os desfechos”, destacou, ao defender que o modelo de remuneração considere a qualidade da assistência.
Transparência e previsibilidade na relação contratual
A perspectiva dos médicos na relação com as operadoras foi apresentada pelo advogado Valério Ribeiro. Ao abordar a segurança jurídica e a proteção profissional do ortopedista, ele ressaltou a necessidade de regras claras, remuneração acordada entre as partes e participação das sociedades médicas nas negociações. “A solução é realmente transparência. Não vejo outra forma”, afirmou.
Ribeiro apresentou uma posição distinta sobre o pagamento por procedimento, modelo criticado nas exposições anteriores, e defendeu a previsibilidade do valor contratado pelo serviço prestado. Também admitiu os pacotes como alternativa, desde que construídos com os envolvidos e com atenção à remuneração e aos riscos assumidos por cada parte. Em sua análise, reduzir conflitos exige considerar tanto a sustentabilidade das operadoras quanto as condições de trabalho dos médicos.
Informação e participação do paciente na prevenção de conflitos
A relação com o paciente foi o foco da palestra do advogado Ricardo Sordi, do Brasil Salomão e Matthes Advocacia, sobre judicialização na ortopedia. Ele ressaltou que a prevenção de conflitos envolve toda a trajetória do atendimento, desde a indicação do tratamento até o acompanhamento após a cirurgia. Nesse percurso, sinalizou que explicar alternativas, riscos e expectativas de recuperação é parte do cuidado e da segurança jurídica. “Mesmo que eu não tenha um erro, eu posso causar um prejuízo por falta de informação. E isso me traz uma responsabilidade”, afirmou.
Ao abordar o consentimento esclarecido, Sordi destacou que o documento precisa corresponder ao procedimento e às condições de cada paciente. “Não basta fazer um termo genérico. Não basta fazer um termo de riscos vários, muitas vezes até sem relação com o caso.”
Para o advogado, o registro deve refletir uma conversa efetivamente realizada, com informações que permitam ao paciente participar das decisões. “O médico precisa colocar no seu prontuário que discutiu aquilo com o paciente e realmente discutir aquilo com o paciente”, ressaltou.
Sordi também chamou a atenção para a continuidade das orientações no pós-operatório, incluindo reabilitação, sinais de alerta e formas de contato diante de intercorrências. “Quando o médico der alta, deve fornecer informações suficientes para que o paciente não tenha uma complicação inesperada por falta de conhecimento”, orientou.
Tecnologia baseada em valor
Após o intervalo, Marcio de Castro Ferreira retomou a programação com a palestra sobre tecnologia baseada em valor e ampliou o olhar para a reavaliação daquelas que já estão em uso. Segundo ele, a análise deve considerar a qualidade dos estudos, os benefícios clínicos demonstrados e os custos em comparação com as alternativas disponíveis. Também chamou a atenção para os conflitos de interesse na produção científica e para a necessidade de acompanhar os resultados após a adoção de um novo recurso.
A programação terminou com a mesa-redonda “Construindo soluções em conjunto: auditoria, assistência, segurança jurídica e sustentabilidade na ortopedia”, com os palestrantes do fórum. O encontro reuniu as diferentes perspectivas apresentadas ao longo da tarde sobre a relação entre médicos e operadoras, a qualidade assistencial e o uso dos recursos na saúde.
Sobre a Unimed Federação Nordeste Paulista
A Unimed Federação Nordeste Paulista – Federação Intrafederativa das Cooperativas Médicas (UFENESP) foi fundada em 16 de agosto de 1996 e celebra neste ano 30 anos de existência. Inserida no Sistema Unimed, reúne 17 Unimeds associadas e atua na coordenação e no suporte técnico, institucional e estratégico às cooperativas da região.
Fazem parte da Federação as Unimeds de Alta Mogiana, com sede em Orlândia; Araraquara; Barretos; Batatais; Bebedouro; Franca; Ibitinga; Jaboticabal; Mococa; Monte Alto; Norte Paulista, com sede em Ituverava; Pitangueiras; Ribeirão Preto; Santa Rita, Santa Rosa e São Simão; São Carlos; São José do Rio Pardo; e Sertãozinho.













