Fenômeno climático que modifica o regime de chuvas deve atuar até o início de 2027 com consequências imprevisíveis para a agricultura, diz o empresário José Roberto Colnaghi
O El Niño que está se consolidando na região equatorial do Oceano Pacífico pode se transformar em um dos principais fatores de risco climático para a agricultura brasileira na safra 2026/27. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê a intensificação do fenômeno nos próximos meses, com probabilidade próxima de 100% de que seus efeitos sejam sentidos até fevereiro de 2027. No Brasil, as consequências mais importantes não serão necessariamente uma queda generalizada da produção, mas uma combinação de excesso de chuva em algumas áreas, calor e irregularidade hídrica em outras, trazendo imprevisibilidade para as lavouras. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com outras instituições federais, estima em 90% as chances de o El Niño ser especialmente forte entre setembro e novembro, modificando a circulação atmosférica, bem como a distribuição das precipitações e das temperaturas no país. “Esta previsão é particularmente relevante para o agronegócio porque a mudança no regime de chuvas impacta diretamente a produção agrícola nacional”, diz José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho de Administração da holding Colpar Brasil, que opera negócios em setores como agropecuária, indústria e urbanismo.“O El Niño precisa ser analisado regionalmente e também de acordo com cada atividade” diz José Roberto Colnaghi. Para quem produz alimentos, cria gado ou trabalha com florestas, mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas podem alterar o planejamento, a disponibilidade de água, as pastagens, a produtividade e até a logística. Por isso, mais do que falar em perdas ou ganhos generalizados, é preciso olhar para os diferentes cenários e se preparar para eles”, destaca ColnaghiO cenário exige atenção ainda no Norte e no Nordeste. O padrão típico do El Niño aumenta o risco de seca nessas regiões. Isso pode afetar culturas dependentes de chuva, pastagens e disponibilidade de água para a pecuária. No caso do Matopiba — área que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e que se tornou uma das principais fronteiras agrícolas do país — temperaturas elevadas combinadas com chuvas irregulares podem aumentar o risco climático justamente em uma região de forte expansão da produção de grãos. Diante deste quadro, especialistas avaliam o impacto econômico, pois os preços de alimentos, os custos de produção, as exportações e a renda dos produtores podem ser afetados. Vale ressaltar que, como os efeitos podem ser distintos nas diferentes regiões do país, a consequência mais provável é o aumento da volatilidade, e não necessariamente uma alta generalizada dos alimentos. Ou seja, o maior efeito do fenômeno climático sobre o agronegócio brasileiro pode acabar sendo a imprevisibilidade: uma mesma ocorrência que beneficia uma cultura pode prejudicar outra. Em um país de dimensões continentais, o desafio da safra 2026/27 será menos enfrentar um único El Niño e mais administrar vários efeitos simultâneos.







