Estudo internacional de fase 3, com participação de pesquisador da Unifesp, mostra que a nova terapia pode desacelerar a progressão da atrofia geográfica, forma avançada da degeneração macular relacionada à idade.
Uma nova terapia pode mudar a perspectiva de pacientes com atrofia geográfica, forma avançada da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) que provoca perda progressiva e irreversível de células da retina. Resultados de um estudo internacional de fase 3 mostram que o medicamento “avacincaptad pegol” é capaz de desacelerar o crescimento das lesões responsáveis pela perda visual.
A pesquisa GATHER2 contou com a participação do professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Maurício Maia, entre os investigadores do programa.
O estudo avaliou inicialmente 1.422 pessoas e incluiu 448 pacientes, divididos entre o grupo que recebeu mensalmente o medicamento por injeção intravítrea e o grupo controle. A progressão da doença foi acompanhada por exames de imagem da retina.
Os resultados de 12 meses, publicados em 2023 na revista científica The Lancet, mostraram redução de 14% na velocidade de crescimento da área de atrofia geográfica entre os pacientes tratados. O acompanhamento por dois anos, publicado em abril de 2026 na revista Ophthalmology, confirmou a manutenção do efeito sobre a progressão das lesões.
“Até recentemente, tínhamos poucas possibilidades de interferir na evolução da atrofia geográfica. O avanço está em conseguirmos desacelerar a progressão da lesão e preservar a retina por mais tempo. Não se trata de recuperar o tecido já perdido, mas de tentar retardar uma doença que avança continuamente”, explica Maurício Maia.
Uma nova etapa no tratamento
O avacincaptad pegol atua sobre o sistema complemento, componente do sistema imunológico envolvido nos processos que contribuem para a degeneração das células da retina. O objetivo é reduzir a velocidade de expansão da atrofia.
A terapia não recupera a visão já perdida e não representa cura. O benefício demonstrado pelo estudo foi a redução da progressão estrutural da doença, abrindo uma nova possibilidade de tratamento para pacientes que até poucos anos atrás não contavam com terapias capazes de interferir diretamente nesse processo.
“Quando conseguimos retardar o avanço de uma doença irreversível, o objetivo é preservar a função visual e a autonomia do paciente pelo maior tempo possível. É uma mudança importante na forma como passamos a enfrentar a atrofia geográfica”, afirma Maia.
A atrofia geográfica é uma forma avançada da DMRI seca, marcada pela perda progressiva de células da retina e pelo comprometimento da visão central. As novas terapias, aplicadas por injeções intravítreas, atuam sobre o sistema complemento e, embora não recuperem a visão já perdida, abrem a possibilidade de retardar a expansão das lesões e preservar a função visual por mais tempo. Os avanços no tratamento da doença estarão entre os destaques do 11º Congresso da Sociedade Pan-Americana de Retina e Vítreo, que será realizado de 29 de outubro a 1º de novembro, em São Paulo, reunindo especialistas para discutir as principais inovações em retina e vítreo.













