Brasil reduz distância para países da OCDE, mas 72% seguem abaixo do básico em Matemática

Brasil reduz distância para países da OCDE, mas 72% seguem abaixo do básico em Matemática

Avaliação internacional divulgada neste mês mostra estabilidade do Brasil enquanto médias da OCDE caíram; para Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior, resultado revela novos desafios para a aprendizagem

Ribeirão Preto (SP), 16 de agosto de 2026 – O resultado do PISA 2025 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) coloca a educação brasileira diante de uma questão que vai além das notas e da posição no ranking: como transformar estabilidade em avanço e, ao mesmo tempo, preparar os jovens para aprender em um ambiente cada vez mais marcado pela inteligência artificial? Para o professor Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior e avaliador do Inep/MEC, a resposta passa por duas frentes que precisam caminhar juntas: recuperar competências básicas, como leitura e Matemática, e desenvolver a autonomia dos estudantes para lidar de forma crítica com as novas tecnologias.

  

“Quanto mais fácil fica produzir uma resposta, mais importante se torna saber avaliar essa resposta. Quanto mais informação temos disponível, maior é a necessidade de saber selecionar, interpretar e estabelecer relações. A tecnologia não diminui a importância da leitura, da Matemática ou do pensamento científico. Ela aumenta a necessidade de dominar essas competências”, afirma.

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Na avaliação de Esteca, a inteligência artificial não deve ser tratada apenas como ameaça nem como solução para os problemas educacionais. A escola precisa ensinar o estudante a utilizar essas ferramentas sem transferir para elas o esforço de pensar, interpretar e construir conhecimento. “Se ele ainda não domina a leitura, não consegue avaliar uma informação ou construir um raciocínio próprio. Existe o risco de utilizar a IA para substituir justamente o esforço cognitivo que deveria ajudá-lo a aprender.”

Para o especialista, a mesma lógica vale para o uso de celulares. Restringir o aparelho no ambiente escolar pode contribuir para organizar as aulas, mas não resolve a relação dos jovens com a tecnologia. “Precisamos avançar de uma educação que simplesmente controla o acesso para uma educação que desenvolve competências para lidar com esse ambiente”, avalia.

  

Dados recentes do PISA 2025
A análise ganha relevância diante dos resultados divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 8 de setembro. O Brasil registrou 377 pontos em Matemática, 408 em Leitura e 409 em Ciências, mantendo desempenho próximo ao dos ciclos anteriores, enquanto as médias da organização recuaram. Em Matemática, 72% dos jovens brasileiros de 15 anos ficaram abaixo do nível básico de proficiência. Ao mesmo tempo, 48% afirmaram utilizar chatbots de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para aprender.

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O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) é uma iniciativa da OCDE que analisa o desempenho de jovens de 15 anos em Matemática, Leitura e Ciências e investiga aspectos relacionados ao contexto de aprendizagem. A edição de 2025 reuniu mais de 760 mil participantes de 91 países e economias.

  

Sobre o especialista
Antonio Esteca é graduado e mestre em Ciência da Computação pela UNESP, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ e doutor em Psicologia pela PUC-Campinas. Atua no ensino superior desde 2013, com experiência em docência, gestão acadêmica, inovação educacional e desenvolvimento institucional. É avaliador institucional do INEP/MEC e acompanha de perto temas relacionados à qualidade e às transformações da educação brasileira. Atualmente, destaca-se também como uma das 10 vozes de maior influência no LinkedIn no mundo na área da Educação Superior. Em sua pesquisa de doutorado, dedicou-se ao estudo da prevenção do bullying e do cyberbullying no contexto escolar, tema que dialoga diretamente com a formação de educadores e com a promoção de ambientes escolares mais seguros e saudáveis. Atualmente, é CEO e Diretor-Geral da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP), da Faculdade Metropolitana de Franca (FAMEF) e da Faculdade de Tecnologia, Ciências e Educação (FATECE).
Mais informações: https://www.linkedin.com/in/antonioesteca

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