Pesquisas destacam mudanças na forma de discutir sexualidade, mas insatisfação permanece
Vinte anos após um estudo revelar que metade dos brasileiros enfrentava dificuldades na vida sexual, um novo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aponta mudanças na forma como temas relacionados à sexualidade são discutidos no país.
Três agentes estão associados a essa transformação. O primeiro é o aumento do acesso à informação. O segundo é a expansão do uso de telas. O terceiro envolve a participação das mulheres em debates sobre prazer e desejo.
Em 2005, uma reportagem exibida no Fantástico repercutiu um estudo segundo o qual 50% da população nacional tinha problemas na hora do sexo. Duas décadas depois, a comparação feita pela SBU mostra um retrato duplo. Os desafios persistem, mas o debate público sobre sexualidade está caminhando. Hoje, ele engloba temas como libido, saúde mental, envelhecimento, qualidade de vida e autocuidado.
Essa mudança de comportamento também aparece na busca por informações sobre saúde sexual. Nos últimos anos, conteúdos produzidos por instituições, profissionais e portais especializados, como Portal Einstein, Medicinal e Drauzio Varella, passaram a integrar a rotina de quem deseja entender os fatores que influenciam a libido e o bem-estar.
Brasileiros estão mais flexíveis, mas demonstram insatisfação com vida sexual
Um levantamento nacional divulgado pelo Gshow, baseado no chamado Censo Brasileiro dos Fetiches, identificou aumento na disposição dos respondentes para relatar fantasias e preferências sexuais. O estudo aponta diferenças entre regiões do país e indica que práticas antes consideradas tabu passaram a ter maior presença nas respostas dos participantes da pesquisa.
Apesar de não representar toda a população, os dados ilustram uma tendência de redução de barreiras para falar sobre o tema. Outra análise, porém, traz um retrato menos otimista. Segundo a edição 2026 do Love Life Satisfaction, da Ipsos, apenas 33% dos brasileiros se dizem muito satisfeitos com a vida amorosa e sexual. O resultado repete o padrão do ano anterior: o Brasil segue como o país latino-americano com a pior avaliação nesse quesito.
O que explica esse cenário?
Os dados da Ipsos indicam diferenças nos níveis de satisfação conforme características socioeconômicas dos entrevistados. Entre pessoas de alta renda, 82% afirmam sentir-se amadas. O percentual cai para 78% na renda média e 72% na baixa renda. O estado civil também foi considerado: 72% dos casados se dizem satisfeitos com a vida amorosa e sexual, contra 50% dos solteiros.
A pesquisa não estabelece relação de causa e efeito. Ainda assim, os resultados dialogam com indicadores socioeconômicos do país: 23,1% da população brasileira estavam em situação de pobreza em 2024 (IBGE).
O que influencia a libido?
A sexualidade reúne características próprias da experiência humana. Ela se manifesta de diferentes formas, sempre ligada à energia vital do indivíduo. O Caderno de Atenção Básica – Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva a descreve como uma dimensão importante da vida, que envolve aspectos biológicos, psíquicos, sociais, culturais e históricos.
Mas o que faz a libido variar? Segundo a OMS, a libido e a vivência da sexualidade são influenciadas por variáveis como saúde física, doenças, saúde emocional, estresse, qualidade do relacionamento afetivo, acesso a informações sobre sexualidade, conhecimento sobre riscos e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), acesso a serviços de saúde sexual, ambiente livre de coerção, discriminação e violência, hábitos relacionados ao sono, à alimentação e à prática de atividades físicas, uso de medicamentos, alterações hormonais, aspectos culturais, religiosos e experiências pessoais.
Hábitos saudáveis despertam interesse de quem busca cuidar da libido
Com fatores físicos, emocionais e comportamentais em jogo, os brasileiros passaram a adotar mudanças na rotina para favorecer o bem-estar sexual. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono adequado e manejo do estresse estão entre os hábitos associados a esse objetivo.
Nesse contexto, cresce também o interesse por suplementos e ingredientes naturais, incluindo o uso da maca peruana para libido. Originária dos Andes peruanos, a raiz integra a alimentação tradicional da região e vem sendo estudada por possíveis efeitos sobre energia, disposição e saúde sexual.







