Encontro debate os caminhos para a venda de empresas

Encontro debate os caminhos para a venda de empresas

Especialistas em fusões e aquisições abordaram governança, avaliação de negócios, sucessão empresarial e estratégias para aumentar o valor das companhias

Ribeirão Preto (SP), 26 de outubro de 2026 – A preparação jurídica, financeira e estratégica foi apontada como um dos principais fatores para o sucesso de operações de fusões e aquisições (M&A) durante o encontro “A Jornada do M&A – Sua empresa está pronta para ser vendida?”. Realizado nesta quarta-feira (21), na sede do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, em Ribeirão Preto, o evento reuniu empresários e profissionais ligados à gestão e aos negócios para debateu os desafios que antecedem a venda de uma empresa, desde a organização das informações até a negociação com potenciais compradores.

  

Promovido pelo escritório em parceria com a Fairplay Capital, a I’M Ventures e o WTC Ribeirão Preto, o encontro contou com apresentações de Sergio Frota, da I’M Ventures; Mariana Denuzzo Salomão, sócia-advogada do Brasil Salomão e Matthes; e José Venâncio, da Fairplay Capital. A programação também incluiu um depoimento em vídeo de Marcelo Gontijo sobre a venda da Termov, empresa que construiu ao longo de sua trajetória profissional.

  

Na abertura, Evandro Grili, sócio-advogado e diretor executivo do Brasil Salomão e Matthes Advocacia, destacou que as operações de M&A fazem parte do desenvolvimento das empresas, seja para ampliar mercados, unir negócios ou viabilizar a sucessão. O CEO do WTC Ribeirão Preto, Rodolfo D’Elboux Guimarães Neto, também participou desse momento e ressaltou o potencial econômico da região e as oportunidades de conexão entre empresas e investidores.

  

Na apresentação do tema “Você compraria a sua empresa?”, Sergio Frota destacou que os empresários precisam avaliar seus negócios sob diferentes perspectivas, especialmente a do investidor. Segundo ele, a análise deve considerar fatores como a maturidade da gestão, a dependência dos fundadores, a reputação, a estrutura de capital, o planejamento estratégico e a capacidade de gerar valor no longo prazo.

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Frota sinalizou que a governança e a profissionalização contribuem para a longevidade das empresas, ao favorecer a organização dos processos, a definição de responsabilidades e a tomada de decisões. Para o conselheiro, a preparação para uma eventual venda deve ocorrer de forma contínua, e não apenas quando surge uma proposta de compra. “Isso deveria ser um trabalho anual, de olhar o quanto a minha empresa está valendo, o que está destruindo o valor e o que está criando valor”, afirmou.

  

Ao abordar a sucessão empresarial, o palestrante chamou a atenção para os riscos da centralização das decisões nos fundadores. “A estruturação da governança permite que a empresa continue evoluindo sem depender exclusivamente da presença do proprietário, além de ampliar as possibilidades de crescimento e proteger o patrimônio e as relações societárias”, completou.

  

Preparação jurídica
Na palestra “A preparação vai além do jurídico”, a sócia-advogada Mariana Denuzzo Salomão abordou a importância de organizar documentos, contratos, informações contábeis e processos jurídicos antes de iniciar uma negociação. “As inconsistências financeiras e os passivos não identificados podem comprometer a avaliação da empresa e alterar as condições inicialmente apresentadas ao vendedor”, comentou.

  

Mariana explicou que o contrato de uma operação de M&A exige análise especializada, pois precisa estabelecer responsabilidades, garantias, condições de pagamento e regras para o período de transição entre os antigos e os novos proprietários. “A ausência dessas previsões pode gerar conflitos e até disputas judiciais. O planejamento todo, essa jornada do M&A, não começa no dia que eu recebo essa proposta. Ela começa desde o dia que eu constituí esse negócio”, afirmou.

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A advogada também relacionou a governança à preparação jurídica do negócio. Para ela, “a formalização de procedimentos e responsabilidades contribui para tornar as empresas mais transparentes e preparadas para uma eventual negociação”.

  

Mercado de M&A e oportunidades
José Venâncio, da Fairplay Capital, apresentou um panorama do mercado de fusões e aquisições e destacou a existência de oportunidades para empresas de diferentes portes. Segundo os dados apresentados pelo especialista, 34% das operações realizadas em 2026, até o período analisado, movimentaram até R$ 100 milhões.

  

No recorte regional, a Fairplay Capital identificou 248 empresas com potencial para operações de M&A em Ribeirão Preto e em um raio de 130 quilômetros da cidade. O levantamento apresentado durante a palestra considerou a aplicação de filtros e a análise de informações de mercado.

  

O especialista explicou que a avaliação de uma empresa não depende apenas do faturamento, mas principalmente de sua capacidade de gerar caixa, das perspectivas de crescimento, dos riscos envolvidos e do interesse de potenciais compradores. “A diferença entre o valor anunciado em uma proposta e o montante efetivamente recebido pelo vendedor, pode sofrer ajustes após auditorias e negociações contratuais”, alertou.

  

Para Venâncio, a escolha do comprador e as condições da operação são tão importantes quanto o preço. Uma negociação conduzida profissionalmente, segundo ele, permite identificar interessados com objetivos e estratégias compatíveis com o negócio.
Experiência prática

Em seu depoimento por vídeo, Marcelo Gontijo relatou que, após décadas dedicadas à Termov, passou a considerar a negociação diante da ausência de sucessores e da possibilidade de dedicar mais tempo à família e a outros interesses pessoais.

  

Gontijo contou que, durante a pandemia, recebeu manifestações de interesse de grupos compradores, mas as negociações não avançaram em razão da forma como os números da empresa foram apresentados. A experiência o levou a dedicar mais atenção à contabilidade e à organização financeira. “Após um período de afastamento por questões de saúde, percebi que a equipe conseguia manter as operações sem a minha presença, o que contribuiu para a minha decisão de buscar um comprador”, relatou.

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Segundo o empresário, o apoio especializado foi importante para revisar as informações, superar as dificuldades e conduzir a negociação. Ele também destacou que a decisão envolveu fatores que vão além do retorno financeiro, como a redução das responsabilidades e a possibilidade de iniciar uma nova etapa de vida. “A melhor hora de você vender a sua empresa é quando ela está bem. Porque quando ela está mal, eles vão te oferecer nada”, afirmou.

  

Sobre Brasil Salomão e Matthes Advocacia
Fundado em 1969, Brasil Salomão completou 57 anos de atuação em 1º de março de 2026. Consolidado como escritório full service, mantém 12 unidades no Brasil, localizadas em São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, Franca, São José do Rio Preto, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Três Lagoas, Goiânia, Cuiabá, Rondonópolis e Araçatuba. Em Portugal, está presente desde 2018, com unidade em Lisboa e operação em todo o território português. O escritório reúne profissionais especializados em diferentes áreas do Direito e atua no atendimento a empresas, instituições e pessoas físicas no Brasil e no exterior.

  

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