O judiciário brasileiro fechou 2025 com 75,5 milhões de processos em tramitação, segundo o Justiça em Números 2026, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para gerenciar a demanda, empresas e grandes escritórios estão estruturando departamentos de controladoria jurídica e disputando um perfil de profissional que a graduação tradicional nem sempre prioriza: o bacharel em Direito com visão de gestão, dados e tecnologia.
Diante do montante de processo em tramitação, gerir os processos é tão importante quanto litigar bem. Nesse novo mercado, controlar prazos, acompanhar a tramitação de ações, monitorar custos com honorários e taxas, gerir contratos e antecipar riscos se tornou o escopo da controladoria jurídica.
O profissional que lidera esse setor, o controller jurídico, é a síntese de um perfil híbrido: formação em Direito, habilidades de gestão financeira e de pessoas, leitura de indicadores (KPIs) e domínio de ferramentas tecnológicas. A área atua como elo entre o departamento jurídico e a alta gestão, assegura a conformidade legal, prioriza a eficiência operacional e protege a reputação da organização.
A tendência acompanha o movimento global de legal operations: o jurídico deixa de ser visto como centro de custo e passa a ser tratado como área de valor, com orçamento próprio, indicadores de desempenho e responsabilidade direta sobre resultados.
Mercado em ascensão
Há mais de 20 anos atuando em controladoria e acompanhando a evolução do setor, Eliana Sgoda diz que os escritórios estão cada vez mais atentos a essa carreira e que o mercado ainda tem muito espaço para quem escolhe esse caminho. “Se antes a controladoria se limitava a um apoio para emissão de guias e conferência de prazos, hoje ela é fundamental para a banca, tornando-se o braço direito dos advogados.”
No dia a dia, o controller jurídico precisa conhecer bem os sistemas eletrônicos judiciais e as ferramentas de controle judicial. Ele faz a gestão administrativa e operacional das demandas judiciais e, como resultado, assegura o cumprimento de prazos, a organização de fluxos de trabalho e a otimização dos serviços jurídicos.
Nessa interseção entre Direito e gestão, a atualização deve ser constante e a Escola Paranaense de Direito mantém oferta de cursos em diversas áreas. “Quem é formado em Direito e não pretende partir para o lado operacional, como peticionamento, audiências e estratégias jurídicas, tende a seguir para a controladoria. É uma excelente forma de usar todo o conhecimento adquirido na formação para a gestão de processos, organização e análise de informações, sem precisar sair da área do Direito”, comenta Eliana.
Custos de processos mal geridos
O custo de um processo mal gerido vai muito além do prejuízo financeiro direto e da perda de prazos: envolve multas, desgastes com o cliente, perda de chances processuais, pagamento indevido de custas e condenações evitáveis.
Segundo Eliana Sgoda, que faz a controladoria em um escritório de Curitiba, a área bem estruturada reduz riscos porque centraliza a gestão, o fluxo processual e o controle de prazos. “O controller jurídico não só libera os advogados para focarem em teses e estratégias como garante que o escritório entregue mais qualidade, no prazo e com segurança.”
Sobre a Escola Paranaense de Direito
Sediada em Curitiba (PR), a Escola Paranaense de Direito é um centro de excelência jurídica focado em pós-graduação, mestrado, cursos e capacitação prática.
Composta por advogados, promotores, juízes, desembargadores e magistrados de prestígio internacional, a instituição une qualidade acadêmica à vivência real dos tribunais para formar juristas diferenciados, por meio da convivência direta entre professores e alunos.













