Uma embalagem personalizada é capaz de criar ligações emocionais entre o consumidor e o produto
Apesar de manter a liderança mundial na produção de café, com estimativa de cerca de 66 milhões de sacas em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil ainda enfrenta um desafio: transformar seu protagonismo em maior valor agregado para o produto. A constatação faz parte do estudo desenvolvido pela pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Rita de Cássia Milagres.
Segundo o levantamento, a produção mundial de café vem crescendo nas últimas décadas, passando de cerca de 8,5 milhões para 11,6 milhões de toneladas entre 2010 e 2024. No mesmo período, o consumo global teve alta de aproximadamente 44%, saindo de 8 milhões para 11,7 milhões de toneladas.
Contudo, apesar de números positivos e da posição de destaque ocupada pelo Brasil como produtor, exportador e consumidor da bebida, a análise indica lacunas significativas quanto ao valor agregado ao produto, apontado como um dos principais gargalos estruturais do país.
Nesse sentido, o levantamento sugere que o aumento da produtividade no Brasil depende de uma combinação de fatores, como inovação tecnológica, adaptação genética, sustentabilidade e melhor uso da informação. O investimento em embalagens personalizadas e de qualidade seria uma alternativa para superar parte desse desafio, agregando valor ao produto.
A embalagem como diferencial
A embalagem têm um papel muito importante na percepção do consumidor. Além da estética e dos benefícios relacionados ao armazenamento, pode trazer diferenciais como identidade visual da marca, valores e informações sobre o produto, como região produtora, a história do produtor, detalhes sobre o processo de produção e perfil sensorial.
Além disso, há informações que podem estar na embalagem personalizada com logomarca que valorizam ainda mais o produto, agregando valor à cadeia produtiva, como sustentabilidade, certificações e rastreabilidade.
Segundo informações do Serviço de Apoio às Pequenas e Micros Empresas (Sebrae), a embalagem, em muitos casos, é o primeiro contato do consumidor com o produto, ou seja, “ela será o principal meio de comunicação e geração de expectativas, o que levará o consumidor a comprar o produto ou a largá-lo na prateleira”.
Neste processo, uma embalagem personalizada, como a stand up pouch personalizada, poderá criar ligações emocionais entre o consumidor e o produto, evocar boas lembranças para o consumidor, impulsionar o cliente para o consumo, criar comunicação direta com o consumidor e criar expectativa quanto ao produto.
“Uma embalagem personalizada com logomarca para a construção da identidade de uma marca de café, além de reforçar essa marca, expõe a qualidade do produto como espelho da identidade visual”, aponta o CEO da Packster, Jack Strimber.
Segundo ele, “o movimento de mudar a embalagem de algo artesanal para uma embalagem profissional com alto valor agregado, incluindo a possibilidade de imagens, fotos, comunicação via QR-code e certificações, posiciona um produto com destaque. Isso reflete em posicionamento da marca e em maior volume de vendas, com abertura de novas frentes para redes de supermercados e on-line”.
Mercados internacionais
O design e a apresentação do produto podem ajudar, inclusive, o café brasileiro a competir em mercados internacionais. “A criatividade e as possibilidades que a impressão digital trazem funcionam como oportunidade de destacar e reforçar a qualidade e a comunicação com novos mercados. Isso se aplica a diferentes perfis de cafés que temos no Brasil”, aponta Strimber.
Segundo ele, o digital permite que o cliente desenvolva embalagens em diferentes idiomas, além de tiragens de menor volume, o que configura um grande facilitador para atender regras internacionais e se posicionar em outros mercados.
Vantagens competitivas
De acordo com informações da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), as principais vantagens que uma embalagem bem desenvolvida poderá ter no mercado são: agregar valor real ao produto, reduzir custos no processo produtivo, ganhar em distribuição, ajudar o produto a ter um menor tempo na prateleira, possibilitar facilidade de manuseio, disponibilizar de forma clara as informações para o consumidor e aumentar a competitividade.
Para isso, além da estética, é importante pensar nas características técnicas da embalagem, que são fundamentais para preservar aroma, sabor e frescor do café. “O café é um alimento, por isso, é preciso ter todo o cuidado para extrair a melhor experiência do consumidor final. Isso inclui contar com uma embalagem com barreira luz e oxigênio, zíper para fechamento após o consumo, além da válvula desgaseificadora, que agrega valor ao produto e garante que o café permanecerá com maior frescor durante o consumo”, explica a consultora comercial especialista em cafés, Eluana Santos.
A pesquisa ‘A geração de valor na cadeia do café através da embalagem”, divulgada pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal, reforça a necessidade de se trabalhar a sustentabilidade, já que muitos consumidores não reciclam a embalagem do café, podendo o produtor estimular essa prática por meio da comunicação, utilizando a própria embalagem para essa interação.







